A pequena livraria dos sonhos
Capítulo cinco
Lá fora fazia um dia lindo, bem diferente do que Nina esperava. Parecia que o céu tinha acabado de ser lavado: estava de um azul-celeste intenso e vivo, com nuvens fofas passando para lá e para cá. Ela pensou que era uma vergonha que passasse tão pouco tempo fora da cidade, já que na Grã-Bretanha o que não faltava era campo. Vivia com asfalto sob os pés, pois quase nunca pisava na grama, e o céu era sempre recortado pelos postes e pelos arranha-céus que não paravam de pipocar a cada semana no centro de Birmingham.
Olhou ao redor. A luz do sol tremulava pelas árvores que se acumulavam nos sulcos dos campos. Do outro lado da estrada havia um mar de canola amarelo-brilhante e um trator passeava alegremente pela plantação, espantando os pássaros à frente – uma cena que parecia ter saído de um antigo livro infantil sobre a vida na fazenda. Espelhando as nuvens acima, um bando de cordeirinhos corria pela grama, saltitando e tentando morder o rabo uns dos outros em um campo tão verde que parecia tecnicolor. Nina ficou observando, incapaz de conter um largo sorriso.
Estar ali era tão atípico para ela que Nina tirou uma selfie com os carneiros ao fundo e mandou a foto para Griffin e Surinder. A amiga respondeu na mesma hora, perguntando se ela tinha sido abduzida por alienígenas e se precisava de ajuda. Dois segundos depois, chegou uma mensagem de Griffin perguntando se Nina sabia o que eram “metodologias de interface e conectividade aplicadas a bibliotecas”, mas ela o ignorou, fazendo um esforço para conter a ansiedade que a mensagem lhe provocara.
Após explorar o vilarejo, Nina percebeu que não havia nenhuma biblioteca ali. Subiu uma trilha que levava ao topo da colina, de onde era capaz de ver o mar, que estava mais próximo do que imaginava. Avistou uma pequena enseada lá embaixo, acessível por um caminho um pouco pedregoso, mas possível de percorrer. Balançou a cabeça. Aquele lugar era o paraíso. E onde estavam as pessoas? Por que todo mundo resolvia se acotovelar em um único pedacinho da Inglaterra, buzinando na cara uns dos outros no engarrafamento, respirando toda aquela fumaça e aquele cheiro de comida, espremendo-se em bares e boates? Viu uma imensa nuvem negra de chuva surgindo ao longe. Será que era por causa daquilo?
Além do rumor distante do trator, não se ouvia nada. Nina foi tomada pela repentina sensação de que não respirava direito havia muito tempo. Era como se estivesse expirando com o corpo inteiro. No alto da colina, ficou admirando a paisagem. A vista alcançava quilômetros e quilômetros. O terreno era respingado de vilarejos que se pareciam muito uns com os outros, feitos de pedra e ardósia de um cinza-claro, e o vale que se descortinava à frente dela era uma pintura em verde, amarelo e marrom que se estendia até as bordas brancas do mar.
Era uma sensação bem peculiar. De repente, Nina inspirou fundo, bem fundo, e sentiu os ombros se abrirem, como se tivessem passado meses contraídos, quase tocando as orelhas.
“E talvez tivessem mesmo”, pensou. Afinal, já fazia um ano desde o início dos boatos sobre o fechamento da biblioteca. Sete meses desde que descobriram que uma consultoria havia sido instaurada. Dois meses desde a descoberta de que o desastre ia mesmo acontecer, e três semanas desde que descobrira que, se não passasse naquela entrevista, estaria no olho da rua. Mas já fazia muito mais tempo que Nina precisava conviver com a incerteza, com a inaptidão em planejar a etapa seguinte da vida.
Ficou com o olhar perdido no horizonte enquanto tentava pensar, com seriedade e sinceridade, na própria vida: lá em cima, onde tudo era mais claro e era mais fácil respirar, ela não estava cercada de um milhão de pessoas cheias de pressa, correndo, puxando, empurrando, berrando ou conquistando coisas que eram prontamente postadas no Facebook e no Instagram, fazendo com que todas as outras pessoas se sentissem incapazes.
Nina sabia que uns recorriam à comida para aplacar os medos; outros, à bebida; e havia ainda os que se entregavam ao planejamento de casamentos e festas e demais eventos que tomavam cada segundo do tempo livre, para não dar oportunidade ao menor pensamento desagradável. Ela, por sua vez, recorria aos livros sempre que perigava se confrontar com a realidade – ou melhor, com seus aspectos mais sombrios. Quando ficava triste, os livros eram seu consolo; quando se sentia só, eram eles seus amigos. Eram eles que cuidavam do seu coração partido e a encorajavam a manter a esperança quando estava na pior.
Entretanto, por mais que relutasse, era hora de admitir que os livros não eram a vida real. Por mais que tivesse conseguido passar boa parte de seus 30 anos fugindo da realidade, sentia que estava sendo alcançada por ela a uma velocidade assustadora. Nina teria que fazer alguma coisa, qualquer coisa. Fora exatamente isso que Surinder lhe dissera quando Nina perguntara sua opinião sincera sobre a ideia da van.
– O importante é fazer alguma coisa. Se cometer um erro, é só consertar. Mas se você não fizer nada, nunca terá nada para consertar. E a sua vida pode acabar virando um arrependimento sem fim.
Subitamente, tudo aquilo começou a fazer sentido. De repente, tudo o que pensara no trajeto – “Não vou conseguir”, “Não sou assertiva o bastante”, “Nunca seria capaz de ter meu próprio negócio”, “Não vou ter sucesso”, “Não vou conseguir dirigir aquela van enorme”, “Não vai dar certo”, “É melhor me agarrar com unhas e dentes à segurança do meu trabalho” – parecia fraco e patético.
De onde estava, observando o vale lá embaixo, os vilarejos cheios de gente que vivia sem ligar para tendências ou moda ou o ritmo da cidade ou conceitos abstratos sobre vencer na vida, Nina foi tomada por sensações que até então lhe eram desconhecidas. Nascera na cidade, crescera na cidade, sempre trabalhara e vivera naquele mundo. Porém, em algum lugar lá no fundo, sentiu que tinha encontrado seu verdadeiro lar.
Uma nuvem cobriu o sol, e Nina estremeceu. Naquele lugar, o frio chegava de repente, e ela desceu a colina para voltar ao pub, perdida em pensamentos. Os dois senhores do dia anterior já estavam lá outra vez, empoleirados no balcão. Um deles estava com o livro dela aberto e parecia imerso na leitura.
– Está gostando? – perguntou ela, sorrindo.
Era um thriller que se passava no Ártico, nos confins da Terra, a história de um homem enfrentando sozinho a natureza, os ursos-polares e uma presença misteriosa sob o gelo.
O homem ergueu os olhos do livro com uma expressão culpada.
– Ah, desculpe, moça – falou ele. – Só peguei para dar uma olhadinha e... sei lá, a história meio que me fez mergulhar com tudo.
– O livro é ótimo – comentou Nina, e acrescentou: – Se quiser, quando eu acabar de ler, você pode ficar com ele.
– Ah. Não, não, menina, o que é isso, um livro grande e caro como esse... – De repente, os olhos úmidos dele se encheram de tristeza. – Sabe, a gente tinha uma livraria e uma biblioteca. Agora não tem mais nada.
O outro homem assentiu.
– Era um passeio bem bacana, ir lá na biblioteca grande. Pegar o ônibus. Escolher um livro. Tomar um chazinho.
Os dois se entreolharam.
– Ai, ai. Bem, as coisas mudam, né não, Hugh?
– Pode apostar, Edwin. Mudam mesmo.
As portas duplas do velho pub se abriram com um rangido, e lá estava Wullie, franzindo os olhos para enxergar na escuridão. Olhou para Nina e depois ao redor, na esperança de encontrar alguma pessoa que ainda não tivesse visto para adiar mais um pouco o momento em que teria que interagir com ela. Por fim, voltou a olhar para Nina, a decepção evidente no rosto.
– E aí, Wullie? – falou Alasdair, já deixando um pint de cerveja escura no balcão. – Como vamos nessa manhã, tudo bem?
Wullie parecia chateado ao se encaminhar para se sentar ao balcão.
– Aham – respondeu ele.
– A garota já está pronta para o test drive! – anunciou alegremente o proprietário do pub. – Ela é meio tampinha, mas...
– Aham – repetiu Wullie. O salão ficou em silêncio, até que Wullie tirou o chapéu muito gasto e disse: – Puxa vida, achei que dessa vez eu ia conseguir vender, juro por Deus.
– Hum, olá – disse Nina, aproximando-se dele. – Lembra de mim? Nina. Vim ver a sua van.
– Aham – falou Wullie. – Mas é uma van bem grande, sabe? – Ele tomou um longo gole de cerveja. – Eu tava achando, de verdade, que a gente ia conseguir vender... – repetiu ele. Balançou a cabeça. – Não consigo entender por que ninguém quer comprar.
– Talvez eu queira, oras – falou Nina, impaciente.
– Aquilo não é carro pra uma garota miúda – falou Wullie.
– Bom, eu não sou uma garota miúda, seja lá o que queira dizer com isso – rebateu Nina. – Sou perfeitamente capaz de dirigir aquela van e fiz uma viagem longa demais só para fazer um test drive.
Edwin e Hugh estavam dando risadinhas. Nina achava que já devia fazer alguns anos desde que o vilarejo vira uma comoção daquelas.
– É uma baita de uma van – repetiu Wullie.
Nina suspirou, exasperada.
– Pode me emprestar as chaves, por favor? Nós combinamos isso por e-mail!
– Sim, mas eu não sabia que você era mulher.
– Mas o meu nome é Nina.
– Sim, mas é um nome estrangeiro, né? Quer dizer, podia ser...
– Wullie – intercedeu Alasdair, e seu rosto normalmente simpático ganhou uma expressão austera –, a mocinha fez uma longa viagem pra vir ver a sua van. Quem tá vendendo é você. Não estou entendendo por que está criando caso.
– O caso é que eu não quero que ela bata – falou Wullie. – Se a garota morrer, eu vou ter ainda mais dor de cabeça do que já tenho agora, e olha que não é pouca.
– Eu não vou bater! – exclamou Nina.
– Quantas vans você já dirigiu?
– Bem, não muitas, mas...
– Qual é o seu carro?
– Um Mini Metro...
Wullie grunhiu com sarcasmo.
– Wullie, se você não parar de ser tão rude com a garota, não vai ganhar sua cerveja – ameaçou Alasdair.
– Ah, que isso, estou de pé desde as cinco.
O taberneiro ameaçou levar a cerveja embora. Wullie fez cara feia e começou a remexer nos bolsos, que eram muitos e bem fundos. Por fim, pegou um chaveiro grande e o atirou em uma mesa próxima.
– Vou precisar de alguma garantia – resmungou ele.
Nina pegou o passaporte.
– Pode ser isso aqui?
Wullie franziu o cenho.
– Você não precisa disso pra entrar na Escócia. Pelo menos, ainda não.
Os homens no bar deram risadinhas, aprovando.
Tudo o que Nina queria fazer era jogar os braços para o alto e desistir, pois detestava qualquer tipo de conflito, mas não conseguia esquecer – nem se quisesse – a sensação daquela manhã. Queria ser durona como Katniss Everdeen, inflexível como Elizabeth Bennet, corajosa como Hermione. Disse a si mesma que só precisava dar uma volta na praça com a van e depois poderia ir embora. Dar as costas àquilo tudo. Voltar para casa. Torcer para dar tudo certo na biblioteca. Sua coragem tinha sido abalada por aquele sujeito, mas ela ainda não havia sido derrotada.
Pegou as chaves.
– Já volto – falou.
Saiu do pub e atravessou a praça. Sentia-se meio trêmula. Estava acostumada a lidar, aqui e ali, com uma criança mais pirracenta ou com gente irritada por ter que pagar multa de atraso, mas nenhum daqueles conflitos era pessoal, especificamente contra ela. Aquela situação era diferente; estava sendo hostilizada por alguém que deixava bem claro que a achava irritante.
Os homens também saíram do pub, e ela sentia o olhar deles às suas costas. “Cadê as mulheres dessas bandas?”, pensou, enquanto atravessava o pavimento de pedras e chegava à rua lateral onde o Leviatã branco a aguardava. Deteve-se por um instante, olhando os faróis retrô.
– Escuta aqui, van – disse ela –, eu não sei muito bem o que estou fazendo neste lugar, mas você também está perdida, não é? Já faz anos que está largada aqui nessa rua. Deve estar se sentindo sozinha. Então me ajude a te ajudar, está bem?
Destrancou a porta, o que já era alguma coisa.
O passo seguinte era entrar na cabine. Havia uns dois degraus, mas eram bem altos. Nina segurou a saia acima do joelho e subiu. Não foi um gesto muito elegante, mas funcionou. Perdeu um pouco o equilíbrio ao abrir a porta e achou, por um instante, que fosse cair. Mas não caiu, e logo se acomodou no imenso banco de couro rachado, remendado com uma fita adesiva resistente.
A cabine recendia um pouco a feno e grama, mas não era um odor desagradável. Nina olhou para trás. Parecia imensa, mas lembrou a si mesma outra vez que uma van não era um caminhão. Não era preciso uma permissão especial para dirigir aquela coisa, qualquer pessoa habilitada podia fazê-lo. E muita gente fazia mesmo, o tempo todo.
Mas o troço parecia grande como um ônibus. E estava estacionado em uma rua muito estreita, com casinhas de pedra em ambos os lados, quase tocando o veículo.
Nina engoliu em seco e então voltou a olhar o painel, inspecionando os controles. Era semelhante ao painel de um carro comum, tirando o fato de que tudo parecia mais distante. Tateou embaixo do banco até achar a alavanca para ajustar a distância, chegando mais perto do imenso volante. O câmbio era enorme e meio desajeitado. Não havia retrovisor no meio, e os laterais a deixaram apavorada.
Ela ficou ali em silêncio durante alguns momentos. Então olhou para o pub, onde os homens ainda a observavam, e sentiu uma firmeza renovada lhe encher o peito. Inclinou-se para ajustar os retrovisores e certificou-se umas cinco vezes de que estava no ponto morto, então pôs a chave na ignição e girou.
O carro produziu um ronco estrondoso, muito mais alto que o motor do Mini Metro. Muito mais alto do que qualquer outra coisa. Nina viu um bando de pássaros fazer uma revoada por cima das casas e ganhar o céu. Prendendo a respiração e fazendo uma prece silenciosa, engatou a primeira, pôs o pé com muito cuidado no acelerador e soltou o pesado freio de mão.
A van deu um tranco para a frente e morreu na mesma hora. Nina teve a impressão de ver os homens rindo na frente do pub, e estreitou os olhos, com raiva. Girou a chave e tentou de novo. Dessa vez, o carro partiu com suavidade, e ela começou a avançar pela praça, quicando por causa do pavimento de pedras.
Sem saber muito bem que direção tomar, Nina virou à esquerda na primeira rua mais larga que encontrou e em pouco tempo estava subindo a colina na direção das charnecas. A direção era mais macia do que parecera a princípio. Ela passou a segunda com facilidade e se concentrou. Nunca tinha dirigido um carro tão alto. Dava até para ver o mar por cima da escarpa da colina; havia enormes cargueiros chegando – da Holanda, da Escandinávia e da China, supôs, trazendo brinquedos, móveis e papel, e levando petróleo e uísque na viagem de volta.
Um imenso caminhão vermelho passou ao seu lado e buzinou alto. Nina levou um tremendo susto antes de perceber que se tratava apenas de um cumprimento amigável entre caminhões. Ao fazer uma curva inesperadamente fechada, um carro esportivo minúsculo a cortou e partiu em disparada, o que também a sobressaltou. Um tanto nervosa, ela estacionou no primeiro acostamento que apareceu e se agarrou com força ao volante. Suas mãos tremiam.
Abriu a janela e inspirou fundo o ar fresco e revigorante até começar a se sentir um pouco melhor. Então saltou para dar uma boa olhada na van.
O problema, pensou Nina, chutando os pneus, era que não entendia nada de vans, então como iria avaliar? Ela nem sabia se devia ou não chutar os pneus, embora tivesse sentido certo prazer ao chutar pneus tão imensos. Aliás, eles não pareciam carecas. E Nina conseguiu abrir o capô, embora não soubesse ao certo o que olhar. Não havia nada enferrujado e o óleo estava bom; até ela sabia olhar o óleo.
Quanto ao interior, a parte de trás precisava de uma limpeza, tinha ainda um bocado de feno, mas tudo bem. Era fácil imaginar como ficaria com as prateleiras, e a ideia de pôr uns pufes no fundo daria certo; a porta de correr deslizava perfeitamente, e os degraus se desdobravam com facilidade.
Na verdade, enquanto fazia sua inspeção, Nina começou a ficar animada outra vez. De repente, já conseguia imaginar tudo. Estacionar em algum lugar como aquele belo acostamento. Quer dizer, talvez não um acostamento. Algum lugar na cidade, onde as pessoas pudessem vir até ela. Pintar por dentro com cores vivas; encher as prateleiras com o melhor de tudo o que conhecia. Ajudar as pessoas a encontrar aquele livro que mudaria a vida delas, ou que as faria se apaixonar, ou superar uma decepção amorosa.
E, para as crianças, poderia ensinar que era possível nadar em um rio infestado de crocodilos, ou voar entre as estrelas, ou abrir um guarda-roupa e...
Sentou-se para admirar a própria fantasia, imaginando a van ganhando vida e se enchendo de pessoas que chegariam dizendo: “Nina! Graças a Deus você chegou. Estou precisando de um livro para salvar a minha vida!”
Bateu a porta, entusiasmada.
Sim! Ia conseguir! Voltou a pensar na sensação daquela manhã. O velho do pub ia ver só! Ela ia comprar a porcaria da van e transformá-la em sucesso, e tudo daria muito certo. Estava tão animada que só deixou o motor morrer quatro vezes na volta, só se perdeu uma vez e assustou um cavalo, o que irritou tanto a mulher elegante que o montava que ela xingou Nina de uma maneira nada elegante. O impropério ficou ecoando em sua mente durante todo o caminho de volta a Kirrinfief, e Nina apostava que o cavalo ficara mais traumatizado com a grosseria do que com o barulho da van.
– Mudei de ideia – disse Wullie assim que Nina estacionou, com cuidado, em frente ao pub. – Não vou mais vender.
Ela o encarou, boquiaberta.
– Mas eu consegui dar ré e tudo!
Isso não era bem verdade, mas Nina tinha olhado para a alavanca e mentalizado que iria conseguir, desde que não tivesse ninguém gritando com ela sobre maus-tratos aos equinos.
– Eu não quero mais vender.
– Mas isso é machismo!
– Não importa. A van é minha e ponto final.
Wullie lhe deu as costas e se encaminhou para a saída do pub.
– Por favor – pediu Nina. – Já tenho planos para essa van e não encontrei nenhuma outra à venda que atenda tão bem as minhas necessidades, e vim até aqui de tão longe, e prometo que vou cuidar muito bem dela.
Wullie se virou, e o coração de Nina se encheu de esperança.
– Não, esquece – respondeu ele.
E saiu deixando a porta bater.