Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 19 de 63

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Obras Posthumas

Soneto Xxii.[5]

E de manhãa a todos atravessa,

A cuja hirsuta sordida cabeça

Nunca chegou juizo, nem navalha;

Que os gazeos olhos pela meza

espalha

Por ver se ha mais comer que tire,

ou peça,

Entrando nelle com tal fome, e

pressa

Qual faminto frizão em branda

palha;

Por crimes de alta gula, e pouco sizo,

De meza bem servida, mas severa,

Foi n'hum dia lançado de improviso.

Hoje chorando o seu perdão espera:

Perdêrão dous glotões o Paraiso,

O antigo por maçãa, este por pera.

 

Aos toucados altos.

 

SONETO XXII.[5]

 

Foi ao Manique hum homem accusado

Por contrabandos ter; elle sciente

Chama a quadrilha, corre diligente,

Entra, busca, e não acha o

Malsinado.