Introdução à Nova Ordem Mundial

Alexandre Costa · Capítulo 51 de 81

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Introdução à Nova Ordem Mundial

Novilíngua

Criar um a “nova língua” (ou Novilíngua) tão flexível a ponto de não m ais diferenciar o errado do certo, no m eu entender, não apenas não vai aj udar em nada aquele que fala errado, m as tam bém vai destruir os parâm etros do idiom a no longo prazo. A idéia de que corrigir o estudante é um ato “repressivo”, e todas as outras teorias absurdas que orbitam ao seu redor têm colaborado decisivam ente para a desgraça educacional brasileira. O cham ado “preconceito lingüístico” serve com o perfeito exem plo destas falácias irresponsáveis.

Mudanças freqüentes nas norm as gram aticais são outro ataque frontal à integridade da linguagem . Estas m udanças inúteis e em pobrecedoras vão im pedir os leitores m ais novos de adm irar as belas obras dos seus antepassados. Isso é um fato inquestionável. Outro é este: um a língua uniform e em toda sociedade é condição m ais que necessária à dem ocracia, é essencial e fundante desta m esm a. Sem que todas as pessoas possam se com unicar usando as m esm as palavras e as m esm as regras gram aticais, com o garantir a estas pessoas a igualdade perante a lei?

Não é preciso ser m uito inteligente para perceber que esta estúpida teoria do preconceito lingüístico, as m udanças no idiom a, a prom oção da vulgaridade, da burrice e da ignorância com o m érito não são fatos espontâneos, fazem parte de um plano diabólico.

Novilíngua

SE ALDOUS HUXLEY ACERTOU sobre a dissem inação das drogas e a vulgarização do sexo, seu com patriota George Orwell teve um a feliz percepção sobre a utilização da linguagem com o form a de alienação. A Newspeak, ou algo com o Novilíngua, é um a usurpação da língua, reduzindo, lim itando ou invertendo um significado, e conseqüentem ente m oldando o conteúdo de todo discurso de acordo com a circunstância e a necessidade.

A Novilíngua, na verdade, vem sendo utilizada há m uito tem po, m as atualm ente ela virou regra e diariam ente é possível encontrar pérolas na im prensa e nas universidades. Além de se apropriar de palavras que sej am benéficas à construção da sua im agem pública, invertem o significado de m uitas outras de form a a atenuar as críticas ao seu proj eto e glorificar aqueles que contribuem para a im plantação deste.

Os term os “conservador” e “progressista” são exem plos de palavras que perderam seu significado original e adquiriram um conceito ideológico e desde então são usados para rotular pessoas ou idéias de form a arbitrária e desonesta. “Conservador” é um a palavra tida com o m aléfica para a im prensa e para a academ ia, por exem plo. Jornalistas e intelectuais brasileiros costum am fazer careta quando a pronunciam . E recentem ente a palavra passou tam bém a substituir os pej orativos “conservantes” nas em balagens dos produtos. Coincidência? Não sei.