Judiciário e economia no Brasil
Impacto sobre o crescimento: uma análise conceitual
Impacto sobre o crescimento: uma
análise conceitual
Armando Castelar Pinheiro
1.1. Introdução
Existe hoje amplo reconhecimento de que a qualidade das políticas
públicas e das instituições explica uma parcela importante das
elevadas diferenças entre países no que diz respeito a níveis e
taxas de crescimento do PIB per capita [North (1981, 1990), Barro e
Lee (1994)]. De fato, na opinião de muitos analistas, essa não é
apenas uma causa importante, mas a mais importante de todas as
causas (North, 1981; Olson, 1996). Assim, para Olson (1996, p. 20),
reformar a política econômica e as instituições é suficiente para
rapidamente se alçar um país a uma trajetória de elevadas taxas de
crescimento: “Qualquer país pobre que implemente políticas
econômicas e instituições relativamente adequadas experimenta
uma rápida retomada do crescimento”.
Os argumentos de Olson encontram respaldo empírico em Scully
(1988), que analisou o impacto das instituições sobre níveis de
eficiência e taxas de crescimento em 155 economias de mercado.
Scully chegou a três conclusões principais. Primeiro, que países
dotados de boas instituições – ou seja, “sociedades politicamente
abertas e comprometidas com a império do Direito [rule of law], a
propriedade privada e a alocação de recursos pelo mercado” –
crescem três vezes mais rápido, em termos per capita, do que
países com instituições precárias (2,73% contra 0,91% a.a.).
Segundo, que países com instituições frágeis apresentam apenas
metade da eficiência observada nos países dotados de uma boa
estrutura institucional; e terceiro, que países com instituições
precárias tendem a apresentar um declínio contínuo em eficiência, enquanto aqueles caracterizados por boas instituições já capturaram