Obras Posthumas
Mote.
Em vendo o teu lindo rosto.
Disfarça-se mal hum gosto,
Que nasce do coração:
Tambem tu dessa lição
Talvez que bem não sahiras,
Se assim como eu sentiras
No peito a doce paixão:
MOTE.
Por passos sem esperança,
Onde me leva o dezejo?
GLOZA.
Vão pensamento, descança,
Reconhece as forças minhas:
Tu não sabes, que caminhas
Por passos sem esperança?
Junto da corrente mansa
Me pões do dourado Tejo:
Cá de longe o sitio vejo:
Mas não devo hum passo dar,
Que eu não mereço chegar
Onde me leva o dezejo.