Rogações de Eremita

Jaime de Magalhães Lima · Capítulo 44 de 76

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Rogações de Eremita

Perpetuas do Romeiro

II

 

Não me culpes, Senhor, se eu esquecendo, em momentos mortais de desalento, a sabedoria infinda do teu ser que o orbe rege e funde em harmonia, sucumbi de fraqueza e de descrença perante os poderes da terra no seu auge! Não me culpes, Senhor, se assim vencido, atónito de espanto e de terror, senti passar a cólera das águas e tremi de sofrer sua inclemência! Não me culpes, Senhor, se um instante de assombro me oprimiu perante as iras da vossa criação e nelas vi tiranias indómitas cruéis! Logo me emenda o erro, crê, e me resgata de vãos temores e de fraquezas ímpias a inteira fé na suprema perfeição de quanto é teu. Mais alta que os clamores da inundação, uma outra voz me ergue no desejo de que a «tua vontade seja feita, quer nos céus, quer na terra», eternamente.{77}

 

PERPETUAS DO ROMEIRO