Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte 38
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
Introdução 38
Shemuel disse: Até aqui o Bendito El tem me ajudado a completar os livros do grande rabino, meu pai e mestre, de abençoada memória. Nada foi omitido, seja algo pequeno ou grande, sendo revisados pela condução do Santíssimo, bendito seja, que me abençoou. Depois de tê-los escrito, encontrei entre as minhas coleções alguns artigos, que também são dos transcritos do meu pai, e que falam sobre ele e sobre a raiz de sua própria alma.
Eles fazem parte dos ensinamentos que o grande mestre [Ari Ha-Cadosh] passou a ele.
E me parece, que meu pai queria que estes escritos ficassem ocultos devido à sua grande humildade, e que não fossem revelados para todas as pessoas, porque ele não queria proclamar a raiz de sua alma em público. Enquanto eu, em minha apreensão, quando vi estes escritos, fiquei com medo que serão esquecidos depois de mim.
Portanto, resolvi em meu coração de não seguir a vontade de meu pai, e por isso lhe peço perdão.
Mas eu quis reproduzi-los em um livro, para que sejam gravados e lembrados por um longo tempo.
E que a humildade e a piedade de meu pai, nos apoiem, e não nos leve a pecar - que o Santíssimo tenha piedade de nós, pois um pecado intencional é grave.
Do louvado El roguei que me perdoe por meus pecados e transponha todas as minhas iniquidades; e que permaneça acompanhando minha boca e minha mente.
Que as palavras da minha boca e os pensamentos do meu coração possam ser do Seu agrado, ó Elohim, minha rocha e minha salvação. Eis que comecei [a reproduzir os artigos] com a ajuda do meu Salvador.
Estas são as palavras que o meu mestre [o Ari], de abençoada memória, me disse a respeito de mim [R. Chaim Vital] e da raiz da minha alma: No primeiro dia do mês [a lua nova — Rosh Chodesh] de Adar do ano de 5331 a partir da criação [do mundo] [Segundo o calendário hebraico (ou da Cabalá), a dimensão do tempo do nosso mundo, como que é conhecido e percebido por nós, começou a se manifestar a partir da expulsão de Adão e Eva do paraíso.], ele [o Ari] me [R. Chaim Vital] disse que quando ainda vivia no Egito, começou a sua ascensão e que lá lhe foi dito que ele deveria ir para a cidade de Safed, pois ali ele me encontraria, eu - Chaim, e que ele deveria me ensinar.
E ele me disse que veio para Safed só por minha causa. Além disso, ele me disse que a principal missão de sua reencarnação atual era passar por aqui por minha causa, para me completar, e que ele não tinha vindo por causa própria, porque ele não precisava ter encarnado. Ele também me disse que não tinha obrigação de ensinar as coisas que sabia para ninguém, exceto para mim.
E assim que eu aprender, ele não terá porque ficar neste mundo. Ele também me disse que a minha alma era superior a de alguns anjos. Absolutamente superior.
Ele também disse que eu poderia subir, por causa de minha alma e por causa de meus atos, acima do céu chamado de Rakia Aravot. [Chaguigá 12b - Reish Lakish disse: há sete céus, que são: Vilon, Rakia, Shechakim, Zvul, Maón, Machón e Aravot.]
Eu lhe pedi, então, que ele me dissesse de quem era a minha alma e ele não quis explicar todos os detalhes.
No entanto ele me disse algumas coisas de maneira geral. Ele me disse que antes eu era o Rav Chaim Vidal de Tolosa, autor do livro Maguid Mishná, por isso ele tinha o mesmo nome que eu tenho agora. Depois dele eu encarnei em uma pessoa que se chamava Rabi Iehoshúa Soriano.
Ele era um homem idoso e rico, que praticava caridade, frequentava sinagogas e Midrashot [centros acadêmicos de estudo de Torá], dia e noite. Depois dele eu também estive encarnando em um rapaz chamado Avraham. Ele viveu 13 anos, morrendo aos 14.
Depois dele eu vim nesta encarnação atual, com o nome de Chaim, ou seja, o primeiro nome de Don Vidal, autor do livro Maguid Mishná. Meu mestre me disse que o motivo pelo qual eu precisei reencarnar agora é que em uma encarnação anterior eu não acreditei muito na sabedoria do Zôhar.
Pelo que ele me disse eu entendi que isso se deu quando eu estava na encarnação do autor do Maguid Mishná, mas ele não quis elaborar mais sobre o tema.
Ele me disse que a questão que eu preciso retificar agora, nesta encarnação, é me envolver com a sabedoria do Zôhar. E ele me disse que como na encarnação do autor do Maguid Mishná eu fui uma pessoa muito perspicaz, que tinha um cérebro arguto e afiado na filosofia, agora eu não sinto uma grande vontade de me esforçar na filosofia.
Ele ainda me disse que todas estas encarnações mencionadas se referem apenas à minha Néfesh, sendo que os níveis de Rúach e Neshamá possuem outras encarnações.
Ele também me disse que quando eu tinha treze anos, entrou em mim, por meio do Ibur, a Néfesh do Rabi Elazar ben Arach, aluno do Rabi Iochanan ben Zacai.
Depois, nesta minha atual encarnação, aos vinte anos, entrou em mim, por meio do Ibur também, a Néfesh do Rabi Elazar ben Shamoa, discípulo do Rabi Akiva.
Sendo ele um dos dez Mártires do Reino, sua altura era maior do que a do Rabi Elazar ben Arach.
Além disso, ele me disse que agora, no ano de 5331 a partir da criação, no qual eu conto com 29 anos de idade, estava sobre mim o Rúach do Rabi Akiva, de abençoada memória, me rodeando e pairando sobre mim para que depois entrasse em mim como Ibur.
Disso parece que a Néfesh dele reencarnou juntamente com a minha Néfesh.
Depois, no primeiro dia dos dias intermediários [Chol Hamoêd] de Pêssach eu fui com ele para um vilarejo chamado de Achbará. Lá nos entramos na caverna do Rabi Ianai, que fica dentro de um pomar no qual há uma fonte de água, que sai da entrada da própria caverna.
A entrada é muito estreita e ele me disse que ali só o Rabi Ianai estava enterrado, e ninguém mais, e que o Rabi Dostai e o Rabi Nehorai não estão ali, diferentemente do que consta no Sêfer Haichus Hatsadikim. Ali ele fez a sua Néfesh se juntar à Néfesh do Rabi Ianai. Entre outros assuntos, o Rabi Ianai lhe disse que eu sou o Rabi Ianai, que estava naquele lápide.
Ele disse, que era preciso saber que o Santíssimo, bendito seja, disse a ele: "Vá e diga para este homem, Chaim Vital, que veio contigo, que se guarde da fofoca, da má língua e das conversas fúteis. Também que rebaixe seu espírito [que seja humilde], e eu estarei com ele em todo lugar". Meu mestre também me disse, ainda naquele dia, que a minha Néfesh é relacionada e está unida à Néfesh de Moisés, já que a totalidade das almas estão inclusas nele, em especial a alma dos justos. Ele disse que eu tenho justamente uma parte do aspecto da minha Néfesh que vem justamente dele, mas quanto ao Rúach e à Neshamá ele não me disse nada.
Esta Néfesh reencarnou posteriormente em algumas encarnações, até reencarnar no Rabi Iochanan ben Zacai, e depois no Rabi Akiva. Depois, ela ainda reencarnou algumas vezes até ter sido dada para Abaiê, chamado de Nachmani, colega de Rava.
Ele me disse que este é o segredo do que nossos Sábios disseram na Guemará, de que três pessoas viveram cento e vinte anos: Moisés, o Rabi Iochanan ben Zacai e o Rabi Akiva.
Moisés passou quarenta anos na casa do Faraó, quarenta anos em Midian e quarenta anos sustentando o povo de Israel.
Do mesmo modo, o Rabi Iochanan ben Zacai passou quarenta anos se ocupando com o comércio, quarenta anos estudando e quarenta anos ensinando.
Por fim, o Rabi Akiva passou quarenta anos ignorante, quarenta anos estudando e quarenta anos ensinando.
A encarnação [desta Néfesh] posterior em Abaiê está aludida no que nossos Sábios disseram, de que o Rabi Iochanan ben Zacai não esquecia nada da Torá e da Mishná, e nem dos comentários do Abaiê e do Raba, e entenda isso.
Depois esta Néfesh se revestiu em um dos mestres savoraítas, chamado Rav Achai.
Ele é mencionado no Talmud, dizendo: "Rabi Ahai questionou". Ele me disse que ele tinha a impressão de que este Rav Achai era a mesma pessoa que o Rav Acha de Shabchá, o que fazia perguntas. Depois esta Néfesh reencarnou no Rav Dustai, o Gaon e depois se passaram algumas encarnações até que ela reencarnou no Rabi Aharon, o levita, neto do Rabi Zarchiá Halevi, autor de Baal Hama 'or. Depois ela reencarnou no autor do Maguid Mishná e depois no Rabi Iehoshúa Soriano.
Depois no garoto Avraham que mencionamos.
E posteriormente, em mim - onde se encontra agora, no jovem Chaim. Ele me disse que ele [R. Vidal de Tolosa] tem uma ligação e uma proximidade com o Rambam e que por isso ele fez os comentários do Maguid Mishná sobre o livro manuscrito do Rambam, de abençoada memória, como é sabido.
Ele ainda me disse que como o Rabi Elazar ben Arach era aluno do Rabi Iochanan ben Zacai, que é a raiz da minha alma, ele veio agora [nesta vida] para entrar em mim por Ibur, ao ter completado treze anos, para completar o que faltava ao Rabi Iochanan ben Zacai, seu mestre. É ele que está agora me guiando e me auxiliando, pois o aluno [nesse caso refere-se a R. ben Arach] deve respeitar o seu mestre [a Néfesh do R. Iochanan ben Zacai encarnada no R. Chaim Vital] . O Rabi Elazar ben Shamoa também entrou em mim por meio do Ibur, aos vinte anos de idade, para completar uma parte do Rabi Akiva, seu mestre, pelo motivo mencionado, de que ele era seu aluno. Ele me disse que um sinal para saber que eu tenho esta ligação com o Rabi Akiva é que sempre que eu vejo o povo reunido para matar uma pessoa eu desmaio.
Isso ocorre porque minha Néfesh se lembra da dor e do sofrimento pelo qual passou na época em que o Rabi Akiva foi assassinado. Isso é verdade.
Ele ainda me deu outro sinal, de que quando eu era jovem eu tinha um desejo muito grande de estudar Pirkê [os comentários do] Rabi Eliezer. Isso ocorre porque ele era o mentor do Rabi Akiva e eu sou ligado ao Rabi Akiva.
Ele me disse ainda que pelo fato de o Rabi Iochanan ben Zacai e o Rabi Akiva serem dois ignorantes, no início de sua vida, ou seja, durante seus primeiros quarenta anos - em especial o Rabi Akiva, que dizia que alguém poderia lhe dar um aluno sábio para ele o morder como a um burro; ele me disse que por isso se pode entender uma diversidade de coisas [que eles fizeram], como o fato de serem ignorantes por quarenta anos — então foi inevitável para eles cometerem pecados pueris. [Uma expressão usada para descrever a idade da juventude, quando a pessoa ainda não adquiriu sabedoria e responsabilidade.]
Ele me disse que o motivo para isso é que a Néfesh de ambos era do nível da gota de Sêmen daquelas dez gotas que saíram dos dedos de José, o justo, conforme os ensinamentos dos nossos Sábios, de boa memória. Por conta disso, eles foram ignorantes em seus primeiros quarenta anos de vida, quando, então, se aderiram a eles as Klipot. Por isso eles precisaram reencarnar, posteriormente, em todas estas encarnações mencionadas.
Por este mesmo motivo entrou uma Néfesh grandiosa e santa como esta no Rabi Akiva, que era filho de prosélitos e não da semente [do povo] de Israel.
O motivo é que ela era uma gota de Sêmen de José, que saiu das suas unhas no momento em que ele foi seduzido pela mulher de seu senhor, como é sabido.
Além disso, é sabido o que está dito no Zôhar, Porção Semanal de Vaicrá, no início da folha 14b, de que é difícil tirar a impureza dos prosélitos, mesmo depois de três gerações.
Depois, como o Rabi Akiva era filho de prosélitos ficou fácil para as Klipot se aderirem a ele, sendo ele um ignorante, como mencionado. Ele me disse ainda que foi por eu ser reencarnado deles que aconteceu comigo aquele pecado, que me prenderam no dia do meu casamento, quando eu estava entrando no pálio nupcial.
E fiquei assim preso por nove meses seguidos.
Isso foi inevitável e se deu porque eu tive uma emissão seminal em vão durante aquele tempo.
Isso me ocorreu por eu ser da gota de Sêmen de José, o Justo.
E como o Rabi Akiva era filho de prosélitos, como já foi dito, foi difícil tirar a impureza dele.
Além disso, tinha outra razão para aquilo, o grande orgulho que eu tinha em mim quando jovem, ainda que eu não o demonstrasse em público, e o guardasse para mim, isso fez com que eu cometesse o pecado mencionado, pois, como se sabe, um pecado leva a outro pecado. Ele me disse que estas duas coisas, a da emissão de sêmen em vão quando eu estava preso e a do orgulho que eu sentia em minha juventude, são dois pecados que eu tenho agora nesta minha reencarnação; e que estes são os maiores pecados que tenho ao longo de todos os anos da minha vida. Por isso, agora eu preciso corrigi-los.
Contra o orgulho eu preciso me comportar com muita humildade, até as últimas consequências.
E contra a emissão seminal eu preciso me lembrar de não ter relações antes da meia noite.
Além disso, eu devo permanecer deitado, com a barriga para baixo, até que todas as gotas de sêmen saiam totalmente, sem serem emitidas posteriormente.
Além disso, eu não devo conversar muito com a minha mulher na hora em que me relaciono com ela, e devo me penitenciar [ficar de jejum desde a madrugada até o pôr do sol] por 84 dias seguidos, como está mencionado no meu livro sobre a correção dos pecados.
Este número é paralelo aos 84 anos que Iaacóv Avinu [Jacó, o nosso Patriarca], se guardou de emitir sêmen em vão, até que casou com Leá, que lhe deu à luz Reuven.
Ele também me disse que pelo fato de em uma destas encarnações anteriores eu não ter acreditado muito na sabedoria do livro do Zôhar, agora eu preciso me ocupar sempre e com toda a minha força, com a sabedoria do Zôhar.
Este é o principal ponto de minha vida e do que eu preciso fazer agora nesta minha encarnação.
Ele também me disse que por conta deste motivo mencionado é preciso que eu não questione de maneira excessiva o que está no Zôhar até que eu tenha estudado por um tempo determinado e conhecido por ele. E só depois disso eu terei permissão para questionar e perguntar tudo o que eu quiser saber com mais detalhes sobre o livro do Zôhar. Ele me disse ainda que eu também tenho em mim, agora, o pecado de ter sido um palhaço e um fanfarrão nesta encarnação. Depois, em certo dia, ele me disse que estas três reencarnações mencionadas que me antecederam receberam seus castigos cometidos quando foram obrigados a reencarnar pelos motivos que vou relatar: O Rav que compôs o livro Maguid Mishná precisou reencarnar principalmente por que pecou, por engano, ao ter relações com a sua mulher menstruada.
Foi por isso que ele veio reencarnar em mim, para corrigir este pecado com a mulher menstruada.
Ou seja, eu mesmo recebi este pecado, de modo que na primeira noite em que entrei no pálio nupcial não me afastei de minha mulher depois da primeira coabitação, ao ver o sangue de sua virgindade. Se não fosse por este pecado eu teria completado os anos de vida que faltavam para este Rav do livro Maguid Mishná, que não completou os seus anos de vida e morreu antes do tempo que devia.
O que faltou de anos da sua vida foram 44.
Anos que eu teria somado a mim.
E como me veio este pecado, como mencionado, mesmo que fosse com o sangue da virgindade, o que não constitui transgressão tão grave, ainda mais por ter sido por engano, mesmo assim, pelo fato de eu ter vindo ao mundo em princípio para corrigir isso e não tê-lo feito, isso faz com que eu tenha apenas estes 44 anos de vida para mim. Este é o segredo do versículo "há quem morre sem justiça, etc", Deus nos livre.
Porque, bastou este [pecado] para determinar [o castigo] da primeira transgressão, pois este era o principal motivo de minha vinda a este mundo, mesmo que o pecado cometido agora não seja considerado um pecado completo de fato.
E ele me disse que era possível que com o passar do tempo ocorresse uma possibilidade de corrigir isso por meio do arrependimento. Depois disso eu jejuei por três dias seguidos, como será dito posteriormente, e então ele me disse que o decreto tinha sido anulado. Também aconteceu outra coisa com o Rav, o autor de Maguid Mishná, que fez com que ele reencarnasse, apesar de o principal motivo ter sido o da mulher menstruada, como já foi dito.
O que houve é que certa vez lhe foi trazido um caso em que ele teria que julgar uma mulher casada, e ele permitiu que ela casasse com outro. Porém, ele se enganou na sentença.
O meu mestre me disse, então, que eu também cometi um erro similar a esse.
Quando eu era jovem,. apareceu ao meu mestre, o Rabi Moshé Alshich, um julgamento sobre a mulher de um homem.
Nós conversamos e trocamos opiniões a respeito do julgamento deste caso. Eu lhe disse, então, que minha opinião se inclinava a permiti-la casar com outro.
Ele também me disse que esta era sua opinião e, portanto, ele permitiu que ela se casasse.
Quer dizer, como não investiguei corretamente esse caso, me enganei. E ele me disse que esse caso apareceu para mim somente para corrigir a transgressão anterior.
Se eu tivesse investigado corretamente as coisas eu não teria me enganado.
Aliás, eu teria corrigido o que havia ocorrido.
Portanto, ele disse que no futuro eu ainda teria outro julgamento deste tipo a fazer, no qual um sábio me pediria minha opinião sobre o veredito daquele julgamento.
Eu lhe responderei a verdade e com isso aquela transgressão estará totalmente corrigida.
Isso tudo porque o pecado da vida passada não se deu no ato, mas na fala. Agora também tudo depende da fala, quer dizer, para corrigir a mácula da fala.
O motivo da reencarnação do Rabi Iehoshúa Soriano é que, certa vez, ele comeu a gordura [de um animal] que é proibida. Isso foi feito intencionalmente e conscientemente, ignorando a lei. Meu mestre disse que por este motivo eu agora estou corrigindo esta transgressão que foi cometida.
Ele me deu um sinal para provar isso: Eu demoro duas horas para conseguir limpar um pedaço de carne, e eu acabo jogando fora quase o dobro da quantidade de carne necessária.
Daqui em diante, e pelo resto de minha vida, eu tenho que ter cuidado de que nenhuma carne da qual o nervo ciático não foi tirado entre na minha boca, apenas quando for preparada por um especialista e por uma pessoa muito boa e piedosa.
Ele também me disse que antes da reencarnação do Rabi Iehoshúa Soriano houve outra encarnação bem próxima a dele, em uma pessoa que se chamava Rabi Shaul Trishti.
Ele cometeu um pecado, pois ele fazia circuncisões mas no início não era muito versado nelas.
Certa vez ele circuncidou um menino e ele morreu por causa da circuncisão. Este foi um engano, mas bem próximo a ser intencional. A transgressão cometida com a mulher menstruada do Rav, autor de livro Maguid Mishná, que veio antes [desta encarnação], fez com que agora o Rav Shaul Trishti pecasse por meio do derramamento de sangue. E estes dois pecados causaram o outro pecado de comer a gordura proibida, que foi cometido pelo Rabi Iehoshúa Soriano, que é, na verdade, uma encarnação deste Rabi Shaul, que se deu logo depois de ele morrer. O que vemos é que o Rav HaMaguid pecou por engano. Depois dele, o Rabi Shaul pecou por engano, mas bem próximo a ser intencional.
E, por fim, o Rabi Iehoshúa aquilo já foi cometido totalmente de propósito. Tudo isso porque um pecado atrai outro pecado. Meu mestre me deu um sinal para provar isso.
Agora, nesta minha encarnação, eu tenho muito cuidado em me afastar e recusar fazer circuncisões ou realizar abates de animais. Na verdade, eu mal posso olhar uma cirurgia de circuncisão ou um ritual de abate.
Às vezes eu evito até mesmo matar pulgas.
Depois do Rabi Iehoshúa, a reencarnação se deu em um garoto chamado Avraham que morreu com 13 anos de vida, por meio de Carêt, por ter ingerido gordura proibida. [Caret — veredito de morte dado nos céus por causa de uma transgressão onde a Néfesh fica "cortada" e separada do corpo.]
Isso por causa do Rabi Iehoshúa que fez o que fez propositadamente. Depois, no dia do segundo Pêssach, em 14 de Iár, meu mestre me disse coisas mais reveladoras. [Pêsach Sheni (segundo) é comemorado no dia 14 do mês hebraico Iar, um mês depois do primeiro Pêssach por aqueles que eram impuros ou que viviam em lugar longe do Templo Sagrado, conforme o versículo em Núm. 9:6-7]
Ele me disse que apesar de no Zôhar estar escrito que Caim vem da impureza da Serpente e Abel vem do lado de Adão, a explicação do assunto é a seguinte: por causa do pecado de Adão, o bem se misturou com o mal, e por isso Caim e Abel nasceram ambos com o bem e o mal, misturados. Só que a maior parte de Caim era má porque vinha da impureza da Serpente.
E a maior parte de Abel era boa pois vinha do lado de Adão, sendo apenas uma pequena parte sua má, aquela que vinha da impureza da Serpente. Mas a parte boa de Caim é muito, mas muito elevada, pois ele era o primogênito e pegou a primogenitura da parte do bem, como mencionado no Zôhar, na Porção Semanal de Bereshit, folha 36b, sobre o segredo de "tu lhe ferirás o calcanhar."
Depois Caim começou a se corrigir em Cainan e Mahalalel, como mencionado no Zôhar, Porção Semanal de Terumá. Posteriormente, quando surgiram Iaacov (Jacó) e Eissav (Esaú), eles eram o segredo de Abel e Caim.
Quando eles nasceram, Iaacov nasceu segurando o calcanhar de Esav. Isso significa que ele ficou segurando a parte boa da primogenitura que Eissav pegou, e que, na verdade, era o bom de Caim que se misturou com o mal, como foi mencionado.
Isso é pelo segredo de "tu lhe ferirás o calcanhar." Por causa deste calcanhar [hebraico Akév] que ele ficou segurando ele foi chamado de Iaacov.
Depois, quando ele teve Issachar, ele lhe deu por herança esta parte boa que tinha pegado de Eissav, que era do lado do bem de Caim. Este é o segredo de "E ele esteve com ela naquela noite", referindo-se justamente a Iaacov, chamado assim por causa do calcanhar que mencionamos.
E ele deu esta parte à Leá pelo segredo de sua união com ela. E desta união saiu Issachar.
É isso que está dito no Midrash Haneelam de Rute, quando se diz que de Issachar saiu o Rabi Akiva, que também é o calcanhar mencionado. Depois a reencarnação se deu em Nadav e Avihú, que são duas partes do mesmo corpo, como mencionado no Zôhar, Porção Semanal de Acharei Mot, 57b.
Posteriormente, eles entraram por meio do Ibur em Pinchás, que é Elias, o profeta, até o momento em que ele foi para a caverna. E ele os perdeu por causa do que fez com a filha de Iftáh, quando também perdeu o dom da profecia.
Depois ele os pegou de volta na caverna do Monte Horeb, como mencionado no Zôhar.
No mesmo instante eles saíram de Elias, e reencarnaram por meio da encarnação de fato em Samuel, o profeta.
E o meu mestre, de abençoada memória, me disse que lhe mostraram em sonho de que o meu local é o calcanhar, no local de Samuel, o profeta. E meu mestre, de abençoada memória, me disse que foi por este motivo que mostraram a ele em um sonho que meu local era do Calcanhar — o mesmo local de Samuel, o profeta.
Depois eles voltaram e entraram por meio de Ibur em Elias. Depois voltaram e entraram por meio de Ibur em Elishá, o profeta. Depois reencarnaram em Chizkiáhu, rei de Judá. Depois ainda reencarnaram em Matitiáhu ben Chashmonaí, o sumo sacerdote.
Depois eles reencarnaram em Akaviá ben Mahalalel, depois no Rabi Iochanan ben Zacai, no Rabi Akiva ben Iossef, e no Rav Iba Saba da Porção Semanal de Mishpatim.
Depois no Abaiê, no Rabi Achai mencionado na Guemará — "O Rabi Achai perguntou" — no Rav Acha de Shavcha, o Gaon que fazia perguntas. Depois, no Rabi Dostai Gaon, e no Rabi Aharon Halevi, neto do Rabi Zarchia Halevi, autor do "Hamaor", e no Don Vidal de Tolosa, autor do Maguid Mishná, e no Rabi Shaul Trishti.
Depois, no Rabi Iehoshúa Soriano, no garoto chamado Avraham e, por fim, em mim, o jovem Chaim.
Depois ele me contou detalhadamente sobre diversas pessoas que eram da raiz de minha alma.
E todas eram do aspecto da minha Néfesh.
Existem ainda outras, também da minha Néfesh — e estas são as mencionadas aqui: Caim; Cainan; Iuval; Mahalalel; Issachar; Shilo ben Iehudá; Nadav e Avihú; Ioval; Lemech, seu pai; Nachshon ben Aminadav; Natanael ben Tsoar; Korach; Datan e Aviram; Itro; Pinchás ; Ataniel ben Ceinaz; Carmi, pai de Achan; Shamgar ben Anat; Shimshon (Samsão); Elcaná; Shemuel, o profeta; Avia ben Shemuel; Chéver, o Keneu; Iael, a mulher de Chéver, o Keneu; Rachav, a meretriz; Eli, o sacerdote; Afiai; Sismi, amigo de Avi Shochoa; Ishbách, pai de Ishtamoa; Ieshuvi Lechem; Ishai, pai de David; Avishai ben Tseruiá; Shamá, irmão de David; Doeg e Achitofel; Aviá ben Rechav'am (Rehoboám); Elias, o profeta; Elishá, o profeta; Ioná ben Amitai; Chiel de Beit Há'Eli; Navot, o Izreelita; Micha, o Morashita; Nachum, o Alcushita; o rei Chizkiáhu; Menashe ben Chizkiáhu; Uriá, o sacerdote; Zachariahu ben Ievarchiahu; Iechezkel; Eliahu ben Barche'el, o buzita; Chanania, amigo de Daniel; Nadavia ben Iochniáh, o rei; Anani ben Elio'ani.
Estes são da época dos Tanaítas: Matitiáhu ben Chashmonai, sumo sacerdote; Iossi ben Iochanan, Ish Ierushalaim (de Jerusalém); Natai, o Arbelita; Akaviá ben Mahalalel; Rabi Iochanan ben Zacai; Rabi Akiva ben Iossef; Rabi Iossi, o Galileu; Rabi Nehorai Savá (o ancião), do Zôhar, no final da Porção Semanal de Tetsavê; Rav Iba Saba de Mishpatim; Ionatan ben Hurkenos; Chanina ben Chizkiáhu; Ben Gurion; Aba Shaul; Rabi Ishmael ben Elisha, sumo sacerdote; Rabi Chutspit Haturgueman; Rabi Iossi ben Meshulam Kahala Kadisha; Rabi Iehuda bar Elai; Rabi Acha bar Ioshaia; Raban Gamliel.
Meu mestre ainda me disse que um dos amigos do Rabi Shimon bar Iochai mencionado no Idra Raba é da raiz da minha Néfesh, mas ele não quis me dizer quem era e nem explicar o assunto.
Existem ainda alguns outros Tanaítas que tem relação comigo, mas não sei em que sentido.
São eles: Rav Shamaia Chassida, o mestre do lenuca na Porção Semanal de Balác.
Rabi Tsadoc, o sacerdote; Rabi Kismá, pai do Rabi Iossi ben Kismá e o Rabi Crospedai, mencionado no Zôhar, Porção Semanal de Shelach Lechá. Estes são os Amoraítas: Rav Huna, que era Líder da Diáspora na Babilônia na época do Rabeinu HaCadosh, e cujo caixão foi levado para Israel na época do Rabi Chia; Iehudá e Chizkiá, filhos dó Rabi Chia; Levi bar Sissi; Rabi Shimon ben Iehotsadac; Rav Iba Saba, o Amoraíta, aluno do Rav e pai do Rav Hana, além de ser sogro do Ashian Ben Nidbach; Pinchás, irmão de Shemuel; Rabi Miasha da época do Rabi Iochanan; Rabi Shila, do tratado de Berachot, a quem ocorre um milagre; Rav Issa, o Amoraíta, que é o Rav Assi, o sacerdote; Rabi Tsadoc, discípulo do Rabenu HaCadosh; Rabi Iermiá bar Aba, da época do Rav; Rabi Chilkiá bar Aba; Rav Shemen bar Aba; Mar Ucba; Rabi Zerica; Rabi Sechora; Rabi Akiva, o Amoraíta; Ula bar Cushev, da época do Rabi Iehoshúa ben Levi; Abaiê, chamado de Nachmani; Rami bar Chama; Rav Bibi bar Abaiê; Rav Dimi de Nehardea; Rav Nachumi; Rabi Mesharshiá; Rami bar Iechezkél; Rabi Imar; Rabi Shemuel bar Shilat; Rabi Abin Nagra; Natan de Tsutsita, Líder da Diáspora; Rabi Tanchum de Min Noi; Rav Ivá, pai do Rav Sama; Rabi Safra, da época do Ravina; Rami bar Tamari; Rafram bar Pepa; Rabi Zeira bar Hilel; Rabi Zeiri de Dahavat, Ravin e Rav Dimi que emigraram da Babilônia para a terra de Israel; Rabi Chaná Bagdateá; Shivchat, filho do Ravina; Rabi Chama bar Buzi; Rabi Sheisha, filho do Rav Idi; Rabi Chia de Daftai; Iehoshúa bar Zarnuqui, chamado na Guemará de Chiá bar Zarnuqui, o que é um engano; Aiu; Avdimi; Bali; Rabi Iehuda Hindua; Rav Taviomi; Rabi Malchaio.
Estes são os Sábios Savoraítas: Rabi Achai e Raba de Pumbedita. Estes são os Gaonim: Rabi Acha de Shavchá; Rabi Dustai Gaon; Rabi Tsemach, o primeiro Gaon, filho do Rav Paltoi Gaon e o Rabi Nehilai, o primeiro Gaon.
Estes são os Posquim: Rabi Shlomó bem Adêret (Rashba), de abençoada memória; Rabeinu Aharon, neto do Rabi Zarchiá Halevi; Don Vidal de Tolosa, autor do Maguid Mishná; Rabi Iossef Caro, autor do livro Beit Iossef (Shulchan Aruch); meu irmão, o honrado Rabino Moshé Vital e eu, o jovem Chaim.
E saiba que todos estes são apenas da raiz do aspecto de Néfesh, e existem muitos deles cujo aspecto de Rúach é de outra raiz, até mesmo o Rabi Akiva — cujo Rúach era de outra raiz.
A única exceção é o Abaiê, cuja Néfesh, Rúach e Neshamá inteiros eram da mesma raiz que a minha Néfesh.
Portanto, todas estas encarnações que mencionei, desde Caim até chegar a mim, são apenas relacionadas ao aspecto da Néfesh. Shabtai, o revendedor de frutas, é uma das Klipot da raiz de minha Néfesh.
A respeito da divina inspiração; [eu queria obtê-la] e ele uma vez perguntou isso à minha alma, e ela lhe disse para eu jejuar e me penitenciar quarenta dias consecutivos com 'saco e cinzas'. Depois eu deveria me penitenciar sempre às segundas e quintas até completar dois anos e meio.
Depois disso eu atingiria completa divina inspiração, similar à dele, sem nenhuma influência do Outro Lado [da Impureza], como aconteceu com outras pessoas.
Em outro dia ele voltou a perguntar e lhe disseram que eu deveria ficar um mês inteiro com ‘saco e cinzas' e em jejum.
Além disso, eu deveria me comportar com humildade e sem contar piadas ou sorrir a ninguém.
Ele me disse que todo o principal de minha correção dependia dessas duas coisas mencionadas explicitamente, que são: a humildade e não me portar como um palhaço, se divertindo.
Em outro dia ele voltou a perguntar e lhe disseram para eu chegar em um nível realmente elevado como o dele próprio, seria impossível antes de passados dois anos e meio.
Se neste tempo eu me comportasse de modo a me arrepender, em especial, passando em penitência por quarenta dias consecutivos [vestido] em saco, dormindo todas as noites em saco, eu receberia um Rúach HaCôdesh [Espírito da Santidade] de três em três meses, de repente. E depois destes dois anos e meio eu atingiria o mesmo nível dele, permanentemente.
O motivo de serem exatamente dois anos e meio é que na minha adolescência eu fiquei exatamente este período de tempo sem me ocupar com a Tora, além de meus atos não terem sido muito direcionados para minha correção pessoal.
Por isso eu precisava me arrepender por outros dois anos e meio, para fazer paralelo a este período.
Em outro dia voltou a perguntar e lhe disseram que eu deveria me penitenciar por quarenta dias consecutivos, ficar em saco e cinzas e ainda prantear.
Em especial eu deveria, durante estes quarenta dias, dormir com o saco e no chão.
Além disso, eu deveria por uma pedra no lugar da cabeça e meditar no Tetragrama que tem o valor numérico igual ao de — ’’, [que significa pedra], nesta forma: ’’, ’’, ’’, ’’. Depois eu deveria fazer todo o mencionado como penitência às segundas e quintas até o fim de dois anos e meio.
Eu deveria me portar com toda humildade e modéstia possível, até as últimas circunstâncias.
Eu também deveria cuidar da minha raiva e da minha critica. Em outro dia voltaram a lhe dizer que eu deveria tomar muito cuidado, pois conforme o que tinham lhe dito, com o passar do tempo meu pensamento ia se deturpar, e eu não ia querer aceitar o fardo do arrependimento. Portanto, como a decisão estava em minhas mãos, eu deveria tomar me cuidado e me fortalecer bastante neste ponto.
Um dia ele me disse que naquela semana ele estava vendo um Rúach puro que estava me rodeando.
Isso indicava que eu deveria atingir completamente um nível mais elevado. Mesmo se eu o rejeitasse os céus iriam me obrigar a isso, até atingi-lo. Pois eu vou atingir um grau muito elevado, como o que ele mesmo possuía. Um dia ele me disse que todos estes níveis que eu iria atingir eram por causa da minha "paixão" por ele, e que a alma dele estava me ajudando muito, e estava próxima de entrar em mim por Ibur. Ele me disse que eu tinha uma proximidade com ele e que, em especial, em outra encarnação, eu tinha sido seu discípulo, como agora, e que eu deveria me unir a ele sempre, em pensamento.
Isso me ajudaria muito.
Um dia ele me disse que eu deveria prestar atenção ao dizer "Haleluiá — Louvai a Adonai, louvarei a Adonai de todo o meu coração". Depois eu deveria meditar no nome — ’’ e fazer isso sempre ao levantar durante a noite, após a meia noite.
Isso me ajudaria muito para atingir um nível elevado. Ele também me disse que eu deveria sempre prestar atenção para usar os filactérios conforme a opinião do Rabenu Tam, que é o segredo da permutação do Tetragrama — ’’, retirado das iniciais de:
"Quem se glorificar, deve se glorificar por sua sabedoria e por Me conhecer."
Portanto; a colocação desses filactérios ajuda muito a elevação, o intelecto e a sabedoria.
Ele também me disse que a parte principal da elevação dependia da intenção humana e do cuidado na hora de proferir cada benção de apreciação pela comida.
Por meio delas se anula a força das Klipot localizadas nos alimentos e que depois aderem ao homem quando ele as consome. Por meio das bênçãos ditas com intenção positiva e verdadeira se retira dali as Klipot e se refina o que é material para virar puro intelecto. Por isso eu preciso prestar muita atenção quanto a isso. Ele me ordenou que eu lesse diariamente trechos da Torá, da Mishná, do Talmud e da Cabalá, junto com as meditações que ele passou para mim, como está escrito no meu livro.
Eu precisava fazer isso diligentemente.
Ele também foi muito exigente comigo na questão do Shabat, no sentido de guardá-lo e respeitá-lo mais do que todos os outros preceitos juntos. Certa vez eu estava diante dele e fazia um mês que eu não praticava nenhum Ichud dos Ichudim que ele tinha preparado para mim. Isso ele reconheceu olhando no meu rosto e me disse "Se tu Me abandonas por um dia Eu te abandono por dois".
Ele me disse que com isso eu estava causando grandes danos que evitariam com que algumas Neshamot se unissem a mim. Eu lhe respondi que tinha feito isso porque queria me ocupar somente da Torá e porque, em especial, me parecia que aquelas almas não estavam se mostrando abertamente para mim.
A isso ele respondeu que mesmo assim eu não deveria deixar de praticar aqueles Ichudim diariamente, pois eles eram ainda maiores do que a ocupação com a Torá, já que eles promoviam a unificação dos mundos superiores, se enquadrando até mesmo como uma ocupação com a Torá. Ele ainda me disse que quando eu praticasse os Ichudim meu objetivo não deveria se focar somente em atrair aquelas almas, mas em corrigir os mundos superiores.
Quando nós fomos para Tiberíades, para a caverna do Rabi Akiva, ele também me disse que o Rabi Akiva estava me dizendo para mencionar dez vezes o seu nome, um após o outro, antes de cada reza das três rezas diárias que fazemos, pela noite, pela manhã e pela tarde. Com isso ele entraria por meio de Ibur em mim e me ajudaria. Ele me disse que eu não precisava dizer "Rabi Akiva", bastava dizer "Akiva". Ele também me disse que até a festa de Sucót do ano de 5334 a partir da criação do mundo eu realmente precisava de ajuda, e que ele me ajudaria na hora do Ichud.
Porém, dali em diante eu não precisaria de ajuda nenhuma, pois já teriam se passado os dois anos e meio relacionados com o período em que pequei por deixar de me ocupar com a Torá.
Além disso, ele me disse que mesmo que me ajudasse até então, seria por mero acaso, pois depois disso eu atingiria um nível elevado para sempre. Ele também me mandou não deixar de fazer os Ichudim que ele tinha me dado.
Se eu fosse me prostrar sobre o túmulo dos justos, eu deveria ir na véspera do novo mês [segundo o ciclo da lua], ou no dia 15 do mês, pois estes dias possuem condições são mais adequadas do que qualquer outro dia. Eu não deveria ir no Shabat, em um dia de festa ou no início do mês em si, pois nestes dias as Nefashot deles sobem aos mundos superiores e não ficam no túmulo.
Certa vez ele me mandou aos túmulos dos justos em Chol Hamo'êd [dias intermediários da festa] para rezar a eles, mas eu não me prostrei.
Ele me disse que eu preciso meditar na permutação [hebraico Ichud] das letras Iud e Vav relacionado aos 13 pêlos brancos da Cabeça mais do que nas outras permutações [Ichudim].
Se eu fosse à noite durante a semana, eu deveria ir depois da meia-noite, pois este é o momento da "vontade".
E nas noites de Shabat eu poderia fazer o Ichud mesmo antes da meia noite, depois da refeição da noite [de Shabat -sexta à noite]. No início do mês eu deveria fazer o Ichud baseado no nome Shadai –’’, pois este Ichud é o segredo do início do mês [hebraico Rosh Chodesh — ], já que o nome Shadai completado [ ’’ ’’ ’’ ] possui o mesmo valor numérico de "início do mês" [em hebraico = 814]. Até mesmo para se prostrar no túmulo dos justos no primeiro dia do mês este Ichud mencionado para o início do mês é bom. O Ichud do versículo "Renova-se a cada manhã" é bom para ser feito nas noites do dias de semana, depois da meia noite, ou nas noites de Shabat [sexta à noite] antes da meia noite, pois nestes dois períodos Lea se estende por todo o comprimento [ou altura] de Zeir Anpin. Ainda nas noites de Shabat, antes da meia noite, é bom fazer o Ichud dos Dez Tetragramas de Dáat.
Ele também me ordenou que eu lesse, em todas as noites de Shabat, depois da refeição e do Bircat Hamazon [Bênção do término da refeição], porém ainda antes da meia noite, o Tratado de Eruvin. Isso porque ele é o segredo do Eruv [][Eruv — determina os limites do Shabat, onde é permitido carregar coisas; o espaço dentro destes limites é considerado 'domínio privado' e não público.] que pode ser lido como: ’’ ’’ .
E saiba que o efeito de todos estes Ichudim se dá quando são feitos sobre o túmulo dos justos ou em qualquer dia depois da meia noite. E mesmo que não sejam feitos sobre o túmulo dos justos, ajudam de qualquer modo.
Depois da meia noite é o momento da vontade, por isso este é o momento mais escolhido dentre todos os outros momentos.
Ele também me disse que o Rav Iba Saba, de abençoada memória, é mais ligado ao Rabi Iehoshúa Soriano, que comeu a gordura [proibida do animal], como já foi dito.
Se eu corrigisse isso, ele se ligaria a mim mais do que os outros. O Rabi Iochanan ben Zacai está ligado ao autor do livro Maguid Mishná por causa da questão da mulher menstruada.
O Rabi Akiva está mais ligado ao Rabi Shaul Trishti, por causa da questão do derramamento de sangue que mencionamos. A questão do Rabi Akiva se deu porque ele também errou em algo similar, colocando em volta do seu ombro o corpo de um falecido e andando alguns quilômetros com ele.
E os Sábios disseram para ele que a cada passo que ele dava era como se ele estivesse derramando o sangue do falecido [porque ele parou de estudar a Tora que é considerado um preceito mais importante]. Por isso que ele é unido ao Rabi Shaul.
Mas sobre os outros dois o meu mestre não quis revelar nada, já que os Sábios não falaram nada sobre isso.
No entanto, sobre o Rabi Akiva os sábios já tinham revelado e, por isso, ele podia falar do assunto abertamente.
Ele também me disse que via escrito na minha testa o versículo:
"para pensar em obras de mestre, para trabalhar em ouro, em prata." Isso indica a questão do desperdício de tempo que eu praticava com a ciência da química.
Ele também me ordenou remover as facas da mesa e ter sempre um cuidado em removê-las totalmente.
Ele me disse que não bastava apenas cobri-las. Isso porque eu sou da raiz de Caim, que é o segredo das ferramentas de corte.
Ele também me disse que agora, nesta minha encarnação atual, eu estava corrigindo Iuval, que é da raiz de minha alma, e que mexia com todo material de cobre e de ferro, que são do lado de Guevurá. Como eu não estava fazendo a correção como eu devia, às vezes, quando estou com a faca na mão, eu corto a mão ou os dedos sem querer. Isso acontece com qualquer instrumento de ferro. Ele me disse que o aspecto de Iuval é o aspecto de Caim no Partsuf de Iaakov, pois ele também inclui Caim e Abel e todas as raízes, do mesmo modo que Zeir Anpin é chamado de Israel, incluindo os primeiros Caim e Abel, ou seja, os primeiros filhos de Adão.
Ele disse ainda que ele precisava corrigir este Iuval antes da vinda do Messias, pelo segredo de "trarão [hebraico Iovilu] oferendas ao Temível.", que alude a este Iuval que entrou por meio do Ibur em Moisés, nosso mestre, para se corrigir nele, pois Moisés também tinha em si algumas centelhas de Caim.
Isso está aludido nas iniciais, em hebraico, de: "E Adonai irou-Se contra [também; entrou por Ibur em] mim por vossa causa" que são as iniciais de: " (Iuval). E foi isso que foi dito no versículo: "e que estende [hebraico Iuval] as suas raízes, etc" dito sobre Iuval porque ele tem em si todas as raízes de Caim como elas existem em Zeir Anpin; pois Caim é o aspecto de Caim de Zeir Anpin e Iuval é o aspecto de Caim no partsuf superior chamado de Iaakov, como é sabido.
Vemos, portanto, que este Iuval começou a se corrigir por meio de Moisés, e por isso ele está aludido nas iniciais de "E Adonai irou-Se contra [também; entrou por Ibur em] mim por vossa causa."
Certa vez eu fui com o meu mestre ao local em que os amigos do Rabi Shimon bar Iochai se reuniam quando compunham o Idra Raba de Nassô. E ali, a leste do caminho, existe uma pedra com duas protuberâncias enormes.
Na protuberância do lado norte se sentava o Rabi Shimon bar Iochai na época do Idra Raba.