Rogações de Eremita
Monjas do Outono
II
Se em toda a vida passa a enfermidade, se a formosura é incerta, e se o lírio e a estrela e a nuvem e o mármore mais duro, e a alegria e o riso e a doçura infinita da bondade e a própria luz do sol são perecíveis; se a criação inteira que os olhos vêem e que a nossa alma sente, toda a beleza íntima e a do mundo, decai e desfalece, sofre e se apaga: se só tu és eterno, Senhor! em tua caridade e teu saber, e se a suprema harmonia, que é o teu sonho, não distingue o prazer e a dor, a caricia, o flagelo, a rosa e o cardo, por igual divinos{102} em teu divino ser—se é esse o teu querer, bendita seja a hora em que encontrei a dríade enferma do inverno que em seu dissipado encanto e em sua mágoa correu a ensinar-me a crer em teus desígnios e me segredou louvor e obediência, a inteira abdicação em teu mistério!{103}
MONJAS DO OUTONO