Rogações de Eremita

Jaime de Magalhães Lima · Capítulo 22 de 76

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Rogações de Eremita

Culto de Quimeras

III

 

A terra que ele amou, amou-o também!...

Quando morreu, calaram-se no ermo os seixos que cantavam, rolando alegremente pela enxada;{40} murchou endurecido o prado à míngua do sustento que alimentava as ávidas raízes, entumecida a erva verdejante, quando, pelas madrugadas calmas do Estio, o cavador se erguia a socorrê-las, atento, diligente, cortando breve o sono, para que por sua culpa não sofressem as miríades de seres sob sua guarda, mudos para os demais mas eloquentes para quem lhes conhecia a aspiração. Não mais ao despontar da aurora respondeu o jorro da água límpida tirada entre o mover estrídulo das rodas pelo jugo robusto que a elevava da frescura dos poços obscuros à claridade rútila dos céus.

Foram essas as lágrimas que a terra, lacrimosa e viúva, chorou pelo criador humilde do seu viço,—aquela mesma terra desdenhosa que, indiferente, sepulta os orgulhosos, degenerados do seu culto e crença.{41}

 

CULTO DE QUIMERAS