A história de Eva: Como a meia-irmã de Anne Frank sobreviveu ao Holocausto

15 Libertação

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LIBERTAÇÃO

 

Mutti e eu deitadas na cam a do hospital ouvíam os os sons dos canhões. Às vezes, os tiros pareciam m uito próxim os, aí se afastavam de novo e sum iam . Os dias se transform avam em noites sem nenhum a alteração na nossa condição. Fragm entos de inform ação não m ais chegavam ao hospital porque todos os barracões de trabalho haviam sido evacuados. Todas as pessoas “aptas” tinham sido forçadas a m archar para fora do cam po na direção oeste. Nada m ais de novas entradas ou altas, as únicas saídas eram as das m ortas. Muitas m orriam todos os dias de fom e, doenças e hipoterm ia.

Sentim os que os russos avançavam . Esperam os por eles, oscilando entre a esperança e o desespero. Rezam os para que chegassem , m as não sabíam os nada a respeito do avanço. Ninguém parecia saber o que se passava. De qualquer m odo, tínham os bastante m edo de serm os elim inadas antes que chegassem . Não conseguíam os acreditar que os alem ães sim plesm ente fossem nos deixar para serm os libertadas pelos russos.

Agora, havia m enos alem ães ao redor e éram os deixadas sozinhas com frequência crescente. Não havia m ais Appel. Era época do Natal, m as m al nos dávam os conta. Mutti e eu ficávam os deitadas j untas no treliche, aconchegadas debaixo de cobertores esfarrapados. Ninguém realm ente pensava que havia um a chance de sobrevivência.

O espírito indôm ito de Minni era a única coisa da qual tínham os certeza. Ela era inacreditável. Mantinha todas unidas com grande força, m ostrando incansável entusiasm o enquanto organizava as rações de pão e chá e distribuía os poucos rem édios disponíveis. Passava os dias m ovendo-se sem parar, indo para cim a e para baixo da ala, coordenando as outras três enferm eiras em suas tarefas de cuidar das agonizantes e de retirar as m ortas. Cada vez que passava por nós, dava um tapa firm e no nosso treliche e repetia: “Nós vam os conseguir.”

Nós estavam os apavoradas com nosso destino, m as a coragem entusiasm ada de Minni nos im pediu de desistir.

Na cam a, Mutti e eu fantasiávam os sobre o que faríam os quando estivéssem os novam ente livres. Falávam os sobre banhos quentes com sabonete, dorm ir em lençóis lim pos, com er com garfo e faca — todos os prazeres civilizados a que m al prestávam os atenção e que nos eram negados pelo que parecia um a eternidade.

Nossos pensam entos giravam sem pre em torno de com ida. Inventávam os gloriosos m enus com todos os nossos pratos preferidos. Com o iríam os nos em panturrar! Im aginávam os com er batatas cozidas, passar m anteiga em pão fresco e trincar os dentes em m açãs crocantes. Fingíam os estar num restaurante de Am sterdã. Antes de m ais nada, escolhíam os a sopa, então o prato principal (eu preferia frango assado com arroz e couve-flor), e então ficávam os deitadas sonhando com sobrem esas deliciosas — panquecas com geleia ou crem e, pudim de chocolate, torta de m açã. Minha refeição term inava sem pre com um copo de leite, pelo qual eu tinha um terrível desej o. E, o tem po inteiro, nossos estôm agos doíam de fom e.

 

No com eço de j aneiro, as SS apareceram na porta do barracão e gritaram :

—Todas que conseguirem se levantar e andar venham para fora.

Minni correu para nós parecendo bastante agitada.

— Levantem -se — disse com firm eza. — Vocês têm de vir.

— Mas Mutti está fraca dem ais — respondi.

— Ela terá de se esforçar — disse Minni, de m aneira inflexível e reiterando que quem pudesse sair da cam a e se levantar devia obedecer e sair.

A condição em aciada de Mutti a deixou num estado desesperadam ente enfraquecido, m as ela estava determ inada a não sair do m eu lado.

— É claro que posso m e levantar — ela sussurrou. Tinha m edo de que fôssem os ser m ortas se não saíssem os. Som ente a sua força de vontade dava-lhe força suficiente para erguer-se.

Assim que m inha m ãe conseguiu pôr-se de pé, eu a em brulhei num cobertor puído. Meio arrastando-m e e m eio carregando-a, atravessam os a porta. Era a prim eira vez que ela saía em m eses e estava quase desm aiando pelo esforço. Mutti estava m uito frágil, m as bastante determ inada a que nos m antivéssem os j untas. Ela se apoiou em m im ao nos posicionarm os na últim a fileira.

Eram cerca de 11 horas da m anhã e fazia m uito frio. A tem peratura estava bem abaixo de zero. O ar gelado nos atingiu com tudo, congelando a um idade dos corpos e endurecendo tanto os m úsculos das faces que eles pararam de funcionar. Cerca de m etade das m ulheres do hospital conseguiu se arrastar para fora.

A cena m e deixou sem fôlego. O céu estava azul e lím pido, sem nenhum a nuvem . Ainda havia neve no chão. Todo o com plexo estava transform ado, as cabanas e trilhas suj as cobertas por um branco im aculado. A terra parecia a Sibéria. A feiura nua do cam po fora atenuada e virara, num passe de m ágica, um a terra de conto de fadas invernal.

Esperam os, em fileiras organizadas, por novas instruções, m as nada aconteceu. As SS sum iram , deixando as kappos desoladas por ali, sem saber o que fazer. Podíam os ouvir canhões a distância. Ficam os lá por duas horas, trem endo dentro dos cobertores.

De repente, soou um a sirene de ataque aéreo, e agitados hom ens das SS ressurgiram , gritando para entrarm os de novo.

Ao anoitecer, veio nova ordem para sairm os. Perm anecem os ali enquanto o sol se punha e ficava m ais escuro e frio. Houve outra sirene e, assim , todas retornam os para os treliches frios, congeladas, trem endo e bastante gratas por receberm os nossa m inúscula porção de pão. Todos estavam bastante nervosos e assustados — incluindo os alem ães.

Apesar de perm anecerm os recolhidas durante a noite, sim plesm ente não conseguim os nos aquecer de novo. O frio invadira nossos corpos frágeis e, durante aquelas horas, um bom núm ero de pessoas m orreu. Pela m anhã, deitada, fiquei observando as m ortas sendo retiradas dos leitos e arrastadas para a neve pelas enferm eiras.

Vi Minni carregando várias de suas am igas nos braços. Seu rosto estava exausto e vazio. Ela veio até Mutti um a ou duas vezes e tocou sua cabeça, im plorando “Aguente firm e”.

Essa pressão prosseguiu por três dias. Às vezes, éram os cham adas para fora à noite, para ficarm os de pé durante horas no frio terrível. A cada vez, quando vinha a ordem para sair, m ais e m ais gente ficava dentro e não tentava obedecer o com ando. Na noite do terceiro dia, eu tam bém decidi que j á era o bastante. Não iria ver Mutti ser suj eitada a m ais sofrim ento.

— De qualquer form a, será outro alarm e falso — garanti-lhe.

Assim , quando veio a ordem para nos levantarm os e sairm os, perm anecem os no treliche e caím os no sono.

Quando acordam os na m anhã seguinte, tudo estava calm o e silencioso. Não havia atividade, e o barracão parecia quase vazio. Levantei e saí para investigar. Era um a sensação curiosa; não tinha ninguém à vista. Todos os guardas e cães das SS tinham sum ido. Todas as kappos desapareceram , e a m aioria das pacientes do hospital tam bém partira. Até m esm o Minni e as enferm eiras não estavam lá.

Aquele era m ais um dia claro e bastante frio. Os cadáveres das prisioneiras j aziam ao lado do barracão, j ogados uns em cim a dos outros. Em todo o cam po, que tinha abrigado dezenas de m ilhares, havia agora apenas cem ou duzentas alm as. Dessas, 80% estavam fracas dem ais para se m over e perm aneciam deitadas, à espera da m orte. O resto de nós, um pequeno contingente de pele e ossos ainda vivos, resistia com crescente esperança.

Sabíam os que teríam os de tentar sobreviver sozinhas até os russos chegarem , e isso poderia levar vários dias ou até m esm o sem anas. Assim , tentam os nos organizar.

Um a polonesa, Olga, que não era j udia, m as fora detida com o um a com unista prisioneira política, assum iu o com ando. Olga decidiu que ela e eu, com m ais um a ou duas presas em m elhores condições físicas, deveríam os ir ao barracão da cozinha ver se havia algum a com ida disponível. Tam bém precisávam os encontrar água potável, j á que todos os canos estavam congelados.

Sob nossos cobertores, cam baleam os sobre a neve até o barracão da cozinha. Em purram os as portas, esperando encontrá-las trancadas, m as, para nossa surpresa, elas se abriram im ediatam ente. O que vim os ao entrar nos fez chorar de alegria. Ali, em pilhados nas prateleiras que cobriam as paredes, havia centenas de pães pretos — m uito m ais do que conseguiríam os com er em um ano. Foi com o encontrar um tesouro. Cada um a de nós pegou um pão e encheu a boca com pedaços. Fartam o-nos com essa provisão infindável e, então, enchem os os braços com o m aior núm ero possível de pães e retornam os ao barracão.

Durante a cam inhada de cinco m inutos, experim entei um a euforia esplêndida. Estava excitadíssim a e m al podia esperar para distribuir a com ida — ser capaz de devolver a força a todas ali. Circulando pelos treliches, eu ia tirando bocados enorm es de pão, colocando-os nas m ãos esqueléticas das presas acam adas e repetindo para m im m esm a “obrigada, Deus” sem parar. Algum as estavam doentes dem ais para com er m uito, m as m antinham as preciosas porções firm em ente agarradas aos corpos. Os pães m al deram para todas, m as estávam os fracas dem ais para voltar e pegar m ais.

A essa altura, eu m e sentia profundam ente exausta e bastante confusa. E se os alem ães voltassem à noite e nos pegassem ? E se os russos não chegassem a tem po de nos salvar? Estava assustadíssim a porque nos encontrávam os com pletam ente sozinhas. Com ecei a m e dar conta de que, no final, poderíam os não sobreviver tão só porque não tínham os condições de cuidar de nós m esm as. Havia m uito poucas m ulheres com forças até m esm o para andar.

Ao m eio-dia, Mutti e eu com em os m ais pão. Deitei na cam a para recuperar um pouco de energia, fechei os olhos com alívio e em barquei num sono tenso. Voltei à realidade com Olga sacudindo-m e vigorosam ente.

— Levante-se e desça! — ela ordenou. — Preciso de você.

— Agora não — protestei. — Por favor, deixe-m e descansar. Estou cansada.

— Preciso de você para carregar alguns cadáveres — ela disse com firm eza.

Foi com o se um a im ensa nuvem negra descesse sobre m im .

— Não! Não! — gritei, em pânico.

Olga m e agarrou e m e tirou da cam a. Ela m e segurou pelos om bros e m e virou para encará-la.

— Você é j ovem e ainda é forte o bastante. — Encarava-m e com firm eza. — Não há m ais ninguém . É o seu dever. Se você pode carregar pão, pode carregar os cadáveres para fora.

No m eio do m eu pânico e m edo, ouvi Mutti sussurrar:

— Deixe-a, ela é m uito j ovem . Eu vou.

Subitam ente, dei-m e conta. Eu sabia que Mutti não tinha força algum a. Foi nesse m om ento que cresci — era hora de eu cuidar de m inha m ãe.

 

Foi a pior tarefa que tive de realizar em toda a m inha vida. Levei as m ortas para fora. Algum as eram am igas com quem eu conversara sobre a libertação. Muitas tinham sido de tal form a tom adas pelas doenças e o m au cheiro que precisei de toda a m inha coragem para tocá-las. Estava escuro agora, e a lua brilhava sobre os outros corpos, que m e encaravam de olhos abertos dos m ontes de carne e ossos m ortos. Faces que eu passara a conhecer e respeitar. Olhei para bocas, agora abertas, que tinham m e dado sábios conselhos e encoraj am ento; olhos que haviam m e fitado am orosam ente, na lem brança de suas próprias crianças m ortas. Eu bem que tentei ser um a substituta de seus entes am ados e retribuir um pouquinho daquele am or. Havia m uito pouco que podíam os dar um as às outras, exceto am or.

Foi a prim eira vez que estive tão envolvida com m ortos, e fiquei horrorizada de ver o desperdício de seres hum anos sendo abatidos no auge de suas vidas. Nenhum a delas tinha m ais de 40 anos, m uitas eram ainda m ais j ovens — m ulheres que haviam conseguido m anter esperança suficiente para sobreviver quase até o fim .

Vi m ais gente m orrer nos dias seguintes do que em todo o período em Birkenau.

 

O som dos tiros de canhão se intensificava a distância, aproxim ando-se cada vez m ais. Na m anhã seguinte, voltei com um a equipe à cozinha para um a inspeção m ais rigorosa. Estávam os com eçando a nos sentir um pouco m ais ousadas agora, e eu passei a m e m over com m ais liberdade pelo cam po.

Vi um buraco na cerca de aram e entre seções do cam po.

— Vou passar — disse, assum indo que a corrente elétrica tinha sido cortada.

Felizm ente, eu estava certa, e logo duas outras m e seguiram . Tudo estava bastante deserto no outro lado, m as lá encontram os os barracões em que todas as provisões haviam sido arm azenadas.

Foi com o a reconstituição de um a história dos irm ãos Grim m . O prim eiro barracão se achava cheio de roupas, com todas as peças de vestuário que se possa im aginar, de botas a boinas. O segundo tinha cobertores e edredons, tudo perfeitam ente arrum ado nas prateleiras, com o em um a lavanderia suíça. O terceiro barracão continha os alim entos.

Quando entram os, pudem os ver caixas de queij os em balados, potes de geleia, sacos de farinha, pilhas de batatas — com ida que ia além dos nossos sonhos m ais fantasiosos. Esqueletos fam élicos, agarram os o que era m ais fácil de pôr as m ãos, sentam os ali m esm o e com em os.

Por fim , retornam os ao segundo barracão e apanham os cobertores grandes para usar com o sacos. Com o Papai Noel, enchem os os cobertores com toda a com ida que conseguim os. Am arram os as quatro pontas e os j ogam os nas costas. Excitada, pus-m e ao encontro de Mutti com o m aior dos tesouros e, ao sairm os para levar o saque, com eçou a nevar novam ente, com flocos brancos e m acios caindo sobre nossas cabeças.

Subitam ente m e ocorreu que poderíam os voltar ao barracão das roupas em busca de vestim entas m ais quentes. Encontrei um esplêndido par de botas m ilitares de couro negro, polidas e lim pas, e as calcei nos m eus pobres pés inchados. Eram grandes botas m asculinas, com espaço de sobra, os m eus prim eiros calçados sem furos. Enfim um a proteção contra o frio terrível. Sentindo-m e m uito elegante, atravessei a neve, ansiosa em exibir as botas a Mutti. Não experim entei nenhum a dor nos dedos.

Nos dias que se seguiram , retornam os repetidas vezes para buscar tudo o que precisávam os, incluindo todos os tipos de ferram entas — m achadinhas, serras, enxadas e facas. Distribuíam os com ida e roupas às acam adas.

Mutti conseguiu m e acom panhar no dia seguinte. Ela estava ansiosa em com partilhar a m inha em polgação, em bora ainda continuasse bastante fraca. Ela se apoiou no m eu braço, e avançam os lentam ente sobre a grossa cam ada de neve que caíra durante a noite. Mutti ficou im pressionada com o tam anho do estoque. Puxou algum as roupas e encontrou um vestido de lã azul-m arinho com gola rulê. Aí, escolheu m eias de lã cinza e um par de resistentes sapatos pretos de am arrar, que se aj ustaram perfeitam ente aos seus pés. Parada ali, por fim com roupas quentes cobrindo o corpo em agrecido e com os cabelos crescendo outra vez, ela perguntou:

— Eu estou bem ?

— Mutti, você está m aravilhosa — respondi, e com eçam os a chorar.

A m elhor descoberta de todas foram dois edredons de penas m acios e quentes. Eram razoavelm ente volum osos, m as leves o suficiente para serem carregados. Em balam os nossos corpos e, a partir daí, não nos separam os m ais deles!

 

17 de janeiro — Varsóvia é liberada

 

A água continuava congelada em todas as partes. Inicialm ente, nós degelávam os a neve. Enchíam os canecas e tigelas, m as a quantidade era pequena para nossas necessidades. Na entrada do cam po, havia um pequeno reservatório, na verdade, estava m ais para um lago, que se encontrava coberto com gelo e neve. Olga sugeriu que alguém tentasse furar o gelo para tirar um pouco de água.

Eu m e ofereci para tentar. Assim , com as m inhas botas resistentes, m archei com Olga até o lago, nós duas arm adas com m achados e baldes. Estávam os determ inadas a conseguir. Gastando um a boa parte de nossas energias lim itadas, com m uito suor conseguim os quebrar o gelo frágil em grandes blocos. Foi um a enorm e e árdua tarefa, j á que o gelo tinha m ais de 30 centím etros de espessura. Finalm ente, sem o gelo, vim o-nos olhando para a água lim pa em baixo. Gritam os de alegria. O buraco era grande o bastante para colocarm os os baldes e, sentindo-nos com o esquim ós, pegam os o líquido precioso e retornam os ao barracão.

Enfrentam os alguns dias assim , assaltando os arm azéns em busca de com ida e quebrando diariam ente o gelo para conseguir água. Mas ainda não havia um lugar em que de fato pudéssem os nos m anter aquecidas. Não existia um espaço no barracão em que fosse possível acender um fogo, fazer com ida ou esquentar água. Olga e Mutti conversaram e decidiram tentar encontrar um local fora do cam po para m elhorarm os nossas condições de vida.

A essa altura, quem podia cuidar de si m esm a j á o fazia, e as m ortas não precisavam de nós.

Eu havia notado um a casa vazia perto dos m uros do cam po, onde os guardas das SS ficavam aloj ados. Não era um a casa pré-fabricada e acham os que tinha de haver aquecim ento. Decidim os ir investigar. Yvette, um a j ovem francesa, ouviu a conversa e perguntou se poderia ir j unto. Com o ainda nos sentíam os m uito inseguras, concordam os, j á que quatro era m elhor que três. No m om ento em que nos reuníam os para sair, ouvim os alguém gritando do lado de fora. A porta do barracão foi aberta com violência e um a m ulher gritou:

— Tem um urso no portão! Um urso no portão! Venham rápido!

Cautelosam ente, saím os na direção do portão aberto e lá, na entrada, estava o “urso” — um im enso ser, coberto da cabeça aos pés com pele de urso, com um a expressão de profunda surpresa no rosto. Ficam os parados, trocando olhares, e, então, com todo o cuidado m e aproxim ei com alegria evidente.

Nosso libertador estava parado na entrada do cam po, sozinho e forte. Com os braços estendidos, corri e o abracei... e, em bora nossos idiom as não fossem os m esm os, o que eu disse e o que ele disse foi perfeitam ente com preendido. Os russos haviam chegado!