A história de Eva: Como a meia-irmã de Anne Frank sobreviveu ao Holocausto

Prefácio

 

Este livro teve início há cerca de três anos. Meu m arido e eu tom ávam os café com nossos bons am igos Anita e Barry. Anita, que veio para a Inglaterra com o um a criança refugiada na década de 1930, m encionou que seu m arido, que tinha 10 anos quando a guerra term inou, na verdade não sabia m uito o que acontecera com igo durante o Holocausto.

Após alguns m om entos de hesitação, lentam ente com ecei a contar algum as das m inhas experiências. Apesar das perguntas intensas e do profundo interesse, o conhecim ento que tinham daquele tem po parecia tão pequeno que logo m e vi entrando em detalhes, alguns dos quais não revelara a ninguém e, de fato, reprim ira por m uitos anos.

No fim da noite, estávam os todos chorando e quase sem poder falar pela em oção. Meus am igos ficaram chocados ao pensar na distância que hoj e existe entre a m aioria das pessoas e esses eventos.

Eles — e o m eu m arido — instaram -m e a escrever m inha história. Esse pensam ento não m e abandonou nas sem anas seguintes. Abriu cam inho para outros: deixei m inha vida passar pela m inha frente. Apesar do que m e aconteceu durante a guerra, não tenho sentim entos de am argura ou ódio, m as, por outro lado, não acredito na bondade do hom em .

Minha irm ã de criação, Anne Frank, escreveu em seu Diário: “Ainda creio que bem no fundo os seres hum anos têm bom coração.” Não posso deixar de lem brar que ela escreveu isso antes de passar por Auschwitz e Belsen.

Durante os anos terríveis, eu sentia que estava sendo protegida por um ser todo-poderoso, m as essa fonte de confiança com eçou a dar espaço para algum as perguntas perturbadoras. Por que eu havia sido poupada e não m ilhões de outras pessoas, incluindo m eu irm ão e m eu pai? O m undo estava m elhorando com o resultado da experiência de aniquilação em m assa? Não seria necessário contar essa história de novo e de novo e exam iná-la de todos os ângulos? Quanto tem po restava para os poucos sobreviventes antes que suas m em órias inim agináveis, as quais som ente eles podiam trazer à luz, fossem esquecidas? Eu e os dem ais sobreviventes não tínham os o dever para com os m ilhões de vítim as de dim inuir as chances de suas m ortes terem sido em vão?

Fiquei convencida de que, se pudesse fazer com que algum as pessoas dessem m ais valor a seus sem elhantes, realizaria algo valioso e que era m eu dever tentar.

Decidi então procurar a am iga Evely n Kent para que m e aj udasse a escrever a história das m inhas experiências no Holocausto. Havia falado um as poucas palavras quando ela m e interrom peu, dizendo: “Eva, estou esperando desde que a conheci, vinte anos atrás, para escrever a sua história.”

Foi assim que decidim os escrever este livro.