Rogações de Eremita
Capítulo II
Mas não te desamei, Senhor, porque assim fiz!...
Sempre que o coração tentou seus voos de candura, sempre que se sentiu sujeito a forças sobre-humanas para as servir guardando os seus mandados, no remorso e na dúvida, em todo o penar de angustia e em toda a esperança, em afecto e ternura, em sonhos de pureza, aspirando ao enlevo no Eterno, cansado deste mundo de fraqueza, ergui olhos chorosos ao azul, onde cintilam astros diamantinos, e invoquei-te, Senhor, meu Deus e Pai, a ti «que estás nos céus, nome santíssimo, para que tu me acolhas no teu reino e eu fielmente cumpra a tua vontade; para que me dês o pão de cada dia e me perdões quanto te dever, assim como aos meus devedores também perdoo; para que afastes de mim a tentação e de todo o mal me livres para sempre.»
E fui humilde então!... Nesses altares me despi totalmente da soberba e ajoelhei prostrado, submisso, a escutar tua voz e a adorá-la, religioso, confiado e crente, curvado como o canavial vergado ao vento.{99}