Contos do Esconderijo

Anne Frank · Capítulo 24 de 35

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Contos do Esconderijo

6. Uma aula de biologia

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Uma aula de biologia

 

11 de agosto de 1943

 

Ela entrou na sala esfregando as

mãos; sentou-se esfregando as

mãos; esfregando as mãos,

esfregando as mãos, esfregando

as mãos.

A Srta. Riegel, de Biologia –

pequena, grisalha, olhos azul-

acinzentados, nariz grande e cara

de ratinho. No seu encalço vem alguém carregando um mapa e o

esqueleto.

Ela toma o seu lugar atrás da

estufa, ainda esfregando as mãos,

e começa a aula. Primeiro, faz

perguntas aos alunos sobre o

trabalho de casa. Oh, a Srta.

Riegel sabe muito, muito mesmo,

e faz a exposição de maneira

engenhosa, começando pelos

peixes e terminando nas renas.

Seu assunto favorito, segundo

Margot, é a reprodução, o que

certamente se deve ao fato de a

Srta. Riegel ser uma velha

solteirona.

Súbito ela é interrompida;

uma pequena bola de papel vem

voando aterrissar na minha

carteira.

– O que você tem aí? –

pergunta com um sotaque que

revela ser ela originária de Haia.

– Não sei, Srta. Riegel.

– Venha cá e traga esse

pedaço de papel.

Eu me levanto timidamente e

vou entregar a nota.

– Quem mandou isto?

– Não sei, Srta. Riegel, eu não

li.

 

– Ah, então, antes de mais

– Ah, então, antes de mais

nada tratemos de fazê-lo.

Desdobra o papel e mostra

para mim o conteúdo – uma

única palavra, “delatora”. Fico

vermelha. A Srta. Riegel olha

para mim.

– Agora você sabe quem a

mandou?

– Não, Srta. Riegel.

– Você está mentindo.

Sinto que fico cada vez mais

vermelha e olho para a

professora com uns olhos que sei

estão faiscando, mas não digo

uma palavra.

– Digam-me quem escreveu

esta nota! – falou a Srta. Riegel

dirigindo-se para a turma. – Seja

quem for, levante o braço.

No fundo da sala um braço se

levanta. Como eu pensei – era

Rob.

– Rob, venha cá!

Rob agora está diante da

professora.

– Por que você escreveu isto?

Silêncio.

– Anne, você sabe o que isto

significa?

– Sim, Srta. Riegel.

– Explique!

– Não posso fazer isso numa

outra hora? É uma longa história.

– Não. Explique!

Contei a ela sobre a prova de

francês e os zeros que Lies e eu

tiramos por causa da trapaça, e a

maneira como denunciamos a

classe.

– Que bela história! E você,

Rob, acha necessário dar sua

opinião durante a aula? E você,

Anne ... eu simplesmente não

acredito que você não soubesse

de onde tinha vindo esta nota.

Os dois, voltem para os seus

lugares!

Eu estava furiosa. Em casa,

contei toda essa história

lamentável nos mínimos

detalhes. Algumas semanas mais

tarde, eu tive uma queixa

justificada acerca da nota que a

Srta. Riegel havia colocado no

meu boletim e pedi a papai que

conversasse com ela a respeito.

Ele voltou sem ter conseguido

melhorar a nota mas com a

informação que de forma

equivocada havia chamado a

professora de Srta. Riggle

durante toda a entrevista. Mais

tarde contou que ela achava Anne Frank uma garota muito

boazinha e não se lembrava de

que aquele amor de criança um

dia havia mentido para ela!