Rogações de Eremita

Jaime de Magalhães Lima · Capítulo 54 de 76

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Rogações de Eremita

Maldição

II

 

Senhor! Em vossa caridade reparti vossos bens por quantos, infelizes, a fraqueza condena a mendigar dos fortes o seu pão, embora o orgulho os traga confiados em pérfidas grandezas traiçoeiras! Por esses que o destino arrasta na tristeza, no cansaço e desgosto de viver, porque em hora sinistra se apartaram do caminho da vossa salvação!... Deixai que chorem sua desventura, e em seu queixume ouvi a minha voz!... Deixai que chorem em doloroso exílio esses proscritos que jamais comungam com o cavador na bênção de criar na terra o nosso pão com o suor do rosto! À luz da aurora que o beijou no monte, juntai as lágrimas dos que vão chorando sua desgraça, sua perversão!... Fossem elas incenso e ouro e mirra que os débeis reis do mundo tributassem à sagração divina do escravo!... Resgatassem humildes todo o erro que os desprendeu da escravidão da terra!...{93}

 

MALDIÇÃO