Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 15 de 63

Páginas do PDF

Obras Posthumas

Soneto XVII.

Nynfas do Téjo já por mim cantadas,

Nossa Augusta Princeza esta

presente;

Pedí-lhe, que honre a placida

corrente,

E as agoas ficaráõ mais prateadas.

Diante de seus pés ajoelhadas

Em justo acatamento reverente,

Serenem vossas mãos a clara

enchente,

E as frias agoas corrão temperadas.

Sobre as ondas as frentes levantando,

Ao tempo que as douradas tranças

bellas

Brandamente lhe fordes enxugando,

Dizei-lhe, que sustento Irmãas donzellas,

Outras viuvas; e ide-lhe lembrando,

Que o bem que me fizer he feito a

ellas.

 

Levantando-se o Author da meza de hum Grande por serem horas de ir para a Aula.

 

SONETO XVII.

Não tomando em desprezo o escuro

estado

Em que me poz Fortuna, e

Natureza,

Olhastes sem horror minha baixeza,

E fizestes sentar-me ao vosso lado.

Então de ingrata obrigação chamado

Deixei á força a companhia, e a

meza,

E inda cheio de ideias de grandeza

Vim dar por thema hum Verbo

conjugado.

Não sei com dous oppostos conformar-

me;

Soffrem-me os Grandes, sou taful, e

moço,

Não sei a Senhor Mestre costumar-

me.

Taes extremos, Senhor, unir não

posso;

De dous genios não sou: mandai

fechar-me

Ou a minha Aula, ou o Palacio

vosso.

 

Ao Excellentissimo Senhor Marquez de Penalva

chegando o A. á quinta das Lapas.