O Retorno de Izabel

J. A. Redmerski · Capítulo 13 de 37

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O Retorno de Izabel

Capítulo Doze

 

Sarai

 

O treinamento começa dois dias depois, mas não da maneira que eu esperava. Não sei o que eu esperava, na verdade, mas com certeza não era isso.

— O que a gente está fazendo aqui? — pergunto quando paramos no estacionamento de uma academia de artes marciais a uma hora de Santa Fé.

— Krav maga — esclarece Victor, e olho como se ele estivesse falando outra língua. Ele fecha a porta do carro e andamos até a fachada do prédio. — Não vou conseguir dedicar cem por cento do meu tempo ao seu treinamento. Por isso, três dias por semana, vou trazer você aqui. Dá para aprender muita coisa com o krav maga em pouco tempo. E o foco é a defesa pessoal...

— O quê? — Paro na calçada antes de passarmos pela porta. — Não sou uma donzela em perigo que acaba de ser assaltada em um estacionamento escuro, Victor. Não preciso de aulas de defesa pessoal. Preciso aprender a matar.

— Matar é a parte fácil — rebate Victor, sem rodeios. Ele abre a porta de vidro e faz um gesto para eu entrar. — Chegar a esse ponto sem morrer tentando é a parte difícil.

— Então você quer que eu aprenda a dar um chute no saco de um cara? — pergunto, bufando de desdém. — Acredite, eu já sou perfeitamente capaz disso.

Um sorriso discreto aparece nos cantos de seus lábios deliciosos.

Nesse momento, um sujeito alto, moreno e com músculos bem-definidos se aproxima de nós no grande salão. As janelas no alto da parede deixam o sol entrar. Dois grupos de pessoas estão treinando em pares, formando um semicírculo em um enorme tatame preto estendido por boa parte do chão.

O homem de braços musculosos e camiseta preta estende a mão para Victor.

— Faz quanto tempo? Três anos? Quatro?

Victor aperta a mão dele com firmeza.

— Uns quatro, acredito.

O homem me olha por um momento, e então Victor nos apresenta.

— Spencer, esta é Izabel. Izabel, Spencer.

— Prazer — diz Spencer, estendendo a mão.

Relutante, aperto a mão dele. Eles se conhecem? Não sei se gosto disso ou não. De repente, sinto que aquilo é alguma armação. Sorrio com desdém para aquele brutamontes alto e simpático.

Victor se vira para mim e diz:

— Não tem ninguém melhor para treinar você em defesa pessoal do que Spencer. Você está em boas mãos.

Spencer abre um sorriso tão largo que, se fosse um pouco maior, acho que daria para engolir minha cabeça. Ele está com os braços musculosos à sua frente, com as mãos cruzadas. As veias, grossas como cordas, que percorrem suas mãos e seus braços bem bronzeados me lembram das de um fisiculturista, mas ele não tem esse tamanho todo. Só é maior do que eu, o que me intimida mais.

Levanto um dedo para Spencer.

— Você nos dá licença um minutinho?

— Claro — responde ele.

Percebo o leve sorriso que ele dá para Victor.

Pego Victor pela mão e o puxo para o lado. Ao fundo, ouço, de maneira constante, corpos sendo jogados naquele tatame preto e a voz de um instrutor entoando comandos repetitivos e mandando os alunos fazerem “de novo”.

— Victor, acho que isto é perda de tempo. Não sei por que você me trouxe aqui. — Cruzo os braços. — Quero aprender essas coisas com você, não com um cara aleatório do tamanho de um ônibus. — Olho por cima do ombro, torcendo para que Spencer não tenha ouvido, embora eu tenha tomado o cuidado de sussurrar.

— Preciso me encontrar com Fredrik daqui a uma hora — explica Victor.

— Ah, então você vai me deixar com uma babá? — Franzo o cenho e balanço a cabeça para ele, totalmente incrédula, para não dizer ofendida.

— Não, não é isso.

— Mas eu quero que você me ensine — repito, forçando as palavras com rispidez entre meus dentes cerrados.

Victor suspira e balança a cabeça, parecendo aborrecido e frustrado comigo.

— Você não tem disciplina. Nenhuma. Igualzinha ao meu irmão. — Isso fere o meu orgulho. — Como vou ensinar alguma coisa para você, se não é capaz nem de fazer as coisas mais simples que eu peço?

Na mesma hora, me arrependo por agir feito uma criança. Solto um suspiro de resignação.

— Desculpe — digo, baixinho. — Pensei que fosse treinar com você, só isso.

— Você vai treinar comigo — garante Victor, pondo as mãos nos meus ombros. — Mas por enquanto precisa aprender o básico. E esta é a melhor maneira.

— Mas por que você não pode me ensinar o básico? — pergunto, com o mesmo tom resignado de antes. — Por que precisa ser ele?

Victor se inclina e beija de leve o canto da minha boca.

— Porque Spencer não tem medo de machucar você — explica ele, e isso me surpreende um pouco. — E não quero fazer isso, se eu puder evitar. Você só vai aprender se for real.

Arregalo os olhos.

— Espere aí... Então você está dizendo que aquele tanque de guerra — digo, apontando por cima do ombro com o polegar — vai me bater de verdade?

— Sim. É para isso que ele está sendo pago.

Parece que meu queixo acaba de bater no chão. De repente, sinto um calafrio percorrer minha espinha.

— Você não é obrigada a fazer isso, Sarai, mas, se realmente é o seu desejo, quero que vá com tudo. Não faça de qualquer jeito. Na vida real, quem atacar você não vai facilitar as coisas — afirma Victor, enquanto me encara com atenção, querendo desesperadamente que eu o entenda e confie nele. — Vou treinar com você no momento certo. Mas, quando eu fizer isso, vai ser brutal, Sarai. Vou atacar com a mesma força que um agressor de verdade usaria. Aprenda o básico primeiro, domine algumas habilidades para conseguir me enfrentar, e vou me sentir melhor para treinar você pessoalmente. Entendeu?

— É, acho que sim — respondo, assentindo. E estou sendo sincera.

Entendo perfeitamente agora. Nem me lembro da última vez que estive tão nervosa para fazer alguma coisa. Mas Spencer, o tanque, não me assusta tanto, na verdade, porque lá no fundo sei que, mesmo que Victor esteja lhe pagando para não facilitar comigo, ele não vai usar toda a sua força em mim. Se usasse, me mataria.

— Você quer ficar? — pergunta Victor.

— Quero.

— Ótimo.

Ele se inclina para meus lábios de novo e me beija com intensidade, tirando meu fôlego. Chocada por essa demonstração pública de afeto tão atípica, fico sem palavras quando ele desgruda os lábios dos meus.

— Volto para buscar você daqui a algumas horas.

— Tudo bem.

Nós voltamos para perto de Spencer, que parece um tanto empolgado para começar a treinar comigo, como se eu fosse um brinquedo novinho em folha com o qual ele não vê a hora de brincar.

— Pronta para começar a aprender krav maga? — pergunta Spencer.

— Estou — respondo, e meu olhar vai até as pessoas lutando no tatame preto atrás dele.

— Tem certeza de que você aguenta?

Quero dizer que sim com confiança, porque, afinal de contas, sempre imaginei que aulas de defesa pessoal consistissem em nada mais do que bloquear golpes, bater e sinalizar aos outros onde estou. Sempre imaginei mulheres comuns, que nunca lutaram na vida, todas de pé em um círculo, esperando a vez para derrubar o instrutor com alguns golpes “úteis”. Contudo, ao observar o grupo que está treinando atrás de Spencer, a intensidade agressiva e a violência de alguns golpes, começo a achar que esse tipo de defesa pessoal é bem diferente.

— Deve ser simples — digo, sem a segurança que queria.

— Se você diz — responde Spencer, com um sorriso conivente que deixa meus nervos ainda mais em frangalhos.

Mas não estou com medo. Nervosa, sim, mas não com medo. Estou pronta para fazer isso. Começo até a ficar ansiosa. Quero provar a Victor que dou conta.

E quero provar a ele que não sou nada parecida com seu irmão.

Victor vai embora. Antes do fim da primeira hora, estou exausta e tão dolorida que mal consigo andar em linha reta sem cambalear.

 

— Sempre se defenda e ataque ao mesmo tempo — explica Spencer, em pé, enquanto estou deitada no tatame e querendo me encolher em posição fetal. — E nunca vá para o chão. Isto não é luta greco-romana, Izabel. Se você vai para o chão, você morre.

Sem fôlego e tentando controlar a dor intensa que queima minha panturrilha, me levanto.

— Me ataque — ordena ele, elevando a voz acima dos poucos gritos de quem ainda assiste à aula depois da segunda hora. — Se não me atacar, eu ataco você!

Estou exausta demais.

— Não consigo! — Desisto e caio de bunda no tatame. — É demais. Hoje é meu primeiro dia e parece que é minha primeira luta de verdade. Cadê a parte em que você me mostra o que fazer e me ensina a dar os golpes?

— O que você quer mesmo é que eu pegue leve com você, não é?

— Isso! Cadê as instruções? As regras?

Minhas costas estão me matando. Deito no tatame, abrindo os braços acima da cabeça, e olho para o teto iluminado. Não quero mais saber de Spencer e de seu treinamento de imersão total. Só quero descansar.

As lâmpadas fluorescentes do teto começam a se mover depressa quando sinto de repente que estou sendo arrastada pelo tornozelo.

— Não há regras no krav maga — ouço Spencer dizer, mas percebo, meio segundo depois, que não é ele quem está me arrastando.

É uma mulher, com cabelo castanho-claro preso em um rabo de cavalo. Confusa com a mudança, fico distraída demais para notar o pé dela atingindo meu estômago. Berro de dor, me dobrando para a frente ao levantar as pernas e as costas do tatame ao mesmo tempo, com os braços cruzados sobre o abdômen. O golpe expulsa todo o ar dos meus pulmões.

— CHEGA! — grita Spencer, em algum lugar atrás de mim.

Sinto que vou vomitar.

A mulher para no mesmo instante e dá alguns passos para trás.

— Levante — manda Spencer, e decifro, em meio à dor que acaba com meu tórax, que sua voz está muito mais perto do que antes.

Ergo a cabeça e o vejo agachado ao meu lado.

— Vou deixar você recuperar o fôlego — diz ele, baixinho, oferecendo a mão. — Esta é Jacquelyn. Minha mulher.

Pego no antebraço dele, ele me segura e me põe de pé.

— Muito prazer — digo a ela, fazendo uma careta horrorosa de dor. — Ou em conhecer o seu pé, pelo menos.

Ela dá uma risadinha.

— O seu namorado me pagou para encher você de porrada, basicamente — afirma Spencer. — Mas, como não tenho o hábito de bater em mulher, achei melhor deixar minha esposa fazer as honras para que eu pudesse receber o pagamento do mesmo jeito.

— É a melhor maneira de aprender — intervém Jacquelyn. — Esse seu homem sabe o que está fazendo. É brutal? Claro. Necessário para sobreviver a situações de combate corpo a corpo? Com certeza. Indicado para peruazinhas delicadas que ficam pulando e gritando de medo quando veem uma aranha? Nem fodendo.

— Bom, eu não sou uma dessas — digo, com frieza. — Disso você pode ter certeza.

— Então prove — provoca ela, curvando-se para a frente com as mãos semiabertas ao lado do corpo. — Lembre, o krav maga não tem regras. Sempre defenda e ataque ao mesmo tempo. Sempre lute com agressividade. E nunca vá para o chão.

— Ok, essa parte eu entendi. Se eu for para o chão, estou morta.

Jacquelyn praticamente me dá uma surra durante o resto da aula. E, quando Victor finalmente chega para me buscar, meu nariz e meu lábio estão sangrando, meu olho direito está roxo e latejando e acho que quebrei um dente.

Isso continua dia sim, dia não pelas duas semanas seguintes.

Não levei muito tempo para ficar boa no krav maga. Spencer diz que tenho um talento natural e que devo ter “dispensado as Barbies quando era criança”.

Ele não faz nem ideia...

Estou ficando muito mais forte, muito melhor na minha técnica. Em certo momento, até consegui machucar Jacquelyn ao enfiar o cotovelo nas costelas dela. Acho que quebrei algumas, mas ela não admite. Não por orgulho, mas porque não acha certo reclamar nem deixar algo tão insignificante quanto uma costela fraturada impedir que ela lute.

Também não demorou para que eu começasse a simpatizar com ela. Quando Jacquelyn não está me enfiando a porrada, até gosto de sua companhia.

Só duas semanas se passaram. Até agora, não fiz nada além de treinar com Jacquelyn e aprender a usar armas com Victor. Ainda assim, apesar de curtir o treino e esperá-lo ansiosamente todo dia, fico frustrada por estar demorando tanto. Eu esperava que Hamburg e Stephens já estivessem mortos faz tempo, a essa altura.

Estou ficando impaciente.

— Victor, eu não pretendo lutar com Hamburg e Stephens. Só quero matá-los. Mais nada. Não entendo por que você está me fazendo passar por tudo isso.

Victor se descobre e sai da cama, andando nu pelo quarto.

Em silêncio, admiro a visão.

— Tem mais coisas envolvidas nisso do que você imagina — diz ele, desaparecendo ao entrar no banheiro.

Aquilo com certeza desperta meu interesse.

Eu me levanto e grito:

— É mesmo?

Jogo o lençol no chão e ando depressa atrás dele, parando à porta do banheiro e me apoiando no batente. Ele está abrindo a água do chuveiro.

Victor fecha o boxe de vidro, deixando a água correr por um momento, e então se vira para mim.

— Você não está fazendo todo esse treinamento só para matar Hamburg e Stephens. Se vai ficar comigo, independentemente de como vai ocupar o seu tempo, precisa aprender a lutar. Precisa saber identificar, diferenciar, carregar e disparar praticamente qualquer tipo de arma. Há muitas coisas que você precisa saber, e não temos tempo suficiente para aprender metade delas. — Ele abre a porta do boxe e estende o braço, deixando a água correr sobre a mão para sentir a temperatura.

Ele acrescenta:

— Esse treinamento não tem muito a ver com Hamburg e Stephens. Quero que você esteja sempre segura, por isso é vital que aprenda essas coisas agora.

Abro um sorriso leve, saboreando o momento. Quando nos conhecemos, eu não imaginava que Victor tivesse um só traço de preocupação ou emoção no corpo. Mas a cada dia testemunho que ele está se abrindo mais para mim. E vejo que isso está se tornando mais fácil para ele.

Volto ao assunto em questão, mas o que eu gostaria mesmo de fazer, a essa altura, é beijá-lo.

— Mas por que isso está demorando tanto? Quero acabar com essa história de uma vez.

Entro no banheiro e me sento na bancada da pia, apenas de calcinha.

— Porque, enquanto eu elaboro um plano para você chegar perto dos dois e matá-los, você precisa treinar, ocupar seu tempo o máximo possível. — Victor se aproxima de mim e segura meu rosto com as mãos. — Só estar no mesmo quarto comigo, só me conhecer, Sarai, já é uma sentença de morte diária. Cada vez que você sai por aquela porta, corre o risco de levar um tiro. O único motivo pelo qual a Ordem ainda não me encontrou é que Niklas é o único agente atrás de mim. Quer dizer, por enquanto. Ele não quer que ninguém mais me ache. Ele quer levar o crédito. O reconhecimento. Sobretudo porque foi ele o contratado para acabar comigo. — Victor pressiona os lábios na minha testa. Fecho os olhos, levanto os braços e seguro os pulsos dele. — Mas um dia, provavelmente daqui a pouco, vou ter que enfrentar meu irmão, pois a Ordem não vai dar todo o tempo do mundo para ele cumprir a missão. Ou ele me encontra ou eu o encontro. E um de nós vai morrer.

Com os dedos ainda envolvendo os pulsos dele, afasto delicadamente suas mãos do meu rosto. Olho para aqueles lindos olhos verde-azulados, perplexa, inclinando a cabeça para um lado.

— Por que não deixa isso para lá? Victor, entendo você querer matar Niklas antes que ele mate você, mas por que correr o risco de morrer procurando briga?

O vapor começa a encher o banheiro, embaçando o grande espelho acima do balcão, atrás de mim.

— Porque se Niklas não me encontrar, se não conseguir cumprir o primeiro contrato oficial desde que foi promovido a agente sob o comando de Vonnegut, eles vão matá-lo. — Victor apoia as mãos na bancada, à minha direita e à minha esquerda. — Ninguém, a não ser eu, vai matar meu irmão. Não me importa o que ele fez ou as diferenças que temos, ainda é meu irmão.

Faço que sim, compreensiva.

— Tudo bem, então quando tudo isso vai acontecer? Esse... confronto com Niklas? Minha chance de matar Hamburg e Stephens?

Victor abre um sorriso malicioso e eu passo as pontas dos dedos em seus lábios. Ele segura minha mão e beija meus dedos.

— Vamos ter que trabalhar nesse seu problema, Sarai. A sua impaciência e, claro, como já falei, a indisciplina. É o próximo item da nossa agenda.

— Não consigo evitar a impaciência. Aqueles dois babacas horríveis continuam por aí, levando uma vida de luxo, fazendo só Deus sabe o quê com sabe-se lá quantas mulheres. Isso sem falar que estão me procurando. Mataram meus amigos por minha causa. Dina continua escondida longe da casa dela e está com medo. A vida dela foi virada de cabeça para baixo por causa deles. Por minha causa. Quero que eles morram para que pelo menos Dina possa seguir a vida.

— O que você vai dizer para ela? — pergunta Victor. — Quando se encontrar com ela hoje, o que vai dizer?

Desvio o olhar e vejo o vapor revestir as altas paredes de vidro do boxe, ondulando acima do chuveiro em nuvens suaves. Começo a suar um pouco, o rosto, o pescoço e o colo úmidos.

— Vou contar a verdade para ela.

— Você acha uma boa ideia?

Encaro Victor.

— Acho justo. Ela é praticamente minha mãe. Fez muito por mim. Eu devo a verdade a ela. — Sorrio e acrescento: — Além disso, se você não concordasse com minha decisão de contar a verdade, já teria deixado isso bem claro, a essa altura.

Victor retribui meu sorriso e me segura pela cintura, me ajudando a descer da bancada.

— Acho que é melhor a gente se arrumar, se quiser chegar lá a tempo — observa ele, e me leva até o chuveiro. Tiro a calcinha antes de entrar no boxe com ele.

Victor disse a Dina e a mim que me levaria para vê-la alguns dias depois de o contato de Fredrik a tirar de Lake Havasu City. Mas as coisas não saíram conforme planejamos. Victor e Fredrik concordaram que era arriscado e cedo demais. Uma noite, ouvi os dois conversando sobre Dina e sobre como ela poderia estar sendo vigiada no dia em que o contato de Fredrik chegou para buscá-la. Victor queria ter certeza de que isso não havia acontecido, e que, se qualquer um de nós aparecesse por acaso no esconderijo de Dina, não cairia em uma armadilha. Mas, à medida que os dias passaram e Fredrik continuou vigiando a casa onde Dina estava se escondendo, ele e Victor tiveram certeza de que ela era, de fato, segura.

Hoje, enfim, vou vê-la pela primeira vez desde que viajei com Eric e Dahlia para Los Angeles.