Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 24 de 63

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Obras Posthumas

Soneto XXVII.

Que de prata subtil pequenos Ós

Servem só de fivelas nos teus pés,

Vem admirar-te, vendo que entre nós

Traz o pobre peralta Portuguez

Por fivelas molduras de tremós.

 

A huma Velha presumida.

 

SONETO XXVII.

 

Debalde sobre a face encarquilhada

Pendendo louros bugres

emprestados,

Dás inda ao louco amor teus vãos

cuidados,

Em carmins enganosos confiada.

Postiça formosura, em vão comprada,

Não torna atraz os annos

apressados:

Nem alvos dentes de marfim

talhados,

Tornão em nova a tremula

queixada.

De ti no mesmo tempo que do Gama

Cantou mil bens a Deosa

Trombeteira, Aos Annos de huma formosa Dama.

A que os baixos Poetas chamão

Fama:

Porém sempre ficaste em boa esteira;

Porque, se já não prestas para

dama,

Inda serves mui bem como terceira.