Obras Posthumas
Soneto XVII.
Nynfas do Téjo já por mim cantadas,
Nossa Augusta Princeza esta
presente;
Pedí-lhe, que honre a placida
corrente,
E as agoas ficaráõ mais prateadas.
Diante de seus pés ajoelhadas
Em justo acatamento reverente,
Serenem vossas mãos a clara
enchente,
E as frias agoas corrão temperadas.
Sobre as ondas as frentes levantando,
Ao tempo que as douradas tranças
bellas
Brandamente lhe fordes enxugando,
Dizei-lhe, que sustento Irmãas donzellas,
Outras viuvas; e ide-lhe lembrando,
Que o bem que me fizer he feito a
ellas.
Levantando-se o Author da meza de hum Grande por serem horas de ir para a Aula.
SONETO XVII.
Não tomando em desprezo o escuro
estado
Em que me poz Fortuna, e
Natureza,
Olhastes sem horror minha baixeza,
E fizestes sentar-me ao vosso lado.
Então de ingrata obrigação chamado
Deixei á força a companhia, e a
meza,
E inda cheio de ideias de grandeza
Vim dar por thema hum Verbo
conjugado.
Não sei com dous oppostos conformar-
me;
Soffrem-me os Grandes, sou taful, e
moço,
Não sei a Senhor Mestre costumar-
me.
Taes extremos, Senhor, unir não
posso;
De dous genios não sou: mandai
fechar-me
Ou a minha Aula, ou o Palacio
vosso.
Ao Excellentissimo Senhor Marquez de Penalva
chegando o A. á quinta das Lapas.