Guerra sem fim

Joe Haldeman · Capítulo 3 de 40

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Guerra sem fim

Nota do autor à edição brasileira

NOTA DO AUTOR À EDIÇÃO

 

BRASILEIRA

 

Durante a preparação desta nova edição de meu livro, a Editora Aleph me questionou sobre a representação de homossexuais em Guerra sem fim, e se ela pode ser lida como preconceito.

É uma pergunta razoável, apesar de não ser fácil de responder.

O mundo era diferente na época em que escrevi o livro, e eu era uma pessoa diferente. Falar com essa pessoa, ou interrogá-la, não é uma tarefa fácil.

Poderíamos dizer que as coisas são como são, mas neste caso “as coisas” duram um livro inteiro, ou talvez uma biblioteca inteira.

Eu tenho amigos gays e leitores gays, é claro, e já os tinha na época em que Guerra sem fim foi publicado. Nunca foi minha intenção ser injusto com eles ou desumanizá-los – mas foi exatamente o que eu fiz, mesmo que tivesse a melhor das intenções. Como todo o mundo hétero faz, e fazia cinquenta anos atrás.

O mundo em que eu vivia como um soldado no Vietnã incluía homossexualidade. Mas em um cenário com tanta dor e tantas mortes, sexualidade em geral estava presente, mas submersa. Ela funcionava como um ornamento, em vez de trazer o constante deleite e as complicações que normalmente traz aos humanos. Sexo era um assunto constante, é claro, mas quase sempre heterossexual, mesmo que soubéssemos que um a cada X homens era “queer” – um adjetivo que não tinha nem um pouco de sua complexidade atual.

(Na verdade, a maioria dos homens no meu grupo suspeitava que dois de nossos médicos mantinham relações sexuais na barraca que dividiam – era difícil manter segredos ali – mas não estávamos inclinados a criticá-los por isso, uma vez que nossa vida dependia deles.)

Em Guerra sem fim, há sexo gay, é claro, mas normalmente entre mulheres ou entre homens efeminados. Minha única desculpa é que era assim que eu via o meu mundo, na época em que escrevi.

Minha tímida defesa pode ser, em geral, que um livro com menos de 70 mil palavras só pode tratar de uma quantidade limitada de assuntos. Se eu tivesse sido um escritor melhor, talvez pudesse ter analisado a homossexualidade e muitos outros temas, mas havia um monte de guerra e política no meu caminho! Isso sem mencionar os aliens com armas laser, os ruminantes telepatas e a velocidade da luz, que estava ali para estragar tudo.

É claro que eu deveria ser grato (e sou) que as pessoas se importem com o livro o suficiente para se preocupar com essas questões.

JOE HALDEMAN,

JULHO DE 2018