Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 33 de 63

Páginas do PDF

Obras Posthumas

Gloza.

Olhos de Lize, olhos bellos,

Olhos para mim fataes,

Que hum vosso girar sómente

Me faz temer mil rivaes.

 

GLOZA.

 

Da alva Lize os brancos dentes,

O rosto affavel, e brando,

A boca, donde em fallando

Ficamos todos pendentes,

Nos lizos hombros patentes

Soltos os longos cabellos

Não são causa dos desvellos,

Nem das ancias em que vivo:

Vós sois, vós sois o motivo,

Olhos de Lize, olhos bellos.

Vós sois os meus vencedores,

E sois gloria do vencido:

De vós me atira Cupido

Mil farpados passadores.

Se vence o Deus dos Amores,

Vós as armas lhe emprestais.

Que ternos saudosos ais,

Que pranto em vão derramado,

Me não tendes vós custado,

Olhos para mim fataes!

Se o rosto ao Ceo levantado

Alçais as pestanas pretas,

Logo de brilhantes setas

Vejo todo o ar cruzado.