Contos do Esconderijo

Anne Frank · Capítulo 17 de 35

Páginas do PDF

Contos do Esconderijo

13. Jackie

13

Jackie

 

Jackie está na janela de seu

pequeno quarto respirando ar

fresco. Está agitada e um pouco

de ar fresco vai produzindo uma

sensação de bem-estar em seu

rosto manchado pelas lágrimas.

Foi erguendo o olhar cada

vez mais para o alto até que por

fim olhou as estrelas e a lua.

“Oh”, pensa Jackie. “Não

posso continuar, nem mesmo tenho forças para ficar triste. Paul

me deixou, estou completamente

sozinha; talvez seja melhor assim.

Mas eu não posso continuar, não

posso fazer nada, tudo o que sei

é que estou desesperada.” E

enquanto Jackie contempla a

natureza, que lhe aparece

naquele dia em todo o seu

esplendor, ela vai se acalmando.

Enquanto lufada após lufada de

vento sopram através das árvores

do lado de fora da casa;

enquanto o céu escurece e as

estrelas se escondem atrás de

grandes nuvens espessas, que parecem rolos de mata-borrão na

luz vaga e obscura e assumem

todas as formas concebíveis,

Jackie sente subitamente que seu

desespero se foi, que ela ainda é

capaz de fazer alguma coisa e que

ninguém é capaz de lhe tirar a

felicidade que sente. “Ninguém

pode fazer isso” – ela sussurra

sem saber. “Nem mesmo Paul.”

Depois de permanecer na

janela por uma hora Jackie havia

se recobrado; ela ainda está triste

mas não mais desesperada.

Qualquer um que contemple a

natureza, que é a mesma coisa que olhar dentro de si, com o

tempo e a profundidade

necessários serão, assim como

Jackie, curados de todo

desespero.