Obras Posthumas
Soneto XII.
A huma Camponeza.
SONETO XII.
Não morão em palacios estucados
Almas singelas, almas extremosas:
Nutrem da Corte as damas
enganosas
Em tenros peitos corações
dobrados.
Venhão por longos mares conquistados
As Indianas sedas preciosas:
Cubrão-lhe as carnes alvas, e
mimosas
Ricos vestidos em Paris bordados.
São isto effeitos da arte, e da ventura:
Estimo mais que toda a vã
grandeza
Hum limpo coração, huma alma
pura.
Não na Corte; das serras na aspereza
Fui achar innocencia, e formosura,
Sagrados dons da simples
Natureza.
A huma Dama interesseira.