A história de Eva: Como a meia-irmã de Anne Frank sobreviveu ao Holocausto
Epílogo
Após m e diplom ar com distinção no Liceu de Am sterdã, fui persuadida por m inha m ãe e Otto Frank a m e dedicar à fotografia e, em 1949, trabalhei com o aprendiz num estúdio fotográfico em Am sterdã. Mas achei difícil m e acom odar após as experiências vividas e decidi sair da Holanda por algum tem po.
Otto providenciou para que eu trabalhasse em Londres, num grande estúdio fotográfico na Woburn Square, que pertencia a um antigo am igo. Fiquei num a pensão, onde conheci Zvi Schloss, um estudante de econom ia de Israel que trabalhava num a corretora de valores ao m esm o tem po que term inava os estudos. Casam os em Am sterdã em 1952, e Otto foi um a das testem unhas da cerim ônia.
Montam os nosso lar na Inglaterra, onde nossas três filhas nasceram . Caroline (nascida em 1956) é advogada em Londres. Jacky (nascida em 1958) é esteticista; ela casou com Dag Hovelson, um norueguês, e vivem em Londres com a filhinha, Lisa (nascida em 1985). Sy lvia, nossa caçula (nascida em 1962), tam bém m ora em Londres e trabalha com o j ornalista.
Eu continuei trabalhando com o fotógrafa free-lancer até 1972, quando abri um negócio de antiguidades, o qual até hoj e m antenho, no noroeste de Londres.
Fritzi (Mutti) casou-se com Otto em 1953 (o que fez de m im , postum am ente, irm ã de criação de Anne Frank) e trocou a Holanda por Basle, Suíça, para j untar-se à m ãe, à irm ã e ao irm ão de Otto, que perm aneceram ali durante a guerra. Ela trabalhava com Otto na vasta correspondência envolvida na publicação de O diário de Anne Frank, m as m e visitava frequentem ente em Londres. Otto assum iu m inhas três m eninas com o suas netas. Mutti e Otto com partilharam 27 anos de casam ento feliz até a m orte dele em 1980.
Os pais de Mutti (m eus avós) m orreram na Inglaterra, o pai em 1952, a m ãe em 1968. Minha tia Sy lvia (irm ã de Mutti) m orreu de câncer em 1977, ainda em luto pelo filho m ais j ovem , Jim m y, que nasceu na Inglaterra e m orreu aos 25 anos devido a um a hem orragia cerebral após um a partida de rúgbi. Mutti m orreu em 1998.
Minni, nossa prim a que salvou a vida de Mutti e nos apoiou com sua força e bondade no hospital em Birkenau, m iraculosam ente sobreviveu à m archa da m orte na retirada do cam po e retornou a Praga após a guerra. Seus dois filhos adolescentes, Peter e Stephan, haviam sido levados pela irm ã para a Palestina antes da guerra, e os três se reencontraram ali em 1947. Ela teve ainda m uitos anos de atividade cuidando de novos im igrantes e de idosos. O filho m ais j ovem , Stephan, m orreu com 20 anos lutando na Guerra da Independência de 1948. Ela m anteve o luto até seu falecim ento, em 1984.
Franzi tam bém sobreviveu e foi libertada na Alem anha pelos am ericanos. Ela contraiu tuberculose e, após a repatriação à Holanda, ficou acam ada por vários anos, sob constantes cuidados de am igos devotados e da irm ã, Irene. Franzi enfim recuperou-se por com pleto e hoj e vive em Israel com Irene. Nós nos vem os com frequência.
Rootje perdeu o m arido e, apesar de encontrar a filha, Judy, nunca se recuperou inteiram ente das experiências e teve várias crises de depressão. Ela m orreu em 1984. Judy tem um feliz casam ento e dois filhos. Ela, Mutti e eu nos tornam os am igas íntim as.
Kea perdeu toda a fam ília. Ela tornou-se professora de arte, casou-se com um indonésio e vive em Haia.
As palavras finais são para Heinz e Pappy.
Em 8 de agosto de 1945, um a carta da Cruz Verm elha chegou a nosso apartam ento (por volta da m esm a época em que Otto soube que Anne e Margot haviam m orrido em Bergen-Belsen). Dizia que, após a m archa forçada para sair de Auschwitz, Heinz m orreu de exaustão em abril de 1945, em Mauthausen.
Pappy, que não tinha com o saber que Mutti se salvara ou que eu sobreviveria à terrível provação, provavelm ente perdeu a esperança e m orreu três dias antes do fim da guerra.
Eles não têm túm ulos. Seus nom es estão gravados com centenas de outros num m em orial em Am sterdã.
Esta tam bém é a história deles.