Obras Posthumas

Nicolau Tolentino · Capítulo 51 de 63

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Obras Posthumas

Decima.

Pois eu sim fico sem Tença;

Porém tu estás sem falla.

 

Ao Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor

Conde de Villa Verde, andando o A. na

pertenção de ser Official da Secretaria

de Estado.

 

DECIMA.

 

Senhor, venho perguntar

Quando ides ficar no Paço:

Para que á força de braço

Lanceis esta náo ao mar.

Sabe montes aplanar

Vossa discreta portia:

E pinta-me a fantasia,

A qual nem sempre me engana,

Que só na Vossa semana

Me ha de chegar o meu dia.

 

Ao Juiz do Crime de Andaluz, dando-lhe este parte que estava para casar, e mostrando-lhe

versos, que fizera á Noiva. He o

de que trata o soneto 33, Tom. I. pag. 35.

 

Manoel, muda o cuidado,

Abafa essa chamma ardente:

Não falla hum são a hum doente;

Falla-te outro exp'rimentado.

Já servi ao Deos do engano,

Fórte com forças alheias.

Passei nas suas cadeias

Apoz hum anno outro anno.

Prometteo-me alto favor;

Mas sabe, pois que começas,

Que o que tive das promessas

Forão lagrimas, e dôr.

Não te deixes enganar

Do rosto brando, e sereno:

Tempéra em riso o veneno;

Afaga para matar.

Com mil modos attractivos

Chama a cega, e incauta gente:

Lança-lhe dura corrente,

E escarnece dos cativos.

Como trata os infelizes,

Que andou outr'ora amimando,

Meu peito to está mostrando

Nesta frescas cicatrizes.

Até em cousas de peta

Quer mostrar o seu rigor: