Gerente Também é Gente

André B. Barcaui · Capítulo 1 de 31

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Gerente Também é Gente

Nota do Autor

 

Sou obrigado a confessar que, apesar de ávido leitor, nunca dei muito valor a esta "nota do autor" nos livros. Isso porque sempre considerei que o que importava mesmo era o conteúdo do livro em si e não as considerações que o próprio autor fazia sobre sua obra. Essas notas sempre me soaram de alguma forma narcisistas e ao mesmo tempo cansativas. Recusava-me a acreditar que qualquer espécie de emoção pudesse ser transmitida ao passar os olhos por esta pequena introdução. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar preparando este pequeno preâmbulo que agora você está lendo, e me surpreender, ao descobrir que, em uma obra de ficção, esta é a única hora em que o autor pode de fato falar direta e abertamente com seu leitor.

 

Pois aqui estou, quem diria, me explicando a você, leitor, sobre como e por que preparei este pequeno romance. Tomei contato com projetos mais ou menos como o protagonista deste livro. Não se trata de forma alguma de uma autobiografia, mas sou obrigado a revelar que muitos dos acontecimentos que vocês tomarão conhecimento, apesar de caricaturados, foram de alguma forma, vividos. Depois de algum tempo como gerente de projetos, comecei a dar consultoria e ministrar aulas nessa área. Tive chance de ler vários livros magníficos a respeito do tema e recomendar diversos deles para alunos e clientes. Mas sempre senti que existia uma lacuna a ser preenchida, já que a grande maioria desses livros ou é muito técnico ou muito metodológico. Existe o guia disso, o corpo de conhecimento daquilo, os famosos e pouco convidativos manuais e até mesmo livros de autoajuda, estilo: "Gerência de Projetos: seus problemas acabaram...". Por favor não me entendam mal. Não estou criticando nenhum desses autores. Muito pelo contrário. São grandes gurus a quem respeito e muitas vezes recorro em meus estudos e também na vida profissional. São eles que tornaram possível a vasta literatura que temos hoje disponível na área de gerência de projetos. Um campo recente sob a ótica de disciplina, mas muito antigo sob o ponto de vista de sua aplicação na história da humanidade. Esses livros que estou apelidando de técnicos são, sem dúvida, fundamentais. Inclusive vários de seus princípios estão abordados em partes deste livro que está em suas mãos.

 

Aliás, foi até bom mencionar isso porque é importante que vocês saibam que alguns dos autores que admiro tiveram seu pensamento de alguma forma sumarizado e contextualizado em situações vividas pelos personagens no livro. São eles: Carl Pritchard, David Cleland, Domênico de Masi, Eliyahu Goldratt, Harry Beckwith, James Lewis, Jeremy Main, Jerry Wind, Patrick Lencioni, Scott Adams, Scott Thorpe, Spencer Johnson, Stanley Portny, Stephen Covey, Suzanne Skiffington, Thomas Friedman, Vijay K.Verma, entre outros.

 

A técnica é muito importante. Mas sempre achei que não era tudo. Não podia ser tudo. E tinha que haver um jeito mais fácil de explicar isso ao leitor que quisesse introduzir-se ao tema deste livro. Até porque todos gerenciamos projetos. Sejam profissionais, sejam pessoais. Estamos expostos a eles até sem sentir. Portanto, quanto mais informação e pontos de vista a respeito do assunto, melhor. Mas como transformar toda essa abordagem técnica em algo que seduza o leitor?

 

Foi daí que surgiu a inspiração para escrever um romance. Ousada e pretensiosa, eu admito. Mas desenvolvida com muito gosto e zelo. Agradeço muito à Editora Brasport por ter apostado na ideia. Sempre achei mais fácil ensinar através do humor. Alguns alunos já me perguntaram se faço uso de alguma técnica de didática especial. Adoraria dizer que sim e de preferência com um nome bem complicado. A verdade é que não sei fazer de outro jeito. Se for possível aprender e, ao mesmo tempo, se divertir, por que não fazê-lo? Foi com essa visão e com incentivo desses mesmos alunos que percebi que existia uma possível abertura para um livro que abordasse gerência de projetos de uma maneira mais solta, mais livre. Objetivando ensinar um pouco da técnica sim, mas principalmente preocupado em passar a experiência do cotidiano de um gerente de projetos. Experiência de quem já acertou, mas também já errou muito, diga-se de passagem. Uma leitura mais fácil, não necessariamente doutrinadora, e que incentive você a degustar esta área tão fascinante. Este livro ambiciona, ainda, reforçar a importância das pessoas nos processos ligados à gerência de projetos. Tudo se resume a elas. Porém, paradoxalmente, muitas vezes somos levados a achar soluções milagrosas através apenas da técnica. Depois de algum tempo atuando como gerente, vejo claramente que, no fundo, não gerenciamos tão-somente projetos. Gerenciamos pessoas! As pessoas são simplesmente a razão de ser de tudo. Procuro passar um pouco desta ideia também no decorrer do livro.

 

Vocês devem estar sentindo falta dos chamados agradecimentos. Será que ele não vai agradecer nada a ninguém? É claro que vou... Mas como também quase sempre ninguém conhece as pessoas às quais os autores costumam agradecer, resolvi que faria minhas homenagens de uma forma diferente. Decidi que faria meus agradecimentos através dos próprios personagens e situações envolvidas no enredo. Mudei alguns nomes, valores e locais, para que não se tratasse de uma exposição demasiada. Mas garanto a homenagem através de referências sutis que fiz no texto. Isso é o que mais importa para mim. Os homenageados irão se reconhecer quando lerem o livro. E vou garantir que lerão, enviando um exemplar para cada um deles!

 

Gostaria então de terminar parafraseando Jack Lemmon, para mim um dos maiores atores que o cinema já teve. Falecido em 2001, mas com um legado extraordinário de filmes a serem saboreados eternamente. Pego emprestado uma frase sua que ficou célebre, modifico um pouco o contexto, mas mantenho vivo o sentido. Sozinha, esta frase é capaz de explicar bem melhor do que eu as razões que me levaram a escrever esta história:

 

"Existe apenas uma razão para um escritor escrever um livro, ou uma editora publicar uma obra ou uma livraria oferecer um exemplar: mexer com as emoções dos leitores."

 

Espero, humildemente, que de alguma forma suas emoções também sejam afetadas. Boa leitura e bom divertimento.

André Barcaui

 

barcaui@bbbrothers.com.br

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