Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 46 de 63

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Obras Posthumas

Mote.

Nunca ferírão ouvidos

Brandas palavras de Amor.

Que hora, e que sitio melhor,

Do que este em que estamos sós?

Que culpa, que crime atroz

Temeis que ante vós farão

As queixas de hum coração,

Os suspiros de huma voz?

Meu coração vos adora;

Sem saber o conquistais:

Estas ancias, estes ais

São obra vossa, ó Senhora.

Em segredo amou atégora;

De amor vive; amor respira;

E se vós, depondo a ira,

Lhe prometteis compaixão,

Que melhor occasião,

Que quando por vós suspira?

Nelle, Senhora, não posso

Nutrir estranha paixão:

Em fim este coração

Foi feito para ser vosso:

Para encher-se de alvoroço

Basta ouvir a vossa voz:

Passa indiff'rente, e veloz

Por mil bellezas, que admira,

Nada o enche, a nada aspira,

Aspira sómente a vós.

 

MOTE.