Contos do Esconderijo

Anne Frank · Capítulo 34 de 35

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Contos do Esconderijo

16. Por quê?

16

Por quê?

 

A palavrinha “por que” tem sido

algo muito forte em mim desde

os tempos em que era apenas

uma menininha e nem mesmo

sabia falar direito. É um fato bem

conhecido que as criancinhas

fazem perguntas a respeito de

tudo porque nada lhes é familiar.

Este foi exatamente o meu caso,

porém, mesmo quando cresci,

mal podia esperar para fazer todos os tipos de perguntas, quer

pudessem ser respondidas ou

não. Em si mesmo, isso não é

assim tão terrível e devo dizer

que meus pais tentaram

responder pacientemente cada

uma delas, até que... comecei a

atormentar até estranhos, e eles

geralmente não podem suportar

“as perguntas intermináveis das

crianças”. Devo admitir que isso

pode ser muito cansativo, mas eu

me consolava com a ideia de que

existe um ditado que diz “é

preciso perguntar para saber”,

que poderia não ser totalmente verdadeiro, caso contrário, eu

seria uma professora agora.

Ao crescer, percebi que não é

possível fazer todo tipo de

pergunta a todas as pessoas e que

existem muitos “porquês” que

não podem ser respondidos. Daí

seguiu-se então que tentei ajudar

a mim mesma começando a

pensar minhas próprias respostas

a essas perguntas. Cheguei assim

à importante descoberta de que

as perguntas que não devem ser

feitas podem ser resolvidas por

nós mesmos. Consequentemente,

a palavrinha “por que” ensinou-me não só a perguntar mas

também a pensar.

Agora, quanto à segunda

parte da palavra “por que”.

Como seria, se todos ao fazerem

qualquer coisa perguntassem

antes a si mesmos, “por quê”?

Acho que se tornariam mais

sinceros e pessoas muito, muito

melhores mesmo. Porque a

melhor maneira de se tornar

sincero e bom é ficar

examinando a si mesmo sem

parar. Posso imaginar que a

última coisa que as pessoas

gostam de fazer é confessar a si mesmas seus erros e seus defeitos

(que todos nós temos). Isso serve

tanto para as crianças como para

os adultos – quanto a isso não

vejo nenhuma diferença. A

maioria das pessoas acha que os

pais devem educar seus filhos e

zelar eles mesmos para que a

personalidade das crianças se

desenvolva o melhor possível.

Isto certamente é errado. As

crianças devem educar a si

mesmas, desde a mais tenra

idade, e devem tentar mostrar

sua verdadeira personalidade

sozinhas. Muitos vão pensar que isso é loucura mas não é. Mesmo

uma criancinha é uma pequena

personalidade e possui uma

consciência; portanto, deveria ser

criada sendo tratada como tal, de

forma que a criança vai sentir

que sua própria consciência a

está punindo da maneira mais

severa possível. Quando as

crianças atingem a idade de 14

ou 15 anos, toda punição é

ridícula. Essa criança sabe muito

bem que ninguém, nem mesmo

seus próprios pais, podem chegar

a lugar algum com surras e

punições. Discutindo com bom senso e mostrando à criança os

erros que ela está cometendo,

obter-se-ão resultados muito

melhores do que com punições

severas.

Mas não quero parecer

pedante. Apenas dizer que na

vida de toda criança e todo

adulto a palavra “por que”

desempenha um grande papel e

muito justamente. O ditado “é

preciso perguntar para saber” é

verdadeiro na medida em que

conduz a pensar sobre as coisas, e

ao pensar ninguém poderá nunca piorar, mas somente se tornar

melhor.

 

fim

Este livro foi publicado com a

permissão da ANNE FRANK

FONDS.

Como único sobrevivente de

sua família e único herdeiro de

sua filha Anne, Otto H. Frank

fundou a ANNE FRANK

FONDS (AFF) na Basileia, Suíça,

em 1963, e tornou-se responsável

pelo legado de Anne. Desde a

morte de Otto Frank, em 1980, a

AFF continua seu trabalho com o

objetivo de disseminar os escritos

de Anne Frank e protegê-los da

exploração ilegal. Os manuscritos de Anne estão expostos na Anne

Frank House (Casa de Anne

Frank), em Amsterdã, e fazem

parte do Programa Memória do

Mundo da UNESCO.

A AFF é uma fundação sem

fins lucrativos, regida pela lei

suíça. Sua administração é feita

por uma comissão de voluntários

presidida há muitos anos pelo

primo de Anne Frank, Buddy

Elias. A finalidade da AFF é

promover trabalhos de caridade

em tributo a Anne e Otto Frank.

Era um desejo explícito de Otto

Frank que a AFF pudesse colaborar para um melhor

entendimento entre diferentes

culturas e religiões, encorajar a

comunicação entre os jovens de

todo o mundo e contribuir com a

paz.

Para mais informações visite

www.annefrank.ch