Gerente Também é Gente

André B. Barcaui · Capítulo 2 de 31

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Gerente Também é Gente

Prefácio

 

O Standish Group International (www.standishgroup.com), uma organização que pesquisa o desenvolvimento de projetos na área de Tecnologia da Informação, publicou no seu relatório de 2003 o resultado de uma pesquisa realizada em 2002 que envolveu cerca de 40 mil projetos de TI. Essa pesquisa apontou que 15% dos projetos fracassaram, enquanto apenas 34% tiveram sucesso. Outros 51% foram concluídos com algum resultado positivo, mas falharam em custo, prazo ou funcionalidades. Esses números são ainda melhores do que os encontrados na pesquisa de 1994, que apontou 31% de fracassos, apenas 16% de sucessos e 53% de resultados relativos. Dentre os fatores críticos de sucesso, a pesquisa aponta três dos mais importantes: 1. Envolvimento do usuário, 2. Suporte da alta direção e 3. Gerentes de projeto experientes.

 

Para atender a necessidade de desenvolver as habilidades gerenciais para a condução de projetos, surgiram várias iniciativas por parte de associações técnicas, governos, universidades e empresas que criaram metodologias de planejamento, execução e controle de projetos. Dentre essas iniciativas está o método PRINCE2 (Projects in Controlled Environment 2), criado pelo Departamento de Comércio do governo britânico, e o modelo do

PMI (Project Management Institute -www.pmi.org), que além de ensinar métodos e ferramentas, também possui um exame de certificação de profissionais em gestão de projetos que já certificou cerca de 170 mil profissionais no mundo inteiro desde 1984, dos quais cerca de 50% apenas em 2005. Outras entidades, como o IPMA (International Project Management

Association -www.ipma.org), também criaram modelos próprios, mas na essência eles se assemelham.

Desde meados do século passado a indústria e a academia vêm discutindo e aprimorando seu conhecimento sobre gestão de projetos com significativos progressos. A vasta literatura existente na área discute amplamente a metodologia e ferramentas de gestão, mas há pouca literatura sobre o processo de acumulação de conhecimento e experiências do dia a dia de um gerente. Parodiando Crosby na sua analogia da qualidade com sexo, podemos dizer que muitos acham a gerência de projetos parecida com sexo, pois dizem que sabem fazer, e que para dar certo basta seguir alguns procedimentos. Mas quando algo sai errado a culpa é sempre do outro, ou da outra.

 

Neste livro, André Barcaui passa os principais conceitos sobre gestão de projetos na forma de um romance, desfilando a metodologia já consagrada e discutida em inúmeros livros técnicos, mas com largas doses de bom humor e fazendo o leitor se sentir no contexto da história como coadjuvante, como se fosse o copiloto de um jato. Baseado em sua experiência tanto como profissional da área como de professor e palestrante em diversos cursos de MBA, Barcaui apresenta as diversas áreas de conhecimento de gerência de projetos, bem como dicas de planejamento, controle e administração. Não de uma forma exclusivamente técnica, mas coloquial, vista pela ótica do profissional que vivência suas ansiedades, erros e acertos, abordando o lado humano e pessoal de um gerente. Ele aborda também como deve ser o processo de aprendizado de um gerente de projetos através de um mentor, da mesma forma que um médico recém-formado é orientado por um cirurgião mais experiente. Também discute o que é um projeto, qual o papel do patrocinador, stakeholders, características do gerente de projeto, entre outros conceitos.

 

Sinta-se na pele de um gerente de projetos e desfrute da leitura agradável deste romance baseado em histórias reais vivenciadas pelo autor, aprendendo sobre a teoria e a sua aplicação. Se você é um gerente de projetos experiente, vai se encontrar em muitas das situações descritas e se ainda está no início da carreira vai se preparar melhor para as suas próximas missões.

 

Paulo Ferrucio

Executivo de Projetos