A pequena livraria dos sonhos
Capítulo catorze
Surinder dormiu durante todo o caminho de volta para a fazenda, e só acordou durante um curto intervalo quando entraram no celeiro.
– É sério? Esse espaço é seu? Todo seu? Não tem ninguém morando no banheiro ou algo assim? Isso não é justo...
Então ela se atirou no sofá e desmaiou de novo.
Nina, por sua vez, estava muito desperta, apesar de já passar muito da uma da manhã. Olhou pela janelinha dos fundos e percebeu que ainda havia uma luz acesa na casa principal. Não era a única que estava acordada. Enquanto observava a casa, outra luz se acendeu, e depois mais uma, e a porta bateu com força quando Lennox saiu, pisando firme. Parecia estar praguejando. De um salto, Nina também pegou o casaco e as galochas e saiu.
– Deus do CÉU!
Nina não tivera a intenção de chegar de fininho e matá-lo de susto, mas foi o que acabou fazendo. Lennox se virou de repente, como se ela estivesse com uma pá na mão, prestes a acertá-lo na cabeça.
– Desculpa! Desculpa!
– O que... o que você está fazendo aqui? No meio da madrugada, caramba!
– Eu sei! Eu sei. Desculpe. Só fiquei me perguntando o que você estava fazendo.
– O que cargas d’água acha que eu estou fazendo?
Nina pensou que devia ser uma pergunta retórica, porque não fazia ideia da resposta.
– Hã… Não sei. Você podia ter ouvido um invasor em algum lugar.
– E ouvi mesmo – rebateu Lennox. – Mas no fim das contas, era só você.
– Ah.
Lennox suspirou.
– Você, garota da cidade, deve achar que cuidar de fazenda é um trabalho das nove às cinco, né? Pois saiba que não é. Se quer mesmo saber, Ruaridh acha que na colina tem uma ovelha em trabalho de parto que não está indo muito bem, e eu estava indo lá para ver se vou precisar chamar Kyle. Kyle é o veterinário. Veterinário é tipo um médico, só que cuida de animais.
– Tá bom, eu sei, já entendi – respondeu Nina.
Lennox ficou parado ao lado do Land Rover.
– Ainda está aí? – perguntou ele.
Nina não sabia o que dizer, mas se sentia encorajada pelas aventuras da noite e não estava com o menor sono. Então só deu de ombros.
Lennox hesitou.
– Quer vir? Talvez mãos pequenas possam vir a calhar.
– É claro! – exclamou Nina, mal reconhecendo a si mesma.
Ao entrar no carro, ficou surpresa, mas não tanto, ao descobrir que o cachorro também estava lá. Ele lambeu a mão dela.
– Qual é o nome do seu totó?
Lennox ficou estarrecido.
– Ele é um cão, não um totó. Um cão de fazenda profissional. Muito trabalhador e muito valioso também.
– Sei. E ele tem nome ou só um código de barras?
A mão de Lennox foi parar na cabeça do cachorro, como no outro dia, em um gesto que parecia automático.
– Salsinha.
Que inesperado. Estava esperando um nome bem objetivo, como Bob ou Rex, e não conseguiu conter um sorriso.
– Oi, Salsinha – cumprimentou Nina. – Que nome fofo!
O cão deu uma fungada e lambeu a mão dela.
– É um nome bobo – falou Lennox.
– Bom, eu acho uma graça – respondeu Nina. – Uma graça de nome para uma graça de totó. Quer dizer, de cão.
Enquanto o Land Rover subia a colina por uma estrada esburacada e enlameada, Nina notou que não estava preocupada em fazer um comentário errado e não se sentia constrangida. Havia algo de libertador nos modos rudes de Lennox. Dava para ver que ele agia assim com todo mundo, e ela se sentia autorizada a ser um pouco mais ousada que o usual. Virou-se para olhar para ele. Tinha um maxilar bem marcado, olhos azuis com rugas nos cantos de tanto franzi-los para olhar os campos, nariz e queixo fortes, uma leve sombra de barba por fazer cobrindo as faces e cabelos espessos que fugiam por baixo da boina. Parecia do tipo que nunca fica dentro de casa, e até mesmo o carro parecia um espaço confinado demais para ele. Aquele homem tinha nascido para caminhar a passos longos pelas charnecas, com o vento soprando às suas costas. Não havia nada de suave em Lennox; ele era todo marcado por ângulos duros.
De repente, no que parecia ser o meio do nada – não havia uma única luz no horizonte –, Lennox parou o carro. Pegou uma lamparina no banco de trás e a acendeu no máximo.
– Ruaridh – sussurrou para a noite escura.
– Tô aqui, chefe – disse uma voz atrás dele.
– Cadê você?
– No alpendre. Ela está aqui comigo, e a coisa tá feia. Pelo jeito, parecem gêmeos. Tudo embaralhado, parece um quebra-cabeça.
Lennox xingou baixinho e foi na direção do homem, com Nina em seu encalço.
– Ligou pro Kyle?
– Sim, mas ele está ajudando uma vaca em trabalho de parto do outro lado da colina.
– Ai, era só o que me faltava – comentou Lennox, deixando a lanterna no chão.
O alpendre, contíguo a um celeiro, não era um lugar aconchegante, mas ficava protegido dos ventos intensos, o que fazia uma grande diferença. No chão, havia uma ovelha prenha deitada de lado. Ela parecia estar sofrendo, seus balidos eram de cortar o coração.
– Calma, mocinha, calma... – aplacou Lennox. Era a primeira vez que Nina ouvia algum traço de suavidade na voz dele. – Vai dar tudo certo.
Perto da ovelha havia um grande pote de uma substância que parecia vaselina. Lennox dobrou as mangas da camisa e começou a lavar os braços em um balde. De repente, Nina entendeu o que estava para acontecer.
– Você... não vai enfiar o braço no útero dessa ovelha, vai? – disse ela, nervosa.
Ruaridh, com os cabelos muito ruivos, olhou intrigado para Nina.
– Não liga pra ela – rebateu Lennox.
– Quem é a garota? Arrumou uma jovem aprendiz, foi? – brincou Ruaridh, com um sotaque tão forte que Nina não entendeu quase nada.
Então ele disse outra coisa, dessa vez em gaélico, e Nina de fato não entendeu nada. O que quer que tenha sido, o comentário fez Lennox rir, e Nina achou muito injusto que os dois estivessem falando dela em uma língua que não entendia.
Lennox balançou a cabeça.
– Não, vamos ver o que acontece.
Ruaridh segurou a ovelha pelas pernas para que ela parasse de se debater, e Nina desviou os olhos quando Lennox enfiou o braço no animal.
– Ah, pelo amor de Deus – proferiu Lennox, meio aborrecido, meio achando graça da reação dela. – Uma coisa é ser da cidade, outra é ser alienada. Sinceramente, viu? Você quer ou não quer que essa ovelha consiga parir?
– É, eu sei – retorquiu Nina. – É que eu nunca vi nada assim na minha vida.
– Isso não se aprende em livro – provocou Lennox, e então franziu o cenho. – Ah, não tô conseguindo segurar. Droga, minha mão é grande demais. Vamos lá. Vamos lá, mocinha.
A ovelha soltou um balido de dor outra vez.
– Eu sei, eu sei. Desculpa – falou Lennox, esforçando-se para tentar pegar o filhote. – Droga. Tenta você, Ruaridh.
– As minhas são tão grandes quanto as suas – respondeu o mais novo, mostrando as mãos enormes. – Não ia dar pra tirar junto as pernas do bichinho.
– É. Eu sei. – Fez-se uma pausa. Então Lennox cravou os olhos em Nina. – Eu ia até ver se você conseguia ajudar a gente, mas você parece meio sensível demais pra isso.
Nina engoliu em seco. Já tinha lido muitas histórias de animais, não porque gostasse, mas só porque, quando criança, lia quase qualquer coisa em que pusesse as mãos. Caligrafia, decriptação, ventriloquia... não havia nada na biblioteca infantil que não tivesse devorado, nadinha de nada.
Porém, quando se tratava de animais de verdade, isso Nina nunca tinha cogitado, ainda mais se fossem selvagens. Nunca havia sequer chegado perto de um cordeiro, a não ser no almoço de Páscoa ou quando via pela janela do trem um rebanho no campo. Aquela criatura gigantesca, fedida e apavorada diante dela era outra história, e Nina não sabia se conseguiria atender o pedido de Lennox.
Nervosa, deu uns passos à frente. Sentiu o olhar de Lennox e percebeu que ele tinha certeza absoluta de que ela não conseguiria. Isso a encorajou um pouco. Ele já achava que Nina era uma garota da cidade inútil, e ela não queria confirmar suas suspeitas.
– Eu posso... posso tentar – disse, hesitante.
Lennox ergueu ligeiramente a sobrancelha.
– Tem certeza?
– Posso acabar piorando as coisas?
– É possível. Alguma notícia do Kyle?
Ruaridh ergueu os olhos do celular.
– Ainda no parto da vaca.
Lennox suspirou, exasperado, e olhou outra vez para Nina.
– Hum – fez ele.
– Quer que eu tente ou não? – indagou Nina, irritada e ansiosa.
– Bem, é que essa ovelha vale um pouquinho mais do que você, só isso – comentou Lennox.
A ovelha soltou um terrível ganido de dor que fez os três se encolherem.
– Ah, que seja. Vem cá – disse ele, ajoelhando-se ao lado do animal. – E vê se tenta não piorar as coisas.
Nina lavou os braços com cuidado em uma bacia com água e sabão, depois besuntou as mãos com vaselina e tentou se acostumar com o cheiro. Então tocou a ovelha uma primeira vez, com hesitação.
Lennox riu.
– É só uma ovelha. Não vai te morder.
– Tem um bicho vivo dentro dela – observou Nina. – Ele, sim, pode me morder.
– Bom, se você não andar logo, ele não vai sobreviver por muito tempo – rebateu Lennox, enquanto a pobre ovelha se encolhia e se retorcia.
Nina respirou fundo e enfiou a mão. Era canhota, então Lennox passou por cima da ovelha para se colocar do outro lado de Nina.
– Certo. O que está sentindo?
– Um monte de gosma – respondeu Nina, tentando não entrar em pânico ao sentir a mão e o braço sendo comprimidos. – Não estou conseguindo...
– Tudo bem, calma. Relaxe um pouco e tente se acostumar. Não é todo dia que você enfia o braço numa ovelha.
– É verdade.
– Tente fechar os olhos – sugeriu Lennox. – Assim vai conseguir tatear melhor.
Nina fechou os olhos por um instante e realmente fez uma boa diferença. Na ponta dos dedos, o filhote começou a ganhar contornos mais discerníveis: um focinho, orelhas, um amontoado de pernas.
– Ele está todo embolado! – exclamou. – Tem pernas demais! Ah, não!
– Certo. – Lennox tentava conter o riso.
– Por que ele tem pernas demais?
Nina estava ficando um pouco histérica. Parecia estar apalpando uma espécie de aracnídeo alienígena.
– Bom, primeiro a gente trabalha com a hipótese de que tenha mais de um cordeirinho aí dentro – falou Lennox.
– Ah, sim. – Nina respirou aliviada. – Gêmeos. É claro. Ruaridh bem que falou. Faz sentido.
Ruaridh deu uma risada no canto, e Lennox olhou feio para ele. O mais jovem foi buscar água limpa, ainda com uma expressão cética no rosto.
– Agora, o que você tem que fazer é pegar as quatro pernas que pertencem ao mesmo animal. Entendeu?
Nina assentiu. Dava para sentir as pernas, e, como dissera Ruaridh, a coisa parecia um quebra-cabeça. Começou a desembolar as pernas de cada cordeiro, com rapidez e cuidado, até que, em um momento de triunfo, conseguiu segurar as quatro patas do animal. Curiosamente, a tarefa era um pouco semelhante a trocar a capa de um edredom.
– Peguei um!
– Fantástico. Agora puxe um pouquinho. Com cuidado. Só um pouquinho – orientou Lennox.
Conseguiu puxar um pouco, até que o bichinho travou.
– Está preso – explicou ela quando a ovelha ganiu outra vez. – Está preso! Não consigo puxar mais.
– Não se preocupe – falou Lennox, com uma corda na mão. – Aqui. Tira a mão, pega isso aqui e amarra as quatro patinhas.
Nina o encarou.
– Vai arrancar o cordeirinho puxando com a corda?
– A não ser que você prefira fazer uma cesariana, vou, sim – resmungou Lennox, dando o laço com pressa e passando-o para ela.
As mãos de Nina estavam um nojo, e, embora fosse horrivelmente quente dentro da ovelha, ainda fazia um frio de rachar no alpendre, e ela tivera que tirar o casaco e dobrar as mangas, o que não a deixara nada feliz. Estava tremendo um pouco ao pegar a corda e enfiar a mão na ovelha de novo, mas, depois de algumas tentativas malsucedidas, enfim conseguiu laçar as quatro patas.
– Está bem – disse Lennox. – Pronta? Porque eu vou puxar agora, mas se o laço não estiver direito teremos que fazer tudo de novo.
– A vida na fazenda é muito diferente do que eu pensava – murmurou Nina, olhando ansiosa para o rolo de corda na mão de Lennox.
– Tem coisa que não dá pra aprender nos livros, né? – grunhiu Lennox. – Está pronta ou não?
– Puxe logo, por favor. Estou congelando.
– Está bem. Um... dois... três... e já!
Nina tirou a mão e então, com muito cuidado, sem trancos, Lennox começou a puxar a corda com jeitinho – primeiro devagar, depois mais rápido. E de repente, veio à luz um cordeirinho encharcado, coberto de gosma e piscando muito.
– AH! – berrou Nina. – Ah, meu Deus!
Lennox estreitou os olhos para ela.
– Como esperava que ele fosse sair? Limpinho e embalado em papel filme?
E então, em uma onda repentina, a ovelha empurrou com força e um segundo cordeirinho escorregou direto para o feno, levantando a cabeça e lançando um olhar cego e confuso à sua volta.
– Ah, CARAMBA! – exclamou Nina.
Nina foi lavar as mãos enquanto Lennox limpava os recém-nascidos com feno fresco, examinando a boca e as narinas deles, e a mãe paria a placenta. Então, a coisa mais extraordinária aconteceu: como se não tivessem acabado de vir ao mundo de forma traumática, os pequenos foram firmando as perninhas bambas e conseguiram se levantar, às cegas, balindo bem baixinho. Eram encantadores e apaixonantes, e Nina não conseguia tirar os olhos dos filhotes.
– Ah, meu Deus! – disse ela. – Olhe só para eles! Que incrível! INCRÍVEL!
Ficou olhando, fascinada, os recém-nascidos seguindo o instinto para se aproximar da mãe, que estava deitada e exausta, e encontrando o lugar exato para mamar. Nina ficou surpresa ao notar que estava com lágrimas nos olhos. A ovelha, que tinha acabado de passar por um sofrimento terrível, seguido de exaustão completa, arranjara forças de algum lugar para conseguir se sentar e agora lambia os filhotinhos.
– Você se saiu muito bem, garota – falou Nina. – Parabéns, mamãe.
Lennox sorriu.
– Não estou nem aí se está rindo de mim – afirmou Nina. – Isso tudo é muito incrível.
– Não estou rindo de você – esclareceu Lennox. – Eu concordo, na verdade. Vejo nascimentos de animais o tempo todo, e nunca deixa de ser incrível. É sempre incrível. E os pestinhas são uma gracinha. – Fez carinho nos filhotes, sem muita delicadeza. – Vem – falou ele. – Chá.
Quando se levantou, Nina percebeu que estava mesmo congelando. Do lado de fora, ficou surpresa ao ver que o dia já raiava.
– Nós não passamos tanto tempo lá dentro, passamos? – indagou ela.
Lennox assentiu.
– Passamos, sim. Esse parto foi bem complicado. Já passa das três.
– São três da manhã e já está clareando? Isso é um absurdo. Você mora logo acima do círculo Ártico. É a terra do sol da meia-noite.
De volta à casa principal, o aquecedor estava abastecido com lenha e crepitava alegremente. A sala estava bem quentinha, e Lennox atiçou o fogo, depois foi pôr uma chaleira para esquentar a fim de fazer um chá. Nina aproveitou a oportunidade para se lavar melhor, mesmo que já tivesse se resignado ao fato de que ia feder a ovelha para sempre.
O banheiro da casa era curioso. Tudo ali dentro era arrojado e novo em folha: superfícies de mármore polido, um chuveiro enorme e uma banheira de hidromassagem. Parecia o banheiro de um hotel muito chique, com grossas toalhas brancas penduradas aqui e ali.
– Seu banheiro é lindo – comentou ela, ao sair.
Lennox assentiu de leve, e Nina se deu conta de que aquilo com certeza era outra obra de Kate – algo que teria percebido sozinha se não estivesse tão exausta. Só podia ser.
A sala de estar não se parecia nada com uma casa de fazenda. Em estilo minimalista escandinavo, era repleta de madeira e superfícies planas. O ambiente não combinava com Lennox, cujas roupas, embora sempre limpas, eram tão velhas e desbotadas que pareciam ter sido herdadas. Ele era grande e anguloso demais para aquele estilo de decoração. Por mais que fosse austero, com suas pilhas artísticas de gravetos e chifres de veado pendurados como se por sarcasmo, o ambiente fora criado para parecer austero com tanta deliberação que tinha um ar artificial.
Procurou uma estante de livros, mas não achou nenhuma. O que havia era um revisteiro (branco, é claro) transbordando com edições da Farmers Weekly e, mais por baixo, uns volumes antigos de uma revista de decoração. Ficou se perguntando se Lennox deixara as revistas ali por engano ou se nem havia percebido.
Nina chegou mais perto do fogo. Salsinha já estava acomodado diante da lareira, todo estirado e bem confortável. Ela o empurrou um pouquinho e se sentou ao lado do cão, com o olhar perdido nas chamas. Lennox lhe deu uma caneca de chá que também continha uísque, o que Nina descobriu com uma tosse forte.
– O que é isso?
– Hot toddy – respondeu Lennox. – Esquenta que é uma beleza.
Ela bebeu mais e sentiu a quentura suave inundando o corpo.
– Uau! É muito bom.
– Você está com um olhar orgulhoso.
Nina o encarou.
– E estou mesmo. Salvei aqueles cordeirinhos, e agora estou aqui, plena, me aquecendo diante do fogo, bebendo uísque com um cachorro bem legal do meu lado. Isso é o que eu chamo de uma ótima noite!
Ela baixou a caneca. Lennox abriu um largo sorriso.
– Faz sentido – falou ele. – Só vê se não pega no sono aí, em frente ao fogo.
Mas era tarde demais. A cabeça de Nina já estava pesando, o queixo colado ao peito, e ela nem se deu conta de que já estava dormindo.
– Você se saiu muito bem hoje – acrescentou Lennox, mas Nina não ouviu.