Contos do Esconderijo

Anne Frank · Capítulo 16 de 35

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Contos do Esconderijo

12. Rita

12

Rita

 

Eram 16h15 da tarde e eu

caminhava por uma rua muito

tranquila. Acabara de resolver

dar um pulo na confeitaria mais

próxima quando, de uma

transversal, surgiram duas

adolescentes conversando

animadamente, andando de

braços dados na mesma direção

que eu.

 

De vez em quando é

De vez em quando é

interessante e agradável ouvir a

conversa de adolescentes, não só

porque elas riem de qualquer

bobagem mas também porque o

riso delas é tão contagiante que

todos nas proximidades não

podem deixar, mesmo sem

querer, de rir com elas.

Assim caminhando

furtivamente atrás das duas

garotas eu bisbilhotava a

conversa relacionada com a

compra de balas por 10 centavos.

Consultaram uma à outra

seriamente sobre o que fazer com o dinheiro que tinham; poderiam

dizer que ficavam com água na

boca só de pensar nisso. Na

confeitaria, continuaram a

conversar enquanto olhavam as

mercadorias expostas nas

vitrines.

Enquanto eu também comia

com os olhos todas aquelas

guloseimas, sabia qual a escolha

que fariam antes mesmo de

entrarem na loja. Não havia

muito movimento lá dentro e as

garotas foram atendidas

imediatamente. Escolheram duas

tortas de frutas que, para espanto meu, conseguiram levar, sem

tocar, para fora da loja.

Pouco depois eu também

saía. Novamente as duas

caminhavam, conversando em

voz muito alta, à minha frente.

Na esquina seguinte havia uma

outra confeitaria, onde uma

garotinha permanecia de pé

contemplando a vitrine com

olhos ávidos. Logo as três

começaram a conversar e cheguei

à esquina a tempo de ouvir uma

das duas adolescentes perguntar:

– Você está com fome,

menina? Quer uma torta de frutas?

A menina menor, é claro,

respondeu:

– Quero.

– Não seja boba, Rita – disse

a outra adolescente. – Coma

rapidamente como eu fiz. Se der

sua torta para essa menina vai

ficar sem nada.

Rita não respondeu; ficou por

algum tempo indecisa, voltando

a olhar da torta para a

menininha e da menininha para

a torta. Então, de repente, deu o

doce à criança dizendo:

 

– Por favor, minha querida,

– Por favor, minha querida,

coma isto; de qualquer forma

estou indo para casa jantar.

E antes que a menininha

pudesse agradecer, Rita e sua

amiga desapareceram. Ao passar

pela criança, que já tinha dado

uma boa mordida na torta, com

evidente prazer, esta me ofereceu

o doce.

– Prove, senhorita; ganhei de

presente. – Agradeci e, sorrindo,

continuei andando.

Quem vocês acham obteve

mais satisfação com a torta de frutas – Rita, sua amiga ou a

garotinha?

Penso que foi Rita.