Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte 6
Introdução 6
[Nesta introdução, o Ari elabora sobre o tema das Almas-Raiz relacionadas aos membros do corpo de Adão; o processo de Teshuvá (expiação e retomo espiritual à Alma-Raiz), e a necessidade de saber quem são as pessoas que reencarnaram e que pertencem à mesma raiz de alma a fim de corrigir o pecado específico que foi cometido por eles.
Esta introdução exige uma explicação do termo "Acasalamento" (hebraico. Zivug) e os dois tipos principais de acasalamento, que são "Face a Face" e "Costas a Costas".
Todos os cabalistas, incluindo, claro, o Ari, usam uma linguagem especial. Esta linguagem foi tirada do mundo físico, mas cada palavra se refere a algo espiritual, como por exemplo, nas palavras acima. Os mundos foram criados como resultado da recusa do Receptáculo em receber a Luz do Criador - isso é conhecido como o Tsimtsum, ou Contração.
Quando isso aconteceu, o Receptáculo caiu na escuridão. Embora a luz estivesse lá, havia uma situação que os cabalistas descrevem pelo termo de "Costas a Costas" - onde eles não podiam ver uns aos outros. O objetivo final é se virar e um ficar de frente para o outro - isso é chamado de acasalamento Face a Face.
Todos os mundos foram inicialmente criados pelo acasalamento Costas a Costas.
Isto inclui as almas de Adão, especialmente aquelas que participaram do pecado.
Então, quando elas reencarnam, são mais propensas a repetir o pecado. As almas que surgem neste mundo a partir do Acasalamento de Face a Face são almas com uma luz intensa que as protege e lhes impede de pecar. Estas são consideradas almas novas ou renovadas. Renovadas, porque elas podem até ser as mesmas almas que apareceram antes, do acasalamento de Costas a Costas, mas agora reapareceram a partir do acasalamento de Face a Face.
Eventualmente, o processo de Correção das almas e dos mundos é mudar o acasalamento, de Costas a Costa para Face a Face. Este é o fim do processo de Ticun.
Quando o Templo Sagrado existia, era possível atrair almas que já vinham no acasalamento de Face a Face.
Mas, desde o momento em que o Templo foi destruído, isso se tornou quase impossível, a não ser por meio de profundas meditações feitas por grandes justos.]
Agora discutiremos o conceito de almas novas e velhas, que já discutimos brevemente no quinto capítulo do Shaar Hamitsvot, quando falamos do preceito de afugentar a mãe-pássaro do ninho.
Também explicaremos a questão da origem das almas. Saiba, que quando todos os mundos foram criados, até mesmo o mundo de Atsilut, eles foram formados primeiramente pelo segredo da Unificação [ou acasalamento de] Costas a Costas. Depois eles passaram a existir no aspecto de Face a Face.
A mesma coisa se aplica às almas humanas, que primeiro são criadas pela Unificação Costas a Costas.
No entanto, desde que Adão foi criado em diante, e até a chegada do Messias, a correção realizada é para aquelas almas, que originalmente foram criadas no aspecto de Costas a Costas, para que sejam agora [na época do Messias] 'Novas' e criadas do acasalamento de Face a Face. Essa alma é chamada 'Nova', no sentido de ter uma nova consciência. Praticamente, é a mesma alma, porque já sabemos que não há novas almas criadas com o decorrer do tempo.
Todas as almas da humanidade existem já no corpo de Adão. Esse corpo é a fonte de todas as almas.
Isso acontece assim porque, depois de elas terem sido criadas Costas a Costas, elas desceram juntamente com a Shechiná em seu exílio entre as Klipot.
No entanto, um justo, com a verdadeira concentração, e um estado meditativo profundo, consegue alçar uma alma 'Nova'. Em outras palavras, por meio dessa concentração e meditação, uma alma pode subir das Klipot para ser renovada pelo segredo de "Renova-se a cada manhã e imensa é Sua fidelidade”.
Depois disso, essa alma descerá a esse mundo no aspecto de Face a Face. Assim, esse será o início de sua 'criação', e elas passam a ser chamadas de "Novas".
Elas têm uma predisposição a não pecar, diferente das outras almas. [Costas a Costas e Face a Face - o tema do acasalamento (hebraico. Zivug) se refere à união entre os aspectos do masculino e do feminino do Divino. O Divino se relaciona com os Receptáculos que apareceram depois do Tsimtsum.
Não há nenhum aspecto do gênero, número ou grau, bem como de qualquer outra limitação, em referência à Luz do Infinito (Ein Sof). Somente depois do Tsimtsum o mundo de dualidade e dos opostos apareceu.
O início da dualidade surgiu quando o Receptáculo, considerado o aspecto feminino - já que ele recebe a Luz separada da Luz, e que é considerada o aspecto masculino - já que é doadora.
Quando há uma união entre o Receptáculo e a Luz, o que pode ser definido respectivamente como a Shechiná e o Santíssimo, bendito seja, isso é chamado de 'Acasalamento'.
Todas as almas da humanidade surgem a partir do acasalamento espiritual. Há três etapas do acasalamento:
(1) Costas a Costas
(2) Face a Costas, e
(3) Face a Face.
Quando o acasalamento é de Costas a Costas, escuridão prevalece e as almas são grandemente escurecidas por causa dele. O esforço espiritual e o trabalho dos justos é fazê-los ficar Face a Face. As almas que nascem deste acasalamento são as mais iluminadas. Devemos lembrar que não se trata de um acasalamento físico, mas sim uma descrição da consciência espiritual e divina. Costas a Costas é uma situação que descreve a desconexão total com a consciência divina; Face a Costas descreve o processo intermediário de despertar espiritual, até chegar à iluminação final de Face a Face.
Então, Costas a Costas refere-se aos dias de exílio, quando a Shechiná está presa sob a influência das trevas e das Klipot.
Por outro lado, o acasalamento de Face a Face descreve a redenção final e os dias do Messias, ou seja, a Era de total Iluminação Espiritual.]
Porém, saiba que nesse momento da história nós só temos a capacidade de alçar essas almas `Novas' de BIA, ["] (Acróstico dos três mundos inferiores: Beriá, letsirá e Assiá = Criação, Formação e Ação.) que são a Neshamá, o Rúach ou a Néfesh, como é sabido. No entanto, no futuro, depois da Ressurreição dos Mortos, novas almas mais elevadas, descerão do mundo de Atsilut.
Isto é, elas serão do aspecto da alma de Atsilut de Adão, que é chamado de 'Esplendor Supernal' (hebraixo, Zihará Ilaá), como explicaremos adiante.
Esse é o segredo do que está escrito no Zôhar: "Desde que o Templo foi destruído, as Neshamot não entraram no Santuário do Amor". Isso quer dizer que as novas almas que nascem da Unificação Face a Face de Atsilut não entraram ali [no Santuário do Amor]. No entanto, é possível para as novas almas dos mundos de Beriá, Ietsirá e Assiá virem [ao mundo físico] até mesmo depois da destruição do Templo. [O pecado de Adão afetou os mundos de BIA e não o mundo de Atsilut. Durante a época do Templo Sagrado, os rituais de correção realizados pelos sacerdotes, levitas e pelo povo de Israel permitiu que essas novas Neshamot aparecessem no mundo, já que o pecado de Adão foi, em parte, expiado e conseguiram alcançar o mundo de Atsilut.] Todas as outras almas que vêm ao mundo são as que estavam incluídas em Adão, depois que ele foi criado no aspecto de Costas a Costas, e então o Santíssimo o 'serrou' [o dividiu no processo espiritual chamado Serramento' (hebraico, Nessirá)] e o retornou para o aspecto de Face a Face. De fato, todas as almas antigas vêm de Adão.
[Para descrever o que acontece no mundo espiritual, temos que perceber que existem duas dimensões paralelas que funcionam ao mesmo tempo. Então, enquanto as almas velhas descem ao mundo e passam pelas reencarnações para se corrigirem, Adão, no mundo paralelo, passa pelo processo de ‘Serramento'.
É um processo de ser 'serrado' e divido em dois, para separar o lado Masculino do Feminino, que estão de Costas a Costas, e os reunir pelo aspecto de Face a Face.
Assim nascem as almas verdadeiramente novas que são consideradas como se não tivessem pecado.
Em princípio, as chamadas almas antigas participaram do pecado de Adão no Jardim do Éden; as novas, não.]
A alma de Adão se divide em 248 órgãos, assim como seu corpo. Além disso, existem outros aspectos, como os infinitos pelos do seu corpo. Então todas as centelhas das almas individuais que existem no mundo vêm desses aspectos que estão em Adão.
Todas as almas específicas e os níveis de almas depois entrarão em corpos de seres humanos, descendentes nascidos de Adão. E são chamados "Almas-Raízes" e todos eles são derivados desses aspectos de Adão.
E para que cada pessoa saiba qual é a raiz da sua alma, precisa saber e conhecer em quem todas as centelhas particulares dos órgãos e dos pelos de Adão se dividiram.
E estas serão chamadas de "as raízes das almas" que vêm dele. Isso ocorre com todos e cada um dos órgãos, e é exatamente isso que os Sábios ensinaram em relação ao versículo: "Onde estavas quando construí as fundações da terra?5"
[Com respeito a isso, Jó é desafiado a responder se ele sabe as origens de sua própria criação, e se ele fez o esforço necessário para se reconectar à raiz de sua alma].
Nós já explicamos que a maior parte das almas provém de Cáin e Hével, filhos de Adão.
Daquele momento em diante, elas se dividiram entre todas as pessoas que viriam a nascer.
Apesar de que não vamos explicar este conceito em detalhes agora, já que este não é o lugar para isso, daremos um exemplo do que isso significa. Por exemplo, suponha que Hével é o aspecto da cabeça de todas as almas. Então Hével seria a raiz de todas as centelhas individuais das almas humanas que são do aspecto da cabeça.
De modo similar, se nosso patriarca Avraham fosse do braço direito de Adão, então todas as centelhas individuais humanas que pertencessem ao braço direito de Adão estariam incluídas em Avraham. Ele seria considerado a raiz de todas elas.
E o mesmo vale para cada órgão e pelo do corpo de Adão. No entanto, esse não é o lugar para discutir isso.
Agora vamos explicar para cada alma os tipos de arrependimento (Teshuvá) a fazer e no que consistem.
(Em hebraico, Teshuvá. Literalmente, o termo significa "retorno" e, neste contexto, significa voltar ao nível raiz de alma, que é o último passo no processo de expiação e arrependimento.)
Por meio disso você entenderá um pouco mais desse assunto. Existem oito níveis de arrependimento [refere-se ao arrependimento e expiação pelos nossos pecados, mas em hebraico, o termo para arrependimento é Teshuvá e significa, na verdade, 'Retorno', e, neste contexto, significa voltar e se reconectar à Shoresh Neshamá - Alma-Raiz, que é o objetivo final da expiação, como explica o Ari. A teshuvá é o meio oferecido ao ser humano para reverter o acasalamento de Costas a Costas, para que se torne Face a Face. E também, enquanto o ser humano faz o 'retorno', ele 'devolve' e eleva a Sefirá de Malchut e os mundos para o local adequado deles, já que eles caíram e se confundiram no meio das Klipot, como já foi explicado].
O primeiro é: se uma pessoa tem uma Néfesh do mundo de Assiá e peca, ela causa uma separação entre o mundo de Ietsirá e o de Assiá, no local específico do qual sua raiz de alma provém.
O arrependimento dessa pessoa seria cumprir a correção até conseguir reunir Assiá com Ietsirá no nível da raiz de sua Néfesh. De modo similar, se alguém tem o Rúach de Ietsirá e peca, ele precisa reunir Ietsirá com Beriá no nível de sua raiz.
E, assim, se a pessoa tiver a Neshamá de Beriá, ela deve reunir Beriá com Atsilut.
Esses são os três níveis de arrependimento ligados aos mundos inferiores de BIA.
E existem mais cinco níveis superiores de arrependimento, no mundo de Atsilut propriamente dito.
O primeiro é fazer com que Malchut de Atsilut volte ao seu local, que é abaixo de Iessód, no local específico do nível de sua Alma Raiz, como discutimos.
O segundo nível é devolvê-la a um local mais elevado, que é NHI (Nétsach, Hod, Iessód), o local de onde ela emanou, como é sabido. O terceiro nível é quando ela é devolvida a um nível ainda mais alto, à CHGT (Chéssed, Guevurá, Tiféret). O quarto nível é quando ela é devolvida ainda mais para cima, para CHBD (Chochmá, Biná e Dáat), que são os três mochin de Z"A (Zeir Anpin). Essas quatro elevações acontecem todas no nível de Zeir Anpin. Existe um quinto arrependimento, mais essencial e elevado que os outros, que consiste em elevar Malchut de Atsilut ao nível de Aba e Ima. Esse nível está aludido no Sêfer Haticunim e é chamado de "Oitavo Nível", porque Ima (Biná) é a oitava Sefirá de baixo para cima [contando as Sefirot de Malchut a Biná].
É importante saber que o impacto e a gravidade do pecado de uma pessoa dependem do nível e local de sua alma.
Assim, alguém cuja alma é de Néfesh de Malchut de Atsilut vai causar uma mácula nesse nível e na raiz de sua alma ali.
Esse é o caso para o resto dos níveis também.
No entanto, se uma pessoa, em uma encarnação anterior, tinha Néfesh e Rúach de Assiá e de Ietsirá e depois pecou e maculou o Rúach, isso precisaria de uma reencarnação em uma segunda pessoa. Mesmo que só a Néfesh voltasse nessa segunda pessoa, quando ela peca, ela macula Ietsirá, como se ela também tivesse recebido o nível de Rúach. [A razão para isto é que na encarnação anterior, quando se atingiu o Rúach, considera-se que o Rúach retomou a Néfesh].
Também em relação ao arrependimento, a pessoa deverá fazer a correção como se tivesse Rúach e Néfesh, e como se ambos tivessem sido maculados.
O mesmo vale para os outros casos.
Ainda com relação ao arrependimento é preciso saber o histórico das encarnações, que nós vamos explicar brevemente aqui baseado no que discutimos em outro local.
Suponha que uma pessoa, por exemplo, reencarnou vinte ou trinta vezes antes.
Ela precisará saber se na primeira encarnação, por exemplo, tinha NaRaN — [ ”] de BIA — ["] e se houve mácula ali. Se esse for o caso, então todas as próximas trinta encarnações, mesmo que só a Néfesh tenha entrado em cada uma delas, terão que promover correções como se a mácula fosse em todo BIA, pois a primeira encarnação, que precedeu a todas elas, tinha a Néfesh recebendo a luz da Neshamá de Beriá.
Sendo assim, para completar sua correção, a pessoa agora terá que devolver a Luz inicial que sua Néfesh tinha.
Esse é o significado secreto do versículo "ela pegou da Mão do Altíssimo o dobro por seus pecados".
Às vezes a pessoa comete um pecado relativamente leve, mas serão muito severos com ela, punindo-a como se ela tivesse cometido um pecado grave, como se fosse o "dobro" do que realmente cometeu. É por isso que se diz que é proibido duvidar das intenções do Santíssimo. Isso é dito quando vemos uma pessoa nessa situação. De fato uma pessoa não entende isso, mas ela deve confiar que o Santíssimo está fazendo o que é certo, e tudo é feito com justiça e de acordo com a lei.
No entanto, suponha que da primeira encarnação até a nona, das trinta mencionadas, a pessoa só mereceu Néfesh e Rúach. E na décima encarnação a pessoa mereceu também a Neshamá, e aí pecou e a maculou.
Quaisquer pecados que foram originados nas nove primeiras encarnações macularam somente Rúach e, obviamente, Néfesh. No entanto, da décima em diante, até a trigésima, a mácula e a correção estarão afetando o nível de Neshamá também. Baseado nisso você deve ser capaz de entender qualquer outro caso. Assim, vemos que uma pessoa não consegue completar seu arrependimento totalmente, da maneira como deveria ser, até que ela saiba a Raiz de sua alma e os níveis das encarnações ligados a sua alma, que a precederam. Por esse motivo, o Zohar, quando vai discutir o versículo "Dize-me, ó Tu, a quem a minha alma ama", é inflexível nisso.
Lá é argumentado em grande extensão que uma pessoa precisa saber a identidade de sua alma, por que ela veio ao mundo e o que ela precisa corrigir.
Continua