O Circo da Noite

Erin Morgenstern · Capítulo 4 de 69

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O Circo da Noite

Uma aposta entre cavalheiros

LONDRES, OUTUBRO DE 1873

 

Esta noite é a última apresentação de um espetáculo muito seleto. Faz

algum tempo que Próspero, o Mágico não dá o ar de sua graça nos palcos de Londres, e as reservas são para apenas uma única semana de apresentações, sem matinês.

Embora a preços exorbitantes, os ingressos logo se esgotaram e o teatro está lotado, com muitas mulheres abanando os decotes com seus leques para afastar o calor opressivo que paira no ar apesar do frescor outonal do lado de fora.

Em algum momento da noite, todos aqueles leques de repente vão se transformar em passarinhos, até que alguns deles rodopiarão pelo teatro e serão estrepitosamente aplaudidos. Quando os pássaros regressam, caindo na forma de leques impecavelmente dobrados nos colos de suas respectivas donas, os aplausos aumentam ainda mais, embora algumas damas estejam muito atordoadas para bater palmas, virando os leques de penas e renda com admiração, não mais preocupadas com o calor.

O homem de terno cinza no camarote à esquerda do palco não aplaude. Nem a esse nem a nenhum outro truque durante toda a noite. Observa o sujeito no palco com um olhar firme e avaliador que não se desvia durante todo o espetáculo. Nem uma vez ele levanta as mãos enluvadas para bater palmas. Nem ao menos ergue as sobrancelhas diante de façanhas que evocam aplausos ou espanto, ou até um ocasional grito de surpresa, do restante da plateia arrebatada.

Quando a apresentação termina, o homem de terno cinza passa com facilidade por entre a multidão de espectadores no saguão do teatro. Esgueira-se por uma porta cortinada que leva aos camarins sem ser notado. Contrarregras e camareiras nem chegam a olhar para ele.

Ele bate apenas uma vez à porta ao final do corredor com a ponteira de prata de sua bengala.

A porta abre-se sozinha, revelando um vestiário abarrotado coberto de espelhos, cada um refletindo um ângulo diferente de Próspero.

A casaca do mágico está jogada displicentemente no braço de uma poltrona de veludo, e o colete pende desabotoado sobre a camisa com acabamento de renda. A cartola, cuja participação tem destaque no espetáculo, repousa numa chapeleira ali perto.

O homem parecia mais jovem no palco, sua idade encoberta pelo clarão dos holofotes e pelas camadas de maquiagem. O rosto no espelho é enrugado, o cabelo mostra tons pronunciados de cinza. Mas há algo de jovial no sorriso que surge quando vislumbra o homem em pé no corredor.

— Você detestou, não é? — pergunta sem se virar, dirigindo-se ao fantasmagórico reflexo cinzento. Remove o grosso resíduo de pó do rosto com um lenço que talvez um dia tenha sido branco.

— É um prazer ver você também, Hector — diz o homem de terno cinza, fechando silenciosamente a porta atrás de si.

— Você detestou cada minuto, eu sei — continua Hector Bowen com uma risada. — Eu estava observando você, não tente negar.

Ele se vira e estende a mão, mas o homem de terno cinza não a aceita. Como resposta, Hector dá de ombros e movimenta os dedos de forma dramática em direção à parede oposta. A poltrona de veludo desliza para a frente emergindo de um canto amontoado de baús e cachecóis enquanto a casaca paira como uma sombra, pendurando-se obediente em um guarda-roupa.

— Sente-se, por favor — diz Hector. — Mas receio que não seja tão confortável quanto as lá de cima.

— Não posso dizer que aprovo tais exibições — comenta o homem de terno cinza, tirando as luvas e espanando o pó da poltrona antes de se sentar. — Fazer manipulações passarem por truques e ilusões. Cobrar ingressos.

Hector joga o lenço sujo sobre uma mesa repleta de pincéis e latinhas de maquiagem.

— Ninguém naquela plateia acredita nem por um segundo que o que faço lá na frente é real — diz com um gesto vago na direção do palco. — Essa é a beleza de tudo. Você já viu as engenhocas que esses mágicos constroem para conseguir as façanhas mais banais? São um bando de peixes cobertos de penas tentando convencer o público de que podem voar, e eu sou apenas um pássaro entre eles. A plateia não percebe a diferença, sabe apenas que eu sou melhor nisso.

— Isso não torna o esforço menos frívolo.

— Essas pessoas fazem fila para serem enganadas — continua Hector. — Eu posso iludi-las com mais facilidade que a maioria. Parece um desperdício deixar passar uma oportunidade como essa. E o pagamento é melhor do que você poderia pensar, aliás. Quer beber alguma coisa? Tenho algumas garrafas escondidas em algum lugar por aqui, mas não tenho certeza se há copos. — Vasculha uma mesa, afastando pilhas de jornais e uma gaiola sem pássaro dentro.

— Não, obrigado — responde o homem de terno cinza, acomodando-se na poltrona e descansando as mãos no castão da bengala. — Achei sua performance curiosa, e a reação de sua plateia foi de certa forma surpreendente. Mas falta precisão.

— Eu não posso ser muito bom se quiser que eles acreditem que sou uma fraude como todos os outros — retruca Hector com uma risada. — Obrigado por ter vindo e sofrido durante o meu espetáculo. Estou até surpreso por ter aparecido. Estava começando a perder as esperanças. Reservei aquele camarote para você a semana toda.

— Eu não costumo recusar convites. Em sua carta, você dizia ter uma proposta para mim.

— Sim, realmente! — responde Hector, juntando as mãos como num aplauso. — Eu tinha esperança de que você estivesse disponível para um jogo. Faz muito tempo que nós não jogamos. Mas antes você precisa conhecer o meu novo projeto.

— Tive a impressão de que você tinha desistido de ensinar.

— Tinha mesmo, mas surgiu uma oportunidade especial a que eu não pude resistir. — Hector caminha até uma porta quase escondida por um espelho alto. — Celia, querida — chama no aposento ao lado antes de voltar a sua cadeira.

Instantes depois uma garotinha aparece na porta, bem-vestida demais para o ambiente mambembe e caótico. Toda enfeitada de laços e renda, perfeita como uma boneca recém-comprada, a não ser por alguns cachos rebeldes que escapam das tranças. Ela hesita, parando no umbral, ao ver que o pai não está sozinho.

— Está tudo bem, querida. Entre, entre — tranquiliza Hector, chamando-a com um gesto de mão. — Este é um colega meu, não precisa ficar acanhada.

A garota dá alguns passos e executa uma reverência perfeita, a barra rendada do vestido roçando o desgastado assoalho de madeira.

— Esta é minha filha, Celia — diz Hector ao homem de terno cinza, colocando a mão na cabeça da garota. — Celia, este é Alexander.

— Prazer em conhecê-lo — diz ela. Sua voz é pouco mais audível que um sussurro, e mais grave do que se poderia esperar de uma garota daquele tamanho.

O homem de terno cinza faz um aceno educado.

— Gostaria que mostrasse a este cavalheiro o que você é capaz de fazer — diz Hector. Ele tira do colete um relógio de prata preso a uma longa corrente e o põe sobre a mesa. — Vá em frente.

Os olhos da garota arregalam-se.

— Você disse que eu não devia fazer isso na frente de ninguém — responde. — Você me fez prometer.

— Este cavalheiro não é qualquer um — replica Hector com uma risada.

— Você disse que não havia exceções — protesta Celia.

O sorriso do pai desaparece. Ele pega a filha pelos ombros e a encara com severidade.

— Este é um caso muito especial — diz. — Por favor, mostre a este homem o que você faz, como nas aulas. — Empurra a garota em direção à mesa em que está o relógio.

A garota assente com gravidade e volta a atenção para o relógio, as mãos cruzadas às costas.

Após um tempo, o relógio começa a girar lentamente, fazendo círculos na superfície da mesa, arrastando a corrente numa espiral.

Depois o relógio ergue-se da mesa, flutuando no ar e pairando como se boiasse.

Hector olha para o homem de terno cinza à procura de uma reação.

— Impressionante — comenta o homem. — Mas é bem básico.

A testa de Celia franze-se sobre seus olhos escuros e o relógio se despedaça, as peças espalhando-se pelo ar.

— Celia — intervém o pai.

A garota enrubesce ao tom áspero do pai e murmura um pedido de desculpa. As peças voltam flutuando para o relógio, encaixando-se em seus lugares até que o objeto esteja inteiro outra vez, tiquetaqueando os segundos como se nada tivesse acontecido.

— Isso foi um pouco mais impressionante — admite o homem de terno cinza. — Mas ela é geniosa.

— Ela é jovem — acrescenta Hector, acariciando a cabeça de Celia e ignorando sua cara fechada. — Não faz nem um ano que está estudando, e quando crescer será incomparável.

— Eu poderia pegar qualquer criança de rua e ensinar a mesma coisa. Incomparável é uma questão de opinião, que pode ser facilmente contestada.

— Ah! — exclama Hector. — Então você está disposto a jogar.

O homem de terno cinza hesita só um momento antes de balançar a cabeça em um gesto afirmativo.

— Se for algo um pouco mais complexo do que a última vez, sim, eu poderia estar interessado — responde. — É possível.

— É claro que será mais complexo! — enfatiza Hector. — Eu tenho um talento natural para jogar. E não vou desperdiçar isso em uma aposta simples.

— Talento natural é um fenômeno questionável. Inclinação, talvez, mas habilidade inata é extremamente rara.

— Ela é minha filha, é claro que tem habilidades inatas.

— Você admite que ela já teve algumas aulas — comenta o homem de terno cinza. — Como pode ter certeza?

— Celia, quando começaram suas aulas? — pergunta Hector, sem olhar para a menina.

— Em março — responde.

— De que ano, querida? — acrescenta Hector.

— Deste ano — replica Celia, como se fosse uma pergunta particularmente estúpida.

— Oito meses de aulas — esclarece Hector. — Com apenas 6 anos. Se me lembro bem, você às vezes começa com alunos ainda mais novos. Celia está bem mais adiantada do que estaria se não tivesse uma habilidade natural. Ela conseguiu levitar este relógio na primeira tentativa.

O homem de terno cinza volta a atenção para Celia.

— Você quebrou aquilo por acidente, não foi? — pergunta, indicando com o rosto o relógio sobre a mesa.

Celia franze a testa e confirma com o mais discreto dos gestos de cabeça.

— Ela tem um controle notável para alguém tão novo — comenta com Hector. — Mas esse tipo de temperamento é sempre uma variável infeliz. Pode levar a um comportamento impulsivo.

— Ou ela supera isso ou aprende a se controlar. É um pequeno detalhe.

O homem de terno cinza mantém os olhos na garota, mas se dirige a Hector ao falar. Aos ouvidos de Celia, os sons não se traduzem em palavras, e ela faz cara feia quando a resposta do pai apresenta as mesmas características confusas.

— Você apostaria sua própria filha?

— Ela não vai perder — replica Hector. — Sugiro que você encontre um aluno de quem aceite se separar, se é que já não tem algum dispensável.

— Imagino que a mãe dela não tenha uma opinião sobre o assunto.

— Sua suposição é correta.

O homem de terno cinza observa a garota por algum tempo antes de voltar a falar, e mais uma vez ela não compreende as palavras.

— Entendo a sua confiança nas aptidões dela, mas devo recomendar que ao menos considere a possibilidade de perdê-la, se a competição não a favorecer. Vou encontrar um jogador que represente um desafio para ela. Não haveria razão para eu concordar em participar se não fosse assim. A vitória dela não pode ser dada como certa.

— É um risco que estou disposto a correr — responde Hector sem nem mesmo olhar para a filha. — Se quiser tornar isso oficial aqui e agora, pode ir em frente.

O homem de terno cinza olha mais uma vez para Celia e, dessa vez, quando ele fala, ela entende as palavras.

— Muito bem — concorda com um aceno de cabeça.

— Ele fez com que eu não conseguisse entender — resmunga Celia quando o pai se vira em sua direção.

— Eu sei, querida, e não foi muito educado — diz Hector enquanto a encaminha para perto da poltrona, onde o homem a analisa com olhos quase tão claros e cinzentos quanto o seu terno.

— Você sempre foi capaz de fazer essas coisas? — pergunta ele, voltando a olhar para o relógio.

Celia assente com um gesto de cabeça.

— Minha... minha mãe dizia que eu era filha do diabo — responde em voz baixa.

O homem de terno cinza inclina-se e sussurra alguma coisa em seu ouvido, baixo demais para o pai ouvir. Um pequeno sorriso ilumina o rosto da garota.

— Estenda sua mão direita — pede ele, recostando-se na poltrona. Celia imediatamente estende a mão, palma para cima, sem saber o que esperar. Mas o homem de terno cinza não põe nada em sua mão aberta. Em vez disso, retira um anel de prata do próprio dedo mínimo. Coloca-o no anular da garota, embora seja largo demais para seus dedos finos, e mantém a outra mão em torno da cintura dela.

A garota está abrindo a boca para mencionar o fato óbvio de que o anel é grande demais, apesar de ser muito bonito, quando percebe que ele está encolhendo em sua mão.

Sua satisfação passageira com o ajuste é esmagada pela dor que se segue quando o anel continua a apertar seu dedo, o metal queimando a pele. Tenta afastar-se, mas o homem de terno cinza mantém a mão firme em torno da cintura dela.

O anel encolhe e desaparece, deixando apenas uma cicatriz avermelhada ao redor do dedo de Celia.

O homem de terno cinza solta a menina e ela dá um passo para trás, retira-se para um canto e examina a própria mão.

— Muito bem, garota — comenta o pai.

— Vou precisar de algum tempo para preparar um jogador do meu jeito — diz o homem de terno cinza.

— É claro — concorda Hector. — Você terá o tempo de que precisar. — Tira um anel de ouro da própria mão e o deposita em cima da mesa. — Para quando você encontrar o seu.

— Você não prefere fazer as honras pessoalmente?

— Eu confio em você.

O homem de terno cinza balança a cabeça e tira um lenço do paletó, pegando o anel sem tocá-lo e guardando-o no bolso.

— Espero que não esteja fazendo isso só porque meu jogador venceu o nosso último desafio.

— É claro que não — responde Hector. — Estou fazendo isso porque tenho uma jogadora que pode vencer qualquer um que você puser contra ela, e porque os tempos mudaram bastante para tornar isso interessante. Além disso, acredito que o placar geral tende a meu favor.

O homem de terno cinza não contesta aquela afirmação, apenas observa Celia com o mesmo olhar inquisidor. Ela tenta sair de seu campo de visão, mas a sala é pequena demais.

— Imagino que você já tenha um local em mente — pergunta.

— Não exatamente — responde Hector. — Achei que seria mais divertido deixar o local em aberto. Um elemento-surpresa, se preferir. Conheço um produtor teatral aqui em Londres que poderia organizar as excentricidades. Vou dar algumas indiretas quando chegar a hora, e estou certo de que ele vai pensar em algo apropriado. Melhor manter tudo em solo neutro, embora eu acredite que você poderia gostar de começar as coisas em seu território.

— E o nome desse cavalheiro?

— Lefèvre. Chandresh Christophe Lefèvre. Dizem que é filho ilegítimo de um príncipe hindu ou algo assim. A mãe era uma bailarina biscate. O cartão dele está em algum lugar nessa bagunça. Você vai gostar dele, é um tipo bem de vanguarda. Rico, excêntrico. Um pouco obsessivo, meio imprevisível, mas acho que isso faz parte de um temperamento artístico. — A pilha de papéis sobre uma mesa próxima agita-se até um único cartão de visita vir à tona e flutuar pela sala. Hector pega o cartão e o lê antes de entregá-lo ao homem de terno cinza. — Ele organiza festas maravilhosas.

O homem de terno cinza guarda o cartão no bolso sem nem ao menos olhar.

— Nunca ouvi falar dele — comenta. — E não aprecio exibições públicas. Vou pensar a respeito.

— Bobagem, metade da diversão é a exibição pública! Provoca tantas restrições, tantos parâmetros desafiadores com que se trabalhar...

O homem de terno cinza pensa um momento antes de balançar a cabeça.

— Nós temos uma cláusula de não confidencialidade? Seria justo, dado o meu conhecimento da sua escolha do jogador.

— Vamos deixar de lado quaisquer cláusulas além das regras básicas de interferência e ver o que acontece — diz Hector. — Estou querendo ir além dos limites desta vez. Sem prazo, também. Vou até lhe dar uma vantagem.

— Muito bem. Estamos combinados. Entrarei em contato. — O homem de terno cinza levanta-se e remove um pó invisível da manga. — Foi um prazer conhecê-la, Srta. Celia.

Celia faz outra reverência perfeita, sempre o observando com olhos alertas.

O homem de terno cinza toca no chapéu ao se despedir de Próspero, esgueira-se pela porta e depois para fora do teatro, movendo-se como uma sombra pela rua movimentada.

 

*

 

NO CAMARIM, Hector Bowen ri consigo mesmo enquanto a filha examina em silêncio a cicatriz na mão. A dor desaparecera tão rapidamente quanto o anel, mas a marca crua e avermelhada permanecera.

Hector pega o relógio de bolso de prata na mesa, comparando seu horário com o que fica na parede. Dá corda devagar, observando com atenção os ponteiros moverem-se pelo mostrador.

— Celia — começa a falar sem olhar para ela —, por que precisamos dar corda em nossos relógios?

— Porque tudo precisa de energia — recita ela, obediente, os olhos ainda focados na própria mão. — Temos que empregar esforço e energia em qualquer coisa que desejemos mudar.

— Muito bem. — Ele balança o relógio com delicadeza e o guarda no bolso.

— Por que você chamou o homem de Alexander? — pergunta Celia.

— Essa é uma pergunta boba.

— Não é o nome dele.

— Ora, ora, como você poderia saber disso? — pergunta Hector à filha, erguendo seu queixo para que ela o encare e comparando os olhos escuros dela com os seus.

Celia devolve seu olhar, sem saber como explicar. Repassa em sua memória as impressões do homem de terno cinza, com seus olhos claros e feições duras, tentando entender por que o nome não combina com ele.

— Não é um nome de verdade — responde. — Não é o nome que sempre teve. É um nome que ele usa como um chapéu. E pode tirar quando quiser. Como Próspero para você.

— Você é ainda mais esperta do que eu poderia esperar — observa Hector, sem se dar o trabalho de discordar ou confirmar suas considerações sobre o nome do seu colega. Tira a cartola da chapeleira e a põe na cabeça da menina, ocultando seus olhos indagadores sob uma prisão de seda negra.

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