Obras Posthumas
Gloza.
Olhos de Lize, olhos bellos,
Olhos para mim fataes,
Que hum vosso girar sómente
Me faz temer mil rivaes.
GLOZA.
Da alva Lize os brancos dentes,
O rosto affavel, e brando,
A boca, donde em fallando
Ficamos todos pendentes,
Nos lizos hombros patentes
Soltos os longos cabellos
Não são causa dos desvellos,
Nem das ancias em que vivo:
Vós sois, vós sois o motivo,
Olhos de Lize, olhos bellos.
Vós sois os meus vencedores,
E sois gloria do vencido:
De vós me atira Cupido
Mil farpados passadores.
Se vence o Deus dos Amores,
Vós as armas lhe emprestais.
Que ternos saudosos ais,
Que pranto em vão derramado,
Me não tendes vós custado,
Olhos para mim fataes!
Se o rosto ao Ceo levantado
Alçais as pestanas pretas,
Logo de brilhantes setas
Vejo todo o ar cruzado.