Contos do Esconderijo
10. Blurry, o explorador
10
Blurry, o explorador
23 de abril de 1944
Um dia, quando ainda era muito
pequeno, Blurry sentiu um
grande desejo de fugir aos
cuidados exagerados de sua
mamãe ursa e ver um pouco do
resto do mundo sozinho.
Durante vários dias ele foi menos
brincalhão do que de costume,
tão absorvido estava refletindo sobre seus planos. Mas na noite
do quarto dia ele se decidiu. O
plano estava pronto e esperava
somente pela execução. De
manhã bem cedo, entraria no
jardim – muito suavemente, é
claro, pois assim não chamaria a
atenção de Mimi, sua pequena
dona – então rastejaria através de
um buraco na sebe; depois disso,
bem depois disso, ele descobriria
o mundo! Blurry assim o fez, e
de forma tão quieta que só
deram por sua fuga sete horas
depois de ter acontecido.
Ao rastejar por baixo da sebe,
Ao rastejar por baixo da sebe,
seu pelo ficou manchado de terra
e lama, mas um urso que deseja
fazer uma viagem de exploração
não pode se importar com coisas
pequenas como algumas
manchas de sujeira no pelo.
Assim, olhando sempre para a
frente, para não tropeçar no
calçamento irregular, Blurry
andou rapidamente na direção
da rua, que podia ser alcançada
pela aleia central do jardim.
Na rua, Blurry ficou um
pouco amedrontado diante de
tantas pessoas adultas por entre cujas pernas ele desapareceria
completamente. “Preciso ficar no
canto da calçada”, disse consigo
mesmo, “ou vão passar por cima
de mim.” E de fato era esta a
coisa mais sensata a fazer. Sim,
Blurry era inteligente, o que
ficava evidente por si mesmo,
porque mesmo sendo tão
pequenino como era, desejava
ver o mundo.
Manteve-se no canto da
calçada cuidando para não ser
pego por um par de grandes pés
que se moviam com rapidez. Mas
de repente seu coração começou a bater com força, como se
tivesse marteladas dentro do
peito... O que era aquilo? Um
grande abismo negro se abria
diante dele. Era um porão
aberto, mas Blurry nunca tinha
visto nada igual e ficou confuso.
Será que deveria entrar ali?
Aterrorizado, olhou em volta,
mas as pernas de calças dos
homens e as pernas de saias das
senhoras contornavam
calmamente o buraco e agiam
como se não houvesse nada de
errado. Ainda nem bem
recuperado do choque, com passos cuidadosos, seguiu o
exemplo deles e não demorou
muito antes que pudesse
continuar.
“Agora estou andando no
grande mundo”, pensou Blurry,
“mas onde ESTÁ o mundo?
Porque, com todas essas calças,
saias e meias, eu nada vejo do
mundo. Talvez eu seja pequeno
demais para descobrir o mundo,
mas isso não importa. Se eu
comer o meu mingau e engolir o
meu óleo de fígado de bacalhau
todos os dias (ele estremeceu
com a ideia), ficarei tão grande quanto essas pessoas.
Continuemos; mais cedo ou mais
tarde, de um jeito ou de outro,
acabarei vendo o mundo.”
Foi mais adiante, prestando o
mínimo de atenção possível
naquelas pernas grossas e finas,
compridas e curtas, ao seu redor.
Mas será que não podia fazer
outra coisa, senão andar, andar e
andar? Estava ficando com fome
e já começava lentamente a
escurecer. Blurry não havia
pensado em comer e dormir.
Estivera ocupado demais com
seus planos de exploração para pensar em coisas tão triviais e tão
pouco heroicas como comer e
dormir.
Suspirando, continuou a
andar durante algum tempo até
que encontrou uma porta aberta.
Hesitou no batente e depois
entrou quieto. Estava com sorte
porque, depois de passar por
uma outra porta, viu dois pires
no chão entre pernas de madeira.
Um dos pires estava cheio de
leite e o outro continha alguma
espécie de comida. Esfomeado,
Blurry bebeu até a última gota do
leite. Depois comeu o alimento delicioso do outro pires e se
sentiu completamente satisfeito.
Mas, oh, o que era aquilo?
Alguma coisa branca
aproximava-se lentamente, com
os olhos verdes fixos nele. Bem
diante dele, aquela coisa parou e
perguntou numa voz baixa e
estranha:
– Quem é você, e por que
comeu toda a minha comida?
– Meu nome é Blurry; numa
viagem de exploração a gente
precisa comer alguma coisa. Mas
francamente não sabia que era
sua.
– Quer dizer então que você
está numa viagem de exploração.
Mas como foi que você veio
descobrir exatamente o MEU
pires?
– Porque não vi nenhum
outro – Blurry respondeu com
um tom de voz hostil. Depois
pensou melhor e perguntou de
maneira mais amistosa: – Mas
qual é o seu nome, e que espécie
de estranha criatura é você?
– Meu nome é Muriel e
pertenço à família dos gatos
angorá. Sou muito valiosa, pelo
menos é o que a minha dona sempre diz. Mas sabe, Blurry,
estou sempre sozinha e
frequentemente me sinto
aborrecida. Não gostaria de ficar
um pouco comigo?
– Vou ficar e dormir aqui –
respondeu Blurry como se
estivesse fazendo um favor a
Muriel – mas amanhã devo partir
e continuar minha exploração do
mundo.
Como um início, isso pareceu
bastante satisfatório a Muriel.
– Venha comigo – convidou
ela. Blurry seguiu-a até uma
outra sala onde mais uma vez ele não viu nada mais do que pernas
de madeira. Mas ali também
havia algo mais. Num canto
estava uma grande cesta de vime
com uma almofada forrada de
seda verde. Muriel saltou para a
almofada com os pés sujos, e
Blurry pensou que era uma pena
estragar as coisas daquela
maneira.
– Não devo primeiro me lavar
um pouco? – perguntou ele.
– Vou dar um banho em você
como dou em mim mesma –
replicou Muriel.
Blurry não estava
Blurry não estava
familiarizado com aquele
método, e isso foi bom porque, se
estivesse, não teria permitido que
Muriel começasse.
Nesse momento a gata lhe
disse para ficar de pé e ereto e
calmamente correu a língua
sobre os pés dele. Isso fez Blurry
se arrepiar e ele perguntou se
essa era a sua maneira habitual
de tomar e dar banhos.
– E sim – respondeu ela –,
você vai ver como vai ficar limpo.
Vai reluzir e um urso reluzente
tem livre trânsito em qualquer lugar e assim dispõe de maiores
facilidades para descobrir o
mundo.
Blurry controlou seus arrepios
e não fez qualquer reclamação;
urso corajoso.
O banho de Muriel parecia
não terminar nunca; Blurry já
começava a ficar um tanto
impaciente, e seu pé doía por
permanecer tanto tempo naquela
posição, mas por fim ele reluziu
de fato. Muriel acomodou-se
novamente no cesto e Blurry,
que estava exausto, deitou-se. Em menos de cinco minutos
ambos dormiam.
Ao acordar na manhã
seguinte, Blurry demorou um
pouco para entender onde
estava. Muriel ressonava mas
Blurry mal podia esperar pelo
café da manhã. Sem se preocupar
com o conforto de sua anfitriã,
sacudiu-a e começou a dar-lhe
ordens:
– Por favor, Muriel, sirva-me
o café da manhã; estou com uma
fome terrível.
A bela gata angorá deu um
longo bocejo, espreguiçou-se chegando ao dobro do
comprimento normal e
respondeu:
– Não, não, você não vai ter
mais nada. Minha dona não
pode perceber que está aqui;
precisa ir embora o quanto antes,
pelo jardim.
Muriel saltou para fora da
cesta, guiou Blurry através da
sala, passaram pela porta até uma
outra sala, atravessaram mais
uma sala e alcançaram mais uma
porta, desta vez de vidro, e
viram-se do lado de fora.
– Bon voyage, Blurry –
– Bon voyage, Blurry –
despediu-se ela –, até outra vez –
e foi-se embora.
Abandonado e já não tão
convencido de sua esperteza,
Blurry atravessou o jardim e
depois, pelo buraco na sebe,
ganhou a rua. Para onde iria, e
quanto tempo ainda iria demorar
para descobrir o mundo? Blurry
não sabia. Pôs-se a andar muito
lentamente; de repente, uma
coisa enorme de quatro pernas
veio correndo em sua direção a
toda velocidade. Fazia terríveis
ruídos de forma que Blurry, quase ensurdecido e tremendo
de medo, grudou-se à parede de
uma casa. A coisa gigantesca
parou e Blurry pôs-se a gritar de
medo. O monstro, sem se
perturbar com isso, sentou-se e
não fez mais do que olhar
fixamente para o pobre ursinho
com seus olhos grandes. Blurry
readquiriu o domínio sobre si
mesmo.
– O que você quer de mim? –
perguntou.
– Quero apenas olhar para
você, porque nunca vi nada
parecido em minha vida.
Blurry soltou um suspiro de
alívio. Afinal, sempre era possível
conversar, mesmo com um ogro
como este. Ali estava uma coisa
curiosa, pensou Blurry: por que
sua pequena dona nunca foi
capaz de compreendê-lo? Mas
não dispunha de tempo para
considerar tão importante
questão, porque a fera
escancarou a boca, deixando à
mostra dentes imensos e cruéis.
Isso fez com que Blurry ficasse
muito mais arrepiado do que
durante o banho dado por
Muriel. O que o monstro iria fazer com ele? Logo descobriu,
porque a fera, sem a menor
cerimônia, agarrou-o pelo
pescoço e o arrastou pela rua.
Blurry não podia chorar
porque correria o risco de morrer
asfixiado; gritar também estava
fora de questão. A única coisa
que lhe restou foi tremer e isto
não dá coragem a ninguém.
Agora não precisava mais andar;
se seu pescoço não doesse tanto,
não teria sido assim tão ruim; era
como uma espécie de carona.
Afinal, podia ser pior. Mas
você acaba ficando tonto com essa pressão contínua. “Mas
onde, onde ele está me levando?
Onde...” Blurry, firmemente
seguro pelo animal, cochilou.
Mas o cochilo não durou muito.
A fera de repente se deu conta
de que não sabia por que
carregava aquela coisa em seus
dentes. Descuidadamente,
deixou-o cair e foi-se embora
correndo. E ali ficou o indefeso
ursinho, que queria descobrir o
mundo, completamente sozinho
com seu sofrimento.
Corajosamente, ergueu-se para não ser pisado, esfregou os olhos
e olhou em volta.
Muito menos pernas, muito
menos pessoas, muito mais sol, e
menos pedrinhas sob seus pés.
Podia isto ser o mundo? Sua
pobre cabeça não tinha espaço
para pensamentos; tudo ali doía
e latejava. Não queria andar
mais. Por que deveria? Muriel
estava muito longe, e sua mãe
mais longe ainda, e sua pequena
dona... Não! Ele tinha seus
planos e não iria desistir até que
descobrisse o mundo.
Um ruído às suas costas
Um ruído às suas costas
assustou Blurry; ele se virou,
desejando ardentemente não ser
uma outra fera querendo mordê-
lo. Não, era uma garotinha.
– Olhe, mamãe, um ursinho!
Posso levá-lo comigo para casa?
– Não, querida, o bichinho
está doente. Olhe como está
sangrando.
– Não tem importância,
mamãe; podemos lavá-lo quando
chegarmos em casa. Assim vou
ter alguma coisa com que
brincar.
Blurry não entendeu uma
Blurry não entendeu uma
palavra dessa conversa; ursinhos
conhecem apenas a linguagem
dos animais. Mas a garotinha
loura parecia tão doce que ele
não resistiu quando o
envolveram num cachecol e o
colocaram numa sacola.
Assim, balançando para a
frente e para trás, Blurry
continuou sua viagem pelo
mundo. Depois de terem
caminhado por algum tempo,
Blurry, ainda envolto no
cachecol, foi retirado da sacola e
a garota o carregou nos braços. Foi uma sorte, porque agora
podia ver a estrada de cima. Que
pilhas grandes de pedra, muito
altas, com aberturas
transparentes aqui e ali! E indo
para cima, quase até o céu, havia
uma espiral de fumaça. Devia ser
uma peça de decoração, assim
como a pena no chapéu de sua
dona. Não era engraçado?
Lá embaixo, na estrada,
alguma coisa fez “tut-tut” e
correu muito rápida, embora não
tivesse pernas, somente umas
coisas redondas infladas. Diga o
que quiser, mas valia a pena o trabalho de ir descobrir o
mundo! De que servia ficar para
sempre em casa? Por que
nascemos? Certamente, não era
para ficar agarrado para sempre à
saia de sua mãe. Não, ver e
experimentar coisas, era essa a
maneira certa de crescer! Sim,
Blurry sabia o que queria.
Por fim, a menina parou
diante de uma porta. Entrou e a
primeira coisa que Blurry viu foi
algo parecido com Muriel. Este
chamava-se Puss, se é que Blurry
se lembrava corretamente. Puss
acariciou as pernas da garota loura mas a menina o afastou e
levou Blurry para uma coisa
branca. Ficava bem acima do
chão; era larga e lisa. Do lado,
havia algo de metal reluzente
que podia ser girado. E foi isso
que a menina fez; depositando-o
num lugar desagradavelmente
frio. Então a garota começou a
lavá-lo, em especial na parte de
seu pelo onde aquela fera
detestável o havia mordido.
Doeu muito e Blurry reclamou,
mas ninguém pareceu se
importar.
Felizmente, este banho não
Felizmente, este banho não
demorou tanto quanto o que
Muriel lhe dera, porém era mais
frio e mais molhado. A garota
terminou rapidamente a tarefa,
secou-o, envolveu-o num
cachecol limpo e o colocou numa
cama baixa, exatamente como a
que sua pequena dona tinha para
ele. Mas por que ir para a cama?
Blurry não estava nem um pouco
cansado e não queria dormir.
Tão logo a garota saiu do quarto
ele se esgueirou para fora da
cama e, através de um grande
número de portas e buracos, ganhou mais uma vez a rua.
“Preciso conseguir algo para
comer”, pensou Blurry. Ele
farejou: “sim, deve haver alguma
coisa boa perto daqui, porque
posso sentir o cheiro.”
Seguiu o próprio faro e logo
se viu diante da porta, de dentro
da qual saía aquele cheiro
excelente. Esgueirou-se para
dentro da loja, por entre as
pernas vestidas de meias de uma
senhora. Atrás de alguma coisa
grande e alta estavam duas
moças. Elas logo o descobriram.
Deviam ter trabalhado muito o dia inteiro e queriam uma
pequena ajuda, porque o
apanharam imediatamente e o
colocaram num lugar escuro
onde estava muito, muito
quente.
Aquilo não era tão mau
assim; o principal era que ali
podia comer tanto quanto
quisesse. No chão, e sobre
prateleiras baixas, estavam
dispostas algumas fileiras de
pãezinhos doces, rocamboles e as
mais bonitas massas confeitadas
que Blurry já vira. Mas o que,
afinal, VIRA Blurry? Não muito, pense nisso. Avidamente, atirou-
se àquelas coisas boas e comeu
tanto que quase ficou doente.
Então, mais uma vez,
examinou atentamente o local.
De fato, havia muito para se ver
ali; parecia um paraíso para os
apreciadores de doces. Em toda
parte, pães, rocamboles, tortas e
biscoitos à disposição para pegar!
E havia muito movimento por
ali. Blurry via muitas pernas
brancas, bem diferentes das que
vira na rua. Mas não havia muito
tempo para devaneios; as moças,
que tinham ficado a certa distância, colocaram uma
vassoura nas mãos dele e
mostraram como usar. Varrer o
chão – Blurry sabia tudo sobre
isso – tinha visto sua mãe fazer.
Mas não era tão fácil quanto
parecia. Fez bravas tentativas mas
a vassoura era grande e pesada, e
a poeira produzia comichões em
seu nariz e ele precisava espirrar.
E era tão quente; Blurry se
sentia cada vez mais incomodado
com o trabalho que não estava
acostumado a fazer e com o
calor, mas toda vez que parava
para descansar por um minuto alguém o punha de volta ao
serviço e lhe dava uma palmada
nas costas.
“Se ao menos eu não tivesse
entrado aqui tão
precipitadamente”, pensou ele,
“teria sido poupado de todo esse
trabalho duro.” Mas não havia
nada que pudesse fazer a
respeito. Tinha de varrer e ele
varreu. Quando já fazia muito
tempo que estava varrendo, tanto
tempo que a poeira se juntara
num grande monte num canto,
uma das garotas tomou-o pela
mão e o levou para um lugar onde havia algumas aparas de
madeira amarela pelo chão.
Disseram-lhe para se deitar e
Blurry compreendeu que lhe
havia sido permitido dormir.
Espreguiçou-se como se as
aparas de madeira fossem uma
cama confortável e dormiu até a
manhã do dia seguinte. Às 7
horas precisou se levantar, mais
uma vez lhe foi permitido comer
tudo o que queria, e mais uma
vez foi posto para trabalhar.
Pobre Blurry, ele não havia nem
mesmo descansado. Não estava
acostumado a trabalhar e o calor o incomodava terrivelmente. Sua
cabecinha, braços e pernas doíam
e ele sentia como se todas as
partes de seu corpo estivessem
inchadas.
Agora, pela primeira vez,
começou a querer sua casa, sua
mãe, sua dona, sua cama macia e
aquela agradável vida ociosa; mas
como conseguiria chegar lá?
Fugir estava fora de cogitação;
mantinham vigilância constante
sobre ele; além disso, a única
porta que dava para a rua estava
na sala onde as duas moças
trabalhavam o dia inteiro. Não, Blurry tinha apenas de esperar o
momento propício. Seus
pensamentos estavam em
desordem, ele se sentia tonto e
fraco. Tudo à sua volta começou
a girar; sentou-se – e ninguém o
impediu. Quando se sentiu um
pouco melhor, voltou ao
trabalho.
Depois de varrer durante
uma semana, de manhã até a
noite, ele praticamente não
conheceu mais nada; ursinhos
esquecem rápido e isso é bom.
Mas Blurry não havia esquecido sua mãe e sua casa; apenas
pareciam tão irreais e distantes!
Certa noite as duas moças
que tinham apanhado Blurry
leram este anúncio no jornal:
RECOMPENSA PELO RETORNO DE UM
PEQUENO
URSO MARROM
QUE ATENDE PELO NOME DE BLURRY
– Você acha que poderia ser esse
nosso ursinho? – uma perguntou
para a outra. – Ele não trabalha
muito; de fato, não se pode
esperar isso de uma criatura tão
pequenina. Se conseguirmos a
recompensa por devolvê-lo ficaremos melhor do que estamos
agora.
Correram até os fundos da
loja e – Blurry! – Blurry
interrompeu o serviço e prestou
atenção; alguém o chamara? A
grande vassoura escapou de suas
mãos; como sabiam o seu nome?
As moças se aproximaram e mais
uma vez gritaram:
– Blurry!
Ele correu ao encontro delas.
– Sim, o nome dele é Blurry,
está tudo certo – uma das moças
comentou com a outra. – Vamos
devolvê-lo hoje à noite.
Nessa mesma noite, Blurry foi
devolvido para sua pequena
dona e as moças ganharam a
recompensa.
A dona de Blurry deu-lhe
uma surra por sua desobediência
e depois um beijo porque ele
estava são e salvo em casa outra
vez. A mãe de Blurry perguntou
simplesmente:
– Blurry, por que você fugiu?
– Queria descobrir o mundo
– foi a resposta dele.
– E você descobriu?
– Oh, eu vi muitas, muitas
coisas. Tornei-me um urso muito experiente.
– Sim, eu sei de tudo isso;
mas eu perguntei se você tinha
descoberto o mundo.
– Não, não... não de fato;
sabe, eu não consegui encontrá-
lo!