Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte 36.1
Introdução 36
Nesta Introdução serão explicadas as raízes em particular. Sendo assim, agora vou escrever sobre alguns tipos de raízes de alma que aprendi do meu Mestre, de abençoada memória. Existem algumas delas que ele explicou mais detalhadamente do que outras.
Por isso eu vou começar com as explicações mais detalhadas e terminar com as que possuem menos detalhes.
A primeira raiz é aquela de Cáin, filho de Adão. Já explicamos muita coisa sobre esta raiz nos ensaios anteriores, mas ainda existem alguns detalhes dispersos.
Eu vou agrupá-los e explicá-los aqui.
Depois eu vou explicar, resumidamente, outras raízes. Apesar de no Zôhar e no Sêfer Haticunim estar escrito que Cáin descende da impureza da Serpente e Hével do lado de Adão, você já sabe o que foi dito em outros ensaios, inclusive no Idrat Nassô, de que tanto Cáin como Hével se prendem à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A questão é que por causa do pecado de Adão, o bem se misturou no mal e depois, quando Adão teve Cáin e Hével, ambos saíram com o Bem e o Mal misturados em si.
Só que Cáin era do aspecto das Guevurot e, portanto, tinha mais parte do Mal derivado da impureza da Serpente, com menos parte do Bem do lado de Adão.
Já Hével tinha mais parte do Bem do lado de Adão e menos parte do Mal do lado da impureza da Serpente.
Mesmo assim, o aspecto do Bem de Cáin era extremamente elevado, pois ele era o primogênito e, como tal, pegou a primogenitura da parte do Bem. Depois, Cáin começou a se corrigir em Kenan e Mahalalel, como foi dito no Zôhar, Porção Semanal de Terumá.
Em seguida, quando nasceram Iaacov e Eissav, eles eram do aspecto de Cáin e Hével, e por isso está escrito "e sua mão agarrava o calcanhar de Eissav."
Isso significa que aquela parte de Primogenitura do Bem que estava em Cáin e que tinha se misturado com o Mal, agora estava em Eissav e foi pega dele por Iaacov.
Por causa desse calcanhar que ele segurou que ele foi chamado de Iaacov. [Em hebraico, Jacó se diz laacov, que possui a mesma raiz da palavra "ekev", calcanhar.]
Já foi explicado na Introdução anterior como a Primogenitura do Bem caiu no calcanhar das Klipot, entenda bem isso.
Quando Iaacov teve Issachar, ele lhe passou por herança esta parte do bem da Primogenitura de Cáin que ele tinha pegado de Eissav, como foi dito. Por isso o texto diz "E ele esteve com ela naquela noite," se referindo à concepção de Issachar.
Repare que o versículo usa o pronome "ele" para reforçar e indicar que se trata do próprio Iaacov, chamado assim por conta do calcanhar, que deu esta parte para Lea ao se deitar com ela.
E foi dessa parte que saiu Issachar.
Esse é o segredo do que está escrito no Midrash de Rute do Zôhar, de que de Issachar saiu o Rabi Akiva.
Tudo isso ocorreu pelo segredo do calcanhar mencionado, e como será explicado.
E depois ele [Issachar] reencarnou em Nadav e Avihú, sendo que ambos eram um só, como foi dito no Zôhar, na Porção Semanal de Acharei Mots e na Porção Semanal de Pinchás, de que os dois são duas metades do mesmo corpo.
Posteriormente, eles entraram pelo segredo do Ibur em Pinchás, que é Eliahu, o profeta, de abençoada memória, e ali ficaram até o incidente da filha de Iftáh, quando então partiram.
E quando ele foi à caverna do Monte Horeb, ele os pegou novamente, como foi dito no Zôhar.
E quando eles saíram dele, eles reencarnaram por meio de uma encarnação completa em Shmuel, o profeta.
Depois eles voltaram e entraram por meio do Ibur em Eliahu, o profeta, como foi dito.
E depois eles voltaram e entraram por Ibur em Elishá, o profeta. Depois eles reencarnaram em Chizkiáhu, o rei de Judá, e, posteriormente, reencarnaram em Matitiáhu ben Iochanan, o hashmoneu e Sumo Sacerdote. Depois eles reencarnaram em Akaviá ben Mahalalel, e no Rabi Iochanan ben Zacai, o sacerdote e, depois, no Rabi Akiva ben Iossef. Esse é o segredo do que foi dito, de que três pessoas viveram por 120 anos: Moshé, o Raban Iochanan ben Zacai e o Rabi Akiva. Moshé passou quarenta anos na corte do Faraó, quarenta anos em Midiã e quarenta anos sustentando [o povo de] Israel.
O Raban Iochanan ben Zacai passou quarenta anos trabalhando como sapateiro, quarenta anos estudando Torá e quarenta anos ensinando. O Rabi Akiva passou quarenta anos como um ignoramus, quarenta anos estudando e quarenta anos ensinando.
Isso ocorre porque a raiz destas almas possui uma ligação e uma proximidade com Moshé, nosso mestre, de abençoada memória, porque todas as almas estão inclusas nele, em especial as almas dos justos. Já explicamos em outro local que tudo o que falamos sobre esta raiz se refere somente ao aspecto da Néfesh, que reencarnou neles. Mas em relação à parte do Rúach ou à da Neshamá das pessoas mencionadas, existem algumas delas que não são desta raiz. Depois ainda ocorreu a reencarnação no Rabi Iba Saba, mencionado no Zôhar, na Porção Semanal de Mishpatim, e depois em Abaiê. Por isso os nossos Sábios, de abençoada memória, disseram (Tratado Sucá 28a) que o Raban Iochanan ben Zacai não deixou de estudar nem uma passagem das Escrituras, da Mishná, etc, e das opiniões do Abaiê e do Raba.
Depois eles vieram por Ibur em um dos Sábios Saboraítas, chamado Rav Ahai, aquele mencionado no Talmud dizendo "Rabi Ahai retorquiu." Depois eles vieram por Ibur no Rav Acha de Shabcha, um Gaon, autor das Sheiltot.
E o meu mestre, de abençoada memória, me disse que ele tinha a impressão de que esse Rav Ahai era a mesma pessoa que o Rav Acha de Shabcha.
Depois houve a reencarnação no Rav Dustai, um Gaon, e no Rabi Aharon Halevi, o Rabino de Maguid Mishná, que é neto do Rabenu Zarchiá Halevi, autor do Sêfer Hameorot.
Depois eles reencarnaram em Don Vidal de Tolosa, autor do livro Maguid Mishná.
Depois no Rabi Shaul Trishti, e no Rabi Iehoshúa Soriano. Depois em um rapaz chamado Avraham.
Saiba que o Rav do Maguid Mishná tinha raízes comuns e uma proximidade com o Rambam, de abençoada memória, e por isso ele criou e compôs o livro Maguid Mishná, que é uma explicação do livro escrito pelo Rambam, de abençoada memória.
Em relação ao assunto que tanto o Rabi Iochanan ben Zacai como o Rabi Akiva foram ignorantes durante seus primeiros quarenta anos de vida, como mencionado; a razão disso é que a Néfesh de ambos era do aspecto de uma das Gotas de Sêmen daquelas Dez mencionadas que saíram dos dez dedos de Iossef, o Justo.
Por isso eles ficaram quarenta anos ignorantes, a saber, seus primeiros quarenta anos, e neste período as Klipot se aderiram a eles um pouco, em especial ao Rabi Akiva, que disse no Tratado de Pessachim 49b: "Me dê um aluno sábio e eu vou mordê-lo como um burro". E com isso entenderemos outras questões, contadas sobre a sua vida neste mundo, em especial na Guemará, apesar de lá estar dito que a filha de Calbá Savoa reconheceu nele um homem modesto e nobre. Inevitavelmente, tanto o Raban Iochanan ben Zacai como o Rabi Akiva cometeram pecados em sua juventude, e por causa disso precisaram reencarnar, posteriormente, em todas essas encarnações que mencionamos anteriormente.
É por esse motivo também que uma Néfesh santa e elevada entrou no Rabi Akiva sendo descendente de prosélitos e não de descendência de Israel, pois sua origem é de uma gota de sêmen desperdiçada por Iossef, quando pensava na mulher do seu senhor, que era gentia. Na verdade, a Néfesh do Rabi Akiva não é como o resto das Nefashot dos prosélitos criadas pelo acasalamento feito pelos justos no Jardim do Éden, como dito no Zôhar, na Porção Semanal de Shelach Lecha. A Néfesh dele é santa e muito elevada, só que no pecado de Adão e de Cáin, seu filho, ela saiu daquele corpo e caiu no fundo das Klipot. E depois houve o incidente que dissemos, de sair de uma gota de sêmen de Iossef.
Por conta disso foi determinado que na hora de entrar neste mundo e de entrar em um corpo esta alma deveria vir no corpo de um prosélito. E já foi explicado anteriormente (Introdução 34) que esta Néfesh que entra no corpo de um prosélito depois de ter passado pelo processo de conversão se reveste dentro de outra Néfesh criada pelo acasalamento dos justos no Jardim do Éden.
Esta é chamada a primeira Néfesh de fato, como é mencionado no Saba de Mishpatim.
E foi esta Néfesh do prosélito que fez com que ele fosse um ignoramus por seus primeiros quarenta anos, pelo segredo do que nos foi explicado pelos nossos mestres de que "os prosélitos são incômodos como uma chaga para Israel".
Como o Rabi Akiva era filho de prosélitos, sendo que seu pai se chama Iossef, como é sabido, os Sábios disseram no Tratado de San'hedrin 94: "Perante um prosélito, até a terceira geração, não insulte um arameu". Isso significa que a impureza daquela Néfesh permanece por até três gerações.
Consequentemente, como o Rabi Akiva era filho de convertidos, obrigatoriamente as Klipot e as Externalidades se aderiram a ele durante aqueles quarenta anos em que ele era um ignoramus. Ele [o Ari] inclusive me disse que na raiz de Cáin, o Raban Iochanan ben Zacai e o Rabi Akiva eram o aspecto dos dois braços, direito e esquerdo, de Moshé, nosso mestre, de abençoada memória - todos misturados na Raiz de Cáin.
Por isso que Moshé, nosso mestre, o Rabi Iochanan ben Zacai e o Rabi Akiva, tinham uma similaridade em seus 120 anos de vida. Por isso ainda que Moshé pediu ao Santíssimo, bendito seja, que a Torá fosse dada ao Rabi Akiva, como é mencionado no Tratado de Shabat, no Capítulo Rabi Akiva.
Isso também foi mencionado no "Alfabeto do Rabi Akiva". E também me disse que Moshé matou Og, rei de Bashan, e nele, ou seja, nessa Klipá, estava inclusa uma centelha da alma do Rabi Shimon ben Netanael, que temia pecar.
Por isso as iniciais de seu nome em hebraico formam a palavra Bashan — ’’, [terra da qual Og era rei]. E por causa dessa centelha de santidade que estava misturada em Og, que é chamada de temer pecar, Moshé temeu matá-lo. E o Santíssimo, bendito seja, lhe disse: "Não o temas". Essa centelha posteriormente reencarnou em um aluno do Raban Iochanan ben Zacai.
Meu mestre, de abençoada memória, também me disse que três pessoas erraram no que diz respeito ao fim dos tempos. O primeiro foi Iaacov, o patriarca, de abençoada memória, quando chamou os seus filhos e disse: "Juntai-vos e vos anunciarei o que vos acontecerá no fim dos dias."
Neste momento ele não conseguiu ver o que ia acontecer. O segundo foi Shmuel, o profeta, de abençoada memória, que errou na questão de Eliav e disse: "Certamente o Seu ungido está perante Adonai!" Ele disse isso porque achava que dele sairia o Messias. O terceiro foi o Rabi Akiva, que se enganou e achou que Ben Coziva era o Messias de Adonai.
Por isso as letras de Iaacov [Iaakov]— , são as mesmas de Akiva - , para indicar que o seu engano é o mesmo. Os três reencarnaram, então, para corrigir este erro. Meu mestre, de abençoada memória, também me disse que as centelhas das almas da Raiz de Cáin estavam dentro da Klipá de Sisrá, como nos é explicado no trecho correspondente.
Depois, Iael cravou-lhe a estaca em sua têmpora, pois este é o local do Moach de Daat de Chassadim e Guevurot, de onde sai a raiz de Cáin, como mencionado anteriormente.
E eis que a centelha do Rabi Akiva também estava ali e por isso ele nasceu dos descendentes de Sisrá, como os nossos Sábios disseram.
Meu mestre, de abençoada memória, ainda me disse que o Abaiê é o Rav Iba Saba de Mishpatim, e que o nome Abaiê — ’’ está aludido nas iniciais em hebraico do versículo "Somente contra mim voltava a Sua mão" E foi usado o termo "voltava" para indicar que Abaiê - ’’ é obtido "voltando" [ou seja, invertendo a ordem das letras do nome] Iba — ’’, isto é, lendo-o de trás para frente.
Isso que significa "voltava a Sua mão," pois as duas letras lud foram invertidas e postas no fim do nome. [A letra ‘Iud’ tem íntima relação com a palavra ‘Iad’, que significa "Mão" e é mencionada no versículo.] O meu mestre, no entanto, não quis me revelar qual é o significado dessa inversão.
Depois disso o meu mestre, de abençoada memória, me citou extensivamente várias pessoas que eram desta raiz de Cáin, sendo que ainda existem outras, obviamente, que ele não mencionou. E estes foram os nomes que ouvi dele, dos mencionados nos vinte e quatro livros [conhecidos pelo nome o Tanach — acrónimo de: Torá, Neviím e Ketuvim]: Cáin; Cainan; Mahalalel; Ioval; Iuval; Lémech; Issachar; Shelá, filho de Judá; Itro; Nadav; Avihú; Nachshón ben Aminadav; Natanael ben Tsoár; Kórach; Datan; Aviram; Pinchás; Otniel ben Kenaz; Carmi, pai de Achán; Shamgar ben Anat; Sansão (Shimshon); Elcaná; Shmuel, o profeta; Aviá ben Shmuel; Héver, o Keneu; Iael, mulher de Héver, o Keneu; Eflal; Sismi chever Avi Sucho; Ishbah, pai de Ishtemôa; Iashuv; Léchem; Ishai, pai de David; Avishai ben Tseruiá; Shimá, irmão de David; Doeg; Ahitofel; Aviá ben Rechavám; Eliahu, o profeta; Elishá, o profeta; Ioná ben Amitai; Hiel, de Beit-HaEli; Navot, o Izreelita; Michá, o Morashtita; Nachum, o Elcoshita; Chizkiáh, rei de Judá; Menashê ben Chizkiáhu; Uriáh, o sacerdote; Zechariáh ben Ievarchiáhu; Iechezkel, o profeta; Elihú ben Barchel, o Buzita; Chananiáh, amigo de Daniel; Nedaviáh, filho do rei Iochniáh; Anani ben Elioenai.
E esses são os do grupo dos tanaítas: Matitiáhu ben Iochanan, o hashmoneu e Sumo Sacerdote; Iossi ben Iochanan, de Jerusalém; Natai, o Arbelita; Akabia ben Mahalalel; Raban Iochanan ben Zacai; Rabi Akiva ben Iossef; Rabi Iossi, o Galileu; Ionatan ben Horkenus; Hanania ben Hizkiáh ben Gurion; Aba Shaul; Rabi Ishmael ben Elishá, Sumo Sacerdote; Raban Gamliel; Rabi Nehorai Sava, da Porção Semanal de Tetsavê do Zôhar; Rav Iba Saba de Mishpatim; Rabi Hutspit Haturgueman; Rabi Iehudá ben Ilai; Rabi Iossi ben Meshulam Kahala Kadisha; Rabi Ahai bar Ieshaiá; e um dos amigos de Rabi Shimon bar Iochai que é mencionado no Idra Raba de Nassô, mas que o meu mestre, de abençoada memória, não quis revelar seu nome, e eu nunca descobri por quê.
Existem ainda outros tanaítas que têm uma ligação com a Raiz de Cáin, mas não ficou claro para mim a questão dessa ligação, e estes são os Sábios: Rabi Shimaiá Hassidá, da Porção Semanal de Balac; o mestre Rabino daquele Ienuca; Rabi Tsadoc, o sacerdote; Rabi Casmá, pai do Rabi Iossi ben Casmá; Rabi Crospedai Chamid Liba, da Porção Semanal de Shelach Lecha no Zôhar e no Sêfer Haticunim.
E estes são os Amoraítas: Rav Huna, líder da Diáspora na Babilônia na época do nosso Santo Mestre [referindo-se a Iehudá Hanassí], que teve o seu caixão trazido para Israel depois de sua morte e que foi posto na caverna do Rabi Chia, em Tiberíades.
Iehudá e Chizkiá, filhos do Rabi Chia; Rabi Levi bar Sissi; Rabi Shimon ben Iehotsadac; Rabi Tsadoc, aluno do Rabenu Hacadosh; Rabi leremia bar Aba da época do Rav; Ula bar Coshav da época do Rabi Iehoshúa ben Levi; Rabi Shilo, que vivenciou o milagre narrado no capítulo "Quem vê" do tratado de Berachot; o Rav Iba Saba, o Amoraíta, aluno do Rav, pai do Rav Huna e sogro de Ashian ben Nidbach; Pinchás, irmão de Shmuel; Rabi Miesha, da época do Rabi Iochanan; Rabi Issa, o amoraíta, que é o Rabi Assi, o sacerdote; Rabi Chilkia bar Aba; Rabi Shemen bar Aba; Rabi Akiva, o Amoraíta; Mar Ucba; Rabi Zerica; Rabi Sechora; Abaiê; Rabi Bibi bar Abaiê; Rami bar Chama; Rami bar Iechezkel; Rav Dimi de Nehardêa; Rav Nahumi; Rav Meshorshia; Natan Detsutsita, líder da Diáspora; Rav Shmuel bar Shilat; Rav; Imar; Rav Avin Nigra; Rav Tanchum Demin Noi; Rav Iba, pai do Rav Sarna; Rav Safra da época do Ravina; Rami bar Tamari; Rafram bar Papa; Rabi Zeira bar Hilel; Rav Zeiri de Dahavat; Ravin e o Rav Dimi que partiram da Terra de Israel para a Babilônia; Rav China Bagdateá; Rav Chia de Difti; Rav Sheisha, filho do Rav Idi; Io; Avdimi Beelach; Rav Iehudá Hanedua; Rav Malchaio; Rav Chama bar Bozi; Iehoshúa bar Zarnuqui, chamado erroneamente de Chiá bar Zamuqui na Guemará; Shivchat, filho do Ravina; Rav Taviomi; Shabtai Otsar Piri, que é uma das Klipot que está na raiz de Cáin.
E estes são os Sábios Savoraítas: Rav Achai e o Raba, de Pumbedita. E estes são os Gueonim [literalmente significa os Génios]: Rabi Acha Meshibcha Gaon; Rabi Dustai Gaon; o primeiro Rabi Tsemach Gaon, filho do Rav Platoi Gaon; o primeiro Rav Nehilai Gaon.
Estes são os Possquim [os sábios que escreveram os decretos da Halachá], o Rav Shlomo ben Avraham ben Adrat; Rabeinu Aharon, neto do Rabi Zarchia Halevi; Don Vidal de Tolosa, que escreveu o "Maguid Mishná" ; Rabi Iossef Caro, autor do livro "Beit Iossef' e do "Shulchan Aruch". E saiba que todos estes que mencionamos são da Raiz de Cáin, do segundo aspecto mencionado, e isso diz respeito somente à sua Néfesh. O Rúach ou a Neshamá deles era de outra raiz, com exceção do Abaiê, chamado de Nahmani, cuja Néfesh, Rúach e Neshamá eram da Raiz de Cáin, do segundo aspecto mencionado.
Mas todos os outros tinham apenas a Néfesh oriunda desta raiz mencionada, e eles não pegaram o Rúach e a Neshamá que adequados para eles, conforme sua Néfesh da Raiz de Cáin, como já foi explicado. Isso porque por causa do pecado de Adão o aspecto de Rúach da raiz de Adão se misturou com a Néfesh da raiz de Cáin ou com a de Hével, e vice versa; e o Rúach de Hével se misturou com a Néfesh de Cáin, e vice versa.
Já explicamos, em outro local, no Shaar Rúach Hacodesh, a questão da Neshamá dos tanaítas e dos amoraítas.
Mostramos como elas se conectam às Dez Sefirot superiores de Atsilut. Agora vamos explicar um pouco das centelhas das Nefashot que estão na Raiz de Cáin e aonde elas se conectam.
Já foi explicado o assunto de Chassadim e Guevurot e como elas se expandem pelas Seis Extremidades de Zeir Anpin no aspecto de Maturidade [ou Grandeza] e de Imaturidade [ou Pequenez]. Vamos começar vendo as Guevurot da Maturidade: A Guevurá da Maturidade que sobe por meio da ascensão de Iessód para Nétsach é Chizkiáhu, o rei.
E a Guevurá que sobe até Chéssed é Iechezquel (Ezequiel), o profeta. A Guevurá que sobe de Iessód para Hod é o Rabi Akiva ben Iossef. A que sobe até Guevurá é Akvia ben Mahalalel, e a Guevurá que sobe de Iessód até os dois terços inferiores revelados de Tiféret é o Raban Iochanan ben Zacai.
Do terço restante de Chéssed, que sobrou depois de se dividir, é o Mar, que é Menashe ben Chizkiáhu.
O terço superior, é Eliahu ben Barchael, o buzita, da família Ram; e assim vemos como Mar se tomou Ram.
E quando posteriormente ela sobe para Daat, trata-se de Shmuel, o profeta, de Ramataim [literalente duas vezes Ram].
Entenda isso.
Em outra ocasião meu mestre, de abençoada memória, me disse que Eliahu ben Barchael, o buzita, da família Ram, fica no terço superior oculto que fica em Tiféret, e por isso ele é da família de Ram [que significa superior]. E Elcaná e Shmuel, o profeta, seu filho, que são de Ramataim são do aspecto de Daat, que é o nível superior, que inclui a ambos, o Daat bem como o terço superior de Tiféret.
No entanto, no aspecto de Imaturidade, que é o do nome Elohim, como é sabido, existem três aspectos, que são: o aspecto de Moach, de Chassadim e de Guevurot.
O Moach que sobe para Nétsach é o Rami bar Chama; a Chéssed que sobe para Nétsach é Abaiê e a Guevurá é o Rav Bibi, seu filho. Depois há a ascensão para Chéssed, que é o braço direito: O Moach passa a ser o Rav Sechora; Chéssed passa a ser Pinchás, irmão de Mar Shmuel, que é o aspecto de Guevurá da Maturidade que bate [no aspecto] da Imaturidade; e a Guevurá é o Rav Shmuel bar Shilat. O Moach que sobe para Hod é o Rav Mesharshaia, aluno do Abaiê; a Guevurá é o Rami bar Tamari; e o Chéssed é Rafram bar Papa. Depois a ascensão é para Guevurá; sendo que o Moach é o Rav Zerica; o Chéssed é o Rabi Zeira bar Hilel; e a Guevurá fica sendo o Rav Zeiri de Dehavat.
A Tiféret, nos dois terços inferiores que são revelados: o Moach é Ula bar Coshav; a Guevurá é Rabin que foi da Babilônia para Israel; e o Chéssed é o Rav Chana Bagdeta.
No terço superior oculto de Tiféret temos o Moach que é o Rabi Miashiá, da época do Rabi Iochanan; a Guevurá é o Rav Shiló, que vivenciou o milagre descrito no tratado de Berachot; e o Chéssed é Shivchat, filho do Rabina. Em outra ocasião ainda, meu mestre, de abençoada memória, me disse que o Rabi Iossi, o Galileu, é da costeleta esquerda da cabeça, do aspecto do nome El Shadai — "", que se localiza no Partsuf do Ombro Esquerdo que está no Partsuf da Raiz de Cáin, porque o nome Iossef — " tem o mesmo valor numérico de "costeleta" — ". Ionatan ben Horkenus é de Guevurá, chamada de Guevurá das cinco Guevurot que estão em Daat de Zeir Anpin.
O Rabi Akiva ben Iossef é da Guevurá chamada Hod, das cinco Guevurot que estão em Daat, como mencionado.
Como Ionatan está em Guevurá e o Rabi Akiva está em Hod, Ionatan era mais esperto e perspicaz [nos estudos da Torá] do que o Rabi Akiva, como nos é dito no Tratado de Iebamot do Talmud Babilônico [16a] e também do Talmud de Jerusalém, quando se discute o assunto de Tsarat Habat [literalmente: A angústia que a filha causa.] [Uma discussão profunda envolve o caso em que uma pessoa que faleceu teve duas mulheres e a segunda é a filha do seu irmão. Segundo a Halachá, o irmão vivo tem que casar com a esposa do falecido (Ibum) ou liberá-la para se casar com outro (Chalitsá). Mas, nesse caso, aparece uma dúvida pois uma das mulheres é a própria filha. O Rabi Ionatan Ben Hurkenus tinha 300 argumentos para justificar o decreto de Beit Shamai, e ninguém podia vencê-lo, nem o Rabi Akiva.]
O Rabi Chutspit Haturgueman é de Guevurá de Hod que está em Dáat, do lado de Aba.
Esta luz de Guevurá penetra e passa pela Guevurá de Hod que está em Daat do lado de Ima, pois o Aba está escondido em Ima, como é sabido, e de lá ela penetra e sai até Daat de Leá, que está nas costas da Daat de Zeir Anpin, do lado do fora dele.
Por isso ele se chamava Chutspit [que significa impertinente], pois ele era descarado e impertinente, a ponto de ir até a Mãe, invadi-la e depois ir embora.
Invariavelmente, ao passar pela Dáat de Ima, fica ali um pouco de sua Luz, por isso ele tem uma proximidade grande com a Raiz de Cáin mencionada. E isso vale para todas as outras centelhas da Raiz de Chutspit Haturgueman, que, no início, eram Lavan ben Nachor, como será explicado adiante, de que todas possuem esta proximidade com a raiz de Cáin mencionada, pelo motivo exposto, pois elas passam por ali antes de se mostrarem ao exterior.
Iechezquel Hanavi (Ezequiel, o profeta) é da Gota de Sêmen de Adão antes de Cáin, seu filho, ter nascido, num caso similar ao que ocorreu com Miquéias, o morashita e Nachum, o alcushita.
É por isso que para Ezequiel é dito: "Ó filho do homem, põe-te de pé e Eu te falarei." [Ezequiel 2:1. "Homem" e "Adão" são a mesma palavra em hebraico, de modo que se pode ler o versículo como "Ó filho de Adão...".] Isso foi feito para indicar que ele é da Raiz de Cáin, filho de Adão [o primeiro homem].
Por isso está dito "põe-te de pé", no mesmo sentido que explicaram os nossos Sábios sobre o versículo "E foi destruída toda existência," dizendo que o Santíssimo, bendito seja, deixou Cáin pendendo [entre os céus e a terra] e sem força, nos dias do Dilúvio.
Ezequiel é do aspecto dos pés de Cáin, sendo que os pés são os que dão suporte e, portanto, existência ao homem, que desse modo pode ficar "de pé".
Por isso o versículo diz "E foi destruída toda existência", sendo que a palavra "existência" alude ao segredo dos pés, como foi explicado em seu devido lugar.
O que Cáin tinha que passar, ficando 'pendente e frouxo' por conta de seu pecado, agora ficou forte e firme por meio de Iechezquel. E por isso ele recebeu este nome — ", que nos remete à palavra "força" - .
Além disso, para ele é dito "põe-te de pé", [uma mensagem] para ter força e se levantar firmemente.
Agora vamos explicar o assunto do Rav Mesharshiáh — , e assim também vamos explicar a questão de Iechezquel e Chizkiáhu.
Este nome vem do aspecto de Aba e Ima, chamados de — " (Iáh), como é sabido. [A sequência das letras — ", se refere às primeiras letras do Tetragrama — " — que são duas Sefirot, Biná e Chochmá, ou seja Aba e Ima (Pai e Mãe Superiores). Isso é conhecido como Cabeça.] Também é sabido que do nome — " (Iáh) sai o acréscimo do Shabat e daí temos que o Rav Mesharshiáh é o segredo do acréscimo [oração adicional] do Shabat completo.
Então nessa raiz de Cáin mencionada ficaram quatro letras - ". E eis a explicação delas:
Os dois Shin - são os dois Nomes divinos — " " " (Mem-Tsadic-Pê-Tsadic, Mem-Tsadic-Pê-Tsadic), que na numerologia cabalística dão 300 e 300, o valor de Shin - e Shin - . Estes são os dois nomes do acréscimo do Shabat, mencionados no Livro do Zôhar, Porção Semanal de Itro, a respeito do versículo "Lembra-te do dia do Shabat" e em relação aos sete Nomes mencionados ali, na questão do acréscimo do Shabat.
E sobram as duas letras — ", que têm o mesmo valor numérico dos cinco outros nomes escritos lá, que são: ", ", ", ", ", que somam o valor de 234.
Se a isso somarmos o próprio valor de sete nomes, ficamos com 241. Daqui vemos que o Rav Mesharshiáh é o aspecto do acréscimo do Shabat que está na raiz das Centelhas de Cáin mencionada, que é a inclusão dos sete Nomes do Shabat com a sua fonte, que é o nome — Iáh - ". Adendo:
Shmuel disse: Isso com a unidade somada.
Shmuel ainda disse: Me parece, na minha humilde opinião, que é melhor se fizermos a conta dos cinco nomes com a unidade totalizar 240, já que dois Nomes Mem-Tsadic-Pê-Tsadic, Mem-Tsadic-Pê-Tsadic foram excluídos [da contagem].
O rei Chizkiáh — ", é o aspecto da cabeça desta Raiz de Cáin, como foi dito pelos nossos Sábios, de que o Santíssimo, bendito seja, deixou Cáin pendendo [entre os céus e a terra] e sem força nos dias do Dilúvio. Ele se corrigiu e se fortaleceu na encarnação de Chizkiáh. É por isso que seu nome é Chizkiáh, [que pode ser dividido em] Chizek — ", Iáh — ", significando, "fortaleceu" o Nome — ", que é o aspecto da cabeça [da Raiz de Cáin], onde estão Aba e Ima. E quando Isaías disse para ele "pois não vai continuar tua vida; vais morrer," ele achou que ainda não tinha corrigido o aspecto da cabeça, chamado de — " (Iáh), e por isso [está escrito a seguir]: "Eu [Chizkiáh] não poderei mais ver [o Nome] - ", (Iáh).” Daí se vê que Chizkiáh começou a corrigir o aspecto da cabeça da raiz mencionada, e por isso nele está aludido o Nome de — ", (Iáh), nas duas letras finais de seu nome.
E inclusive com o Rav Mesharshiáh se completou a correção do aspecto da cabeça, e por isso em seu nome aparecem as letras — "" [que formam a palavra] Shoresh - "Raiz" e "Iáh".
Isso porque a cabeça, chamada de Iáh é a raiz de tudo. E vê-se que tanto Chizkiáh como o Rav Mesharshiáh ficam na cabeça da Raiz de Cáin.
E em Iechezquel, o profeta, Cáin se fortaleceu no aspecto dos pés. Esse é o segredo do versículo "Ó filho de Adão, põe-te de pé e Eu te falarei."
E saiba que Shimon ben Azai e Shimon ben Zomá são dois nomes paralelos aos dois Shin do nome do Rav Mesharshiáh.
Por isso Ben Azai casou com a filha do Rabi Akiva, pois apesar de eles não serem da mesma raiz, existe uma proximidade muito grande entre eles. E o mesmo ocorreu com Eliahu, o profeta, de abençoada memória, pois ele veio das filhas de Putiel, que é, na verdade, Itro, que veio de Cáin. E foi por esse motivo que nele entraram por Ibur, posteriormente, a Néfesh de Nadav e Avihú, que também são de Cáin.
O mesmo se passou com Elishá, o profeta e com Jonas (lona) ben Amitai, que possuem uma proximidade enorme com esta raiz. No entanto, o meu mestre, de abençoada memória, não me explicou mais sobre a proximidade entre eles e esta raiz.
Chizkiá disse "No apogeu de meus dias, devo ir-me embora"; porque apesar de terem sido adicionados quinze anos à sua vida, estes anos foram lhe dados do que já pertencia a ele [dos anos da sua própria vida], como disseram nossos Sábios, de que ele não completou os anos que lhe foram proporcionados, e faltaram anos da vida dele.
[Apogeu em hebraico é - - Bidmê (literalmente: ‘no sangue’); consta das mesmas letras de Be Dimi— em Dimi, que se refere ao Rav Dimi.] O resto dos anos proporcionados para ele foi completado no Rav Dimi de Nehardea, que era uma reencarnação de Chizkiá, sem mistura de nenhuma outra centelha de alma — só ele mesmo.
Por isso Chizkiá disse "Privado estou do resto de meus anos," pois foi para o Rav Dimi que estes anos foram e foi ali que se completaram seus dias. Ele foi privado dos anos que não se completaram em si no início. O meu mestre, de abençoada memória, me disse que um dos preceitos no qual o Rav Dimi se empenhava era o de escoltar as visitas e os falecidos. Sobre o Rabi Akiva, o meu mestre, de abençoada memória, também me disse que as letras finais em hebraico do versículo: "Luz eterna foi semeada para os justos e alegria para os de coração puro" formam o nome do Rabi Akiva — "’ , pois este versículo fala dele. Só que aqui Akiva — ", está escrito com Hê no final e não com Alef — ".
Adendo:
Shmuel disse: Isso foi o que escrevi em meu livro — Chochmot Nashim (Sabedoria das mulheres), e o que estabeleci na 'Ordem do Divórcio' que, o que parece mais lógico, é que o nome Akiva seja escrito com Hê no final. Na questão de Chéver, o Keneu, meu mestre, de abençoada memória, me disse que este é o segredo do versículo "E Chéver, o Keneu, tinha se separado do resto dos filhos de Cáin."
Itro era da raiz de Cáin, e Chéver, o Keneu, é descendente dos netos de Itro, sendo que ele também era de Cáin.
Por isso ele é chamado de Chéver, o Keneu [ — Keini], que é um nome que alude a Cáin.
Cáin tinha o bem e o mal misturados em si, e em Itro isso foi corrigido; a essência foi selecionada do lixo, e o bem se separou do mal. O mal ficou nas Klipot e o bem ficou com Itro.
Por isso sobre ele está dito "tinha se separado do resto dos filhos de Cáin". No assunto de Sansão (Shimshon), o meu mestre, de abençoada memória, também me disse que este é o segredo do versículo "E Adonai enviou Ierubaal, Bedan."
Os nossos Sábios, de abençoada memória, disseram que Bedan é Shimshon, pois ele veio de Dan.
A questão é que Shimshon é encarnação de Nadav, filho de Aharon, o Sacerdote, e por isso ele é chamado de Bedan — ", que são as mesmas letras que formam o nome de Nadav — ", mas ao contrário. E como Nadav morreu e não quis se casar, porque achava que não havia uma filha decente de Israel que lhe fosse adequada, como dizem nossos Sábios, por isso Shimshon foi punido e teve relações com mulheres filisteias na prisão.
E como os filhos de Aharon entraram no Tabernáculo bêbados, Shimshon era Nazir [quem se abstém de vinho] desde o seu nascimento, para corrigir a falta que eles tinham cometido.
No assunto de Eliahu, de abençoada memória, o meu mestre, de abençoada memória, também me disse que isso está aludido no versículo hebraico: "Se alguém se alia aos zombadores receberá ironias, mas se busca a companhia dos humildes receberá graça," cujas iniciais, em hebraico, formam a expressão — "Eliahu está vivo".
E a questão é como foi dito no Zôhar, no Raia Mehemna, que Moshé, nosso mestre, de abençoada memória, era Mestre de todo povo de Israel, e o seu intérprete era Aharon, o Sacerdote, como está dito "E ele falará por ti ao povo e servirá para ti por boca."
Moshé tinha problemas de fala e problemas de dicção, e no fim dos tempos, na geração do Messias, Moshé voltará encarnado e ensinará Torá para o povo de Israel.
Mas ainda assim ele será "incircunciso em seus lábios" [Essa descrição é usada para se referir a uma pessoa que gagueja ao falar.], e o seu intérprete será Eliahu, de abençoada memória, que está vivo. E esse é o segredo do versículo "Pinchás ben Elazar, o neto de Aharon, o sacerdote," e por isso está escrito "Se alguém se alia aos zombadores receberá ironias," pois quando Moshé precisar de um intérprete, Eliahu, que está vivo, 'advogará' em seu nome, e será seu intérprete. No assunto do Abaiê e do Rav Bibi, seu filho, o meu mestre, de abençoada memória, também me disse que é neste sentido que está dito: "Olha para Tsión, a cidade de nossas reuniões."
Se você trocar a primeira letra em hebraico da palavra - - "reuniões", que é a letra — (Mem), seguindo a regra do Atbash [Sistema de numerologia cabalística no qual se troca a primeira letra do alfabeto com a última; a segunda com a penúltima, e assim por diante.], ficamos com a letra — (Iud), e desse modo temos as iniciais de — " (Itschac - Isaac).
E meu mestre já me explicou quem é este Isaac mencionado aqui. Shmuel disse: Apesar de meu pai e meu mestre, de abençoada memória, ter ocultado suas palavras neste local, eu me lembro de que certa vez ele me disse, boca a boca, que neste versículo a proximidade da sua alma com a alma do grande Rav, nosso mentor, Isaac Luria, estava aludida. E ele me disse que este Isaac se refere ao grande Rav [Isaac Luria — o Ari Ha-Cadosh], de abençoada memória.
E mais, nossos Sábios, de abençoada memória, aludiram ao nome do meu pai e mestre, no versículo:
"Olha para Tsión, a cidade de nossas reuniões solenes".
E ele me disse que na época do grande Rav (Isaac Luria), de abençoada memória, era totalmente impossível reconstruir Jerusalém, mas na época do meu pai e mestre, de abençoada memória, isso já era possível. E se Israel tivesse se arrependido, o meu pai e mestre teria sido o Mashiach ben Iossef.
E isso é o que ele tinha aludido aqui [na continuidade do versículo]: "teus olhos perceberão Jerusalém", teus olhos e não os meus. Estas são as palavras do meu pai e mestre.
E é por isso que eu testemunhei o quanto meu pai tinha medo de que as nações do mundo o matassem, que o Santíssimo tenha misericórdia! E também por conta das transgressões da geração, essa oportunidade passou e se perdeu, como o primeiro milagre que ocorreu no ano que nosso grande Rav e mestre faleceu.
É por isso que está escrito: "E foi em Chziv", como na expressão "pessoa falsa que traz desapontamento", em que se usa o termo "Cozev", próximo a „Chziv'.
Na versão antiga está escrito que ele faleceu no ano de 5335, mas isso é um engano, pois ele faleceu no ano de 5332.
Meu pai e mestre também me disse que em certo versículo tanto o meu nome como o dele apareceram, para indicar a proximidade de nossas almas, como está escrito: "Ai, quem poderá viver na destruição de El!"; em que "destruição de El", que em hebraico é — Shamo El, pode ser lido como Shmuel (Samuel), e a palavra viver — alude ao nome — , Chaim. E se eu tiver força, com a ajuda do Santíssimo, escreverei para você neste livro muitos ensinamentos que o nosso Rav e mestre, transmitiu ao meu pai e mestre, de abençoada memória, desde o dia em que ele o conheceu até o dia de sua partida.
E. eu vou apresenta-los para você para que estes ensinamentos não caiam em esquecimento.
Eles estão guardados comigo em outros escritos à parte. Voltemos a nosso local.
As iniciais do versículo:
são — (Chet), (Tsadic), (Cuf) e (Mem): ", que pela numerologia cabalística têm o mesmo valor de — " — Rachel, para indicar que aqui se alude ao nível de Rachel, Nucvá [o aspecto feminino] de Zeir Anpin [o aspecto masculino].
Além disso, ela é „Tsión a cidade de nossas reuniões solenes' que sai do Tórax [hebraico Chazê] de Zeir Anpin, como é sabido. Por isso o versículo diz "Olha [hebraico Chazê] para Tsión", usando o termo "Chazê" do Aramaico [que significa Tórax], e não "Reê" da língua sagrada [hebraico] - para aludir ao que foi mencionado acima. Abaiê também está aludido nas iniciais de:
"uma tenda que jamais será desmontada; jamais será removida." Além disso, o Rav Bibi - "— seu filho, está aludido nas iniciais de:
"jamais será desmontada; jamais será removida". O meu mestre, de abençoada memória, não quis me revelar mais sobre isso, e isto é tudo que sei sobre o que está contido neste versículo.
Na questão do Rami bar Chama, ele [o Ari] me disse que ele está aludido nas iniciais do versículo:
"Quão imensa é a bondade [ — Rav Tuvchá] que destinas àqueles que Te temem."
Já foi explicado anteriormente que em cada raiz das Nefashot existem 613 centelhas de Sábios e o resto é composto por pessoas que cumprem os preceitos, pelos leigos, etc.
Estes são os galhos daquela raiz.
No Tratado de Baba Batra 12b está relatado o caso da filha do Rav Chisda, que casou primeiro com Rami bar Chama e depois com o Raba. Isso ocorreu porque a filha do Rav Chisda [derivado de Chessed] é Malchut, filha de Avraham, o patriarca, que é da [Sefirá de] Chéssed, e que está aludido em "Imensa é a bondade" [ — Rav Chessed]. Esse é o significado de "Quão [hebraico " — Ma] imensa é Tua bondade”, porque " é uma alusão à Malchut, filha de Avraham, como está dito na Introdução à Porção Semanal de Bereshit no Zohar.
E esta, por sua vez, é a filha de "Rav Tuvchá" [Imensa é Tua bondade], que é "Rav Chéssed" e que, por fim, é o Rav Chisda [o termo Rav significa imensa ou cheia, mas também rabino].
E ela é destinada "àqueles que Te temem" — que são Rami e Raba, que são Dáat e Iessód, como será explicado.
A questão é que existem dois Acasalamentos nos Mundos Superiores: Um deles é superior e ocorre em Dáat, que é o Acasalamento do Nome — " (Havaiá) com o nome — " (Eheiê). Ambos somados, na numerologia cabalística [guemátria], possuem valor de 47.
O segundo Acasalamento é inferior e é o Acasalamento entre — " (Havaiá) e — " (Elohim), e " " (Havaiá) e — (Adonai). Perceba que — " " (Raba) tem as mesmas letras de — [Be'er - Poço, em hebraico] que alude ao Acasalamento inferior que ocorre em Iessód.
O Raba, pela numerologia cabalística, alude aos dois Acasalamentos inferiores, que envolvem os quatro Nomes mencionados, todos ligados à Malchut com as sete câmaras dela, e que se une com Tiféret, como é sabido.
E é por isso que o Raba respondeu: "E eu sou o último", porque ele é ligado ao Acasalamento Inferior [que é o último].
Rami, por outro lado, alude ao segredo do Acasalamento Superior, que ocorre em Dáat.
Se juntarmos os dois Acasalamentos inferiores que dão o valor numérico do Raba, como mencionado, com o Acasalamento Superior que vale 47, teremos um total de 250 — " [Ner, que significa vela] que é o mesmo valor numérico de — " "Rami". O nome "Rami", além disso, vem de Ram, que significa "Alto", em hebraico, aludindo à Dáat, que 'está no alto'.
Isso indica a sublimidade de Daát, que é o quinquagéssimo portão, chamado de "A ave predadora não conhece este caminho". E esse é o assunto ligado ao Rami bar Chama — " , pois o valor numérico de " (Chama) é 49 e alude aos 49 portões. E Rami é o quinquagésimo portão, que inclui em si 250 — " Acasalamentos, como mencionado.
Por isso as iniciais de - "Quão imensa é a bondade que..." têm o mesmo valor numérico de ", Rami.
É por isso que Rami, que é o superior, se casou primeiro com a filha do Rav Chisda, e só depois o Raba a desposou.
Lembre-se disso, de que Rami bar Chama é o quinquagésimo portão, e que é a Dáat Superior que está na Raiz de Cáin.
No assunto do Rabi Irmiá, o meu mestre, de abençoada memória, também me disse que ele foi abordado no Talmud, no Tratado de Baba Batra 23b quando ele perguntou: "Se uma pata [de um pombo] está nos cinquenta cúbitos, e a outra fora; como decidimos?".
Lá está dito que por causa desta pergunta ele foi expulso da Academia de Estudos.
Esta pergunta foi feita quando se estava discutindo a questão do pombo encontrado em uma distância máxima de cinquenta cúbitos de um curral. É sabido que o Rabi Irmiá sempre estava fazendo perguntas, como está escrito muitas vezes: "Rabi Iermiá perguntou". O que se pode dizer é que sua intenção era boa, pois ele queria exaltar a Torá e aumentar o estudo dela por meio de suas perguntas, mas os Rabis o humilharam e o expulsaram da Academia de Estudos. Por isso ele passou a receber um grande mérito no Mundo Superior, porque todas as perguntas feitas na Academia Celestial eram feitas por ele, ou seja, elas foram feitas por intermédio dele.
Parece-me que o meu mestre, de abençoada memória, me disse que ele ficava na porta da Academia Celestial.
E a intenção de sua pergunta, "Se uma pata está nos cinquenta cúbitos etc.", está conforme o segredo de Zeir Anpin, que é o pombo que fica dentro dos cinquenta cúbitos, que são, na verdade, os cinquenta portões de Biná.
É sabido que quando os Mochin entram ali eles se revestem nas duas pernas da Mãe, Nétsach e Hod daquele local.
E no início uma perna, ou pata, entra no interior de Zeir Anpin, e depois a outra perna, ou pata.
E sobre o porquê de ele ter sido expulso da Academia de Estudo por conta de sua pergunta, não me lembro o que tinha ouvido de meu mestre, de abençoada memória.
Meu mestre, de abençoada memória, também me disse que a raiz de Cáin é das Guevurot, chamadas de "Fogo".
Por isso, as pessoas que são da raiz de Cáin ficam impressionadas e tem muito medo quando veem água, ou até mesmo receiam entrar nela, pois a água apaga o fogo.
Também existe outro sinal para descobrir isso, que é o fato de a pessoa temer muito os demônios e os maus espíritos.
Isso porque todos os maus espíritos saíram ao mundo na hora do nascimento de Cáin, como é mencionado no Zôhar:
Meu mestre também me disse que Cáin era um homem de ação, que sabia desenhar, e que tinha trabalhos manuais como profissão. Isso pode ser visto por Iuval e Ioval, seus descendentes. Mas Hével tem domínio do discurso e da fala, pelo segredo de "Vapor da boca".
Por isso, todo aquele que é da Raiz de Hével é um bom orador e um falante nato, e quem é da Raiz de Cáin não tem tanto poder assim no discurso, mas tem bastante destreza no desenho, na prática do artesanato e nos trabalhos manuais.
Em relação ao assunto do Rabi Akiva, que era um dos descendentes de Sisrá, já foi explicada anteriormente a essência do assunto. Agora vamos expandir um pouco a explicação, pois sem dúvida devemos nos aprofundar no assunto de por que Sisrá tinha uma força tão grande assim, sendo que até "as estrelas pelejaram contra Sisrá." Elas precisaram descer do céu, saindo de sua órbita, para guerrear com ele! Mas a questão é que Sisrá é a Klipá do Mal, que se nutre da Dáat de Zeir Anpin - de todos os seus aspectos, que são os dez nomes — " [Havaiá], cinco Chassadim e cinco Guevurot que, na numerologia cabalística, possuem valor numérico 260 — " " , [ = 26 (x10) = 260] o mesmo valor das letras do meio do nome Sisrá - " . E é sabido que todos os dez nomes Havaiá mencionados, que são de Daat de Zeir Anpin, têm o preenchimento da letra — ’ [hebraico: Milui Alfin] assim:
, pois Zeir Anpin é o aspecto do nome — " [Havaiá]
simples, valendo 26 [26= +++, 10+5+6+5]. Com o preenchimento de Alef assim:
,
ele passa a ser 45; e assim, somando 26 e 45, ficamos com 71, que pode se escrever com: " (Samech = 60, Iud = 10 e Alef = 1), que são as letras restantes do nome: " - Sisrá. Este é o segredo da força que ele possuía.
Tenho dúvidas, no entanto, se estas cinco Chassadim e cinco Guevurot são do lado de Aba ou de Ima.
Não me lembro se ouvi do meu mestre que elas eram do lado de Ima e por isso ele era general do exército de Iavin, rei de Canaan, que se nutria de Biná [em hebraico Iavin e Biná vêm da mesma raiz]; ou se elas eram do lado de Aba, onde o nome de — " (Havaiá) com o preenchimento de Iud assim:
,
tem valor numérico de 72, como o valor do nome — " - Iavin. Porém, pelo fato de Aba ser escondido dentro de Ima e não aparecer a não ser que seja de dentro dela e para fora, ele é chamado de Iavin [ligado a Biná] - e esqueci o que tinha ouvido a respeito disso.
Toda a raiz de Cáin que mencionamos que vem do lado das Cinco Guevurot de Ima, que também é chamada de Guevurot, teve as Klipot aderidas a si. E todas as centelhas desta raiz desceram para o fundo das Klipot pelo segredo da Dáat de Adão Blial [da impureza], que é Sisrá - o segredo de Dáat, como mostrado.
Por isso o Rabi Akiva, que é da raiz de Cáin, está nesta Klipá. Depois ele saiu dela e nasceu como descendente de Sisrá, como é sabido.
O Rabi Shmuel bar Shilat, que era descendente de Hamán, o perverso, como é sabido, também estava dentro da Klipá de Sisrá. Isso é porque tanto Hamán como Sisrá são de uma mesma fonte, pois ambos se encontram na Klipá de Dáat.
E é sabido que o Rav Shmuel bar Shilat era da raiz de Cáin, como mencionamos.
Esse é o segredo do versículo: “as estrelas pelejaram desde os céus," cujas inicias, em hebraico, são as de — " - Hamán. Agora, como a Dáat de Zeir Anpin se rompe e dela sai a luminescência para Léa, que fica nas Costas de Dáat, que por seu lado é o segredo da letra Dalet do filactério da cabeça [que fica do lado de trás da cabeça], ela corresponde a Iessód de Ima que fica dentro de Dáat de Zeir Anpin. E então os Chassadim saem do lado da têmpora direita que fica na cabeça, e as Guevurot saem da têmpora esquerda.
Por isso está escrito "bateu em Sisrá, tirou lhe a cabeça, fez lhe feridas e transpassou-lhe as têmporas," pois ela derrotou aquele domínio que Sisrá possuía quando se nutria do local mencionado. E é por isso que esta vingança se deu pelas mãos de Iael, mulher de Héver, o Keneu, que é da raiz de Cáin mencionada, e que foi entregue à Klipá de Sisrá.
Eu já havia te informado a respeito da encarnação de Iael e sua existência, que ela é da raiz de Cáin, pelo segredo de Abaiê que veio da Casa de Eli — "; e Abaiê é de Cáin.
Por isso Iael — " " e Eli — são de uma mesma fonte, como explicado no devido lugar.
Sobre o assunto dos dez Mártires do Reino, do Rabi Akiva e.de seus colegas, ouvi do meu Mestre, de abençoada memória que, já que eles morreram santificando o nome do Santíssimo, bendito seja, eles tiveram o mérito de recolher e purificar todas as centelhas de almas que estavam abaixo de seu nível; as que estavam no fundo das Klipot. Foi por meio deles que elas foram retiradas de lá e limpas E foram eles que as elevaram para a Santidade, para que se completassem e se corrigissem.
Ainda existe outro ponto que é o de que, até aquele momento, havia força suficiente nas almas que estavam dentro das Klipot para saírem dali e se elevarem pelo segredo das Águas Femininas, e chegar até Malchut. Porém, dali em diante não havia mais força nem possibilidade deste procedimento ocorrer.
Por isso eles precisaram ser mortos, para se elevarem pelo segredo das Águas Femininas e servirem no seu local adequado, de acordo , com o aspecto de Águas Femininas para Malchut.
E ainda há nisso outro beneficio, que é o de por causa deles estarem com ela [Malchut] no alto, pelo segredo das Águas Femininas, as centelhas que estavam abaixo deles receberam a esperança de serem corrigidas. A explicação disso é conforme foi esclarecido, que estes dez são a totalidade de todo o [povo de] Israel, pois eles são o aspecto das Dez Tribos e das Dez Gotas de Sêmen que saíram de Iossef, o Justo, como já foi explicado anteriormente.
Continua