A história de Eva: Como a meia-irmã de Anne Frank sobreviveu ao Holocausto

7 Birkenau

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BIRKENAU

 

Os trilhos da ferrovia acabavam em Birkenau, perto do cam po de concentração das m ulheres. O principal cam po de hom ens de Auschwitz ficava a 4 ou 5 quilôm etros. Era um lindo e quente dia de m aio, quando as flores prim averis estão no auge, m as, ao olhar ao redor, não vi nada crescendo em nenhum lugar à vista, nem m esm o um a árvore ou arbusto. Toda a área era um deserto de terra árida e poeira.

Mutti e eu andam os na fila com as dem ais prisioneiras. Muitas holandesas de Westerbork estavam lá, e avistei Franzi um pouco adiante. Inicialm ente, ficam os contentes por andar, m ovim entando as pernas sem o peso de bagagem pesada, m as em pouco tem po fazíam os parte de um a exaurida linha de m ulheres sedentas e errantes.

Após um a m archa de m ais ou m enos vinte m inutos, e num estado de quase exaustão, chegam os ao portão do enorm e com plexo.

Fileiras e fileiras de feios barracões de m adeira estendiam -se na distância, cercados por aram es farpados eletrificados num a altura superior à de um hom em . Sentinelas em torres de vigia altas exam inavam as cercanias do cam po. Éram os agora prisioneiras indefesas nas m ãos dos alem ães. Mesm o no calor, eu trem ia.

Dentro do com plexo, fom os encam inhadas para um barracão, onde ficam os aguardando a “recepção”. E ali esperam os. Estávam os sem com er ou beber havia m ais de 24 horas. Quando algum as m ulheres desm aiaram e caíram no chão, ninguém deu a m ínim a. Achei que era cruel, m as aí passei a invej á-las. A inconsciência teria sido um grande alívio.

Centenas de nós ocupavam o barracão sufocante vigiado por apenas uns poucos soldados alem ães com fuzis apontados em nossa direção. Após um a espera que pareceu interm inável, o “com itê de recepção” finalm ente apareceu: oito m ulheres vestidas com uniform es de prisioneiras com listras azuis e cinza. Seus rostos cinzentos exibiam expressões de desdém ao passar por nós.

Essas m ulheres eram kappos — os kappos eram prisioneiros de guerra poloneses usados pelas SS para adm inistrar os cam pos de concentração. Elas passavam por nossas fileiras, em purrando e dando socos.

— Bem -vindas a Birkenau — falaram com desprezo. — Vocês são as sortudas, pois acabaram de chegar, e nós estam os aqui há anos. Estam os no com ando aqui, e vocês obedecerão a nossas ordens. A sorte de vocês acabou!

Um a kappo robusta parou na nossa frente.

— Vocês conseguem sentir o cheiro do crem atório do cam po? — gritou, cruel. — É lá que os seus queridos parentes m orreram asfixiados no que pensaram ser chuveiros. Eles estão queim ando agora. Vocês j am ais os verão de novo!

Tentam os não dar ouvidos. Ela apenas procurava nos assustar. Não acreditam os nela; sim plesm ente era terrível dem ais para se cogitar.

— Suas j udias noj entas! — gritou a kappo chefe. — Vocês vão se despiolhar... e depois serão tatuadas, vão cortar o cabelo e receberão roupas.

Mutti deu um passo à frente da fila.

— Estam os todas com sede, precisam os de água — suplicou.

Mutti deveria saber que elas não teriam tem po para um pedido tão sim ples. Seus rostos, endurecidos pelo sofrim ento, exibiam pouca preocupação por nós — éram os novas prisioneiras que até então tinham passado por relativam ente poucas adversidades na guerra. As kappos m andaram Mutti voltar para a fila, m as ela com eçou a se desequilibrar e quase desm aiou. Não caiu, todavia, porque estávam os todas apertadas e j untas. Um a das kappos, que parecia um pouco m ais gentil, se aproxim ou e deu tapinhas no rosto de Mutti para reacordá-la.

— Não desm aie, é perigoso. Você vai ganhar água, m as não agora. — Virando-se para as dem ais, ela advertiu: — Não bebam água das torneiras. Tem tifo e disenteria.

Fiquei ali, com o casaco pesado e o chapéu, com a sensação de que estava m orrendo de sede. Meus pés tam bém doíam . Olhei para os sapatos em poeirados. Dentro, em baixo do peito dos pés, havia suportes de aço que Mutti insistira para eu usar devido aos m eus pés chatos. Quis poder tirá-los e sentar-m e.

Finalm ente, fom os conduzidas a um a grande construção em cuj a antessala tivem os de deixar todos os últim os pertences que acaso ainda possuíssem os, incluindo tudo o que vestíam os. Eu não queria tirar as roupas e ficar nua, m as sabia que não tinha escolha. Mutti estava se despindo e, então, vi Franzi fazendo o m esm o. Sendo assim , com o eu poderia protestar? Quando eu tirava m eus sapatos, Mutti lem brou-m e de ficar com os suportes de m etal, para evitar que se perdessem . Assim , cam inhei com as dem ais, todas nós inteiram ente nuas, para um recinto m aior, levando j unto os suportes.

O banheiro era um grande espaço de concreto sem j anelas ou cubículos. Ao longo do teto, pude ver canos com bocais. Havia canaletas de drenagem e ralos no chão.

Enquanto nos apertávam os e esperávam os, as portas se fecharam atrás de nós. Pensei no que as kappos tinham contado. Esses chuveiros eram de água ou gás? Com ecei a trem er de m edo, e Mutti agarrou m inha m ão com força. De repente, j orrou água gelada em nossas cabeças.

Não havia buchas ou sabão, m as a água fria m e reanim ou e com ecei a lim par os últim os três dias de viagens exaustivas. Fiz um a concha com as m ãos e levei um pouco de água aos lábios secos. Mutti m e deu um tapinha no traseiro e sorriu; seus cabelos claros, agora escurecidos pela água, grudavam na cabeça, envolvendo as orelhas e a nuca. Pensei em com o parecia tão j ovem . Eu a am ava m uito.

Por fim , a água parou, as portas no outro lado do recinto se abriram e pudem os sair. Procurei ao redor por um a toalha, m as não havia nenhum a, tam pouco algum a roupa. Nossos corpos m olhados tiveram de secar no calor da tarde.

Recebem os ordem para andar em fila única na direção de duas prisioneiras que estavam cortando os cabelos de todas. Todos os fios eram rem ovidos. Meus pelos púbicos eram m acios e novos — eu os observara surgir nos últim os dois anos enquanto m e transform ava num a m ulher, e agora seria obrigada a cortá-los.

— Abra as pernas — a kappo ordenou.

Fiquei bastante constrangida, com ela passando a navalha na m inha pele m acia. Não conseguia entender o m otivo para essa hum ilhação. Depois, ela depilou as m inhas axilas, m as quando com eçou a cortar os cabelos com um a grande tesoura sem corte Mutti tentou interceder por m im .

Ela passou a m ão pelos m eus cabelos e disse para a kappo:

— Ela é m uito j ovem , deixe um pouco de cabelo na cabeça!

Ali estava Mutti com eçando a assum ir o controle! Inacreditavelm ente, a m ulher anuiu e m e deixou com dois centím etros de rem oinho dourado em oldurando a testa.

Mutti sorriu para m im .

— Ficou m uito bonitinho — disse, encoraj adora. — Onde estão os suportes de aço? — quis saber, enquanto cortavam os seus cabelos.

— Devo ter deixado nos chuveiros. —Eram a últim a coisa com que eu m e preocupava.

— Oh, Eva, por favor! — Mutti se exasperou, tanto pela sua condição com o quanto pela m inha; sem os cabelos, ela parecia estranham ente diferente da m inha m ãe. — Com o você vai conseguir arrum ar o seu pé chato sem os suportes adequados?

— Vou voltar e pegá-los — respondi, m as quando m e virei fui logo im pedida de avançar por um a kappo com um cassetete, que bloqueou o cam inho e m e m andou recuar.

Ela encam inhava a fila de m ulheres nuas e tosadas para um a m esa na extrem idade da sala, onde todas era interrogadas sobre seus nom es, idades e profissões. Era com o dar entrada num hospital. Cada detalhe era anotado num form ulário. Essa eficiência nos transm itiu a sensação de estarm os sendo alistadas. Aguardando e ouvindo, notei que todas na frente de repente pareciam ter um a profissão útil. Donas de casa com uns declaravam -se “cozinheiras”, “costureiras”, “sapateiras” ou “enferm eiras”, e, então, na m inha vez de dar os detalhes, disse que era secretária.

De tem pos em tem pos, hom ens das SS vinham e circulavam para olhar lascivam ente para nossos corpos. Eles se divertiam beliscando os traseiros das j ovens e atraentes, e m e senti verdadeiram ente hum ilhada quando um deles veio até perto e m e deu um beliscão.

Estamos sendo tratadas como gado — não como gente, pensei.

Fom os alinhadas para serm os tatuadas no braço com os núm eros m arcados nos papéis de adm issão. Mutti foi tatuada prim eiro e, na m inha vez, ela ficou ao lado com um braço nos m eus om bros.

— Ela é apenas um a criança — Mutti disse. — Não a m a- chuque.

Mais um a vez, a m ulher aquiesceu, e assim a tatuagem no m eu braço esquerdo foi feita da m aneira m ais delicada possível e o núm ero saiu m uito m ais pálido do que o das dem ais.

Todo esse processam ento durou horas. Estávam os com m uita sede e fracas. Eu sentia tanta sede que prom eti a m im m esm a que beberia a prim eira água que visse.

Enfim , fom os levadas para a últim a “sala de recepção”, onde recebem os algum as roupas. Cada um a ganhou um par de calcinhas de tam anho indiscrim inado, um a vestim enta distribuída aleatoriam ente e dois sapatos. Não um par de sapatos, nem m esm o um pé direito e um pé esquerdo, apenas dois calçados. Nenhum deles form ava um par, e passam os algum tem po circulando para tentar trocar e conseguir roupas e sapatos apropriados.

De que adiantou me preocupar com os suportes de metal?, pensei.

Quando íam os ser levadas para fora, ouvi as SS gritando com as guardas kappos. Elas, por sua vez, gritaram para nós, m andando que voltássem os para a fila. Todas nós fom os enfileiradas de novo para receberm os outra tatuagem . Pelo visto, houvera um erro na num eração, a “escrevente” com etera um engano. O m eu núm ero, que era A/5232 foi m udado para A/5272. Ela sim plesm ente fez um risco sobre o “3” e tatuou um “7” em cim a, do m esm o j eito que eu corrigiria um erro no caderno de lição de casa. Mesm o em relação à tatuagem , tudo tinha de ser feito exatam ente de acordo com as norm as.

A provação finalm ente acabou. Saím os no entardecer para serm os conduzidas aos aloj am entos. Quando com eçam os a avançar em grupos de cinco, vi um a torneira na parede externa de um a das construções. Não consegui resistir. Rápido, abri a torneira, botei a boca na água e bebi. Foi tão m aravilhoso sentir esse líquido refrescante. Várias outras fizeram o m esm o e correram para a torneira antes de ouvirm os gritos e serm os em purradas de volta para a fila.

Foi um a cam inhada cansativa para nós, com sapatos incôm odos, ao longo de um a estrada seca e poeirenta. Tropeçam os na direção do bloco de quarentena, onde seríam os m antidas separadas do resto do cam po pelas próxim as três sem anas. Parecia ridículo tom ar tais precauções.

Birkenau era o m aior dos cam pos de Auschwitz — um vasto com plexo de blocos de aloj am ento divididos e subdivididos por aram e farpado e cercas elétricas. Algum as das construções originalm ente haviam sido planej adas com o estábulos, outras tinham sido feitas por gerações passadas de presos. Todo o cam po abrigava dezenas de m ilhares de prisioneiros, e a área para a qual fom os levadas continha aproxim adam ente vinte barracões, cada um com cerca de quinhentas a oitocentas m ulheres.

Havia duas kappos — chefes de barracão — em cada construção, cuj a tarefa era adm inistrar o bloco segundo as regulam entações nazistas. Na m aioria, eram cristãs polonesas, em bora um as poucas fossem j udias. Elas sobreviveriam enquanto fossem duras o bastante para m anter o resto de nós sob controle. Tinham privilégios especiais e pequenos quartos com fogões no fim do bloco, onde podiam cozinhar a própria com ida e m anterem -se aquecidas.

Nós, por outro lado, não contávam os com nenhum a conveniência. Tínham os de dorm ir em dez por cam a — e “cam a” era um grupo de estrados de m adeira em três níveis. Na prim eira noite, quando recebem os a ordem para deitar, subi no treliche do m eio com Mutti e outras oito. Não havíam os recebido com ida ou água desde a chegada. Apesar de ainda ser o com eço da noite, disseram que tínham os perdido o j antar e teríam os de esperar até o café da m anhã.

Eu estava profundam ente exausta. Sem ligar para m ais nada, inclusive as com panheiras de cam a, m e encolhi nos braços de Mutti e dorm i.

Nas prim eiras horas da m adrugada seguinte, antes do nascer do sol (por volta das quatro da m anhã), as kappos apareceram e gritaram para nos levantarm os e fazerm os as cam as — até m esm o essa rotina era rigidam ente sistem atizada; os cobertores tinham de ser arrum ados de m aneira absolutam ente sim étrica. Em seguida, precisam os varrer os barracões — o curioso é que havia pouca suj eira ou lixo, porque não tínham os alim entos nem pertences, e, assim , enquanto os aloj am entos m ostravam -se m ais ou m enos lim pos, éram os nós que estávam os tom adas por im undície e parasitas. Então, recebem os ordem para sair e para a cham ada (Appel). Estava quente, e o céu, lum inoso, com um a pálida luz am arela que aos poucos se fundia em azul. Ali, de pé em um a das fileiras de cinco, observei a alvorada. O cam po inteiro estava do lado de fora à espera da contagem . Todas as prisioneiras eram convocadas para a Appel, em filas ao longo do com prim ento do cam po, com guardas alem ães e seus cães cam inhando em frente à form ação. A contagem durava duas horas. Tínham os de perm anecer paradas sem nos m overm os, olhando para a frente por todo o tem po.

Era um teste de resistência que enfrentaríam os duas vezes por dia em nossa vida dentro do cam po. Nessa quente m anhã de verão, era inconcebível im aginar que seríam os subm etidas a esse tipo de tortura durante o terrivelm ente frio inverno polonês sem nada m ais quente para vestir do que as roupas do corpo. Tam pouco eu im aginava que, se apenas um dígito da conta estivesse errado, todo o processo teria de recom eçar. Inevitavelm ente, no inverno, com a passagem do tem po m ortes arruinavam a contagem e a agonia infligia m ais m ortes na noite seguinte.

A prim eira Appel era um a tortura especial, porque ainda não havíam os recebido com ida ou água. A essa altura, eu j á estava com tanta fom e que ficava desesperada para com er, m as não éram os dispensadas antes que o sol esquentasse e, som ente então, recebíam os perm issão para voltar aos barracões, onde com ida e bebida eram distribuídas. Todas recebiam um pedaço de pão preto com cerca de 10 centím etros de largura. Um café artificial frio sem açúcar era distribuído em velhas canecas de lata ou esm alte lascado para um a a cada cinco m ulheres. Com o não havia utensílios suficientes para distribuir, isso significava que a porção em cada caneca tinha que ser dividida por cinco. Com o esse era o sistem a habitual, logo aprendem os que ter a própria caneca era necessário a fim de garantir a cota pessoal. Mutti e eu acabam os tendo de sacrificar várias rações de pão para obter um a caneca para cada um a.

Mas nessa m anhã eu segurei a caneca até ela ser arrancada de m im por outra m ulher desesperadam ente sedenta. Acho que não sobrou nada para Mutti. Com i im ediatam ente todo o m eu pão, sem m e dar conta de que deveria durar o dia inteiro.

Após esse banquete, éram os levadas às latrinas. Elas ficavam num barracão a cinco blocos de distância do nosso e consistiam em um esgoto aberto correndo pelo centro da construção. Ao longo do espaço, no m eio, havia um a passarela de pedra em nível elevado, onde um a kappo supervisora podia cam inhar por toda a extensão das latrinas. Cada lado de concreto tinha cerca de trinta aberturas sobre o esgoto. Não havia nada para lim peza ou higiene; nenhum papel higiênico, nenhum a descarga e, certam ente, nenhum a privacidade. Quando entrávam os no barracão, o fedor era insuportável.

Um a das regras preciosas que Pappy tentara incutir em m im era a de j am ais sentar num a privada desconhecida, de m odo que tentei ficar de pé — assim com o várias outras: todas nós com partilhávam os um a sensação de intenso noj o. Contudo, quando a kappo passou por trás de m im , ela m e bateu tão forte nos om bros com o cassetete que fui obrigada a sentar. Ela cam inhava batendo com força em qualquer um a que não sentasse.

— Vocês serão trazidas aqui três vezes por dia num único grupo — ela disse, com desprezo —, e é m elhor utilizar adequadam ente.

E, depois, éram os conduzidas a um pátio aberto, cercado por aram e farpado, fora do perím etro do barracão e deixadas ali para passar o restante do dia.

O sol castigava as nossas cabeças desprotegidas e recém -rapadas; queim ava nossas nucas e orelhas e deixava verm elha e inchada a m inha pele clara. Não havia som bra, nada onde sentar e nada para fazer.

A rotina seria a m esm a pelas próxim as três sem anas. Éram os deixadas ao relento o dia inteiro, m esm o se chovesse. Quando o céu abria, estávam os encharcadas, e a poeira seca virava um pântano ao redor de nossos tornozelos. Não havia com o evitar ficarm os com crostas de lam a e suj eira. Todos os refinam entos da vida hum ana com um , até m esm o um sim ples abrigo, nos eram negados. Estávam os sendo tratadas com o anim ais — ou pior até, porque nem m esm o ganhávam os com ida ou água.

Passávam os os dias conversando em pequenos grupos. A m aioria vinha da Holanda e, j á que estávam os com partilhando o m esm o destino, tentávam os ser afáveis com as pessoas ao redor. Encontram os Franzi novam ente e ela entrou para o nosso grupo. Franzi passara pela m esm a provação que nós e, apesar de não ter perdido a sua silenciosa coragem , agora tam bém parecia precisar de um pouco de conforto.

— Eva m e lem bra Irene, m inha irm ã caçula — Franzi disse para Mutti, pegando m inha m ão e a apertando. — Assim , podíam os form ar um a espécie de fam ília aqui, não?

— É claro — respondeu Mutti. — Vam os tentar tom ar conta um as das outras da m elhor m aneira possível.

Era apenas um a form a sim bólica de se restaurar a confiança em circunstâncias tão terríveis, m as a partir daquele m om ento nos tornam os grandes am igas.