Obras Posthumas
Mote.
Em dia dos annos do Illustrissimo Principal
Almeida.
Por mais que esse sangue honrado
Vos inspire os pondonores
De merecer os louvores
E não querer ser louvado,
Este dia he consagrado
A elogios soberanos:
Sem vir enfeitar enganos
Com mão venal, e fingida,
Em contar a minha vida
Louvarei os vossos annos.
Tecêrão-me em baixo estado
A Fortuna, e a Natureza:
Entre os braços da Pobreza
Fui desde o berço lançado.
Pelas vossas mãos alçado
Quebrei da desgraça o fio:
Se da crua fome, e frio
Livro o Pai, livro os Irmãos,
He obra das vossas mãos,
E faz o vosso elogio.[7]
MOTE.