O Retorno de Izabel
Capítulo Catorze
Sarai
— Você deveria fazer um prato — digo para Victor quando ele surge no corredor. — Dina cozinha muito bem. Até melhor do que Marta. Mas não diga a Marta que eu falei isso. — Enfio uma enorme colherada da caçarola de feijão na boca.
Dina, sentada ao meu lado no sofá, aponta para Victor.
— Ela é suspeita. Mas, se você está com fome, é melhor comer antes que acabe.
— Precisamos conversar — anuncia Victor, de pé no meio da sala e bem na frente da TV.
Não gosto do tom dele.
— Tudo bem — digo, desencostando do sofá e deixando o prato na mesinha de centro. — Sobre o quê?
Victor olha de relance para Amelia. Ela está sentada na poltrona à minha frente, pegando um pedaço de pão de milho. Tenho a sensação de que Victor não quer que ela ouça a conversa.
— Amelia — diz Victor, enfiando a mão no bolso de trás da calça e pegando a carteira de couro —, preciso que você saia um pouco de casa. — Ele mexe na carteira, tira um pequeno maço de notas de 100 dólares e o deixa na mesa diante dela. — Se você não se importar.
Amelia olha para o dinheiro, apoia o garfo no prato e conta as cédulas.
— Sem problemas — concorda ela, com um sorriso satisfeito. Então se levanta, pega o prato e a lata de refrigerante e desaparece na cozinha.
Ouço o garfo raspando os restos de comida do prato para o lixo e a cerâmica tilintando no fundo da pia. Amelia passa por nós e segue até o corredor.
— Mas preciso que você saia agora mesmo — reitera Victor. — Não precisa trocar de roupa nem se arrumar.
— Posso pelo menos calçar a droga de um sapato? — pergunta ela, ríspida.
— Claro — responde Victor, assentindo. — Mas, por favor, não demore.
Amelia vai até o fim do corredor, resmungando irritada. Minutos depois, ela liga o carro e vai embora.
Victor olha para mim e para Dina.
— Não podemos ficar tanto tempo quanto o planejado — informa ele.
Dina também larga o prato e suspira com tristeza.
— Por que não? — pergunto.
— Surgiu um problema.
Olho para o meu prato, e o brilho metálico do garfo perde foco à medida que mergulho em pensamentos. Achei que teria tempo para encontrar a forma certa de contar para Dina tudo o que eu planejava contar. Agora estou desesperada tentando imaginar como começar a primeira frase.
— Dina — digo, respirando fundo. Eu me viro de lado para encará-la. — Eu matei um cara, meses atrás. — O rosto de Dina parece ficar rígido. — Foi em legítima defesa. Eu, hum... — Olho para Victor. Ele assente de leve, me motivando a continuar e garantindo que está tudo bem, embora eu saiba que ele não concorda cem por cento com o que estou fazendo. — Aliás, também matei um cara em Los Angeles na noite em que Dahlia e Eric foram encontrados mortos.
Dina ergue a mão enrugada e cobre a boca.
— Ah, Sarai... Você... o que você está...
— Dahlia e Eric foram assassinados por minha causa — interrompo, porque é evidente que ela não sabe o que dizer. — Não só a polícia de Los Angeles está atrás de mim para me interrogar, já que eu estava com eles, mas também os homens que mataram os dois estão na minha cola. É por isso que você está aqui.
— Meu Deus do céu. — Dina balança a cabeça sem parar, tira os dedos da boca e aperta os olhos cheios de pés de galinha em uma expressão preocupada.
Seguro a mão dela, que é fria e macia.
— Tem muita coisa que você não sabe. Onde eu estava de fato durante os nove anos em que minha mãe e eu ficamos desaparecidas. O que realmente aconteceu comigo. E com minha mãe. E eu não levei um tiro de um ex-namorado daquela vez em que Victor levou você para o hospital em Los Angeles. Eu levei um tiro de... — Olho para Victor de novo, mas decido por mim mesma não revelar essa informação. Ela não precisa saber de Niklas nem no que Victor e ele estão envolvidos. — Foi outra pessoa que atirou em mim. É uma história muito longa que você vai saber um dia, mas por enquanto só quero que você saiba a verdade sobre mim. — Passo os dedos com carinho nas costas da mão dela. — Você é a única mãe de verdade que eu tive. Fez tanta coisa por mim, sempre me apoiou, e eu devo essa honestidade a você.
Dina segura minha mão entre as dela.
— O que aconteceu com você, menina? — pergunta, com tanta dor e preocupação na voz que sinto um nó na garganta.
Começo a contar tudo, tanto quanto posso sem revelar qualquer informação sobre Victor e Niklas. Conto sobre o México e sobre as coisas que vi e vivi por lá. Conto sobre Lydia e sobre não conseguir salvá-la, apesar de ter lutado tanto. Omito sobretudo as relações sexuais que eu tinha com o cara que me mantinha presa, Javier Ruiz, um chefão mexicano do tráfico de drogas, armas e escravas, e só digo que eu estava lá contra a minha vontade e fui obrigada a fazer coisas que não queria. Dina cai no choro e me abraça forte, me balançando apertada contra o peito, como se eu é que estivesse chorando e precisasse de um ombro amigo. Ao menos dessa vez, contudo, não estou chorando. Só me sinto péssima por ter que contar tudo isso a ela, pois sei que isso a magoa muito.
Minutos depois, quando termino de contar tudo o que posso, Dina está sentada na beira do sofá, parecendo ligeiramente em choque. Mas ela está mais preocupada do que qualquer outra coisa.
Ela olha para Victor.
— Quanto tempo vou precisar ficar aqui? Gostaria muito de ir para casa. E quero levar Sarai.
— Isso não é uma boa ideia — argumenta Victor. — E quanto a Sarai, ela vai ter que ficar comigo. Por tempo indeterminado.
Engulo em seco ao ouvir as palavras dele, sabendo que Dina não vai aceitar isso.
— Então... Mas então o que isso significa? — pergunta ela, nervosa, voltando sua atenção somente para mim. — Sarai, você nunca mais vai voltar para casa?
Balanço a cabeça, cheia de culpa.
— Não, Dina, eu não posso. Preciso ficar com Victor. Estou mais segura com ele. E você está mais segura sem mim.
Dina balança a cabeça com ar solene.
— Você vai me visitar?
— Claro que vou. — Aperto a mão dela com delicadeza. — Eu nunca abandonaria você para sempre.
— Entendo — afirma ela, esforçando-se para aceitar.
Dina se volta para Victor.
— Mas eu não posso ficar na casa dessa mulher. Se você só me trouxe para cá para me proteger, prefiro voltar para casa. Não tenho medo desses homens. — Ela fica de pé e olha para mim. — Sarai, querida, eu nunca contaria nada para a polícia. Espero que acredite nisso.
Também me levanto.
— Sim, Dina, eu sei que você não contaria. O motivo para você estar aqui não tem nada a ver com a minha confiança em você. Trouxemos você para cá porque queremos que fique segura. Se alguma coisa acontecesse com você, principalmente por minha causa, eu jamais me perdoaria. Você é tudo o que me resta. Você e Victor. Você é minha família e eu não posso perdê-la.
— Mas eu não posso ficar aqui, querida. Já fiquei tempo demais. Amelia é gentil comigo, mas aqui não é a minha casa, e não quero ficar mais tempo do que ela quer que eu fique. Sinto como se minha presença fosse um fardo. Sinto falta das minhas plantas e da minha caneca de café favorita.
— Sra. Gregory — intervém Victor, impaciente, mas ainda respeitando os sentimentos dela. Ela se vira, mas ele faz uma pausa como se refletisse sobre algo. — Sarai não vai ficar segura se tiver que se preocupar com a sua segurança. Estou dizendo desde já: se a senhora voltar para casa, eles vão encontrar e matar a senhora assim que a virem, ou pior, vão sequestrá-la, torturá-la, gravar tudo em vídeo e usar as imagens para atingir Sarai. Entende o que estou dizendo?
A expressão grave e determinada de Dina desmorona sob um véu de sofrimento e resignação. Ela se vira para mim, com o semblante distorcido pela dor. Talvez esteja me pedindo uma confirmação das palavras de Victor, esperando que eu suavize a situação, que eu diga que ele só está sendo dramático. Mas não posso fazer isso. O que ele disse, embora brutal e sem rodeios, é exatamente o que ela precisa ouvir.
— Ele tem razão. Olhe, a gente vai dar um jeito nesses caras logo, tudo bem? Só preciso que você fique quietinha por mais um tempo, até a gente conseguir fazer isso.
— Mas concordo com a senhora — pondera Victor —, acho que não deve mais ficar aqui.
Dina e eu olhamos para ele ao mesmo tempo.
Victor continua:
— Quando estamos nos escondendo e ficamos tempo demais no mesmo lugar, com certeza somos encontrados.
— Então aonde ela deve ir? — pergunto, com várias possibilidades girando na cabeça, nenhuma das quais parece plausível. — Não me diga que quer levar Dina com a gente. Por mais que eu fosse adorar...
— Não, ela não pode ir com a gente — concorda Victor —, mas posso arranjar uma casa só para ela. Já fiz isso antes.
Afinal, Victor providenciou a casa em Lake Havasu City para mim e Dina.
— Mas você não disse que surgiu um problema e que a gente precisa ir embora antes do planejado? Não dá tempo de encontrar outra casa para ela. Isso levaria dias.
— Eu tenho uma casa — afirma Victor. — Fica longe do Arizona, mas acho que seria melhor para a senhora não ficar aqui por enquanto. O contato de Fredrik, o mesmo sujeito que trouxe a senhora para cá, pode levá-la a esse lugar. Está disposta a se mudar?
Dina se reclina no sofá, apertando as mãos uma na outra e as enfiando entre as pernas, vestidas em uma calça bege.
Eu me sento ao lado dela.
— Por favor, faça isso — peço a ela. — Vou me sentir muito melhor sabendo que você está segura.
Dina fica em silêncio por um longo momento, mas finalmente aceita.
— Estou velha demais para tanta emoção, mas tudo bem, eu vou. Só faço isso por você, Sarai.
Eu me inclino e a abraço.
— Eu sei, e é por isso que eu amo você.
— Onde fica a casa? — pergunto depois que deixamos Dina na casa de Amelia e pegamos a estrada. Ele não quis dizer antes a localização em voz alta, provavelmente porque não confiava no ambiente.
— Em Tulsa — responde Victor. — Tenho algumas casas espalhadas por aí, essa é uma delas. Nada luxuoso como a casa de Santa Fé, mas dá para morar nela, é aconchegante, e só a gente sabe que ela existe.
— Quem é esse contato de Fredrik, afinal?
— Ele não faz parte da Ordem, se é o que você quer saber. É só alguém que Fredrik conhece, um pouco como Amelia.
— Se não fazem parte da Ordem, quem eles são?
Victor me lança um olhar do banco do motorista.
— Amelia é só uma espécie de ex-namorada de Fredrik. Como os abrigos administrados pela Ordem, a casa de Amelia tem a mesma função. Mas temos muito menos preocupações em relação a ela, que nem sabe o que é a Ordem. Só o que ela tem é uma obsessão doentia por Fredrik e faz qualquer coisa que ele pedir.
— Ah, entendo — digo, embora não saiba direito se entendi. — Ela parece pegajosa.
— Pode-se dizer que sim.
— E o cara? Aquele que vai levar Dina até Tulsa?
Victor olha para a estrada, com uma das mãos relaxada na parte de baixo do volante.
— Ele é um dos nossos funcionários, na verdade. Um dentre uns vinte contatos que recrutamos desde que eu saí da Ordem. Nenhum deles sabe mais do que o necessário. Fredrik ou eu damos uma ordem, e, como em um emprego qualquer, eles obedecem. Claro que trabalhar com a gente é bem diferente de qualquer outro emprego, mas você entendeu.
— Eles não sabem o risco que correm por se envolver com você e Fredrik? E como vocês fazem para eles seguirem as ordens de vocês? O que eles fazem exatamente, além de levar Dina para um lugar qualquer, assim, do nada?
— Você está cheia de perguntas. — Victor sorri para mim. Uma carreta passa em disparada no sentido oposto, cegando-nos com os faróis altos. — Eles sabem do perigo, até certo ponto. Sabem que estão trabalhando para uma organização particular e são proibidos de falar sobre ela, mas nenhum dos nossos recrutas desconhece a discrição e a disciplina. Alguns são ex-militares, e todos foram escolhidos a dedo por mim. Depois de uma verificação completa do passado deles, é claro. — Victor faz uma pausa e acrescenta: — E eles fazem tudo o que pedimos, mas, para não metê-los em encrenca e proteger nossa operação, costumamos só pagar por tarefas simples. Vigilância. Compra de imóveis, veículos. E levar a sra. Gregory para um lugar qualquer, assim, do nada. — Victor sorri para mim de novo. — Como garantimos que eles sigam nossas ordens? O dinheiro é uma maneira formidável de influenciar pessoas. Eles são bem remunerados.
Apoio a cabeça no banco e tento esticar as pernas no chão do carro, já temendo a viagem longa.
— Um dos nossos homens estava no restaurante de Hamburg na noite em que eu encontrei você.
Tão depressa quanto apoiei a cabeça, levanto-a de novo e olho para Victor, em busca de mais explicações.
— A sra. Gregory só me ligou depois que você foi para Los Angeles — esclarece ele. — Eu estava no Brasil em uma missão, ainda procurando meu alvo depois de duas semanas. Fui embora assim que recebi a ligação da sra. Gregory, mas sabia que provavelmente não encontraria você a tempo, então entrei em contato com dois dos nossos homens que estavam em Los Angeles, dei a eles a sua descrição e alertei para que vigiassem o restaurante e a mansão de Hamburg. Eu sabia que você iria para um dos dois lugares.
Eu me lembro do homem atrás do restaurante depois que matei o segurança. O homem que misteriosamente me deixou fugir.
— Eu vi o cara. Fugi pela saída dos fundos e ele estava lá. Pensei que ele fosse um dos homens de Hamburg.
— Ele é — rebate Victor.
Pisco, atordoada.
— Ele e o outro homem foram dois dos meus primeiros recrutas. Los Angeles era a minha prioridade quando tudo isso começou.
— Você sabia que eu iria para lá.
Embora eu não queira tirar conclusões precipitadas e parecer iludida, sei que é verdade. Meu coração começa a bater como um punho quente. Saber a verdade, saber que Victor estava, durante todo aquele tempo, pensando em mim mais do que eu jamais poderia imaginar me deixa feliz e culpada. Culpada porque o acusei de me abandonar.
— Eu esperava que você esquecesse essa história. Mas, no fundo, sabia que você voltaria lá.
Ficamos em silêncio por um instante.
— Ele está bem? — pergunto, sobre o homem nos fundos do restaurante.
Victor assente.
— Está ótimo. Ele tinha sido contratado por Hamburg meses antes. Conhecia a planta do restaurante e sabia que a única saída alternativa da sala de Hamburg no andar de cima era a dos fundos. A propósito, ele quer pedir desculpa.
— Como assim? Ele me ajudou a fugir.
— A ordem que eu dei a ele foi para não deixar de jeito nenhum que você entrasse naquela sala. Foi a peruca platinada. Ele sabia que você tem cabelo castanho-avermelhado e comprido, não curto e louro. Quando ele se deu conta de quem era, Stephens já estava levando você. Ele não podia entrar porque a sala estava sendo vigiada, por isso foi até os fundos do restaurante, torcendo para conseguir entrar por ali de alguma forma, mas havia outros dois homens de guarda. Eles puxaram conversa e o seguraram ali, até que por fim ele os convenceu a deixá-lo vigiar o lugar sozinho. Logo depois, você saiu pela porta dos fundos.
Respiro fundo e apoio a cabeça no banco de novo.
— Bom, diga a ele que não precisa pedir desculpa. Mas por que ele não me disse logo quem era? Ou não me levou até você?
— Ele precisava segurar o Stephens tempo suficiente para você conseguir fugir, e o fato de ele continuar trabalhando para Hamburg ajuda. Ele não sabe o que os dois planejam nem coisa alguma sobre as operações. É só um segurança, nada além disso. Mas está lá dentro, e isso já é valioso para a gente.
Desafivelo meu cinto de segurança e me esgueiro entre os bancos da frente com a bunda empinada (de um jeito bem deselegante para uma dama, admito) para alcançar o banco de trás. Flagro Victor admirando a cena enquanto me espremo para passar, e isso me faz corar.
— Só tenho mais uma pergunta a acrescentar à lista.
— O que seria? — pergunta ele, zombando de mim.
— Por quanto tempo a gente vai ter que viajar assim? — Estico as pernas no banco de trás e me deito. — Sinto muita falta dos jatinhos particulares. Essas viagens longas de carro vão acabar me matando.
Victor ri. Acho isso incrivelmente sexy.
— Você está dormindo com um assassino, fugindo todo dia de homens que querem matar você e acha que vai morrer por falta de conforto. — Ele ri de novo, e isso me faz sorrir.
— É, acho — digo, me sentindo só um pouco ridícula. Não posso negar a realidade, afinal, por mais sem sentido que ela seja.
— Não vai ser por muito mais tempo — responde Victor. — Não podemos chamar atenção até que eu consiga me livrar completamente de Vonnegut. Ele tem contatos em muitas áreas, e transportes luxuosos, confortáveis e secretos estão no topo de sua lista de prioridades, por motivos óbvios. Dou menos na vista viajando de trem do que de jatinho particular.
Satisfeita com a resposta, não digo mais nada sobre o assunto e olho para cima, para o teto escuro do carro.
— Só para constar — digo, mudando de assunto —, eu não estou só dormindo com um assassino. Estou muito envolvida com ele.
— É mesmo? — pergunta Victor, e sei que ele está sorrindo.
— Sim, temo que seja verdade — digo, em tom de brincadeira, como se fosse algo ruim. — E é um envolvimento bem pouco saudável.
— É mesmo? Por que você acha isso?
Suspiro, dramática.
— Ah, sei lá. Talvez porque ele nunca vai conseguir se livrar de mim.
— Pegajosa. Como Amelia — provoca Victor, tentando me irritar.
E ele consegue. Eu me levanto um pouco e dou um soco de leve em seu ombro. Ele se encolhe, fingindo dor, mesmo com um sorriso largo no rosto.
— Longe disso — digo, e volto a me deitar. — Nem ferrando que eu vou fazer tudo o que ele quer, como a Amelia.
Victor ri baixinho.
— Bem, pelo jeito ele vai ter que aguentar você para sempre, então.
— Vai, e para sempre é muito tempo.
Ele faz uma pausa e então diz:
— Bom, só para constar, algo me diz que ele não gostaria que fosse diferente.
Adormeço no banco de trás muito tempo depois, com um sorriso no rosto que pareceu continuar ali pelo resto da noite.