Educação ambiental e valores na escola
O tempo como questão da educação
A disciplina de Artes corresponde a duas aulas semanais, tendo em vista
alguns imprevistos e a demanda de tempo maior para o desenvolvimento de
algumas atividades, além do previsto no plano de ensino, fez o projeto ficar
um tanto cansativo para os estudantes. Analisando os desenhos de alguns
alunos, fiquei com a sensação de que compreenderam mais o assunto do
que me parecera inicialmente, e que talvez com o tempo mais prolongado e
com mais atividades práticas conseguissem expressar melhor seus
sentimentos e reflexões. Por se tratar de adolescentes, muitos se sentem
envergonhados de expor seus pensamentos através da fala, e a maioria
sente preguiça de escrever, embora saibamos que o estímulo a essa ação é
tarefa fundamental a todas as disciplinas. Fiquei com a sensação de que
talvez a prática de reflexões não verbais me auxiliasse a descobrir mais
sobre seus pensamentos e despertasse mais a criatividade e expressão de
sentimentos sobre o tema. (Relato da professora de Artes)
O professor de História apontou que muitas vezes o currículo não permitiu buscar trabalhos de reflexão, já que isso demanda certo tempo. Segundo ele, o projeto serviu a ambos, considerando que a escola e não somente os alunos foram contemplados e privilegiados nesse processo, e que a transformação ocorre, às vezes, de maneira lúdica, sem pretensão.
O tempo como questão da educação
A falta de tempo foi considerada um ponto negativo para o desenvolvimento do projeto por todos os professores. Além de o currículo não permitir muitas reflexões, pois eles têm que “dar conta” por causa das avaliações externas (Saresp, entre outras) e por conta da cobrança da equipe gestora, faltou tempo para o planejamento das atividades, para o estudo e para o encontro com os colegas da escola, que poderiam auxiliar o trabalho.
Na escola, tudo é muito corrido, os encontros com os colegas ou são nas ATPCs (Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo), onde não temos espaço para esse tipo de discussão, ou nos intervalos das aulas, o que torna a discussão ainda mais difícil, porque temos que decidir entre ir ao banheiro, comer algo (afinal, são seis aulas no período e todos têm necessidades...) ou discutir projetos. Somos cobrados para executar atividades burocráticas, como o preenchimento de dezenas de papéis que em nada acrescentam, efetivamente, ao processo de ensino-aprendizagem.
A escola atual reflete a sociedade contemporânea, imediatista e muitas vezes superficial, na qual somos cobrados o tempo todo para que sejamos criativos, que apresentemos resultados práticos, entretanto não temos tempo para pensar sobre o que estamos fazendo, como estamos vivendo e onde iremos e queremos chegar.
O ideal seria que todos tivessem uma carga horária reduzida com os alunos e pudessem cumprir uma determinada carga horária na própria escola, para poder planejar melhor as aulas, discutir com os colegas, estudar, fazer pesquisa, entre outras atividades, transformando o professor “doador” de aula em professor pesquisador.
O cumprimento de uma jornada diferenciada na escola também possibilitaria que o professor ficasse em uma única escola. Como é mal remunerado, precisa complementar a carga horária com outros empregos se quiser ter uma condição de vida um pouco melhor. Se pudesse ter dedicação exclusiva e fosse bem remunerado para isso, a qualidade da educação só poderia melhorar.
Segundo Bondía (2002), a experiência tem significado algo que nos passa, nos atravessa e nos toca. Além de passar informações, pelas quais as crianças e jovens já são bombardeados diariamente, é preciso fazer os alunos sentir na pele o que é estar no lugar do outro, o que é fazer parte do meio ambiente e do mundo, promover a reflexão e o senso crítico sobre o que estão vivendo, o que está acontecendo ao seu redor, as relações humanas, o que estão consumindo. Mas, como fazer isso se a maioria dos educadores não possui tempo para repensar e buscar novos caminhos para a sua prática?
Além da quantidade de aulas que necessitamos ministrar ainda chegamos em casa com uma infinidade de atividades para corrigir, papéis para preencher, aulas para preparar (sendo que não somos remunerados e estimulados para tal). Diante disso, o professor tem que escolher entre dedicar o pouco tempo que lhe resta fora da escola para ter vida pessoal ou realizar de forma exemplar e integral o seu trabalho, revendo suas aulas, estudando e buscando alternativas.