Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte 3
Introdução 3
[Na Cabalá existe um conceito de "semelhança e dissemelhança de forma". Por "forma" entenda-se o Desejo/vontade.
Isto porque o formato e o tamanho de qualquer forma são determinados pela capacidade e habilidade de receber do Receptáculo espiritual, que, na sua essência, é determinado pelo "tamanho" do desejo ou da vontade. Assim, para que dois Receptáculos diferentes se unam, ambos têm que alcançar a "semelhança de forma"; em outras palavras, eles têm de ser semelhantes em seus desejos.
Este é o segredo da união e do amor.
Por outro lado, a dissemelhança de forma ocorre quando não há qualquer tipo de semelhança entre os Receptáculos e o que eles desejam. Este é o segredo da desunião, da separação e até mesmo do ódio, todos derivados da falta de afinidade.
Nossas ações neste mundo são um idioma que pode ser interpretado ou traduzido no mundo espiritual, exatamente como fazemos entre diferentes línguas do mundo físico.
Estas ações nossa criam certas vibrações que ressoam com outras frequências.
Assim, se uma determinada ação de uma pessoa ressoa com a de outra, ambos podem alcançar a "afinidade de forma", ou seja, seus desejos são semelhantes.
Essa ação pode ser interpretada como um sinal de que a pessoa está se comunicando com o mundo espiritual.
Através desta linguagem, ela pode conscientemente e intencionalmente invocar uma alma específica.
A união entre os dois, a alma encarnada e a desencarnada, se dá pelo segredo do Ibur.
Nesta introdução, o Ari elabora ainda mais sobre os temas da reencarnação, o Ibur e o Ibum, adicionando outra circunstância ao Ibur, dizendo que ele pode ocorrer enquanto ambas as pessoas ainda estão neste mundo. Em relação à reencarnação, o Ari explica o início e as origens deste processo, que se relacionam com Adão (hebraico Adam) e Eva (hebraica Chava)]
Sobre a encarnação, o Ibur e o Ibum, com o objetivo de explicar melhor a questão destes três temas.
O Ibur acontece durante a vida da pessoa, como já dissemos. Às vezes surge para a pessoa a oportunidade de cumprir um preceito e ela o cumpre como deve ser cumprido.
Então, nesse momento a Néfesh de um justo de uma geração anterior, que fez este mesmo preceito corretamente, pode se unir à pessoa como um Ibur, já que ambos se tornaram similares com relação a este preceito. Não só isso, mas também é possível que o justo esteja vivo durante a vida da pessoa que fez o preceito!
E mesmo assim o Ibur pode acontecer.
Portanto, se uma pessoa cumpre um preceito particular ou um preceito que é relevante a um justo que também o cumpriu corretamente, a Néfesh do justo pode entrar por Ibur na pessoa, mesmo que ambos estejam vivos ao mesmo tempo.
Esse é o significado secreto do versículo "A Néfesh de Jônatas (Jonatan) se ligou à Néfesh de David".
Como ambos estavam vivos, isso quer dizer que a Néfesh de David entrou na Néfesh de Jônatas por Ibur.
Com relação ao conceito de encarnações, é preciso explicar algumas coisas mais.
Por isso, vamos começar a discussão com Adam Harishon, o primeiro homem, ou seja, Adão, para melhor compreender o assunto. (Adendo: O escritor disse: Parece que ao cumprir apenas um preceito do jeito certo já se pode começar a receber a influência de um Ibur, não sendo necessário para tanto cumprir todos os preceitos).
[A fonte de todas as almas vem de Adão e Eva (O Primeiro Homem e a Primeira Mulher).
Embora apenas Adão seja mencionado, este termo inclui a ambos. O Ari nos ensina que a fonte original de todas as almas tinha uma estrutura no formato de um corpo.
Este é o corpo espiritual de Adão, que inclui a Eva dentro dele, como uma unidade.
Nossos corpos físicos também contêm estes mesmos elementos, uma vez que são uma microestrutura da macroestrutura que é o corpo de Adão. Obviamente, é desnecessário dizer que os órgãos e tendões do corpo de Adão são puramente espirituais, e são a fonte de todas as almas ou centelhas.
Quando Adão pecou, seu corpo se desfez e estas partes se tornaram as almas-raiz para toda a humanidade.
Eles caíram no mundo das trevas, conhecido como Klipot. Assim, todas as almas encarnadas da humanidade têm a missão comum de corrigir os danos causados a elas por esse pecado. Quanto mais alta estava a alma na estrutura do corpo de Adão, mais profundo ela caiu nas Klipot, porque a altura de uma alma indica a grandeza de seu desejo.
Portanto, quanto maior o desejo, maior o pecado. O pecado de Adão não foi o único pecado que afetou as almas. Seus filhos, Cáin (hebraico Cáin) e Abel (hebraico Hével), adicionaram algo ao pecado original, fazendo com que as almas caíssem mais no fundo na escuridão.
Com isso aprendemos que os pecados, que são cometidos por almas reencarnadas, pioram a sua situação.]
Saiba que quando Adão pecou, ele maculou todas as centelhas de sua Néfesh, Rúach e Neshamá.
Isso ocorreu pelo que é sabido, de que o corpo de uma pessoa é composto de muitas centelhas divididas em 248 órgãos e 365 tendões — e, consequentemente, há diversas centelhas na cabeça, nos olhos, e em cada um dos órgãos — o mesmo se aplica àquela Néfesh [de Adão]. Isso é o que o Midrash Tanchuma e o Midrash Rabá, ao tratar da porção semanal de Nassô, explicam sobre o versículo: "Onde estavas quando construí as fundações da terra?"
Isso ensina que [depois do pecado] Adão ficou como uma matéria inerte, e com a culpa sobre sua cabeça. [Em hebraico, golem, sem vida ou sem consciência, o significado literal refere-se à matéria-prima bruta da qual Adão foi criado].
O seu Rúach também estava dessa maneira, bem como sua Neshamá. Quando ele pecou, no entanto, ele maculou a maioria das centelhas de sua Néfesh, Rúach e Neshamá, fazendo com que elas ficassem imersas nas Klipot.
Esse é o segredo do que está escrito no Sêfer HaTicunim na introdução sobre o versículo "Como um pássaro que peregrina deixando o seu ninho”. Quando a Shechiná ficou exilada entre as Klipot, os justos aceitaram a diáspora e foram atrás Dela, vagando de um local para o outro, a fim de poderem ficar juntos a Ela.
O local ao qual as centelhas foram exiladas no mundo das Klipot é definido de acordo com o aspecto de onde elas vieram.
Se elas vieram da cabeça, elas se exilaram para a cabeça das Klipot. Se vieram dos olhos, foram para os olhos, etc.
Esse é o segredo da ideia do "exílio das almas" que se menciona lá. Em seguida, Cáin e Hével, filhos de Adão, cometeram seu próprio pecado, além daquele que seu pai havia cometido, e assim fizeram com que suas centelhas também se imergissem nas Klipot.
No entanto, em cada geração, algumas dessas centelhas encarnam no mundo para serem corrigidas.
Tudo depende do nível das almas daquela geração. As almas de uma geração podem vir das centelhas da cabeça, ou dos olhos, etc.
Alguns reencarnam para serem corrigidos, mas não são cuidadosos e pecam.
A centelha que faz isso se afunda ainda mais nas Klipot, com todas as centelhas que derivam e dependem dela.
E este é um caso intermediário, que inclui e se relaciona tanto com a reencarnação como com o Ibur.
Isso é porque todas as centelhas da Néfesh, mesmo aquelas já corrigidas, voltam em uma encarnação completa desde o momento do nascimento junto com a centelha individual que foi danificada. Elas não se separam até o dia da morte.
[Isto é assim, porque a elevação dos diferentes níveis da Néfesh, a saber, as Nitsotsot (centelhas), dependem umas das outras. É por isso que todas elas têm de reencarnar juntas, desde o começo até o fim da vida de uma pessoa].
No entanto, a reencarnação destas centelhas corrigidas é chamada Ibur, já que elas não compartilham os pecados do corpo, apenas os méritos. Elas se assemelham às Nefashot dos justos que já morreram e vieram como Ibur durante a vida de uma pessoa e não desde o dia do nascimento. Portanto, uma centelha que não foi corrigida de maneira alguma com o cumprimento de preceitos que lhe são relacionados, ou que não foi corrigida por cometer uma transgressão daquelas que impedem a ressureição [dos mortos], deve reencarnar em um segundo corpo, que vai ser denominado por aquela centelha.
[O nome indica a identidade daquela centelha, adquirida por seus méritos, ou por suas transgressões].
Mas junto a ela, centelhas que alcançaram a correção através do cumprimento de preceitos, mas que também foram maculadas pela transgressão de pecados "leves", virão como Ibur do tipo mencionado anteriormente, mesmo que isso seja uma encarnação. Em contraste a isso, as centelhas que não foram maculadas por pecados depois de terem sido corrigidas pelo cumprimento dos preceitos não voltam mais, a não ser que seja por Ibur durante a vida de uma pessoa. E mesmo isso, só se houver mérito da pessoa.
Ou seja, o que nós aprendemos foi: Quando uma Néfesh reencarna neste mundo, a principal razão da sua encarnação é por causa daquela parte especifica que é danificada e associada com aquele corpo. As outras partes da Néfesh anteriormente corrigidas em outros corpos só entram aqui [nesse corpo] como aspectos de Ibur. Sendo assim, quando a parte que está associada com esse corpo faz um preceito neste mundo, as outras partes da Néfesh que estão ali por Ibur recebem uma porção deste preceito, já que elas ajudaram na realização daquilo, como explicamos antes quando falamos do Ibur do justo. Por outro lado, se esta parte particular [da Néfesh] pecar, as outras partes não sofrem a punição decorrente das transgressões, já que estas partes só vêm para ajudá-lo a fazer o bem, e não o mal.
Portanto, quando uma pessoa nasce numa reencarnação, a Néfesh com todas as suas partes reencarnam.
No entanto, a essência da encarnação se dá só com a parte específica que pecou no corpo anterior e que agora retorna para se corrigir. Essa é a parte que se associa ao corpo, e a recompensa e a punição se aplicam a ela.
No entanto, o resto das partes da Néfesh só toma parte na recompensa, e não na punição.
Então como a Néfesh em sua totalidade sofre e recebe os castigos no corpo atual, sem considerar o que já foi sofrido pelas outras centelhas em corpos anteriores, e como ela também sofrerá a dor da morte e do que vem após a morte, então, seus pecados anteriores são expiados. [As virtudes e Mitsvot são contadas - e ajudam a seguir em frente / a dor e o sofrimento expiam as transgressões.
As transgressões não contaminam ou anulam os méritos.]
Mais do que isso, através dos preceitos das encarnações anteriores e da encarnação presente, na qual ela tem parte, como dissemos, a correção da Néfesh consegue se completar.
No entanto, se ela tivesse parte nos pecados cometidos por essa centelha também, jamais poderia haver correção para a Néfesh, independentemente de quantas encarnações existissem.
Isso porque uma pessoa sempre peca, e iria adicionar pecados em cima das suas transgressões anteriores de outras reencarnações, numa progressão sem fim!
Mas, como as outras partes da Néfesh não compartilham a responsabilidade pelo mal dessa centelha particular — só pelo mérito — o resultado é que os pecados podem ser expiados e impedidos de aumentar. [Se não for pelas Mitsvot, será então pelo sofrimento e pela dor que a pessoa sofre ao longo de suas vidas.
E nesse caso a angústia que a pessoa sente durante a reencarnação se toma uma forma de purificação e mérito.]
Então os méritos sempre são adicionados a cada encarnação de cada centelha.
Por meio disso, pode haver um fim para o ciclo de encarnações e de correção da Néfesh.
Entenda bem isso.
Desse modo, a Néfesh vai atingindo a completude em todas as suas centelhas, através das reencarnações, até que a completude é atingida para todas as centelhas, da "cabeça" da Néfesh até as "pernas". Então, "as pernas do Messias aparecem", como está dito no Zôhar. Mas, com relação ao Ibum não é assim.
Neste caso a encarnação ocorre por um motivo diferente. Quando se trata de qualquer pecado que a Torá menciona, a correção deles pode se dar pelo sofrimento nesse mundo e pela vida no Guehinóm após a morte.
Sendo assim, nem todas as partes da Néfesh precisam reencarnar, e elas só vêm por Ibur conforme mencionado anteriormente. E somente aquela centelha específica reencarna. No entanto, o Ibum acontece porque a pessoa morreu sem ter filhos, um insucesso considerado similar a se a pessoa sequer tivesse vindo ao mundo. Ou seja, é como se o seu primeiro corpo jamais tivesse existido, conforme está dito no Zôhar.
Portanto, nesse caso, a Néfesh inteira, em todas as suas partes, que estava no primeiro corpo deve retornar e reencarnar, para seu próprio bem. E, no final das contas, é o seu segundo corpo que se torna o principal. Depois que a pessoa atinge a correção nele, e parte deste mundo, na ressurreição dos mortos, a Néfesh voltará somente nesse segundo corpo. Enquanto, no primeiro corpo entra somente o "Rúach que ele colocou em sua esposa", como está dito no Saba de Mishpatim. [O Zôhar explica que durante a relação sexual com sua esposa, o marido deixa uma parte de seu Rúach dentro do útero dela. O Ari aqui está fazendo uma correlação entre o conceito da união entre marido e esposa; a união marital é cumprida quando o marido deixa uma parte do seu Rúach dentro da sua esposa.
Isso ocorre assim, pois é somente desse modo que ela se torna o 'receptáculo' dele].
Essa é a diferença entre alguém que morreu sem ter filhos e que deve voltar pelo segredo do Ibum e alguém que morreu por conta de diversas transgressões da Torá e que precisa vir por reencarnação, e não por Ibum. Todos os detalhes que explicamos referentes às centelhas da Néfesh também se aplicam ao Rúach e à Neshamá.
Existe outra diferença entre o Ibum e a reencarnação, relacionado ao que foi mencionado no início desta Introdução.
Se uma pessoa reencarnar pelo segredo do Ibum, o seu primeiro corpo é considerado como se jamais tivesse existido.
Por esse motivo, toda a Néfesh, em todas as suas partes, volta como uma nova estrutura [considera-se como se fosse a primeira encarnação, na qual é possível atingir todos os níveis da alma numa só vida]. É possível, portanto, que o Rúach e a Neshamá reencarnem juntos com a Néfesh, embora não todos ao mesmo tempo.
Só quando a pessoa tem o mérito e cumpre preceitos adequados [para atrair] o Rúach, é que ele entra nela; e o mesmo vale para a Neshamá. Isso está conforme o que explicamos no início de todo este ensinamento, sobre uma pessoa que veio ao mundo pela primeira vez, e sobre quem o Saba de Mishpatim diz: "Se a pessoa merecer mais, lhe trazem um Rúach; se ela merecer mais, lhe trazem uma Neshamá etc". Esse não é o caso, como explicaremos, para alguém que reencarna. Podemos concluir que quem vem pelo segredo do Ibum, que é similar a uma 'nova estrutura', é capaz de atingir os três níveis — NaRaN — ”] juntos naquela vez [vida], conforme as suas ações, como mencionado. Esse é o segredo do versículo: "Se for a intenção do coração dele, de fato acolherá o seu espírito [Rúach] e a sua alma [Neshamá] a ele", que foi explicado no Saba DeMishpatim em relação a quem vem [para esse mundo] pelo segredo do Ibum.
E sua explicação é a seguinte: Do mesmo jeito que quem cumpre o preceito do Ibum (casamento levirato) tem a força de devolver a parte da Néfesh do seu irmão para esse mundo através do Ibum, similarmente, quem vem por Ibum tem força para devolver e acolher toda aquela Néfesh, junto com seu Rúach e sua Neshamá.
Tudo isso é possível somente por boas ações, como é dito: "Se for a intenção do coração dele, etc."
[Esse versículo do Livro de Jó se refere ao segredo do Ibum, como o Ari explica.
O significado do preceito do Ibum é um dos mais profundos da Torá. Trata-se do caso de um homem que morre sem ter filhos. Para salvar a alma dele e não deixá-la perder-se, e sem participar na ressurreição dos mortos, por não ter cumprido o preceito de procriação, que é obrigatório e não se pode deixar de cumprir, então, resgatá-lo torna-se a missão do seu irmão ou de uma pessoa mais próxima a ele. A Torá nos ensina que o irmão que está vivo tem que se casar com a esposa do seu irmão falecido.
Na união marital, o irmão tem que meditar com a "intenção do coração dele" para "acolher o Rúach e a Neshamá" do seu irmão falecido. O filho que nasce dessa união tem de fato o Rúach do falecido. No sentido espiritual, ele é o 'irmão' do seu pai biológico.]
Portanto, numa reencarnação que não seja por Ibum, a pessoa não tem a força de atrair os três níveis da alma juntos, somente um por um. Por isso, no começo, a Néfesh reencarna sozinha, até que seja totalmente corrigida, e a pessoa morre.
Em seguida, o Rúach reencarnará sozinho em outro corpo até que seja corrigida.
Contudo, a Néfesh reencarna junto com ele, mas só de acordo com o segredo do Ibur, pois ela é corrigida.
Então, por ela vir somente para ajudar a pessoa e fazer o bem para ela e não o mal, ela participa nas boas ações do Rúach, e não nas más. É igual ao caso quando a Néfesh, em seu total, reencarna junto com uma parte particular dela, e fica com ela pelo segredo do Ibur, etc. (Veja anteriormente).
[Nessa explicação fica claro como as reencarnações da Néfesh têm um fim, e ela pode ser corrigida por não fazer parte das transgressões do Rúach, como foi mencionado.]
[Voltando ao assunto] — Depois, a pessoa morre e a Neshamá reencarnará para se corrigir, então a Néfesh e o Rúach vêm nela somente pelo segredo do Ibur, até que [a Neshamá] seja corrigida. Aí não há mais necessidade para essa pessoa reencarnar mais nesse mundo para servir a se mesma, portanto, ela pode vir pelo segredo do Ibur, enquanto a outra pessoa esteja viva, para ajudá-la e aumentar os seus méritos, como foi explicado.
E agora vamos esclarecer o que aprendemos do que foi explicado no começo da Introdução, que é: mesmo sendo pelo segredo da reencarnação, com um esforço tremendo é possível para [uma Néfesh] 'um pouco nova' receber o três [níveis] — NaRaN — ” juntos, numa só vez e no mesmo corpo e não precisará de muitos encarnações.
E a pessoa completa a correção dos três numa só encarnação.
[O Ari explica aqui uma novidade em relação à possibilidade de uma pessoa que mesmo não seja a primeira encarnação da sua Néfesh conseguir receber os três níveis da sua alma.
Porque, como foi explicado, só as almas novas que nunca tinham encarnado conseguem isso, por não ter perdido a oportunidade que receberam pela encarnação.
Mas, se a pessoa, na sua primeira encarnação, pecou e esta oportunidade foi perdida, então na próxima encarnação quando só a Néfesh vem, será mais difícil para ela receber o Rúach e a Neshamá dela. Nesse caso, a pessoa precisaria morrer e renascer muitas vezes para corrigir os três.
No entanto, existem casos especiais em que a Néfesh é 'um pouco Nova', o que quer dizer que ela não encarnou muitas vezes por causa de muitas transgressões, ou a pessoa reencarnou na sua primeira vez somente com sua Néfesh e seu pecado afeta somente ela, e não o Rúach e a Neshamá, como será explicado na próxima Introdução.
E aí a pessoa consegue ganhar o Rúach — e até mesmo a Neshamá — na mesma encarnação em que a Néfesh se completou].
Normalmente, quando a Néfesh vem sozinha e atinge a correção e a purificação, o Rúach não pode se unir a ela, porque a Néfesh foi corrigida e o Rúach não.
No entanto, existe uma maneira de resolver isso, já que a Néfesh foi completamente corrigida.
É assim: Quando a pessoa vai dormir de noite, ela deposita a sua Néfesh nas Mãos do Santíssimo, como é sabido.
É possível que a Néfesh fique lá em cima, ligada ao "Poço Supernal", pelo segredo das Águas Femininas, como foi explicado no Shaar Hatefilá, quando se discute o tema da hora de dormir.
[As almas, em essência, são manifestações da Luz Infinita que desce do infinito, conhecido como Ein Sof
À medida que a luz desce, torna-se mais densa. Neste processo, a luz torna-se líquida, o que se conhece como água. Este termo é usado espiritual e fisicamente.
Portanto, a nossa água é uma manifestação da Luz. É por isso que a sua essência é misericórdia, compaixão e bondade.
Então, quando a alma, que é a luz líquida, ou a água espiritual, sobe de baixo para cima e carrega consigo os méritos de suas ações, ela sobe pelo segredo das Águas Femininas.
Isso ocorre para invocar as Águas Masculinas a descerem.]
Quando a pessoa acorda pela manhã, somente o Rúach entra no corpo, como se tivesse reencarnado em um corpo diferente. A pessoa continua se aperfeiçoando, e uma vez que o Rúach se corrige, a Néfesh pode voltar ao corpo, como no começo, pois ambos estão corrigidos. Então não há impedimento para que o Rúach se abrigue na Néfesh, e que a Néfesh se torne seu veículo.
De modo similar, depois que o Rúach ficar completamente purificado, tanto a Néfesh como o Rúach podem deixar o corpo de noite, durante o sono, e serem "depositados" nas Alturas, onde ficarão. Pela manhã, quando essa pessoa acordar, a Neshamá entra nela. Ela será corrigida, e uma vez que essa correção se complete, a Néfesh e o Rúach corrigidos anteriormente podem retornar. Os três vão se unir no mesmo corpo, e um fica sendo o "veículo" do outro. Não serão necessárias mais reencarnações.
O princípio desse Ticun está aludido no versículo "Minha Néfesh Te tem buscado a cada noite; meu Rúach Te tem buscado veementemente." A interpretação: O aspecto da minha Néfesh se purificou até ser capaz de se aderir a Ti, pelo segredo de "aderir-se a Ele."
Então, ela 'Te tem desejado' e ansiado, a ponto de merecer se aproximar de Ti.
O tempo deste 'desejar e ansiar' é especificamente de noite, quando as Nefashot estão sendo depositadas, porque elas sobem pelo segredo das Águas Femininas para causar o Zivug Supernal (Acasalamento Divino) [Esse acasalamento é entre o Pai e a Mãe Celestiais, que são a fonte do "nascimento" de todas as almas].
[Acasalamento Divino — união entre o aspecto divino Masculino e o aspecto divino Feminino —Zeir-Anpin e Malchut.]
Por conta deste desejar, e como a Néfesh purificou-se, torna-se possível uma aderência total.
A Néfesh consegue ficar lá em cima e não descer mais. Pela manhã, quando seria a hora da Néfesh descer de novo, ela não desce, só meu Rúach entra na pessoa pela manhã para ser corrigido. Por esse motivo, não 'tenho Te buscado veementemente' com minha Néfesh, mas com meu Rúach que entra então em mim para ser corrigido. Por isso que as letras iniciais das palavras hebraicas do versículo "Minha Néfesh Te tem buscado a cada noite, meu Rúach" - - formam a palavra: (beer, poço); que alude ao que foi mencionado anteriormente, de que a Néfesh deseja subir ao Poço Supernal. Sendo assim, se uma pessoa sabe sozinha que corrigiu a sua Néfesh, ela pode recitar esse versículo — Minha Néfesh Te tem buscado a cada noite; meu Rúach Te tem buscado veementemente — antes de ir dormir. O versículo deve ser recitado se concentrando no significado que foi explicado aqui para poder receber o seu Rúach e, de modo similar, a sua Neshamá.
E, sendo assim, a pessoa não precisará de encarnações adicionais. Entenda bem esse segredo e seja cuidadoso com ele.
No entanto, o versículo que nós costumamos dizer — "Em Tua Mão deposito meu Rúach..." — não ajuda a atingir o que explicamos aqui. Ele só faz com que a Néfesh suba na forma de "depósito". Pela manhã ela vai voltar a descer.
No entanto, o versículo "Minha Néfesh Te tem buscado a cada noite; meu Rúach Te tem buscado veementemente" significa que a Néfesh vai ficar nas Alturas e fazer com que ou o Rúach ou a Neshamá desça em seu lugar. (Nota: Shmuel diz: O versículo "Minha Néfesh Te tem buscado a cada noite; meu Rúach Te tem buscado veementemente" foi explicado no Capítulo Seis do Shaar Hacavanot - Portão das Meditações, e adiante na Introdução 6. Confira.)
Continua