Sete anos
Hany no Alá-lá-ô
julho de 2009
Hany no Alá-lá-ô
Em 2005, quando Hany Abu-Assad lançou Paradise Now, nos Estados Unidos, houve manifestações de protesto na frente dos cinemas que o exibiam. Apesar da indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o diretor foi acusado de edulcorar os terroristas suicidas do Jihad e tachado de irresponsável por executivos da indústria. Paradise Now conta a história de dois jovens palestinos da Cisjordânia que, por falta de perspectiva, se tornam homens-bomba. O filme termina com um deles sentado num banco de ônibus em Israel, segundos antes de apertar o botão.
Hany acerta na cinematografia elegante, no humor ácido e, principalmente, na identificação que provoca entre o público e os dois palestinos, estes quase sempre representados pelo Ocidente como fundamentalistas austeros, que nada teriam a ver conosco.
As filmagens aconteceram na cidade de Nablus, em pleno confronto. A equipe passou seis meses correndo risco de vida, rodando em meio ao fogo cruzado e servindo de escudo para militantes palestinos, contra os ataques israelenses. “Eu queria fazer um faroeste na atualidade, nos verdadeiros lugares de tensão”, diz Hany. “São áreas fechadas, guetos onde se enfrentam seis, sete horas de fila para cruzar a fronteira debaixo de um sol inclemente.”
Uma noite, elenco e técnicos testemunharam um confronto envolvendo tanques e metralhadoras que se estendeu por horas a fio. Encurralados no hotel, deitados no chão do saguão, todos choravam e se arrependiam. “Eu, mesmo apavorado, tive que segurar as pontas, já que era o responsável por ter posto todo mundo naquela situação.” Uma cena foi interrompida abruptamente para que as armas emprestadas fossem devolvidas aos verdadeiros donos. Eles precisavam usá-las numa ação ofensiva. No retorno para casa, muitos membros da equipe foram interrogados pela polícia.
Temendo pela segurança de Hany durante a cerimônia de entrega do Oscar, o governo americano designou cinco agentes da CIA para escoltar o diretor nos quatro dias em que ele ficou em Los Angeles. “Era uma situação estranhíssima”, lembrou. “É para defender o povo americano de árabes como eu que o aparato de proteção é normalmente acionado.”
Estar na pele do inimigo já lhe rendeu chás de cadeira em aeroportos e algumas saias justas. Num voo para Tel Aviv, sentou-se ao lado de uma senhora bem-posta. Aliviada, ela confessou: “Ah, graças a Deus você não é nem preto nem árabe. Não que eu tenha nada contra pretos e árabes, é que eles não cheiram bem”. Hany sorriu e respondeu, gentil: “Eu sou palestino”. “Ela passou as seis horas de voo sem saber onde enfiar a cara”, conta ele.
Hany é um quarentão da cidade de Nazaré à solta no Rio de Janeiro. Está trabalhando na pré-produção de Onze minutos, o longa-metragem que vai dirigir, baseado no livro homônimo de Paulo Coelho. O Brasil nunca fez parte de seus planos, e ele quase recusou o convite por ser disléxico. Hany lê com lentidão e costuma passar os roteiros que recebe para a namorada — roteirista e cineasta turca — avaliar. A moça descartou Onze minutos por achar que não havia nada ali que pudesse interessá-lo.
Estava enganada. Hany se sentiu atraído de imediato pela história de uma brasileira que vira prostituta na Suíça. “A ideia de que alguém faça do próprio corpo uma mercadoria é a oportunidade de falar que, no Ocidente, tudo está à venda. Também me intriga a dificuldade de uma mulher praticar o sexo sem estar excitada, enquanto alguém se excita justamente com isso.”
Seu primeiro choque com a sociedade de consumo se deu aos dezoito anos, quando deixou a Palestina e se mudou para a Holanda. Em Amsterdam, conheceu o Red Light District e o capitalismo. Durante seis meses, mal pôde ir às aulas, atordoado com o admirável mundo novo. Tarde demais, percebeu que precisaria arranjar uma desculpa para justificar, para o pai, as faltas na faculdade: “Tentei conseguir uma dispensa com um médico, mas ele me olhou sério e perguntou: ‘Que doença eu vou dizer que você teve por seis meses corridos, câncer?’”. Hany apelou para a psicanálise, mas desesperou-se ao ouvir do analista que teria que comparecer a, no mínimo, duas sessões por semana. “Frequentei o divã durante dois meses. Repetia que meu pai me mataria se soubesse a verdade; meu pai era um homem muito compreensivo, coitado, mas fiz um quadro terrível dele. No fim, ele me deu o atestado e eu não apareci mais.” Abandonou o que considera um luxo burguês.
Em Amsterdam, estudava para ser engenheiro e ganhava a vida na cozinha de restaurantes. Foi preparando saladas que conheceu Wilco, um holandês também saído da adolescência, punk, de cabelo moicano, que tocava numa banda de hard rock. Jovens de esquerda, lavavam pratos, amaldiçoavam o sistema e serviam a burguesia ignara. Um dia, Wilco foi se apresentar no Uruguai — o pai do cantor da banda, grande astro da música uruguaia, arranjou uma turnê para o filho. Na volta, o amigo roqueiro fez uma parada na Bahia e nunca mais foi o mesmo; cortou o cabelo e arrumou uma namorada brasileira. A baía de Todos os Santos amansou a fera.
Hany odiou a mudança: “Perdi meu companheiro de revolta. O Brasil virou um imperativo. Ele só ouvia MPB e não parava de repetir que eu tinha que vir para cá”. Até Onze minutos, Wilco tinha sido o mais perto que Hany havia chegado do Brasil. Agora, está aqui há três meses e planeja ficar mais seis.
Uma vez formado em engenharia aeronáutica, prosperou na profissão. Aos 26 anos já ostentava dinheiro, escritório, secretária e duas patentes de invenções que são utilizadas em grandes aviões de carreira até hoje. “Minha área era a fabricação de um material composto de fibras de carbono, leve e extremamente resistente, que serve para fazer quase tudo o que se encontra no interior das cabines”, explicou. “Descobri um jeito de diminuir a eletricidade no interior do forno durante o processo de cozimento, adicionando vapor às mantas, e sugeri que se usasse um termômetro de infravermelho para controlar a temperatura. São fornos do tamanho de uma casa. Isso reduziu enormemente o gasto de energia.”
Uma confusão afetiva o fez largar tudo e voltar a Nazaré para trabalhar com o pai. Sua casa fica a duzentos metros da residência oficial da Virgem Maria, onde Jesus Cristo cresceu. Lá, conheceu o documentarista político Rashid Masharawi, virou seu assistente e entrou para a sétima arte. O pai não reclamou: “Ele era um homem bom. Se fosse meu filho, teria coberto de porrada”.
Em 1948, depois da proclamação do Estado de Israel, a família Abu-Assad escapou do exílio graças a um militar inimigo e à força da Igreja católica em Nazaré. “O comandante local do Exército israelense exigiu uma ordem por escrito para que fosse feita a limpeza étnica em curso no resto da Palestina, mas seus superiores preferiram não oficializar a ação num documento.” Como as ordens não foram explicitadas, os soldados não se moveram. A família de Hany abandonou o esconderijo na igreja e voltou para casa. “Os parentes que buscaram asilo em países vizinhos, à espera de que a situação se normalizasse, estão proibidos de entrar na Palestina até hoje”, disse. Como ninguém ousa tocar na sagrada Nazaré, ele garante que sua cidade é “o lugar mais seguro do mundo”.
Assim como na antiga Roma, os territórios sob ocupação sofreram com a carga extra de impostos. O dinheiro servia para consolidar o poderio de Israel. Ultrajado, o pai de Hany deixou de honrar o fisco, enfrentou inúmeros processos judiciais e perdeu a maior parte de sua fortuna. “Eu cresci irritado com a atitude do meu pai, mas, hoje, acho que ele foi um herói.”
Hany passou a infância numa Palestina rural, com direito a galinheiro no quintal e banho de rio. Sua gangue de pivetes gostava de fazer xixi nas pias de água benta das igrejas católicas e de atrapalhar a reza nas mesquitas. O muçulmano tem que rezar uma sequência de preces de uma só vez, sem desviar a atenção. Se algo o interromper, terá que voltar à estaca zero. “A gente segurava uma galinha e esperava o sujeito chegar quase no fim para jogar o bicho em cima dele”, conta. “Depois ríamos feito loucos com o desespero do outro. Eu não tinha nada na cabeça, só queria rir, rir até me acabar.”
Sua casa ficava perto do lago de Tiberíades, onde Jesus caminhou sobre as águas. Nos últimos anos, a população da cidade de Tiberíades pulou de 30 mil para 200 mil habitantes. Sem planejamento, os hotéis de luxo se multiplicaram, despejando o esgoto no lago. “Qualquer um, hoje, é capaz de caminhar sobre as águas, basta alugar um jet ski.”
A insustentabilidade da vida contemporânea é um assunto recorrente nas conversas com Hany. É por meio dela que ele discute a situação do Oriente Médio. Vindo de uma família de classe média — seus irmãos são profissionais liberais —, ver a Palestina ocupada por radicais fundamentalistas jamais o alegrou, nem a nenhum dos Abu-Assad. Eles temem o Hezbollah tanto quanto o Talibã. “Eu tinha a mesma opinião que a minha família até assistir à TV Al-Manar”, contou. “É um canal estupendo, com debates de alto nível, raros de se ver em outras redes.” Em vez de um discurso xiita, o que Hany ouviu pareceu razoável. “A vida moderna não será viável no futuro próximo”, afirmou. “As revoluções tecnológicas demorarão mais tempo para serem implantadas do que a feérica curva ascendente de destruição dos recursos naturais do planeta. Sou engenheiro, sei o que estou dizendo.”
O que muitos grupos radicais pregam é o direito de manter sua estrutura social intacta, sem as benesses da modernidade:
Está comprovado que o homem não conseguirá sobreviver se continuar poluindo e gastando da maneira como está. A
Palestina sobrevive há milênios comendo o que planta e criando cabras, é uma sociedade autossustentável. É preciso
lutar para preservar os hábitos na região, do contrário ela ficará dependente do mercado externo e será varrida da Terra
como os demais povos. Se o homem encontrar uma saída para essa encruzilhada, se a civilização baseada no consumo
triunfar, tudo bem, nos entregaremos a ela. Mas nos deixem existir à nossa maneira. Talvez seja a única capaz de
suportar as mudanças que estão por vir.
Querendo reduzir ao máximo sua contribuição para a degradação do meio ambiente, Hany parou de usar xampu. Um ambientalista holandês ironizou suas pretensões. “Ele me disse que um filme é mais poluente do que dez anos de xampu na cabeça. Ele tem razão. Pense na quantidade de carros, folhas de papel, agentes químicos para revelar a película. E nos aviões, garrafas PET e energia elétrica.”
Onde o Ocidente enxerga progresso, Hany vê a manipulação de pensamento. “Somos levados a acreditar que precisamos comprar para sermos felizes. O poder de um homem está ligado ao que ele possui. Tudo para mover uma gigantesca máquina de dinheiro e comércio. Quando eu cheguei à Europa, em 1981, era de mau gosto o sujeito ter ambições. Em trinta anos, tudo mudou”, disse. “O mundo árabe luta para expulsar um invasor de seus domínios e se recusa a aceitar o American way of life. O que há de condenável nisso?”, indaga. “A propaganda transformou os Estados Unidos na grande nação sofredora. Do rei fez-se a vítima. É uma distorção absurda.”
Ateu convicto, crê que as promessas do comunismo não têm nenhuma chance quando comparadas às vantagens capitalistas:
O comunismo e o capitalismo disputam o posto de melhor organização sociopolítica do planeta. Acontece que o
capitalismo é o melhor sistema de recompensa terrena que o homem já inventou. Já o julgamento divino e a vida eterna
são as únicas armas capazes de fazer frente aos valores burgueses do capital. O paraíso post mortem é pilar da luta
palestina. Para os que creem nele, as vantagens são tentadoras: rios de bebida alcoólica, centenas de virgens esperando
a hora de se tornarem mulheres e a chance de pecar sem ser castigado.
O mundo onírico é a resposta à fartura terrena da globalização e Alá, o maior aliado da militância árabe na guerra santa do século XXI.
Hany desistiu da religião ainda muito jovem. Foi no dia em que sua mãe o flagrou, em plena puberdade, entregue aos prazeres de Onan. Ela bateu em suas mãos com vigor e disse que nunca mais repetisse o ato impuro, pois, do contrário, “queimaria nas chamas do inferno”. Impressionado, o menino passou a viver dividido entre o clamor do sexo solitário e a promessa de salvação na vida eterna. “Numa noite, atormentado pelos hormônios, e já sentindo o chamuscar da danação, fui tomado por um pensamento revelador: e se Deus não existir?, pensei.” A ideia trouxe alívio. Hany matou Deus e conseguiu virar homem.
Conversar com esse palestino é como ver o Ocidente pelo avesso. Ele não festeja a eleição de Obama, e resume:
Bush é a verdadeira face da América. Obama é Bush com vaselina. Mesmo que bem-intencionado, não depende da
vontade de um presidente mudar relações de poder arraigadas. A França e a Inglaterra traçaram um plano para
controlar o petróleo no Oriente Médio cem anos atrás. Está documentado, no Acordo Sykes-Picot, assinado no dia 16 de
maio de 1916. A técnica utilizada foi a de dividir para conquistar. A Arábia foi esquartejada em países fictícios,
entregues a tribos rivais entre si. Os chefes das tribos foram consagrados reis com a mesma caneta usada para assinar o
acordo. Obviamente, os soberanos se mantiveram fiéis aos interesses de fora, que os colocaram no poder. Viramos um
barril de pólvora.
Paradise Now lhe abriu as portas de Hollywood, o quartel-general do opressor. Hany dispõe de agentes, advogados, e recebe propostas para dirigir filmes internacionais. Na roleta dos estúdios de Los Angeles, já esteve perto de fechar projetos grandes. A greve dos roteiristas interrompeu a realização de um filme com Nicolas Cage. Hany estava de malas prontas para o início das filmagens, em Berlim. “Costumo trabalhar com improvisação e aleguei que não precisaria de um roteirista. Caso necessário, criaria os diálogos na hora, com os atores.” Mas explicaram que ele não poderia mudar nem uma linha do script. “Quem checaria a mudança na tela?”, argumentou. A resposta dos produtores foi definitiva: “Eles me disseram que isso seria uma traição maior do que me plantar numa praça na Faixa de Gaza e gritar ‘Viva Israel!’”.
O primeiro convite americano que recebeu foi para participar de uma série de filmes a respeito da visão do estrangeiro sobre a América. Hany esboçou a história de um grande ator shakespeariano egípcio — um Paulo Autran das arábias — que é convidado para filmar em Los Angeles. Ao desembarcar, descobre que cabe a ele o papel de um homem mau, muito mau, que deve encher Jennifer Lopez de pancadas. “Seria um filme sobre esse ator perdido entre os dois mundos: o Egito, onde é alguém perto de Deus, e Hollywood, onde não é ninguém.” O projeto não foi adiante porque a produtora faliu durante seu desenvolvimento.
Ele chegou a escrever a cena em que o ator receberia treinamento para falar com Spielberg sem cometer deslizes. “Isso acabou me acontecendo”, disse. Hany ensaiou por quatro horas para uma entrevista com Tom Cruise. Passou no teste, mas o financeiro barrou, “disseram que se algo desse errado num projeto de 90 milhões de dólares estrelado por Cruise, mesmo que fosse um pequeno problema na cor usada no cartaz, a culpa cairia sobre o diretor palestino de vanguarda, que só tinha experiência com orçamentos de 4 milhões”. Angelina Jolie acabou estrelando a película no lugar de Tom Cruise, sem Hany na direção.
Está acertado que Mickey Rourke e Vincent Cassel atuarão em Onze minutos. Ele deseja filmar de outubro a dezembro, com uma equipe brasileira. No momento, os produtores correm para fechar os acordos financeiros. Com a crise mundial, os bancos estão mais cautelosos em liberar os adiantamentos que viabilizam a produção. Até este ano, o mercado aceitava a promessa de venda para outros países como garantia do valor levantado. Não mais.
O tempo de espera no outono carioca provocou mudanças no palestino. Ele entende o que aconteceu com Wilco, o amigo punk, e nota que o Brasil tem lhe causado um relaxamento prazeroso. “A Europa é fria no que diz respeito às relações humanas. As mulheres te dispensam com crueldade, são extremamente centradas em suas idiossincrasias. Ninguém toca em ninguém.” Ele reconhece que
é complicado generalizar. Um europeu pode ser muito caloroso na seriedade com que te ajuda, se por acaso aceitar te
ajudar. Aqui, percebo que todos se dispõem a te dar uma mão, te confortam, mesmo que dali a dois dias esqueçam o
que disseram. Só que, às vezes, a gente precisa é de colo. Essa solidariedade vacilante não deixa de ser útil. Talvez o
europeu seja um povo mais sério e mais culpado. Vocês não têm culpa nenhuma.
Um guarda, no Brasil, é subornável porque achamos normal resolver direto no pessoal, argumentei. Da mesma maneira, um juiz solta um corrupto porque é da sua corriola e absolve um criminoso porque ele é um homem importante. “Mas eu tenho mais medo da violência das leis e do Estado do que do caos daqui”, respondeu Hany. “Tenho medo da ordem que privatiza as cadeias e permite que se lucre com o sistema penitenciário. Se os Estados Unidos querem te processar, eles te obrigam a contratar um advogado para que todos saiam lucrando. Prender um homem nos Estados Unidos é lucrativo, isso não me parece direito.” Segundo ele, o mundo árabe é parecido com o nosso no que se refere à pessoalidade das relações e ao calor humano. “A diferença é que no Brasil não existe repressão sexual.”
“Às vezes me pergunto o que é mais cruel: usar o véu para se cobrir ou ser obrigada a aparentar eternamente vinte anos? Vejo uma grande ansiedade nas mulheres independentes de hoje. Elas jamais alcançarão o ideal de beleza estampado nas revistas e sofrem com isso.” Nessa lógica, a disseminação da cirurgia plástica, o uso indiscriminado de Botox, Restylane e ácidos retinoicos, os milhões de tratamentos custosos para manter a juventude seriam tão abomináveis quanto a burca.
“A burca é uma bênção para as mulheres feias”, provoca.
A argumentação faz sentido, quando se pensa na quantidade de pré-adolescentes na fila do implante de silicone. “É claro que você pode sempre argumentar que aqui existe a livre escolha. Mas essa liberdade é pura ficção; o que existe é um outro tipo de escravidão.” O Brasil vive no centro da febre, mas não deixa de ter encantos para Hany. “Pode parecer um estereótipo de gringo, mas este é um país sensual. As mulheres andam de biquíni nas ruas, as pessoas sorriem, se abraçam, se beijam, beijam estranhos ao se cumprimentarem. Aqui ainda é possível sentir amor pelos outros.”
Curiosa declaração, vinda de alguém que se define como um ex-comunista em vias de se tornar radical.
Toquei para ele a velha marchinha carnavalesca que fala de Alá. Ficou surpreso. E fez planos para tocá-la em emissoras de rádio de Nazaré.
Alá-lá-ô ô ô ô ô ô ô
Mas que calor ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente e queimou a nossa cara
Alá-lá-ô ô ô ô ô ô ô
Mas que calor ô ô ô ô ô ô
Viemos do Egito
E muitas vezes nós tivemos que rezar
Alá! Alá! Alá, meu bom Alá
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Alá, meu bom Alá