Obras Posthumas
Mote.
Quem adora occultamente
Sem declarar seu amor
Sente mil ancias no peito,
Vive cercado de dôr.
GLOZA.
Por que barbara razão
Hum justo amor se reprime,
E ha de julgar-se por crime
Pôr na boca o coração?
Claros olhos ferir vão
Hum coração innocente;
Nem ao triste se consente
Dar sinaes de seu cuidado!
Deoses! quanto he desgraçado
Quem adora occultamente!
No peito a chamma accendida
As entranhas lhe abrazou;
Mas da ingrata, que a ateou,
He crime ser percebida.
Se deita sangue a ferida
Á vista do matador,
Vejão de que nova dôr
Sente o triste a alma cortada,
Fallando co'a sua Amada
Sem declarar seu amor!
Arde em hum fogo escondido: