Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 43 de 63

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Obras Posthumas

Mote.

Em vendo o teu lindo rosto.

Disfarça-se mal hum gosto,

Que nasce do coração:

Tambem tu dessa lição

Talvez que bem não sahiras,

Se assim como eu sentiras

No peito a doce paixão:

 

MOTE.

 

Por passos sem esperança,

Onde me leva o dezejo?

 

GLOZA.

 

Vão pensamento, descança,

Reconhece as forças minhas:

Tu não sabes, que caminhas

Por passos sem esperança?

Junto da corrente mansa

Me pões do dourado Tejo:

Cá de longe o sitio vejo:

Mas não devo hum passo dar,

Que eu não mereço chegar

Onde me leva o dezejo.