Educação ambiental e valores na escola

Dalva Maria Bianchini Bonotto · Capítulo 14 de 46

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Educação ambiental e valores na escola

Limites e possibilidades

 

Segundo a avaliação da professora de Ciências, o projeto teve mais pontos positivos do que negativos. A escolha do tema foi um dos aspectos positivos, pois sempre pensou na relação do consumo com a coleta seletiva (“Será que isso é a solução? Por que não trabalhar o consumismo? A redução na produção de resíduos não seria a solução?”).

Outro ponto positivo levantado pela professora foi a receptividade ao projeto, alunos que eram distraídos e indisciplinados participaram ativamente das reflexões. Apesar das dificuldades que surgiram, o trabalho foi gratificante, pois ela sentiu que se aproximou dos alunos. Foi um sentimento de carinho mútuo.

 

Participar do projeto foi muito bom para meu crescimento profissional. Muitas

vezes, da maneira como as coisas são conduzidas na rede estadual, parece

que nós, professores, somos incapazes, culpados por tudo de ruim que

acontece na educação pública. Levam-nos a pensar que não temos

competência, que não sabemos planejar, como fracassados, entre outras

coisas. Digo isso porque é exatamente assim que me sentia antes, de tanto

ouvir comentários diminuindo nossa classe profissional, parecia que haviam

feito uma “lavagem cerebral”! Acredito que muitos colegas se sentem do

mesmo jeito, incapazes de realizar, sentindo-se “doadores” de aula e nada

mais. O professor é capaz sim! Apesar de muitas vezes ser levado a pensar

que não é! O curso ofereceu oportunidade para “abrir” a mente, ampliar

horizontes e mostrar que, quando temos oportunidades, somos capazes de

criar, de agir, de fazer a diferença. (Relato da professora de Ciências)

 

A primeira mudança foi interna, ao revisarmos nossos próprios valores. Começamos a pensar de maneira diferente, a ter uma visão diferente sobre as coisas, sobre nossas atitudes, e isso acabou refletindo na sala de aula.

Depois da mudança interior veio a chance de trabalhar em equipe, com professores de várias áreas e técnicas que fugiam do comum (como a apreciação estética, em que trabalhamos com um poema e uma obra de arte), coisas que só pudemos pensar porque estávamos em uma equipe, na qual cada um contribuiu com sua ideia, com sua experiência. Todos tinham um objetivo em comum, estavam animados em trabalhar com algo elaborado pela equipe e cheios de vontade que tudo desse certo e o resultado fosse o melhor que poderíamos esperar.

Um ponto negativo, ressaltado pela professora de Ciências, foi a falta de recursos materiais. Também, a falta de tempo para aprofundar as reflexões, deixando um sentimento de ter faltado alguma coisa, de ter deixado um trabalho incompleto. Apesar dessas dificuldades que surgiram, o trabalho foi gratificante, pois, como já foi mencionado aqui, ela e os alunos se aproximaram, criando um sentimento de carinho mútuo.

A professora de Artes elencou como positiva a oportunidade de reflexão sobre o tema consumismo, suas consequências para a natureza, a sociedade e a própria vida, o desenvolvimento do senso crítico em relação às propagandas. Além da possibilidade de parcerias com outras disciplinas e a troca de experiências e reflexões enriquecedoras com outros professores.

 

Esse projeto ampliou os meus horizontes tanto no campo pessoal quanto

profissional. O consumismo, tão presente no nosso dia a dia através das

nossas ações e de tudo que nos cerca, porém tão pouco questionado e

refletido por nós e nossos alunos, foi uma temática que me possibilitou rever

certas atitudes diante das propagandas e minhas próprias práticas de

consumo e geração de resíduos, tão prejudiciais a nós e à sociedade como

um todo. Assim como deixou uma sementinha plantada em cada estudante

que dele participou. Além disso, a troca de experiências e conhecimentos

com os professores de outras áreas, as reflexões geradas através das

atividades desenvolvidas nos encontros, desenvolveram em mim um

sentimento de que existe esperança para uma educação diferente. Como

relatou a professora de Ciências, também vejo o sentimento de fracasso que

alimentam em nós no cotidiano escolar. O projeto agia como adubo na minha

esperança, fazia renascer em mim a confiança de que as coisas podem ser

diferentes na educação, não estava sozinha nesse pensamento. (Relato da

professora de Artes)

 

Essa mesma professora apresentou como dificuldade desenvolver o sentimento de afetividade em relação ao assunto, o que se tornou um tanto cansativo; a necessidade de um trabalho mais prático ligado à arte, com o intuito de desenvolver esse lado mais intuitivo e afetivo; a falta de um período mais prolongado para os debates e exposição das opiniões.