Contos do Esconderijo
12. Rita
12
Rita
Eram 16h15 da tarde e eu
caminhava por uma rua muito
tranquila. Acabara de resolver
dar um pulo na confeitaria mais
próxima quando, de uma
transversal, surgiram duas
adolescentes conversando
animadamente, andando de
braços dados na mesma direção
que eu.
De vez em quando é
De vez em quando é
interessante e agradável ouvir a
conversa de adolescentes, não só
porque elas riem de qualquer
bobagem mas também porque o
riso delas é tão contagiante que
todos nas proximidades não
podem deixar, mesmo sem
querer, de rir com elas.
Assim caminhando
furtivamente atrás das duas
garotas eu bisbilhotava a
conversa relacionada com a
compra de balas por 10 centavos.
Consultaram uma à outra
seriamente sobre o que fazer com o dinheiro que tinham; poderiam
dizer que ficavam com água na
boca só de pensar nisso. Na
confeitaria, continuaram a
conversar enquanto olhavam as
mercadorias expostas nas
vitrines.
Enquanto eu também comia
com os olhos todas aquelas
guloseimas, sabia qual a escolha
que fariam antes mesmo de
entrarem na loja. Não havia
muito movimento lá dentro e as
garotas foram atendidas
imediatamente. Escolheram duas
tortas de frutas que, para espanto meu, conseguiram levar, sem
tocar, para fora da loja.
Pouco depois eu também
saía. Novamente as duas
caminhavam, conversando em
voz muito alta, à minha frente.
Na esquina seguinte havia uma
outra confeitaria, onde uma
garotinha permanecia de pé
contemplando a vitrine com
olhos ávidos. Logo as três
começaram a conversar e cheguei
à esquina a tempo de ouvir uma
das duas adolescentes perguntar:
– Você está com fome,
menina? Quer uma torta de frutas?
A menina menor, é claro,
respondeu:
– Quero.
– Não seja boba, Rita – disse
a outra adolescente. – Coma
rapidamente como eu fiz. Se der
sua torta para essa menina vai
ficar sem nada.
Rita não respondeu; ficou por
algum tempo indecisa, voltando
a olhar da torta para a
menininha e da menininha para
a torta. Então, de repente, deu o
doce à criança dizendo:
– Por favor, minha querida,
– Por favor, minha querida,
coma isto; de qualquer forma
estou indo para casa jantar.
E antes que a menininha
pudesse agradecer, Rita e sua
amiga desapareceram. Ao passar
pela criança, que já tinha dado
uma boa mordida na torta, com
evidente prazer, esta me ofereceu
o doce.
– Prove, senhorita; ganhei de
presente. – Agradeci e, sorrindo,
continuei andando.
Quem vocês acham obteve
mais satisfação com a torta de frutas – Rita, sua amiga ou a
garotinha?
Penso que foi Rita.