Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte 4
Introdução 4
[A Justiça Divina é perfeita, pois todas as leis cósmicas que governam a alma são feitas para ajudar a alma no seu caminho para a auto perfeição. Essas leis não têm a intenção de punir a alma, mas sim de purificá-la. O objetivo final da reencarnação é corrigir o pecado de Adão e Eva, que trouxe a morte sobre a humanidade.
O objetivo é alcançar a imortalidade e participar do evento da ressurreição dos mortos; o que podem ser considerado a recompensa final. Portanto, é importante compreender as leis cósmicas da reencarnação, a fim de atingir esse objetivo final.
Nesta introdução o Ari discorre ainda mais sobre o tema de como a Néfesh possa atingir o seu Rúach e Neshamá em duas situações diferentes: (1) quando a pessoa reencarna pela primeira vez com todas as três partes e (2) quando a pessoa reencarna pela primeira vez apenas com sua Néfesh. E também inclui o tema da reencarnação dupla.]
Esta Introdução trata da reencarnação, e explicaremos a encarnação dupla. Existem duas outras distinções que se aplicam somente às encarnações. Em primeiro lugar, se uma pessoa encarnada, na sua primeira vez, adquire sua Néfesh, Rúach e Neshamá e então peca e macula essas partes, na sua próxima reencarnação ela não poderá corrigir tudo de uma vez, a não ser usando o dispositivo que foi explicado anteriormente. Ao ir para cama ela deve recitar o versículo "Minha Néfesh Te tem buscado a cada noite".
Em segundo lugar, se uma pessoa encarnada pela primeira vez ganhar somente a sua Néfesh, pecar e a macular, quando ela reencarnar ela pode ganhar a NaRaN naquela mesma encarnação.
Isso ocorre, pois como anteriormente a pessoa não danificou seu Rúach e Neshamá, eles podem se unir à Néfesh depois dela ter sido corrigida, como se fosse uma primeira encarnação, como está dito [no Zôhar, Saba de Mishpatim], "Se houver mais méritos...". Esse não é o caso, no entanto, quando todos eles vieram juntos para a pessoa na primeira vez e foram todos maculados, pois como poderia uma Néfesh corrigida se tornar o veículo de um Rúach ou Neshamá maculado? Portanto, se a pessoa só maculou a Néfesh na primeira vez [e o Ruách e a Neshamá daquela pessoa não encarnaram], todos os três podem voltar juntos em uma mesma encarnação posterior.
Parece-me, na minha humilde opinião, que todo o aspecto de correção, ou seja, o cumprimento dos preceitos, é ligado aos "órgãos" da Néfesh. Por outro lado, o aspecto da mácula é resultante da violação dos preceitos negativos.
É sabido que a entrada completa da Néfesh no corpo só se dá por meio do cumprimento dos preceitos, e é a isso que se chama correção da Néfesh — (hebraico Ticun HaNéfesh).
[Em outras palavras, o desempenho ativo das Mitsvot atrai as Centelhas da Néfesh.
Ainda assim, a pessoa pode danificá-los por transgredir as proibições].
No entanto, os pecados maculam a Néfesh, embora não impeçam que centelhas adicionais entrem no corpo.
Porém, existem duas outras particularidades neste assunto. Se for a primeira vez que a pessoa vem ao mundo e se ela conseguiu apenas a Néfesh, e se ela não conseguiu corrigi-la totalmente e morreu, então, como este é o primeiro corpo que não foi capaz de completar a correção de todos os níveis da Néfesh, portanto, no momento da ressurreição dos mortos, este corpo só receberá a parte especifica da Néfesh que corrigiu enquanto estava viva.
Assim, quando a Néfesh reencarna em um segundo corpo para completar sua correção, ela pode atingir NaRaN — ”. Neste caso, todas as partes da Néfesh que foram corrigidas no segundo corpo, junto com o total do Rúach e da Neshamá, pertencem ao segundo corpo na hora da Ressurreição.
Deste modo, o primeiro corpo não tem parte alguma no Rúach e na Neshamá, mas ele partilha com o segundo um pouco da Néfesh; aquelas partes dela que foram corrigidas por ele.
O resto das partes da Néfesh pertence ao segundo corpo. Isso é o que foi explicado no Saba de Mishpatim sobre o Ibum. Como o primeiro corpo não teve sucesso na procriação, ele só tem o mérito de uma centelha particular da Néfesh.
Essa é a centelha que foi deixada dentro da mulher durante seu primeiro contato íntimo.
No entanto, o resto das partes da Néfesh, junto com o Rúach e a Neshamá, pertencem ao segundo corpo.
Esse é o segredo do que está escrito no Zohar: "Os corpos que não tiveram sucesso é como se não tivessem existido".
Isso é estranho, pois é sabido que não há uma pessoa de Israel que não esteja "repleto de preceitos cumpridos, como uma romã." Então, por que um corpo sem sucesso deveria ser considerado como se não existisse quando chegar a época da Ressurreição? A verdade é que isso se refere à ideia exposta, de que a essência do prazer no futuro é designada ao Rúach e à Neshamá.
Então, esse primeiro corpo que não tem sequer uma Néfesh completa, mas apenas uma centelha particular "deixada na mulher durante seu contato íntimo", não terá prazer.
Portanto, é nesse sentido que é como se não existisse. Porém, se este primeiro corpo [da pessoa que encarnou apenas com a Néfesh] conseguisse corrigir toda sua Néfesh, mas depois a maculasse, então quando essa Néfesh voltasse a reencarnar com o Rúach e a Neshamá no segundo corpo, [elas retornam juntas porque na primeira encarnação apenas a Néfesh apareceu], eles o fariam com uma centelha de outra Néfesh, que poderia ajudá-los a cumprir os preceitos. Isso é chamado de "Encarnação Dupla" [pela razão óbvia de ter duas Nefashot (plural de Néfesh) no mesmo corpo, desde o nascimento]. Lembre-se bem disso.
Neste caso, mais tarde, na ressurreição dos mortos, o NaRaN [ ” ] vai retornar ao primeiro corpo.
O segundo corpo só vai merecer a centelha da Néfesh extra que lhe veio, já que ela foi o principal veículo para ele se corrigir, enquanto a Néfesh original foi completamente corrigida no primeiro corpo [e, portanto, pertence a ele].
Assim, ela — a Néfesh do segundo corpo — terá trabalhado, na verdade, para outro corpo, como foi aludido pelo Rav Sheshet, que disse: "Regozije-se minha Néfesh! Regozije-se minha Néfesh! Por você eu leio..., por você eu aprendo."
[O Rav Sheshet percebeu que ele havia estudado e aprendido para outra Néfesh que não a sua. (Veja no final desta Introdução)]
Agora, temos de saber que, se uma pessoa mereceu sua Néfesh, Rúach e Neshamá, mas depois as maculou, conforme foi explicado; quando ela voltar a reencarnar, as três não voltam juntas.
Cada uma deve retornar em uma reencarnação separada. Mas quais são as leis que regem a correção de cada uma delas? Saiba, que quando uma Néfesh reencarna em um corpo para se corrigir e de fato se corrige, então o Rúach não consegue se unir a ela, como nós já mencionamos, porque, como um Rúach maculado pode se unir a uma Néfesh já corrigida?
E certamente um Rúach maculado não pode se unir à Néfesh antes que ela esteja corrigida, porque o Rúach só pode entrar no corpo depois de a Néfesh estar completa ali, pois ela é de um nível inferior. Sendo assim, o Rúach deve reencarnar sozinho com a Néfesh de um convertido em vez de com a sua própria Néfesh, e lá ele se corrigirá. Do mesmo modo, a Neshamá entrará sozinha em outro corpo, junto com a Néfesh de um convertido.
Esse é o segredo do que está escrito no Saba de Mishpatim: "A Neshamá que encontra a Néfesh dos convertidos... e possui méritos por conta delas". Um Rúach sozinho, ou uma Neshamá sozinha, só podem entrar em um corpo se houver uma Néfesh lá.
No lugar da sua própria Néfesh, eles pegam a Néfesh de um convertido, e através dela atingem a correção.
[No que se segue o Ari explica que a alma (Néfesh, Rúach e Neshamá) de uma pessoa pode reencarnar ao mesmo tempo em diferentes organismos. Neste caso, as partes separadas da alma podem "convidar" sobre si outras partes da alma dos Tsadikim, como auxiliares.]
Tendo dito isso, podemos responder a um tópico importante. A maioria das pessoas só merece receber a sua Néfesh. E só uma pequena parcela dessas últimas gerações consegue ter o mérito para receber seu Rúach e Neshamá.
Mas, ainda assim, nós sabemos que o filho de David [o Messias, ou o Salvador] não virá até que todos os Ruchot e Neshamot sejam corrigidos. Do que foi dito, podemos concluir que o Rúach e a Neshamá podem reencarnar em outros corpos, com a Néfesh de um convertido, e eles também se corrigem no processo.
E ainda mais do que isso, quando a Néfesh original eventualmente atinge sua correção, ela pode receber no lugar do seu próprio Rúach, o Rúach de um justo, cujos atos foram similares ao da pessoa. Ele entrará no lugar do próprio Rúach dela.
E assim ele se completa.
De modo similar, a pessoa pode ganhar a Neshamá de um justo. Se a Néfesh deixar esse mundo antes que o seu Rúach original tenha terminado sua correção, então ela pode, nesse meio tempo, acompanhar o Rúach do justo ao Mundo Vindouro e, através dele, receber a recompensa que lhe cabe.
Uma vez que o seu próprio Rúach completar sua correção pela sua própria reencarnação em outro corpo, como explicado acima, a Néfesh diz "Eu vou retornar ao meu primeiro marido", e ela se vai para se reunir com o seu Rúach.
De modo similar, uma vez que a Neshamá se corrige, sua Néfesh e seu Rúach retornam para se tornarem um só com ela. [Devemos entender que a reencarnação não é necessariamente um castigo, mas sim uma oportunidade de crescer, evoluir e aperfeiçoar a consciência da nossa alma.
Dessa maneira, recebemos mais luz e aproximamo-nos do Criador. Embora para os ímpios possa ser que as coisas não pareçam assim, porque o ímpio sente que ele é forçado a reencarnar e suportar o peso da vida. Já os justos reencarnam de bom grado e seguindo seu livre-arbítrio, eles não sentem nenhuma obrigação.
É a consciência espiritual que separa os maus e os justos. Por conseguinte, é a ignorância dos ímpios que é a principal causa do sofrimento e da dor.]
Agora vamos explicar a diferença entre a reencarnação de um justo e de um perverso.
Isso vai permitir que nós entendamos melhor as diferenças entre alguns versículos e alguns pontos controversos discutidos pelos nossos Sábios. Por conta de alguns versículos, poderíamos achar que uma pessoa só reencarna até três vezes, como, por exemplo, de acordo com o significado secreto do versículo "Vê que o Divino pratica tudo isto duas, e mesmo três, vezes para com o ser humano."
Também há o significado secreto dos versículos "Por três transgressões de Israel, mas ante a quarta, não afastarei o seu castigo!" e "Cobro a iniquidade dos pais nos filhos, sobre terceiras e sobre quartas gerações." E, apesar disso, está escrito no Sêfer HaTicunim que um justo reencarna até mil gerações.
E ainda existem outras fontes similares a essa. Como explicar isso?
Na verdade, o próprio versículo soluciona o problema. As "quatro gerações" se referem aos perversos, como está dito "Cobra a iniquidade dos pais..., aos que Me aborrecem." Em contraste a isso, a quem Ele "faz misericórdia até duas mil gerações"? O mesmo versículo responde: "aos que Me amam e aos que guardam Meus preceitos".
[Os que aborrecem ao Divino são os perversos, e é a eles que o limite de quatro gerações na reencarnação se aplica.
Aqueles que amam ao Divino são os justos, que têm direito a reencarnar por "duas mil gerações"].
A explicação, então, é a seguinte: Saiba, que quando a Néfesh de uma pessoa vem ao mundo pela primeira vez e peca, se tornando maculada e forçada a reencarnar em outro corpo para poder se corrigir, essa é considerada sua primeira reencarnação.
Se ela não se corrigiu, ela retorna em uma segunda reencarnação.
Se também não for corrigida ali, volta em uma terceira reencarnação; mas daí em diante ela não consegue atingir sua correção por meio da reencarnação novamente.
Sobre ela se diz "essa Néfesh será cortada de seu povo completamente." No entanto, isso se dá somente quando uma pessoa falhou em cumprir qualquer correção ao longo das três primeiras encarnações. Por outro lado, se em algum momento dessas três reencarnações a pessoa começou o processo de correção, mesmo que seja muito pouco, sua Néfesh não será cortada.
É até possível que ela tenha o direito de retornar para alcançar a correção ao longo de mil gerações, se assim for necessário. Sendo assim, aquele que não atinge nível algum de correção é chamado de "perverso", mas aquele que corrige mesmo um pouco é chamado de "justo".
Todas suas encarnações subsequentes vão completar o processo de correção.
Eu acredito, na minha humilde opinião, ter ouvido do meu mestre, de abençoada memória, que isso tudo só vale para a Néfesh, já que ela é do mundo de Assiá, que é imerso nas Klipot.
É por isso que esta excisão (Caret) é mencionada somente com relação à Néfesh, porque só ela pode ser 'cortada' da santidade e ficar imersa e afundada nas Klipot.
No entanto, as Klipot não têm todo esse poder sobre o Rúach e a Neshamá, que são de Ietsirá e de Beriá.
Portanto, uma pessoa consegue corrigir estas partes sem maiores problemas, apesar de haver aqueles que completam a correção rapidamente e aqueles que chegam lá depois de muito tempo e tendo passado por muitas reencarnações.
Como isso é possível?
Já discutimos o versículo em que está escrito que Elohim "cogitará pensamentos para que não se desterre a Néfesh de alguém." Ou seja, este versículo significa que nenhuma Néfesh desce ao mundo das Klipot e fica excomungada ali para nunca mais ser redimida novamente. No entanto, esse assunto pode ser entendido da seguinte maneira: O bem que foi acumulado durante as três encarnações é espalhado entre outras pessoas.
O mal que agora é deixado isolado e sozinho é dissipado e destruído. Existe outra diferença entre um justo e um perverso que será elucidada agora, e ao fazer isso seremos capazes de entender o que os Sábios escreveram a respeitos de Elishá, que era chamado de Acher (o outro): 'Ele se salvou do julgamento, porque estudava a Torá' (Tratado de Chaguigá, folha 15b e o que aparece na Introdução 9).
[Seu nome completo é Elishá ben Abuiá.
Ele era um dos quatro sábios - junto com o Rabi Ben Azai, Rabi Ben Zuma, e o Rabi Akiva - que entrou no Pardês (Pomar). Em hebraico, as letras — ", que formam a palavra Pardês, são um acrônimo de quatro palavras em hebraico que descrevem os quatro diferentes níveis de compreensão da Torá.
A letra Pê — que significa Pshat em hebraico representa a compreensão simplista da Torá; a letra — , de Remez, representa as contradições e inconsistências que servem como sugestões para despertar a curiosidade de perguntar e incentivar a busca por um significado mais profundo; a letra — , de Derash, representa as explicações homiléticas, as fábulas e as mensagens éticas que podem ser extraídas da Torá; e a letra — , de Sod, representa a mais profunda compreensão espiritual da Torá, que se estende para além da realidade fisica e a percepção dos cinco sentidos, isso é conhecido como a Divina Sabedoria da Cabalá.
Foi só o Rabi Akiva que foi capaz de entrar em todos os quatro níveis. Por isso se diz que ele entrou em paz e saiu em paz. A palavra hebraica para paz é Shalom, que significa também Shalem, perfeito ou todo.
O Rabi Elishá ben Abuiá não entrou no Pardês todo e tornou-se um herege. Essa é a razão pela qual ele era chamado de Acher, ou seja, o outro.]
Se um justo estuda Torá, especialmente se ele é um daqueles das "primeiras gerações", ele não pode ser sentenciado ao Guehinóm. Mas, ao mesmo tempo, ele deve ser purificado de seus pecados para poder entrar no Jardim do Éden.
É por isso que não há outro meio de correção para ele a não ser a reencarnação.
Para cada um dos pecados que ele ainda tem e que ele não expiou através do sofrimento em vida, e para o qual ele não pode receber um castigo no Guehinóm, ele terá que reencarnar separadamente. Assim, ele reencarnará quantas vezes forem necessárias para expiar e poder corrigir seus pecados.
Esse não é o caso do perverso, que pode ir ao Guehinóm e ter todos os seus pecados expiados de uma só vez.
Ele, então, não precisa voltar a reencarnar.
[Aqui testemunhamos um caso de maldade no qual se a pessoa tiver permissão para reencarnar, ela só vai piorar as coisas para a sua alma. Portanto, a reencarnação não vai ajudar.
Então, ela é levada ao Guehinóm para purificação.]
Agora se abre espaço para uma pergunta.
Não seria preferível ir imediatamente ao Guehinóm para purificar todos os pecados, em vez de ficar retornando através de diversas reencarnações? Como se pode ver, a partir disso, torna-se claro que o conceito de inferno (Guehinóm) e Paraíso (Gan Éden — o Jardim do Éden) é concebido completamente diferente do que comumente se entende sobre o Julgamento Divino, no qual os ímpios são condenados ao Inferno, e os Justos merecem o Paraíso.
O Ari explica a verdade: De acordo com o Julgamento Divino, reencarnar é um privilégio dado às almas que têm uma chance de melhoria. Estes são considerados como os Justos.
Enquanto que aqueles que não têm chance de melhorar e corrigir a sua alma são privados dessa chance e são enviados para o inferno para serem purificados.
Humildemente, eu, Chaim Vital, vou responder a essa pergunta. O Santíssimo, bendito seja, é Onisciente, e sabe que se uma pessoa perversa reencarnar ela só fará acrescentar os seus pecados e a abundância de suas transgressões vai sobrepujar os seus méritos.
Como Ele sabe que a pessoa já cumpriu alguns preceitos que são totalmente vitais à raiz da sua Néfesh, é melhor que ela seja removida do mundo.
O Santíssimo, bendito seja, então remove de fato a pessoa do mundo e a rebaixa ao Guehinóm para purificar os seus pecados, enquanto que o mérito dos seus preceitos cumpridos permanece intacto, pois "Ele deseja misericórdia!"
No entanto, com relação ao justo, cujos pecados são menores que os preceitos cumpridos, o sofrimento das reencarnações é suficiente para purificá-los.
Assim, o que permanece são seus diversos méritos e boas ações, que ele continua aumentando em cada encarnação.
Sua recompensa será tremenda, sem limites.
Isso está conforme o que os Sábios disseram: "O Santíssimo, bendito seja, queria dar méritos a Israel e, portanto, lhes deu a Torá e multiplicou os preceitos."
Anteriormente nós falamos da encarnação do Rav Sheshet, quando discutimos o conceito de Encarnação Dupla.
O Talmud diz que o Rav Sheshet era cego.
Quando ele estudava Torá ele ficava radiante e dizia "Regozije-se minha Néfesh! Regozije-se minha Néfesh! Por você eu leio... por você eu aprendo!"
Parece que essas palavras não tem sentido, pois ele estava beneficiando a si mesmo, e não a qualquer outra pessoa, como se diz: "Se és sábio, o és para teu beneficio."
Além disso, por que ele disse especificamente "minha Néfesh"? E por que há tudo isso registrado sobre o Rav Sheshet e sobre mais ninguém?
Para responder a essas perguntas nós precisamos de uma introdução com relação à encarnação do Rav Sheshet
Saiba que Baba ben Buta, o Pio, era aluno de Shamai, o Ancião. Todos os dias de sua vida ele trouxe ao Templo uma oferenda pela Transgressão Dúbia (Em hebraico, Asham Safec). Foi o Baba ben Buta que voltou como reencarnação no Rav Sheshet para completar alguma correção que era necessária. Como o Rei Herodes tinha tirado os olhos do Baba ben Buta, ele — o Rav Sheshet — nasceu cego, como é sabido.
Além disso, na forma de Guemátria chamada de Atbash, as letras do nome Baba se tornam as letras do nome Sheshet — " =". (O termo Atbash — "se refere a um método que consiste em reverter a ordem das letras e substitui-las uma pela outra. Por exemplo, a primeira letra hebraica é trocada com a primeira letra do final do alfabeto; a segunda letra é trocada pela penúltima letra, etc.)
Agora conseguimos chegar à explicação.
Uma pessoa que não completa sua correção na primeira encarnação, mesmo que seja por pouco, deve voltar para completá-la em uma segunda encarnação.
Portanto, quando a pessoa completou sua Néfesh na primeira encarnação com exceção de uma pequena parte e depois reencarna uma segunda vez, todas as recompensas pela Torá estudada e pelos preceitos cumpridos na segunda encarnação são em prol da Néfesh que veio completar sua correção neste segundo corpo.
Na época da Ressurreição, a Néfesh retornará ao primeiro corpo, no qual a maioria da Torá e dos cumprimentos requeridos foram feitos. Ela só veio no segundo corpo de maneira "emprestada". O Rav Sheshet sabia que a sua Néfesh tinha estado primeiramente no corpo do Baba ben Buta, um homem de grande sabedoria e bem famoso por sua piedade.
[De acordo com o Talmud, ele era conhecido como uma pessoa muito piedosa, e por consequência do seu atributo de piedade, o Baba Buta constantemente oferecia o Sacrifício da Dúvida no Templo Sagrado. Este sacrifício era ofertado quando a pessoa estava em dúvida se tinha ou não pecado.]
Ele sabia que a Néfesh só reencarnou nele uma segunda vez para corrigir uma pequena parcela de algo que tinha ficado incompleto. Isso fez o corpo do Rav Sheshet se entristecer, porque significava que todos os seus esforços eram para sua Néfesh que, no final, iria retornar ao primeiro corpo, o do Baba ben Buta, na época da Ressurreição. Todo mérito pela Torá que ele estudava e por todo preceito que ele cumpria era para sua Néfesh, e não para o seu corpo em si. Por isso era a Néfesh que tinha que se regozijar, e não o corpo. Assim, ele dizia "Regozije-se minha Néfesh" e não só "Regozije-se". Ele ainda falava: "Por você eu leio... por você eu aprendo", isto é, para o seu beneficio, e não para o meu próprio.
Continua