A pequena livraria dos sonhos

Jenny Colgan · Capítulo 1 de 40

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A pequena livraria dos sonhos

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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento,

e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa

sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível."

O Arqueiro

GERALDO JORDÃO PEREIRA (1938-2008) começou sua carreira aos 17 anos, quando foi trabalhar com seu pai, o célebre editor José Olympio, publicando obras marcantes como O menino do dedo verde, de Maurice Druon, e Minha vida, de Charles Chaplin.

Em 1976, fundou a Editora Salamandra com o propósito de formar uma nova geração de leitores e acabou criando um dos catálogos infantis mais premiados do Brasil. Em 1992, fugindo de sua linha editorial, lançou Muitas vidas, muitos mestres, de Brian Weiss, livro que deu origem à Editora Sextante.

Fã de histórias de suspense, Geraldo descobriu O Código Da Vinci antes mesmo de ele ser lançado nos Estados Unidos. A aposta em ficção, que não era o foco da Sextante, foi certeira: o título se transformou em um dos maiores fenômenos editoriais de todos os tempos.

Mas não foi só aos livros que se dedicou. Com seu desejo de ajudar o próximo, Geraldo desenvolveu diversos projetos sociais que se tornaram sua grande paixão.

Com a missão de publicar histórias empolgantes, tornar os livros cada vez mais acessíveis e despertar o amor pela leitura, a Editora Arqueiro é uma homenagem a esta figura extraordinária, capaz de enxergar mais além, mirar nas coisas verdadeiramente importantes e não perder o idealismo e a esperança diante dos desafios e contratempos da vida.

Título original: The Little Shop of Happy Ever After

Copyright © 2016 por Jenny Colgan

Copyright da tradução © 2019 por Editora Arqueiro Ltda.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro

pode ser utilizada ou reproduzida sob quaisquer meios existentes

sem autorização por escrito dos editores.

tradução: Thaís Paiva

preparo de originais: Renata Dib

revisão: Sheila Louzada e Suelen Lopes

projeto gráfico e diagramação: Natali Nabekura

capa: Kate Forrester

adaptação de capa: Renata Vidal

foto da autora: © Charlie Hopkinson

adaptação para e-book: Marcelo Morais

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO

SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

C659p

Colgan, Jenny

A pequena livraria dos sonhos [recurso eletrônico] / Jenny

Colgan; tradução de Thaís Paiva. - 1. ed. - São Paulo:

Arqueiro, 2019.

recurso digital

Tradução de: The little shop of happy ever after

Formato: ePub

Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions

Modo de acesso: World Wide Web

ISBN 978-85-8041-954-2 (recurso eletrônico)

1. Ficção americana. 2. Livros eletrônicos. I. Paiva, Thaís.

II. Título.

19-56067 CDD: 813

CDU: 82-3(73)

Todos os direitos reservados, no Brasil, por

Editora Arqueiro Ltda.

Rua Funchal, 538 – conjuntos 52 e 54 – Vila Olímpia

04551-060 – São Paulo – SP

Tel.: (11) 3868-4492 – Fax: (11) 3862-5818

E-mail: atendimento@editoraarqueiro.com.br

www.editoraarqueiro.com.br

Sumário

 

Capítulo um

Capítulo dois

Capítulo três

Capítulo quatro

Capítulo cinco

Capítulo seis

Capítulo sete

Capítulo oito

Capítulo nove

Capítulo dez

Capítulo onze

Capítulo doze

Capítulo treze

Capítulo catorze

Capítulo quinze

Capítulo dezesseis

Capítulo dezessete

Capítulo dezoito

Capítulo dezenove

Capítulo vinte

Capítulo vinte e um

Capítulo vinte e dois

Capítulo vinte e três

Capítulo vinte e quatro

Capítulo vinte e cinco

Capítulo vinte e seis

Capítulo vinte e sete

Capítulo vinte e oito

Capítulo vinte e nove

Capítulo trinta

Capítulo trinta e um

Capítulo trinta e dois

Capítulo trinta e três

Capítulo trinta e quatro

Capítulo trinta e cinco

Capítulo trinta e seis

Agradecimentos

Sobre a autora

Informações sobre a Arqueiro

Leiamos e

dancemos, pois

essas são duas

diversões que

nunca farão mal

algum ao

mundo.

VOLTAIRE

Uma mensagem aos leitores

 

Este livro não tem dedicatória porque é inteiramente dedicado a você, leitora ou leitor. A história é dedicada a todos os leitores.

Porque fala sobre leitura e sobre livros, e sobre como as duas coisas são capazes de mudar sua vida sempre para melhor. Também fala da sensação de se mudar e recomeçar do zero (algo que fiz várias vezes na vida) e de como o lugar em que escolhemos morar afeta nossas emoções; pondera se a paixão na vida real pode ser igualzinha ao que acontece nas histórias, e também tem uma ou outra coisa sobre queijo, pois acabei de me mudar para um lugar que produz muito queijo e estou viciada. E também tem um cachorro chamado Salsinha.

Mas ele fala muito sobre livros porque Nina Redmond, a personagem principal, sonha abrir a própria livraria.

Por isso, vou dar algumas sugestões de locais de leitura, porque eu quero que você esteja o mais confortável possível enquanto lê. Caso eu tenha deixado de fora algum lugar muito óbvio ou se você gosta de fazer algo totalmente diferente, pode comentar comigo no Facebook ou no Twitter (@jennycolgan), porque sou adepta da antiquada convicção de que ler é um prazer que deve ser preservado a todo momento. Espero, do fundo do coração, que você sinta tanto prazer ao ler este livro (onde quer que escolha lê-lo) quanto eu senti ao escrevê-lo.

Banheira

Eu tenho um horário para relaxar com um banho de banheira: 21h45. Isso deixa meu marido maluco, já que ele precisa ajustar o termostato se não estiver na temperatura correta (que é só um pouquinho mais fresca que a superfície do Sol) e manter a água sempre no volume certo. É um verdadeiro luxo. Só que eu não gosto de óleo de banho. Acho meio nojento, sabe? Deixa tudo melecado. Mas estou fugindo do assunto. Voltemos ao livro no banho: edições de bolso são as mais indicadas, é claro, porque o pior que pode acontecer é ter que deixar o exemplar secando perto do ventilador (os livros do Harry Potter dos meus filhos estão todos deformados), mas também leio bastante no leitor eletrônico e queria contar um segredinho: eu viro as páginas com o nariz. Talvez você não tenha sido abençoado com um nariz ítalo-escocês à la Peter Capaldi, mas, com um pouco de prática, tenho certeza de que vai logo descobrir que é bastante possível deixar uma mão na água e ainda passar as páginas usando esse método. Se alguém na sua casa tem a mania de entrar no banheiro sem aviso, é melhor trancar a porta – posso afirmar, por experiência própria, que as pessoas acham essa cena um tanto hilária.

Uma alternativa é fazer como a minha amiga Sez, que usa as duas mãos no e-reader, mas o envolve em plástico. Sagaz.

 

Cama

O único problema em ler na cama é a brevidade do evento: duas ou três páginas depois, você já apagou, que nem uma lâmpada. Depois de um dia bastante cansativo, você pode tentar insistir um pouco até enfim acabar adormecendo. O problema é que, ao pegar o livro na noite seguinte, acaba pensando: “Essa história tinha mesmo um unicórnio cor-de-rosa correndo em uma sala de aula enquanto eu o perseguia de pijama?” E sinto informar que não, nada do gênero acontece aqui. Você é que dormiu e sonhou enquanto lia e infelizmente precisará voltar algumas páginas. Mas, como sou muito prestativa, dei nomes bem diferentes aos personagens. Não há nada pior do que ler sobre uma Cathy e uma Katie tarde da noite, e não quero tornar a vida de ninguém mais complicada do que precisa ser.

 

Espreguiçadeira

Férias na espreguiçadeira é o momento ideal para uma leitura. Na verdade, durante toda a minha vida, meu bronzeado sempre foi diretamente proporcional à genialidade do livro que eu lia enquanto tomava sol. O único problema é como segurar o livro. Segure-o acima da cabeça e, além de cansar os braços, seu bronzeado vai ficar com uma marca no formato de um livro (o que eu imagino que até seja considerado legal em alguns círculos). Se o livro refletir o sol, você vai passar o tempo todo franzindo os olhos, o que não é muito atraente. Ficar sentada de pernas cruzadas e deixar o livro na toalha também não é a pose mais elegante (se você for como eu, que tenho certa tendência a ficar corcunda). Se deitar de bruços, o suor vai escorrer todo e pingar nas páginas, e as peças de plástico da cadeira podem acabar machucando. A melhor coisa é tentar encontrar uma daquelas maravilhosas espreguiçadeiras de vovó que vêm com abas de pano para puxar por cima da cabeça. Sim, elas podem até ser meio ridículas, mas assim você, ao contrário de todas as outras pessoas, poderá ler sob o sol sem perder o conforto, então quem é que ri por último?

 

Andando na rua

Houve um tempo em que era aceitável andar na rua com a cara enfiada em um livro. As pessoas davam um sorriso indulgente e saíam do seu caminho, pois entendiam que às vezes a vontade de continuar lendo era arrasadora. Certo dia, vi uma menina no metrô de Londres que estava se segurando numa alça do vagão e acabou deslocando o pulso enquanto tentava fazer a baldeação e, ao mesmo tempo, terminar Um rapaz adequado.

Mas hoje em dia todo mundo vive com os olhos grudados na porcaria do celular, com medo de alguém curtir uma foto de cachorro no Facebook e eles demorarem dois segundos para ver a atualização, por isso andar na rua virou uma corrida de obstáculos, mesmo para quem não está com a cara enfiada em um livro. Aconselho cautela.

 

Clube do livro

Se você está lendo esta história para um clube do livro, só digo que sinto muito e presumo que sejam 2h15 da véspera do encontro. Já notei que, quando somos forçados a ler um livro, nos sentimos como se ainda estivéssemos na escola. Afinal, se quiséssemos dever de casa já teríamos nos matriculado naquele curso noturno que vivemos prometendo fazer quando arranjarmos tempo. Se temos que ler com pressa, é nessa hora que alguém vem e pergunta: “E aí, o que achou do final?”, e você se vê forçado a sorrir e concordar, torcendo desesperadamente para que o final não seja uma pegadinha do autor em que a história vira do avesso (confesso que isso já me aconteceu). Portanto, dou minha palavra de que o final deste livro não tem pegadinha nenhuma. Se bem que, se tivesse, eu diria a mesma coisa, não é?

 

Rede

Quando eu era mais nova, tive um namorado que me deu uma rede de presente e a pendurou na varanda perigosamente alta da minha casa. Ah, quantas horas felizes eu passei lá, balançando e lendo, comendo biscoitos e pensando no meu lindo e querido namorado!

Então, caro leitor, eu me casei com ele, tivemos filhos e um cachorro e nos mudamos para um lugar onde chove o tempo inteiro, e acho que a rede ainda está guardada em algum lugar. Isso, meus amigos, é o que costumam chamar de “felizes para sempre”.

 

Momentos “roubados” para ler Ah, essa é a melhor hora para ler. Costumo chegar um pouco mais cedo para pegar as crianças na natação ou passar uns quinze minutos lendo no carro depois de ir ao mercado. Nessas horas eu pego de volta um pouquinho do tempo que o mundo toma de mim, para poder ficar sozinha com meu livro. Nós merecemos esse agrado, e o “proibido” é sempre mais gostoso.

 

Transporte público

Ler no transporte público é ótimo, desde que você pegue o jeito da coisa. Pegar ônibus, trem ou metrô para o trabalho ou para a escola é algo tão automático – basta observar o olhar vago das pessoas que percorrem essa linda e complexa dança entre as estações todos os dias – que seu cérebro acata no mesmo instante o comando de se retirar de tudo isso durante esse determinado intervalo de tempo. Guarde o celular. Não há nada nele que não possa esperar até você chegar ao trabalho. Ler no transporte público é sua pequena recompensa por morar longe.

 

Viagem

Ler na viagem é bem diferente de ler a caminho do trabalho. Como você pode imaginar, eu sou contra wi-fi em carros e aviões, embora essa seja uma batalha perdida. Mesmo assim, reserve um assento na janela para poder se acomodar bem, ponha o fone de ouvido, escolha algo relaxante para ouvir no entretenimento de bordo e se jogue em algumas horas ininterruptas de leitura – tirando aquele momento em que os comissários começam a servir as bebidas e você fica com medo de que passem direto por você, e aí você acaba ficando ansioso e não consegue se concentrar. Nessa hora, deixe o livro de lado e folheie uma revista, fingindo casualidade, como quem nem se importa se vai ser servido ou não. Também já tentei fazer tudo ao mesmo tempo – comer, beber, ouvir música e ler – num voo de classe econômica. Não recomendo, a não ser que você tenha bastante dinheiro em espécie sobrando para o caso de ter que reembolsar a pessoa no assento ao seu lado pela conta da lavanderia.

Trens, por outro lado, foram feitos para a leitura. Na minha experiência, investir em um bom par de fones de ouvido vale mais a pena do que se estressar com os idiotas que insistem em fazer barulho. Não estou dizendo que essas pessoas deveriam ser presas, mas, se fossem, eu é que não ia reclamar.

 

Diante da lareira

Se você não tem lareira em casa, serve uma vela. Quando vai chegando o inverno, já começo a sonhar com o aconchego de uma lareira e um bom livro – quanto maior, melhor. Nada melhor do que um romance bem, bem longo, uma caneca generosa de chá ou uma taça de vinho, dependendo da proximidade do fim de semana (ou da minha própria inclinação a forçar os limites de quando o fim de semana começa), e uma boa dose de tranquilidade. Um cachorro também ajuda. Cachorros são ótimos para nos lembrar de que não precisamos ficar olhando o celular de dois em dois segundos para ter uma vida feliz.

 

Hospital

Já passei muito tempo em hospitais, por uma série de motivos: já trabalhei em hospital, já tive uma penca de filhos no hospital e já fiquei um bom tempo levando os referidos filhos para o hospital por conta de braços e pernas quebrados ao cair da árvore etc.

O tempo no hospital passa de maneira diferente. Primeiro, é muito mais lento. Nada para, mesmo à noite. E há sempre aquele leve ar de deslumbramento com tudo o que acontece lá dentro: os dramas verdadeiros que todos nós conhecemos bem – uma vida que acaba e outra que começa, a felicidade e o luto – se desenrolando à nossa volta em cada andar do prédio estéril e gelado. O terror, o sofrimento e a alegria que ecoam junto com cada passo apressado e profissional no piso encerado até brilhar.

Acho muito difícil ler no hospital. É como estar a bordo de um grande navio percorrendo águas turbulentas enquanto aqueles que estão em terra firme continuam vivendo normalmente, alheios às pessoas que, não muito longe dali, estão navegando na tempestade.

Já a poesia funciona bem para mim no hospital. Textos curtos, que permitem que você erga os olhos da página sem se sentir frágil demais, isolado demais. Afinal, estamos todos ali, ou já estivemos, ou ainda estaremos.

Também é um lugar para as pequenas gentilezas, como se sentar ao lado de uma pessoa e ler para ela.

É por isso que não sinto nem um pouco da indignação das pessoas que reclamam que as cantinas hospitalares vendem bolo e sorvete. Um hospital deve sempre ter bolo. É o mínimo do mínimo.

 

Debaixo de uma árvore frondosa em um parque

ensolarado

Mas é claro. De preferência com um sorvete de qualidade. Nada daqueles mais duros.

 

Outros

Dentre os meus maiores orgulhos na vida está o talento para dar um jeito de ler: amamentando (é só pôr um travesseiro embaixo da cabeça do bebê); secando o cabelo (meu cabelo é bem difícil); escovando os dentes (meus dentes, por outro lado, são ótimos, provavelmente porque a escovação dura muito mais do que o recomendado); esperando o sinal de trânsito ficar verde; trancada no banheiro de uma festa de casamento muito chata (quem estava casando não era eu); no parquinho (certa vez li um livro inteirinho enquanto meus filhos se esbaldavam na piscina de bolinhas em uma tarde chuvosa; acho que foi um dia inesquecível para todos nós); na pedicure (nunca peço para fazer a unha da mão porque não dá para ler durante o processo); de pé em uma fila; em um carro conversível (complexo); na igreja (um pecado pelo qual cheguei a ser punida, e com razão); em viagens de negócios nas quais eu precisava fazer minhas refeições sozinha no restaurante (mas, com um livro, ninguém nunca fica sozinho); e, por fim, lá onde tudo começou, durante um milhão de horas no banco de trás do velho Saab 99 verde do meu pai, chupando um picolé e olhando os cachinhos do meu irmão que dormia com a cabeça na minha perna. Por isso, conte-me onde você gosta de ler. Porque um dia com leitura é sempre um pouquinho melhor do que um dia sem leitura, e eu desejo a você uma infinidade de dias maravilhosos.

Agora chegou a hora de conhecer a Nina.

 

Um beijo,

JENNY