Educação ambiental e valores na escola

Dalva Maria Bianchini Bonotto · Capítulo 25 de 46

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Educação ambiental e valores na escola

Diálogo: a criança e a temática ambiental

Decorre dessa argumentação a ideia deste texto, que é a de possibilitar o entrelaçamento entre a EA e a criança. A discussão aqui apresentada se pauta por uma concepção de educação que cria condições para a transformação dos indivíduos em seres mais conscientes de suas ações, seres críticos e autônomos, para que, nas palavras de Santos e Jacobi (2011, p.265), se construa “uma sociedade mais justa e equilibrada ecologicamente”.

 

Diálogo: a criança e a temática

 

ambiental

 

Parto do pressuposto de que a criança é um ser histórico, social e político, “que encontra no outro parâmetros e informações que lhe permitem formular, questionar, construir e reconstruir o espaço que a cerca”, sendo a linguagem relevante nesse contexto (Santos; Leonor, 2011, p.207).

Sarmento (2005, p.371), pautado na Sociologia da Infância, distingue infância e criança, sendo a primeira uma “categoria social do tipo geracional” e a segunda o “sujeito concreto que integra essa categoria geracional e que, na sua existência, para além da pertença de um grupo etário próprio, é sempre um ator social que pertence a uma classe social, a um gênero etc.”.

Educar na infância significa propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.

O entrelaçamento entre a EA e a criança vem sendo destacado por diversos autores, tais como Lima Ribeiro e Profeta (2004) e Rodrigues (2011). Este último destaca “as importantes sinergias possíveis entre a Educação Ambiental e a Educação Infantil” (Rodrigues, 2011, p.169), entretanto, o autor se apoia em Ruffino (2003) para apontar que um problema deve ser enfrentado: o fato de a maioria dos professores na EI ainda trabalhar com abordagens mais tradicionais de EA, o que muitas vezes remete a uma prática não significativa para o aprendiz. Tal informação me leva a compreender a EA na EI como espaço do diálogo, da experiência, da sensibilização e do desenvolvimento de posicionamentos críticos.

Nessa esteira, é fundamental compreender que, em práticas socioculturais concretas (como brincar com os companheiros, investigar aspectos do ambiente que instigam a curiosidade, realizar atividades de autocuidado, apreciar uma apresentação musical, desenhar, participar da recontagem de contos de diferentes tradições, encenar uma história, antecipar formas de escrita, e muitas outras), as crianças mobilizam seus saberes e suas funções psicológicas – afetivas, cognitivas, motoras, linguísticas – ao mesmo tempo que os modificam (São Paulo, 2007, p.18).

Embora sejam muito relevantes as reflexões sobre as práticas de EA na EI, os dados obtidos por Carvalho (2010) permitem apontar algumas áreas silenciadas nos trabalhos apresentados no Encontro de Pesquisa em Educação Ambiental (Epea), entre elas os processos formativos para o trabalho com a temática ambiental voltados à EI e ao EJA (Educação de Jovens e Adultos). Os apontamentos do autor me levam a pressupor que haja, também, uma escassez na produção acadêmica voltada ao entrelaçamento entre EA e EI.

Cabe informar que as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – Resolução CNE/CEB no 5, de 17 de dezembro de 2009, em seu artigo 3º, concebe “o Currículo da Educação Infantil como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico”, de forma que se promova seu desenvolvimento integral (Brasil, 2009). Isto é, por meio desse documento, que possui caráter mandatório, há uma orientação para que o patrimônio ambiental seja articulado com as crianças da EI. Cabe ressaltar, ainda, que esse documento orienta a política de formação de professores e a política de planejamento e avaliação na EI, verificando práticas educacionais organizadas, intencionalmente planejadas e permanentemente avaliadas, o que também é proposto por Carvalho (2006, p.26), pois a EA deve ser uma “prática intencionalizada e coerente”.