Rogações de Eremita

Jaime de Magalhães Lima · Capítulo 51 de 76

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Rogações de Eremita

Capítulo I

 

O outono palpita nos orvalhos. Já a manhã é tardia em despontar e o cavador trabalha em bem prover seu refúgio para a aspereza do inverno. Antes que rasgue a terra para o trigal, há-de juntar em torno do seu lar a provisão de lenhas que alimentem calor e vida em noites de Dezembro, a alegre e rubra chama da fogueira.

No pinheiral da gândara, que dormiu prolongados silêncios abrasados quando o sol ia alto, fulminando verdes searas a beber seu leite da terra criadora, entre cantares dos filhos do seu seio e seus escravos que em suor a banhavam fecundando-a—no pinheiral da gândara, a árvore ferida, decepada do chão pelo aço luzente que o lenheiro vibrou em hercúleo arranco, solta tombando clamores tremendos; e a paz da floresta repetiu-os em ecos de saudade compassiva.{88}