Guerra sem fim
Introdução
Conheci Thomas Dunne em uma melancólica noite de inverno em 1974, em uma festa lotada no Hotel Algonquin. No mesmo dia, à tarde, meu agente, Robert P. Mills, havia me dito que meu romance Guerra sem fim era impublicável. Ele o mostrara a todos os editores de ficção científica da cidade, e eles o acharam muito controverso.
A festa no Algonquin era um evento anual promovido pelos escritores de ficção científica dos Estados Unidos chamado de Baile de Editores/Autores, e era uma boa oportunidade para fechar negócios. Estava também, por acaso, cheio de pessoas que haviam rejeitado um livro que eu pensava ser oportuno e importante – sem falar que tinha consumido mais de dois anos da minha vida. Bebi um pouco antes de ir à festa e, quando cheguei, descobri que o vinho era de graça.
Na verdade, os detalhes do meu encontro com Tom Dunne são um pouco nebulosos. Eu havia contado ao editor da Analog, Ben Bova, minha peregrinação, e ele me dissera: “Há alguém que você precisa conhecer”, levando-me até Tom, que não era muito assediado pelos escritores porque, naquele tempo, a editora St. Martin não publicava ficção científica para adultos. Ben, que vinha publicando partes de meu livro em sua revista, deu a dica para Tom. Ele, que nutria sentimento contrário à guerra, ficou intrigado e concordou em dar uma olhada no original.
Tom aceitou o livro com uma rapidez incomum, e esse foi o início de uma relação literária íntima e prazerosa. Ele era um editor cuidadoso e sempre simpático quando eu ia à cidade, vindo de Iowa.
Aquela noite nebulosa, no Algonquin, foi decisiva para a minha vida. Se Tom Dunne não tivesse tido a coragem e sagacidade de publicar aquele livro “impublicável”, provavelmente eu teria voltado à matemática e acabaria tristemente em uma sala de aula. Obrigado, Tom.
JOE HALDEMAN,
CAMBRIDGE, MASSACHUSETTS
JUNHO DE 2008