Guerra sem fim
Capítulo 21
21
Marygay passou a caminhar depois de uma semana; em duas, já “socializava”; e foi considerada completamente curada em seis.
Dez longos meses no espaço, e foi exército, exército e mais exército o tempo todo. Ginástica, detalhes operacionais sem sentido, palestras obrigatórias. Até levantou-se a hipótese de que reinstaurariam a lista para dormir que tínhamos no início, mas isso nunca aconteceu, provavelmente por medo de uma rebelião. Um parceiro aleatório a cada noite não cairia bem para alguns de nós que já éramos mais ou menos parceiros permanentes.
Toda essa bobagem, essa insistência em disciplina militar, incomodava-me, sobretudo porque eu temia que fosse uma indicação de que não nos liberariam. Marygay disse que eu estava paranoico e que eles estavam fazendo isso apenas porque não havia outra forma de manter a ordem por dez meses.
A maioria das conversas, além das costumeiras merdas sobre o exército, era especulação sobre quanto a Terra deveria ter mudado e o que faríamos quando voltássemos. Estaríamos bem ricos: 26 anos de salário, tudo de uma vez e com juros; os 500 dólares pagos no primeiro mês no exército aumentaram para mais de 1,5 mil dólares.
Chegamos ao Portal Estelar no fim de 2023, data de Greenwich.
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A base crescera espantosamente nos quase dezessete anos em que estivéramos em campanha na Yod-4. Era uma construção do tamanho da cidade de Tycho e abrigava quase 10 mil pessoas; 78 cruzadores do tamanho da Aniversário ou maiores, envolvidos em incursões em planetas portais taurianos; outros dez guardavam o próprio Portal Estelar e dois orbitavam, aguardando sua infantaria e tripulação para partir. Outra nave, a Esperança da Terra II, retornara de uma batalha e esperava outro cruzador para retornar.
Eles haviam perdido dois terços da tripulação, e não era econômico mandar um cruzador de volta à Terra com apenas 39 pessoas a bordo. Trinta e nove civis confirmados.
Aterrissamos no planeta em duas naves-patrulha.