Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 41 de 63

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Obras Posthumas

Mote.

 

Quem adora occultamente

Sem declarar seu amor

Sente mil ancias no peito,

Vive cercado de dôr.

 

GLOZA.

 

Por que barbara razão

Hum justo amor se reprime,

E ha de julgar-se por crime

Pôr na boca o coração?

Claros olhos ferir vão

Hum coração innocente;

Nem ao triste se consente

Dar sinaes de seu cuidado!

Deoses! quanto he desgraçado

Quem adora occultamente!

No peito a chamma accendida

As entranhas lhe abrazou;

Mas da ingrata, que a ateou,

He crime ser percebida.

Se deita sangue a ferida

Á vista do matador,

Vejão de que nova dôr

Sente o triste a alma cortada,

Fallando co'a sua Amada

Sem declarar seu amor!

Arde em hum fogo escondido: