Guerra sem fim

Joe Haldeman · Capítulo 22 de 40

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Guerra sem fim

Capítulo 18

18

 

Conseguimos, na manhã seguinte, nosso prometido encontro com o submajor; ele, de certa forma, repetiu aquilo que o comodoro havia dito em termos da infantaria, com sua voz monótona e em staccato. Enfatizou o fato de que tudo o que sabíamos a respeito das forças de terra dos taurianos era que, se a capacidade naval deles havia se aperfeiçoado, provavelmente estariam mais bem preparados para lidar conosco do que da última vez.

No entanto, isso nos fez considerar um aspecto interessante: oito meses ou nove anos antes, tínhamos uma tremenda vantagem, pois eles pareciam não entender direito o que se passava. Pelo fato de terem sido tão beligerantes no espaço, esperávamos que fossem verdadeiros bárbaros no combate em solo. Em vez disso, praticamente se puseram em fila para serem massacrados. E aquele que fugiu deve ter descrito a antiquada forma de combate a seus companheiros.

Mas isso, é claro, não significava que a notícia havia, necessariamente, chegado aos ouvidos dos taurianos que guardavam Yod-4. A única maneira que conhecemos de nos comunicar mais rápido do que a velocidade da luz é levando fisicamente a mensagem por meio de sucessivos saltos colapsares. E não havia meios de dizer quantos saltos existiam entre Yod-4 e o planeta dos taurianos. Talvez estes seriam tão passivos quanto o último grupo que enfrentamos, ou então teriam praticado táticas de infantaria por quase uma década. Descobriríamos assim que os encontrássemos.

O armeiro e eu estávamos ajudando meu esquadrão na inspeção dos trajes de batalha quando passamos da marca de 1 bilhão de quilômetros e tivemos de ir até onde estavam as cápsulas.

Ainda tínhamos cerca de cinco horas antes de entrarmos em nossos casulos. Joguei uma partida de xadrez com Rabi e perdi. Logo em seguida, Rogers levou o pelotão para fazer alguns exercícios físicos, provavelmente para desviar a mente de todos da ideia de que passariam ao menos quatro horas semicomprimidos nas cápsulas. O período mais longo que havíamos ficado até então havia sido a metade disso.

Dez minutos antes da marca dos 500 milhões de quilômetros, nós, líderes de esquadrão, assumimos e supervisionamos todos enquanto entravam em suas cápsulas. Em oito minutos estávamos lacrados, inundados e à mercê – ou seguros nos braços – do computador de logística.

Enquanto eu estava lá sendo esmagado, um pensamento tolo se apoderou de mim e ficou dando voltas e voltas em minha mente sem parar, como corrente elétrica em um supercondutor: de acordo com o formalismo militar, a conduta de guerra divide-se em duas categorias bem organizadas: tática e logística. A logística está ligada à movimentação e alimentação das tropas e a quase tudo, exceto o combate em si, o qual constitui a tática. E, naquele momento, estávamos em combate, mas não tínhamos um computador tático para nos guiar em ataques e defesas; apenas um gigantesco, supereficiente e pacifista – preste atenção nesta palavra – computador de logística.

O outro lado do meu cérebro, talvez não tão comprimido, argumentava que não importava qual nome era dado ao computador: tratava-se de uma pilha de cristais de memória, bancos de dados, porcas e parafusos… Se fosse programado para ser Gengis Khan, seria um computador tático, mesmo que sua função usual fosse monitorar a bolsa de valores ou controlar o tratamento de esgoto.

Todavia, a outra voz era teimosa e dizia que, seguindo tal raciocínio, o homem é apenas um chumaço de cabelo, um pedaço de osso e uma porção de carne fibrosa. E não importa que tipo de homem seja; com o treinamento adequado, pode-se transformar um monge Zen em um guerreiro escravizador e sanguinário.

Então, que diabos é você, nós, eu?, indagou o outro lado. Um professor de física especialista em solda no vácuo e amante da paz arrebatado pelo Ato de Conscrição de Elite e reprogramado para ser uma máquina mortífera. Veja só, eu matei e gostei.

Mas aquilo era hipnose, condicionamento motivacional, argumentei comigo mesmo. Eles não fazem mais isso.

E a única razão para não o fazerem é o fato de acharem que você matará melhor sem isso. É lógico.

Falando em lógica, a pergunta original era: por que colocam um computador de logística para fazer um trabalho humano? Ou algo parecido… e lá vamos nós novamente.

A luz verde piscou e operei a chave automaticamente. A pressão estava a 1,3 antes de eu perceber que significava que estávamos vivos. Vencemos o primeiro conflito.

Eu estava apenas parcialmente correto.