Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte 2
Introdução 2
[Nesta introdução o Ari explica a grande diferença entre a primeira encarnação de uma pessoa, considerada a sua primeira vida e a sua primeira aparição no mundo, e suas outras vidas. Depois de passar por sua primeira vida e não ter corrigido completamente sua alma, precisando morrer e nascer de novo, essa pessoa é chamada então, de 'uma pessoa reencarnada'.
Isso indica a sua negligência em corrigir a sua alma na sua primeira vinda ao mundo, e sua obrigação de fazê-lo em sua vida como alma reencarnada.]
Trata-se da ordem em que a Néfesh, o Rúach e a Neshamá (o NaRaN — ’') entram na pessoa no começo de sua encarnação pela primeira vez, como [Alma] Nova, conforme será explicado: Quando o corpo de uma pessoa nasce, e 'sai para o ar do mundo', sua Néfesh entra nela. Se ela se retifica adequadamente através de seus atos, o seu Rúach também entra nela ao final do seu décimo terceiro ano de vida, pois então ela se torna uma "pessoa completa", como é sabido. E se daí em diante os seus atos continuam sendo retificados, a Neshamá entra quando ela completa vinte anos, como está dito no Zôhar. No entanto, se a pessoa não corrigir completamente o seu Rúach, a Neshamá não vai entrar nela e ela vai ficar somente com a Néfesh e o Rúach.
De modo similar, se ela não corrigir completamente a Néfesh, ela ficará somente com a Néfesh, sem o Rúach e sem a Neshamá. O Rúach e a Neshamá ficarão, então, em um local conhecido ao Santíssimo, bendito seja [Em hebraico — Ha-Cadosh Baruch Hu], em um local reservado a cada uma delas.
E se a pessoa não corrigir completamente sua Néfesh na primeira vez que vier ao mundo e depois disso morrer, sua Néfesh terá que voltar e reencarnar, talvez até várias vezes, até que esteja suficientemente corrigida.
No entanto, como a correção só foi alcançada por meio da encarnação e com esforço tremendo, mesmo depois da retificação completa ter sido atingida, o Rúach não poderá entrar no corpo.
A pessoa terá que morrer e a Néfesh terá que retornar mais uma vez para poder receber o Rúach.
[A razão pela qual essa pessoa tem que morrer é que o Rúach imperfeito não pode se juntar à Néfesh que foi aperfeiçoada na mesma vida, como explicado na Introdução 1.
Com este deixar do mundo e por seu renascimento, abre-se a oportunidade para que o Rúach imperfeito se junte à sua Néfesh aperfeiçoada.] E se ela corrigir o Rúach, ela então tem que partir do mundo, voltar a reencarnar e a Neshamá entrará nela, assim como ocorreu com o Rúach. Se ela não corrigir o Rúach totalmente, então tanto a Néfesh quanto o Rúach terão que retornar e reencarnar várias vezes, até que o Rúach se corrija.
Uma vez que a correção seja alcançada, a pessoa morre e a Néfesh e o Rúach voltam com a Neshamá, até que os três se corrijam. Uma vez que esse processo é feito não é preciso mais encarnações.
Quando a Neshamá se completa, a pessoa fica sendo uma "pessoa completa", como é sabido.
Mas você tem que saber que se uma pessoa corrigiu sua Néfesh e ela voltou a reencarnar para receber e corrigir o seu Rúach, como mencionado, mas durante essa encarnação pecou, a Néfesh não será afetada pelo dano do pecado, de modo que ela terá que ser forçada a voltar sozinha para se corrigir novamente.
Isso é assim porque agora a pessoa já tem o Rúach, então o pecado afeta somente ao Rúach, e só ele fica precisando de correção. Sendo assim, se uma encarnação adicional for necessária para corrigir o Rúach, tanto a Néfesh quanto o Rúach virão juntos. E isso segue até que o Rúach seja corrigido.
Depois disso a pessoa morrerá para que a Néfesh e o Rúach corrigidos possam reencarnar com a Neshamá, para que esta se corrija. De modo similar, se a pessoa chegou nesse estágio e pecou, o dano vai só para a Neshamá, conforme acabamos de explicar com relação à correção do Rúach.
Também pode acontecer de a Néfesh ser tão bem corrigida e tão refinada e purificada que ela não precisa retornar com o Rúach quando da correção dele.
Nesse caso, o que acontece é que esta Néfesh fica nas Alturas, em um local adequado para ela, "unida à Árvore da Vida".
E o Rúach deve descer sozinho para se corrigir. Mas, como o Rúach não tem como vir [ao mundo] sozinho sem ser vestido pela Néfesh, ele então entra na Néfesh de um convertido, como está dito no Saba de Mishpatim.
[Aqui o Ari explica a razão específica para o Rúach aparecer com a Néfesh do prosélito].
Eles continuam a reencarnar juntos até que o Rúach seja corrigido. Uma vez que o estágio de correção do Rúach é alcançado, a pessoa morre e reencarna, sendo que a primeira Néfesh volta para se unir a ele, para assim poder receber e corrigir a Neshamá, até que ela também se corrija. Ou pode acontecer de o Rúach vir sozinho com a Neshamá até que esta se corrija, sendo que, depois disso, a pessoa não precisa mais reencarnar e todos os três níveis de alma ficam "unidos à Árvore da Vida", como lhes convém.
E saiba que a Néfesh do convertido que se uniu ao Rúach e o ajudou a aperfeiçoar suas boas ações neste mundo; e que foi um veículo para ele neste mundo, foi o que permitiu que o Rúach merecesse se corrigir - portanto, essa Néfesh do convertido também se elevará com a principal Néfesh deste Rúach.
Ambas terão o mesmo nível no Mundo Vindouro, como se fossem "vizinhos", e jamais se separarão.
Saiba também, que às vezes acontece que uma Néfesh reencarna sozinha para se corrigir, e ela se corrige tanto por suas ações que ela merece o nível do seu Rúach.
Mas o Rúach não pode entrar nela, como já foi explicado. A regra é que dois ou três níveis de alma não podem ser unidos em uma só encarnação a não ser por um esforço tremendo, como mencionaremos adiante, na Introdução 4.
Por isso cada nível precisa da sua própria encarnação.
Primeiro a Néfesh precisa ser corrigida, e mesmo quando isso acontece o Rúach não pode se unir com ela.
A pessoa tem que morrer.
E depois a Néfesh reencarna e pode ter o mérito de receber o Rúach. De modo similar, depois de a Néfesh e o Rúach se unirem, e se corrigirem, não poderão receber a Neshamá deles, só depois de reencarnare em outra vez, quando, então, merecerão a Neshamá.
[Relatividade; na seguinte passagem, o Ari explica como o princípio da relatividade se aplica na reencarnação.
Esse princípio se baseia no fato de que os níveis de consciência são relativos entre si.
Assim, a Néfesh de uma pessoa que completou o seu Ticun e que se tomou um Tsadic (um justo), pode servir como Rúach para outra pessoa. O mesmo se aplica para a Neshamá, que pode servir como Rúach.]
O que acontece com a Néfesh que já foi corrigida, mas que está sem o Rúach, pois não pode recebê-lo?
Esse é o segredo do assunto: de acordo com o nível de pureza e a extensão da correção atingida pela Néfesh, reencarnará no corpo dessa pessoa, enquanto ela ainda está viva, a Néfesh de um justo que já completou o ciclo de encarnações e de correções, e que, na verdade, não precisaria reencarnar aqui.
Ao entrar nesse corpo, a Néfesh desse justo ocupa o lugar do Rúach daquela pessoa.
Às vezes, é possível que até mesmo Nefashot [plural de Néfesh] dos primeiros justos, como a Néfesh do nosso patriarca Abrahão (hebraico. Avraham), ou Nefashot similares, venham a reencarnar deste modo. Tudo depende da correção a ser feita e da purificação atingida pela Néfesh da pessoa.
[O assunto do Ibur é muito profundo.
Muitas pessoas podem vivenciá-lo.
Uma expressão do Ibur é quando a pessoa experimenta uma intervenção divina em sua vida.
Alguns casos de Ibur são tão fortes que a nova entidade pode assumir o papel da original.
O oposto do Ibur é o Dibuc, conhecido como uma pessoa possuída por um espírito maligno.
Isso pode acontecer se parte de uma alma de uma pessoa negativa entra no corpo de outra pessoa e se liga a sua Néfesh. Isso não acontece por acaso ou aleatoriamente; nossas ações determinam o tipo de alma que entra, seja por Ibur, seja por Dibuc. Ações no mundo físico são consideradas uma língua, ou sinais, para o mundo espiritual.
Eles atraem almas positivas ou negativas, dependendo de sua natureza. Consequentemente, podemos aprender com isso que as Mitsvot podem atrair para uma pessoa a alma dos Tsadikim, enquanto que as transgressões podem chamar espíritos de natureza negativa pertencentes a pessoas más.]
Reencarnações desse tipo, que ocorrem durante o tempo de vida da pessoa, são chamadas pelos Sábios de "segredo do Ibur"
[literalmente. Gravidez, gestação ou concepção - como uma mulher que concebe e fica grávida com um feto no interior do seu corpo, mas que não se torna parte dele.
Ele fica ali temporariamente e depois parte em um determinado momento. A palavra hebraica Ibur vem da raiz que significa "passagem"].
E essa é a diferença básica entre uma encarnação e um Ibur. Às vezes é possível, mesmo agora, nesse período tardio da história, que o Rúach de um justo, mesmo dos patriarcas, venha ao mundo como Ibur. Tudo depende do valor dos preceitos que estão sendo cumpridos pela pessoa.
Pois alguns preceitos têm o poder de atrair a Néfesh de um justo pela forma de um Ibur, enquanto outros têm o poder de atrair o Rúach de um justo. Também é possível que a pessoa receba por Ibur a Néfesh de um justo e que, depois disso, mereça outra Néfesh, de outro justo, ainda maior que o primeiro.
Nesse caso, a pessoa terá sua própria Néfesh, a Néfesh do primeiro justo funcionando como seu Rúach, e a segunda Néfesh, superior, que entrou nele depois, atuando como sua Neshamá.
E às vezes a Néfesh da pessoa se aperfeiçoa a tal ponto que ela recebe a Néfesh do justo e depois a pessoa ainda tem o mérito de receber o Rúach de outro justo, que é mais elevado do que todo o resto. E isso pode continuar até que, quem sabe, a pessoa possa receber até mesmo o Rúach do patriarca Avraham!
Esse é o significado secreto do que foi escrito nos Midrashim, em especial o Midrash Shmuel: Não há geração na qual não exista alguém como Abrahão (hebraico Avraham), Isaac (hebraico Itschac), Jacó (hebraico Iaacov), Moisés (hebraico Moshé), Samuel (hebraico Shmuel), etc. Não há suficiente quantia de tinta para registrar todos esses detalhes e casos particulares de diferenciação em um livro. Portanto, uma pessoa de entendimento deve compreender o assunto e fazer as inferências necessárias por conta própria.
Em resumo, a regra é assim: Baseado na correção e purificação de uma Néfesh em particular, a pessoa pode chegar até mesmo a merecer a Neshamá de gerações passadas, incluindo as mais elevadas de todas; e isso pode se dar mesmo nas nossas gerações.
Sendo assim, pode-se concluir que quando a Néfesh e o Rúach de uma pessoa reencarnam juntos e ambas se corrigem, elas não são capazes de adquirir sua Neshamá sem antes morrer e reencarnar. No entanto, enquanto em vida, eles podem receber a Néfesh, Rúach ou Neshamá de um justo na forma de um Ibur, e a parte recebida atuará como Neshamá.
Todos os detalhes que foram descritos no caso da Néfesh que completou sua correção sozinha também se aplicam aqui.
Em alguns casos pode acontecer de que depois que todos os três níveis da alma reencarnaram e se corrigiram, a Néfesh ou o Rúach de um justo entre ali [no corpo da pessoa] por Ibur. Então, quando a pessoa parte desse mundo ela ascenderá ao mesmo nível que o justo que lhe veio como Ibur.
No Mundo Vindouro, ambos estarão no mesmo nível. Esse é o significado secreto do que está escrito no Zôhar na introdução ao Bereshit: "O Rabino Shimon bar Iochai se prostrou e viu o Rav Hamnuna Saba. Ele disse que naquele mundo, ele e o Rav Hamnuna Saba estariam juntos".
Foi dito o suficiente.
[Podemos concluir cautelosamente, relacionando o Zôhar com o que o Ari explica, que Rabino Shimon Bar Iochai teve um Ibur do Rabi Hamnuna Saba.
Portanto, eles foram designados para estar no mesmo nível no Mundo Vindouro.]
O Ibur acontece por dois motivos.
Primeiro porque através do Ibur de um justo a Néfesh de uma pessoa consegue se corrigir até o nível da Néfesh daquele justo. Então no Mundo Vindouro a pessoa ascenderá àquele nível, já que o justo ter-lhe-á ajudado a cumprir mais preceitos e a trazer mais santidade para a sua vida.
Esse motivo, então, beneficia a pessoa que recebe o Ibur. O segundo motivo beneficia o justo que serve como Ibur. Ao ajudar outra pessoa a cumprir preceito, ele ganha uma parte destes preceitos.
Esse é o segredo do que os nossos Sábios escreveram: "Grandes são os justos, pois mesmo na morte eles merecem filhos por causa do seu mérito". Em outras palavras, quando eles fazem a pessoa aumentar o seu mérito eles se tomam como "pais", que guiam e ajudam. Isso beneficia ao justo.
Saiba que esse justo que entra em uma pessoa e a assiste durante sua vida — segundo o segredo do Ibur, e não segundo o segredo de reencarnação — facilmente ganha recompensas e se distancia das perdas, pois cada vez que aquela pessoa cumpre um preceito, o justo recebe uma recompensa. Esse é o segredo do que está escrito: "Um justo recebe a sua recompensa e a recompensa do seu amigo no Jardim do Éden". Entenda bem esse segredo profundo, apesar de agora não ser a hora de discuti-lo totalmente.
Por outro lado, se a pessoa comete um pecado, o justo não sofrerá qualquer punição ou perda, já que ela só veio para ajudar, e não para causar-lhe o mal.
Ainda mais do que isso, se a pessoa renegar o que ela corrigiu anteriormente, o justo sai e se desconecta da pessoa. A razão para isso, segundo o que foi explicado, é que o segredo do Ibur é que ele acontece durante o tempo de vida da pessoa e, portanto, ele não prende a Néfesh do justo ao corpo, como acontece com a própria Néfesh da pessoa que reencarna.
Esta Néfesh reencarnada entra no corpo na hora do nascimento, e fica presa no corpo e grudada a ele, e não pode sair dali até a morte. Por outro lado, a Néfesh do justo que entrou ali como Ibur o fez por vontade própria, e, do mesmo modo, pode sair por vontade própria. Se a pessoa continua a agir de maneira correta, o justo permanece ali, para poder receber uma parte das boas ações da pessoa. Ele fica lá até que a pessoa parta do mundo, quando, então, ambos sobem e atingem o mesmo nível, como mencionado anteriormente. No entanto, se a pessoa fizer o mal, o justo se enojará dessa união e partirá.
Ele não está ali permanentemente, mas só na forma de um empréstimo, como um convidado que fica na casa do anfitrião enquanto se sente bem, e se ele não se sente confortável, pode ir embora. Pelo mesmo motivo, se a pessoa passar por qualquer dor ou miséria, o justo não sentirá quaisquer dores e não sentirá nada, porque ele não está "grudado" ao corpo, ele está só "emprestado".
[O Ibur pode evitar que a pessoa com uma Néfesh precise morrer e reencarnar novamente a fim de corrigir o seu Rúach e Neshamá.]
Então a regra que se deriva é que pode ocorrer de uma pessoa cumprir um preceito de grande importância e por isso merecer o Ibur da Néfesh de um justo de uma geração anterior.
É possível que essa pessoa se retifique e se purifique a ponto de sua Néfesh ser transposta ao mesmo nível da daquele justo. Depois disso, a pessoa terá que corrigir o seu Rúach e a sua Neshamá a tal grau de pureza que estas partes tenham mérito de serem revestidas na sua Néfesh purificada.
Então a pessoa vai ser transposta ao nível do justo e será considerada como ele, tendo se elevado além do nível-raiz original da sua alma, de onde veio. Tudo isso por causa da ajuda e assistência daquele justo.
[A seguir, o Ari explica as diferentes possibilidades da estrutura da alma, com os seus diferentes níveis e fontes, numa pessoa.] Desse modo, também é possível que a Néfesh de uma pessoa ascenda até que atinja o mundo de Atsilut.
De modo geral, a Néfesh é de Assiá, o Rúach é de Ietsirá, e a Neshamá é de Beriá.
No entanto, de uma maneira mais específica, cada um dos mundos tem os seus próprios níveis de Néfesh, Rúach e Neshamá. Por isso pode ser que, às vezes, a NaRaN de uma pessoa seja de Assiá, Ietsirá e Beriá, mas também pode ser que a NaRaN seja de Malchut, Zeir Anpin e Ima de Assiá.
Pode ainda ocorrer que as três partes sejam de Ietsirá, ou do mundo de Beriá, ou todas do mundo de Atsilut.
Neste último caso, a Néfesh seria de Nucvá de Zeir Anpin, o Rúach de Zeir Anpin, a Neshamá de Ima e Chaiá de Aba.
Outra combinação pode ser: Néfesh de Assiá, e Rúach e Neshamá de Ietsirá.
Ou Néfesh de Ietsirá e Rúach e Neshamá de Beriá. Ainda pode ser que a Néfesh venha de Beriá e o Rúach e a Neshamá de Atsilut.
E isso pode seguir indefinidamente em cada aspecto particular de cada um dos quatro mundos de ABIA [Acróstico de Atsilut, Beriá, Ietsirá e Assiá.], já que cada um deles é composto por quatro mundos de ABIA e por seu próprio grupo de dez Sefirot.
Essas dez, por sua vez, possuem suas próprias dez Sefirot, etc. Não é possível escrever por extenso todos os detalhes disso, já que o espaço é limitado.
No entanto, a pessoa de entendimento compreenderá o assunto e fará as inferências necessárias sozinha.
[Os níveis mais elevados da alma assumem as partes inferiores.
Isso não significa que elas desaparecem, mas às vezes não é necessário mencioná-los todos, uma vez que eles estão incluídos dentro dos níveis mais elevados e sob a sua influência.
É como se fossem uma entidade.]
No entanto, você deve saber que quando nós dizemos que às vezes a NaRaN é de Ietsirá ou de Beriá, isso não significa que a pessoa não tem uma Néfesh de Assiá!
Afinal de contas, é sabido que até mesmo a Shechiná é chamada de Malchut e "reside" em Assiá [embora a origem da Shechiná seja Malchut de Atsilut. Mas já que ela inclui em seu interior todos os graus mais baixos, ela também pode residir em Malchut de Assiá]. Ainda mais no caso da Néfesh de uma pessoa então! O que queremos dizer é que a Néfesh de uma pessoa que vem de Assiá, pode se tornar tão purificada, que não pode mais ser sentida [como uma entidade separada] em comparação com a luz de Néfesh de Ietsirá, que está dentro dela.
Por isso que chamamos as duas como Néfesh de Ietsirá. O mesmo vale para todas as outras divisões: mesmo quando dizemos que uma pessoa teria Néfesh, Rúach e Neshamá (NaRaN) de Atsilut, isso significa que [estas partes] se encontram dentro do Néfesh, Rúach e Neshamá de Assiá, Ietsirá e Beriá.
Só que, no entanto, elas não são mencionadas por seus nomes [separadamente], e todas se cancelam e são chamadas como Atsilut. Você pode aplicar este conceito a qualquer outro caso particular que mencionamos.
[A seguir, o Ari explica o preceito de Ibum, conhecido como casamento por levirato.
O preceito de Ibum - Este preceito está relacionado a um dos temas mais profundos, e que só pode ser explicado através da reencarnação. Na Bíblia vemos que se uma pessoa casada morre sem filhos, é considerado um preceito e um ato divino o irmão do falecido se casar com sua esposa. Pois de acordo com a Halachá (código da lei judaica), uma mulher casada é considerada divorciada com a morte de seu marido. Por isso, ela está autorizada a se casar novamente. Mas por que com o irmão de seu falecido marido? Qual é o motivo para isso?
E o que ocorre se o irmão do falecido não quiser se casar com ela? O objetivo espiritual deste preceito é compensar a ausência do falecido, que partiu deste mundo sem deixar filhos, e engravidar a viúva. A criança que nasce desta união deve receber o nome do falecido irmão, a fim de estabelecer a continuidade de sua semente neste mundo. Portanto, é obrigatória que o irmão, que é o mais próximo dos parentes, realize esse ato divino por causa de seu falecido irmão. Realizado corretamente, com a consciência e a intenção corretas, o que ocorrerá é que a mesma alma do falecido irmão é a que vai reencarnar. Portanto, neste caso, o filho nascido é, na verdade, o falecido marido; e seu pai biológico é seu "irmão".
Este é o objetivo essencial do preceito de Ibum. No caso em que o irmão se recusa a realizar este preceito, isso é considerado uma grande vergonha para a família e para seu falecido irmão. Um ritual especial era realizado em tais casos, para indicar a sua recusa.
A história de Judá e Tamar na Bíblia (Gênesis, capítulo 38) é a mais clássica, que descreve este preceito em suas diferentes perspectivas. Nos tempos atuais este preceito foi anulado devido ao declínio da consciência espiritual.]
No conceito de encarnações existe mais uma distinção entre reencarnar em qualquer corpo que possa estar pronto para aquela encarnação e a reencarnação que acontece por meio do seu irmão, que é o segredo do Ibum (levirato).
[Como mencionado acima - este é o casamento por levirato - quando o irmão do falecido se casa com sua esposa para engravidá-la com a alma do falecido, e, eventualmente, fazer com que ela dê à luz uma criança que terá, na verdade, a alma do "falecido marido/irmão", que voltou e reencarnou.]
[A seguir, o Ari compara três tipos de reencarnações:] (1) Em uma encarnação normal, a Néfesh, o Rúach e a Neshamá não reencarnam juntos, nem mesmo dois de uma vez só. Só a Néfesh reencarna, até se corrigir.
Depois, em outra encarnação, somente a Néfesh e o Rúach voltam juntos até que o Rúach se corrija.
E depois numa outra encarnação, o NaRaN ( ’') reencarna junto até que a Neshamá se corrija, o que completa aquele ciclo de encarnações. (2) Ou, às vezes, cada um dos três reencarna individualmente: o Rúach com outra Néfesh em outro corpo, e a Neshamá com outra Néfesh e Rúach em outro corpo, como mencionado acima.
[Aparentemente, o Ari se refere simultaneamente em diferentes corpos, diferente do primeiro tipo de reencarnação.]
(3) No entanto, quando um homem reencarna por meio do Ibum, os três níveis do NaRaN (’') podem reencarnar junto. [A razão para isso será explicada em detalhes na próxima Introdução; mas, em suma, é porque a pessoa que morreu sem filhos tem seu corpo considerado como se não existisse de modo algum, e não tem mérito para tomar parte da ressurreição dos mortos.
Então, quando a alma, que era o marido, reaparece na próxima reencarnação como 'filho', esta reencarnação é considerada a sua primeira, e o que se aplica a ela são as regras de uma primeira aparição.]
O escritor, Chaim Vital, diz: Isso vem do Saba de Mishpatim. Eu aprendi, no entanto, que até mesmo no caso do Ibum todos os três níveis da alma não podem vir juntos, mas só a Néfesh e o Rúach, sem a Neshamá.
Isso precisa ser investigado com mais profundidade.
Continua