Educação ambiental e valores na escola
Considerações finais
A experiência apresentada neste trabalho possibilita constatar que o role-playing é uma alternativa didática que trabalha a interatividade por meio da dramatização, envolvendo os alunos em um conflito no qual devem formar juízos de valor. A inclusão dessa atividade diferenciada quebrou a rotina da aula de Ciências, fornecendo a oportunidade de diálogo, o conflito de ideias, o que colabora para uma maior aprendizagem.
A técnica do role-playing não constitui o único procedimento para proporcionar aos alunos momentos significativos de prática oral ou do trabalho com juízo de valores. Trata-se de um procedimento teatral que pode ser empregado a qualquer momento, com vistas a uma interação de qualidade entre os alunos e ao desenvolvimento da capacidade de comunicação oral no contexto educacional. Segundo Puig (1998, p.53-4), “os critérios de juízo, que conduzem os sujeitos a inclinar-se por uma ou outra opção e a dar argumentos a seu favor, dependem do nível de desenvolvimento do juízo moral em que se encontram as pessoas envolvidas na atividade”.
A ideia central do debate consistiu em apresentar os diferentes interesses sociais e ambientais, evidenciando o conflito que eles implicam em diferentes escalas de valores. O debate realizado permitiu refletir sobre a dimensão do tema, pois, se já possuímos os nossos valores, devemos respeitar os valores alheios. Compreendê-los, e não somente tentar convencer com as nossas próprias ideias, é assim que os valores vão se construindo.
Outro ponto importante é o fato de os alunos compreenderem melhor a questão do uso da energia elétrica após os estudos. Segundo eles, nunca haviam pensado sobre como a energia era gerada para acender as luzes ou ligar eletroeletrônicos na tomada, nem o quanto a natureza é prejudicada para manter essas nossas necessidades.
Por fim, destacamos que essa experiência nos levou a refletir que colocar-se no lugar do outro e ouvir é sempre uma tarefa difícil. Nesse contexto, algumas questões surgiram: “Como podemos trabalhar a temática ambiental se a sociedade está cada vez mais individualista?”; “Sabendo-se que os problemas ambientais afetam a coletividade, como podemos resolver esse impasse?”; “Que outros caminhos buscar para preparar nossos alunos que não conseguem se relacionar com a coletividade expondo suas ideias e aprendendo com o outro?”; “Como encontrar esses caminhos se não há tempo para ouvi-los?”.
Enquanto a escola estiver preocupada somente em cumprir uma proposta curricular a todo custo, com resultados de avaliações, e não der espaço às questões valorativas que fazem o aluno pensar, não avançaremos no processo educativo. A escola tem que aceitar esse desafio, disponibilizando tempo para trabalhar com essas questões, e tempo é algo que a sociedade está sempre a atropelar.
Nossa vida é marcada pelo tempo. Estamos sempre tão atarefados e apressados que esquecemos de contemplar pequenas coisas do dia a dia: o pôr do sol, o canto de um pássaro, o barulho da chuva, o vento refrescante sobre nossa pele em um dia quente de verão, entre outras coisas. “Vivemos em uma era onde vinte e quatro horas é pouco para responder todos os e-mails que recebemos. Antes, vivíamos conectados à terra, ao mato, ao vento, à água. Ou simplesmente, às coisas que nos fazem bem. Agora, apenas estamos conectados à internet” (Pedroza, 2013). É nessa complexa rede de relações que estamos a tecer nossa vida. Cabe a nós, através de nossas escolhas, buscar nessa dinâmica um equilíbrio.
Assim, ficam perguntas para refletir: “Onde vamos com tanta pressa? Este caminho nos levará à formação de cidadãos críticos, emancipados e sensíveis para atuar na sociedade? Ou estamos na contramão, formando ‘repetidores’ de conteúdos e modos de vida sem alavancar questionamentos sobre o próprio modelo de sociedade que estamos construindo?”.