Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 32 de 63

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Obras Posthumas

Mote.

Em dia dos annos do Illustrissimo Principal

Almeida.

 

Por mais que esse sangue honrado

Vos inspire os pondonores

De merecer os louvores

E não querer ser louvado,

Este dia he consagrado

A elogios soberanos:

Sem vir enfeitar enganos

Com mão venal, e fingida,

Em contar a minha vida

Louvarei os vossos annos.

Tecêrão-me em baixo estado

A Fortuna, e a Natureza:

Entre os braços da Pobreza

Fui desde o berço lançado.

Pelas vossas mãos alçado

Quebrei da desgraça o fio:

Se da crua fome, e frio

Livro o Pai, livro os Irmãos,

He obra das vossas mãos,

E faz o vosso elogio.[7]

 

MOTE.